sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011 no Cinema: A Árvore da Vida, Capitão América e Meia-Noite em Paris

Melhor Fotografia
A Árvore da Vida
Emmanuel Lubezki

Conhecido venenosamente nas rodinhas como a maior apresentação em Power Point já feita, A Árvore da Vida contava com a perspectiva do garoto Jack O'Brien sobre os acontecimentos, o que, surpreendetemente, poucos levaram em conta. Sequências turvas, capturadas de baixo para cima (perspectiva infantil), sem falar na oposição das cenas protagonizadas por Jessica Chastain (paz e serenidade da figura materna) e àquelas em que Brad Pitt é mostrado (medo da figura paterna),  destacando bem a dicotomia feita pelos meninos da imagem que tinham do pai e da mãe, A Árvore da Vida merece, inescapavelmente, um prêmio pela sua fotografia. Filmado como uma sequência descordenada e não linear de acontecimentos - porque assim são nossas lembranças na infância - e, muitas vezes, materializando os sentimentos do protagonista, a fotografia de A Árvore da Vida é um departamento essencial e harmônico com os propósitos do filme. Emmanuel Lubezki teve uma fundamental participação na construção da grande obra, até o momento, da carreira de Terremce Malick. Tão sensorial quanto o próprio longa.

Em anos anteriores: A Rede Social de Jeff Cronenweth (2010), O Curioso Caso de Benjamin Button de Claudio Miranda (2009), Não Estou Lá de Edward Lachman (2008), Zodíaco de Harris Savides (2007) e Dion Beebe de Memórias de uma Gueixa (2006).


Melhor Direção de Arte
Capitão América - O Primeiro Vingador
Rick Heinrichs

Contrariando a leva de super-heróis que surgiram nos últimos anos no cinema - até mesmo Thor, onde todos esperavam um pouco menos de realismo - Capitão América - O Primeiro Vingador foi uma grande surpresa. Recuperando o clima das matinês com uma estética retrô-futurista, o filme de Joe Johnston é uma história em quadrinho filmada sem tornar-se refém do material referencial, ou seja, ele não confunde as linguagens e compreende que acima de qualquer coisa, Capitão América - O Primeiro Vingador é um filme (não é, Sr. Zack Snyder?). Quando a tendência pelo realismo e pelos heróis sombrios se instalaram com Christopher Nolan e sua trilogia Batman - o que funciona muito bem com o personagem -, todos quiseram ser Nolan. No entanto, Capitão América preserva-se e diferencia-se por não se envergonhar de suas origens: sim, somos um filme de super-heróis, contamos uma história fantástica e não nos envergonhamos disso! O longa da Marvel tem uma qualidade artística impressionante, dentre estes aspectos se destaca a direção de arte. Alguém se lembra da cena em que Steve Rogers aparece pela primeira vez com o uniforme se apresentando ao som de "Star Spangled Man", da feira de tecnologias que Bucky leva Steven no início do filme ou mesmo da riqueza de detalhes dos bunkers militares?

Em anos anteriores: Alice no País das Maravilhas de Robert Stromberg (2010), Austrália de Catherine Martin (2009), Desejo e Reparação de Sarah Greenwood (2008), A Pele de Nick Rabolvsky (2007) e Filhos da Esperança de Jim Clay e Geoffrey Kirkland (2006).

Melhor Figurino
Meia-Noite em Paris
Sonia Grande

Os filmes de Woody Allen não chamam atenção para si. Não são seus aspectos externos que contam na narrativa (figurinos, direção de arte, nada disso), mas sim seus personagens. No entanto, Meia-Noite em Paris surpreendeu com um guarda-roupa que reproduziu com fidelidade, elegância e sem as rotineiras histrionices que afetam produções de época. Discreta, Sonia Grande realizou um trabalho muito bonito ao idealizar as vestimentas dos célebres personagens da Paris dos anos 20 e ainda encontra tempo para realçar Adriana, personagem de Marion Cotillard, sem distoá-la de todo o filme, sem falar no desafio de, no mesmo filme, retratar os trajes da Belle Époque, período que fascina Adriana e que, involuntariamente, transporta acaba sendo visitado também pelo personagem de Owen Wilson . Mais uma vez, um trabalho que acerta ao não se sobrepor a sua própria narrativa, porque assim é o seu próprio realizador.

Em anos anteriores: A Jovem Rainha Vitória de Sandy Powell (2010), Austrália de Catherine Martin (2009), Desejo e Reparação de Jacqueline Durran (2008), A Maldição da Flor Dourada de Yee Chung Man (2007) e Memórias de uma Gueixa de Colleen Atwood (2006).

Melhor Maquiagem
Cisne Negro

Apesar de recorrer à clássica montagem do Lago dos Cisnes como inspiração, a maquiagem de Cisne Negro é muito bem aplicada, servindo como amparo estético para as alucinações da própria Nina Sayers de Natalie Portman. O trabalho da equipe do cineasta Darren Aronofsky ainda é melhor no momento da apresentação final, onde deve dar conta da criação o Cisne Negro e do Cisne Branco. Arcando com poquíssimos efeitos digitais, grande parte dos fantasmas de Nina são gerados por efeitos visuais (os bons e sempre pertinentes "truques") ou sua maquiagem, já icônica em nove e cada dez festas de Halloween pelos próximo anos.

Em anos anteriores: Alice no País das Maravilhas (2010), O Curioso Caso de Benjamin Button (2009), Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), Apocalypto (2007) e Memórias de uma Gueixa (2006). 

Veja lista completa de indicados aqui.

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