sábado, 31 de dezembro de 2011

2011 no Cinema: Melancolia e Tudo pelo Poder

Melhor Roteiro Original
Melancolia
Lars Von Trier

Dividido em atos, como acontece normalmente com os filmes de Lars Von Trier, Melancolia é um dos melhores trabalhos da carreira do dinamarquês que utiliza o fim dos dias na Terra como mote para a construção de duas incríveis personagens, interpretadas por Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg. O diretor e roteirista desenvolve seu filme em teorias e construções psicológicas sólidas ao oferecer um outro lado da moeda e sugerir que, invariavelmente, abraçar a melancolia, tomarmos consciência de nossa própria tristeza e não forjar sentimentos e seguranças, é o melhor caminho. Enquanto Justine toma consciência de suas próprias escolhas e da realidade pasteurizada ao seu redor, Claire prefere mascarar suas próprias inseguranças com um controle e uma particidade claramente forjados para esconder sua fragilidade emocional. Com a proximidade do fim, Claire se desespera diante de uma situação que foge aos seus domínios e Justine revela-se serena e ciente de que não há nada mais que possa ser feito. Melancolia é a redenção do próprio Lars Von Trier, que sai do pessimismo com a humanidade, demonstrado em filmes como Anticristo e Dogville, para a crença de que a única salvação para a mesma é o afeto, nossa única herança na Terra, nada mais importa.

Em anos anteriores: Christopher Nolan por A Origem (2010), James Gray e Ric Menello por Amantes (2009), Woody Allen por Vicky Cristina Barcelona (2008), Peter Morgan por A Rainha (2007) e Michael Arndt por Pequena Miss Sunshine (2006).

Melhor Roteiro Adaptado
Tudo pelo Poder
George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon

Somente um homem tão politizado quanto George Clooney poderia dar a Tudo pelo Poder o escopo que o filme tem. Inclinado ao Partido Democrata, Clooney foi corajoso ao adquirir os direitos da peça de Beau Willimon e traduzir o real sentimento do povo norte-americano com seu atual governo, desmistificando a ideia de que o quadro político é polarizado por partidos extremos que representam os arquétipos de bom e mau. A idealização do governo Obama se arrefeceu e o que restou foi a imagem de que, infelizmente, os meandros da democracia estão corrompidos. Não tem para onde correr, o que menos interessa aqui é o bem estar da nação. Clooney, Willimon e Heslov, habitual parceiro nos filmes de Clooney, como Boa Noite e Boa Sorte, criam uma trama engenhosa, repleta de reviravoltas. O longa é pertinente e dialoga diretamente com o atual momento dos EUA. Em um ano marcado pelo cinema autoral (muitos diretores e roteiristas como em Terrence Malick, Darren Aronofsky, Abbas Kiarostami, Lars Von Trier e David Michôd), Clooney é mais um representante com Tudo pelo Poder.

Em anos anteriores: Aaron Sorkin por A Rede Social (2010), Peter Morgan por Frost/Nixon (2009), Christopher Nolan e Jonathan Nolan por Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), Todd Field e Tom Perrotta por Pecados Íntimos (2007).

Veja lista de indicados aqui.

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