segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Oscar 2012: O Improviso que deu certo

Produtor, diretor e elenco de O Artista sobem ao palco pra receber o Oscar de melhor filme.
A 84ª entrega do Oscar ofereceu a cerimônia que todos esperavam: prêmios justos, grandes esnobadas e muito, mas muito pouco drama. Tudo resultado da mudança às pressas do apresentador da edição de 2012 do prêmio e do produtor envolvido na festa. No lugar de Brett Ratner e Eddie Murphy – o primeiro ficou envolvido em declarações preconceituosas desnecessárias sobre homossexualidade e o segundo retirou-se da apresentação em consideração ao amigo – foram substituídos por Brian Grazer e Billy Crystal. Talvez por isso tudo, em termos de espetáculo, tenha sido tão óbvio (Cirque Du Soleil, sério? Que original!).

A competição também não ajudou a tirar o clima de favoritismo de dois filmes na noite: O Artista e A Invenção de Hugo Cabret, cada um vencedor de 5 estatuetas. O Artista venceu as categorias principais, o que o legitimou como o vencedor na categoria de melhor filme. Já A Invenção de Hugo Cabret fez mais sucesso que o esperado em categorias técnicas e artísticas, um sucesso merecido, diga-se de passagem.

Jean Dujardin e o cachorrinho Uggie: Oscar de melhor ator para O Artista.
O Artista faturou o grande prêmio da noite, um Oscar que não ficaria em péssimas mãos caso Scorsese e seu Hugo Cabret  tivesse sido o grande prêmio desta edição. Da lista de nove indicados, três foram sublimes: O Artista, A Invenção de Hugo Cabret e A Árvore da Vida. Como é difícil estabelecer parâmetros com  A Árvore da Vida, um caso à parte, o Oscar faria justiça se premiasse O Artista ou Hugo Cabret. Corações divididos e O Artista vence com méritos. Particularmente, fazia anos que não gostava tanto de um vencedor do Oscar (o último foi Beleza Americana em 1999).

Outros favoritismos para o filme mudo de Michel Hazanavicius que se confirmaram foram nas categorias melhor direção e melhor ator. Ainda que o longa de Martin Scorsese seja encantador, Hazanavicius merece as honras por ter transformado seu pequeno filme em uma obra tão legítima e carinhosa com a sétima arte, a grande homenageada do ano. De longe, Hazanavicius encontrou mais dificuldades na confecção de um trabalho artesanal. Scorsese tinha uma equipe competentíssima, os melhores profissionais em suas áreas, e anos de bagagem. Hazanavicius só contava com a vontade de realizar um filme tão gracioso quanto O Artista. E como foi glorioso ver Jean Dujardin vencer o Oscar de melhor ator. Ainda que a imprensa estrangeira tenha insistido em alardear que a disputa desta edição estava entre George Clooney e Brad Pitt (falta de gente tarimbada na cobertura do Oscar é fogo!), estava óbvio que o francês seria o grande vencedor da premiação. Sem sombra de dúvidas, merecido.
O longa também levou as estatuetas de melhor trilha sonora original, um trabalho incrível de Ludovic Bource em composições que sustentam toda a trama, uma aposta também óbvia de vitória.  Talvez a grande surpresa entre os Oscars de O Artista tenha sido na categoria melhor figurino. Enquanto todos apostavam nas cores e na opulência de W.E. ou Jane Eyre, O Artista venceu até mesmo Hugo Cabret.

O casal Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo ganham um dos cinco prêmios de A Invenção de Hugo Cabret: melhor direção de arte.
Vamos ao outro grande vencedor da cerimônia. A Invenção de Hugo Cabret confirmou a excelência de sua equipe artística e técnica, gente que trabalha há anos com Martin Scorsese. O mais merecido e óbvio prêmio do longa foi o de melhor direção de arte, praticamente imbatível. No entanto, o primor estético do filme traz uma linha tênue na definição da grande culpada por tamanha beleza.

O que faz Hugo ser um filme arrebatadoramente deslumbrante? Sua direção de arte? A fotografia? Os efeitos visuais? Talvez uma combinação dos três elementos, mas a justiça maior está na premiação da direção de arte. No entanto, a Academia entendeu por bem premiar o filme também com os Oscars de melhor fotografia e melhores efeitos visuais. Com isso, trabalhos pioneiros e históricos, como a fotografia de A Árvore da Vida e os efeitos visuais de Planeta dos Macacos – A Origem foram praticamente ignorados. Uma injustiça que provavelmente será lembrada daqui há alguns anos. Só não é tão revoltante por estes prêmios estarem nas mãos de A Invenção de Hugo Cabret. O filme também levou os Oscars de edição de som e mixagem de som, uma decisão interessante da Academia já que tradicionalmente estes prêmios tendem a ser dados a filmes mais barulhentos, blockbusters.
Meryl Streep leva o tão esperado terceiro Oscar de sua carreira: melhor atriz por A Dama de Ferro.
 Com duas estatuetas, as únicas indicações para o filme, A Dama de Ferro venceu dois Oscars, um merecido e outro não. Meryl Streep é um assombro, uma grande atriz. Por ser a grande figura que ela é e representa na história do cinema, não merecia ter sua biografia manchada pela vitória em um filme tão oco quanto A Dama de Ferro. Sim, ela está soberba, como de costume. Mas o filme de Phylida Lloyd é tão ruim e oferece tão pouco de Margaret Tatcher ao público e para a composição da atriz, que nem mesmo os esforços de Streep salvam a produção. Um verdadeiro engodo cinematográfico. Entre as favoritas, o prêmio estaria em mãos melhores com Viola Davis, de Histórias Cruzadas. E não me venham com essa de que Viola tem uma longa carreira pela frente e outros papeis virão. Quem garante? Outras tantas grandes intérpretes já sofreram pelo descaso,  atrizes maduras, especialmente negras. Esse era o momento de Viola, a interpretação de sua carreira. A Academia resolveu consertar a injustiça por não ter concedido o terceiro Oscar a Streep cometendo outra injustiça, não premiar Viola Davis por Histórias Cruzadas. Típico.

No entanto, seria injustiça afirmar que A Dama de Ferro não mereceu o Oscar de melhor maquiagem. O trabalho da equipe de maquiadores na transformação de Meryl Streep em Margaret Tatcher é um assombro.
Christopher Plummer bate um recorde e vence o Oscar de melhor ator coadjuvante por Toda Forma de Amor.
Toda Forma de Amor  também levou um merecido prêmio. Christopher Plummer foi escolhido como o melhor ator coadjuvante do ano com a única indicação que o filme recebeu – uma grande injustiça já que devia também ter sido indicado a melhor roteiro original. Octagenário, Plummer é o mais velho vencedor de um Oscar. O recorde seria batido de uma forma ou de outra naquela noite já que o seu concorrente direto era Max Von Sydow de Tão Forte e Tão Perto, que tem a mesma idade do vencedor.

Octavia Spencer vence o Oscar de melhor atriz coadjuvante por Histórias Cruzadas.
Não posso dizer que tenha pulado de alegria com a vitória de Octavia Spencer como melhor atriz coadjuvante por  Histórias Cruzadas. Diferente de sua colega Viola Davis, Spencer se equivoca na composição de sua personagem, cai no equívoco de confundir irreverência com histeria, perdendo ótimas oportunidades para humanizar sua personagem. Há que se ponderar, Spencer não é a única que compõe com unidimensionalidade sua personagem no filme, Bryce Dallas Howard faz o mesmo ao simplificar Hilly como uma vilã de folhetim. A premiação da atriz, no entanto, foi um passo equivocado. Antes tivessem concedido as glórias para Jessica Chastain, também indicada na categoria por Histórias Cruzadas.

Kirk Baxter e Angus Wall recebem o prêmio de melhor montagem para Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres.
A grande surpresa da noite ficou por conta da vitória de Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres em melhor montagem ou edição. Há anos a Academia não premiava um filme nesta categoria sem que ele tivesse sido indicado a melhor filme. Por isso as apostas estavam com O Artista, A Invenção de Hugo Cabret e O Homem que Mudou o Jogo. Nesse departamento os trabalhos de Millenium e O Homem que Mudou o Jogo eram meus favoritos. A dupla de Millenium já tinha feito um trabalho primoroso em A Rede Social, também vencedor do Oscar na categoria. Enfim, um alento para um filme que merecia a décima e inexistente vaga de melhor filme.

Os roteiro escolhidos pela Academia foram os de Os Descendentes e Meia-Noite em Paris. Alexander Payne, Nat Faxon  e Jim Rash subiram ao palco para receber a estatueta de melhor roteiro adaptado por Os Descendentes, um prêmio previsível. Justiça seja feita, O Homem que Mudou o Jogo merecia vencer a categoria por ter transformado um livro de estratégias administrativas em um grande longa de ficção com personagens consistentes. Já Woody Allen, sempre ausente no Oscar, venceu o prêmio de melhor roteiro original por Meia-Noite em Paris, mais do que merecido se levarmos em consideração a concorrência.

Gore Verbinski recebe prêmio de melhor animação por Rango.
O Oscar de melhor filme estrangeiro foi para o iraniano A Separação, escolha antecipada em função da façanha do filme ter conseguido uma indicação ao Oscar de melhor roteiro original. Já a animação do ano foi Rango, também imbatível na categoria. Justo

Bret McKenzie recebe Oscar de melhor canção original para Os Muppets.
O mico desta edição foi a categoria melhor canção original. Não pela óbvia derrota de Carlinhos Brown e Sérgio Mendes com “Real in Rio”, mas por trazer somente dois indicados. Contudo, os dois seriam merecedores. Sem bairrismo, o prêmio estava em boas mãos, independente de quem ganhasse. Cada um dos trabalhos tem suas exigências específicas e, mais importante em uma premiação de cinema, dialogam muito bem com a proposta de seus respectivos filmes. Os Muppets venceu com “Man or Muppet”, uma canção que é irônica e “brinca” com os signos do show business hollywoodiano. Essa é a maravilha de Os Muppets. Óbvio que o trabalho de Brown e Mendes em Rio é incrível, mas, infelizmente, quando o assunto é Oscar, o brasileiro faz questão de desmerecer seus concorrentes. Como Os Muppets nunca foram bem recpecionados no Brasil, ouviremos por muitos anos a ladainha da derrota de Rio no Oscar.


O melhor documentário desta edição foi Undefeated, que traz uma trama parecida com a de O Homem que Mudou o Jogo, mas no formato diferente. A Academia contrariou as expectativas que davam como certa a vitória de Paradise Lost 3 ou Pina.
Para completar a lista, os curtas escolhidos foram The Shore (curta de ficção em live action), Saving Face (curta documentário) e The Fantastic Flying Playbooks (curta animação).

O Artista - 5 Oscars
Melhor Filme
Melhor Direção (Michel Hazanavicius)
Melhor Ator (Jean Dujardin)
Melhor Trilha Sonora Original (Ludvic Bource)
Melhor Figurino

A Invenção de Hugo Cabret - 5 Oscars
Melhor Fotografia
Melhor Direção de Arte
Melhores Efeitos Especiais
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som

A Dama de Ferro - 2 Oscars
Melhor Atriz (Meryl Streep)
Melhor Maquiagem

Meia -Noite em Paris - 1 Oscar
Melhor Roteiro Original

Os Descendentes - 1 Oscar
Melhor Roteiro Adaptado

Millenium: Os Homens que não Amavam as Mulheres - 1 Oscar
Melhor Montagem/Edição

Histórias Cruzadas - 1 Oscar
Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer)

Toda Forma de Amor - 1 Oscar
Melhor Ator Coadjuvante (Christopher Plummer)

Rango - 1 Oscar
Melhor Animação

A Separação - 1 Oscar
Melhor Filme Estrangeiro

Os Muppets - 1 Oscar
Melhor Canção Original ("Man or Muppet", de Bret McKenzie)

Undefeated - 1 Oscar
Melhor Documentário

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Separação

Peyman Maadi e Leila Hatami no iraniano A Separação: entre convenções.
O cinema iraniano é comumente associado a abordagens lentas e contemplativas, o que, na verdade, tornou-se mais um estigma do que a correspondência exata dos fatos. Asghar Farhadi já havia quebrado as barreiras com À Procura de Elly, filme de 2009, no entanto, com A Separação, o cineasta finca raizes em dramas humanos que aproximaseus personagens aos mais variados perfis de espectador. A Separação é um filme que retrata o momento específico pelo qual passam as nações islâmicas, quando o pensamento progressista encontra suas barreiras na tradição e na cultura delineadas por séculos e mais séculos.  Quando nos deparamos com  separação do casal Naader e Simin logo no início do filme, as características de ambos logo se chocam com a de outros personagens. Aos poucos, o estilo de vida do casal recém divorciado se contrapõe ao de um outro, mai conservador e com condições de vida mais adversas, e, entre eles mesmo, surgem os conflitos.

A Separação inicia com Nader e Simin agumentando os motivos do pedido de divórcio a um juiz. Ela almeja um futuro melhor para sua filha, partindo com a mesma para o exterior. Já ele, mostra-e relutante à ideia especialmente porque tem que cuidar de seu pai, já bastante debilitado em função do Alzheimer. Sem conflitos pessoais, apenas uma divergência de opiniões, os levam à consensual separação, cujo ponto ainda nebuloso é o futuro de Termeh, filha do casal: deve partir com a mãe ou ficar com o pai? Em meio a este cenário, Nader passa por um período nebuloso quand contrata  Razieh para cuidar de seu pai, já que não conta mais com Simin ao seu lado. Logo, as convicções religosas dela começam a gerar conflitos com Nader e sua permanência na casa é ameaçada. As divergências culminam com uma séria disputa judicial que trazem à tona os pontos em conflito do casal divorciado, Nader e Simin.

Asghar Farhadi é mínimo em suas intervenções e preocupa-se mais com a dinâmica entre seus personagens, o que é ótimo para o filme. Salientando o contraponto entre o casal progressista e de classe méia Nader e Simin, com a tradição e a preservação dos hábitos de vida com os preceitos rigidamente interpretados do islã, representados por Razieh e seu explosivo marido Hodjat, Farhadi cria uma verdadeira panela de ebulição no longa. O diretor e roteirista - um trabalho brilhante do script, diga-se de passagem - exlora o quanto pode o limite de seus atores. Na linha de fente, Peymn Maadi e Leila Hatami, ótimos como o casal central do filme, especialmente nos momentos em que os pontos de vista conflitantes de ambos vêm à tona. Um trabalho de elenco irretocável quetraz como destaques os trabalhos de Sareh Bayat, interpretando belíssimamente a acompanhante do pai do protagonista - uma das personagens mais sofridas e sufocadas do filme -, e a jovem Sarina Farhadi, responsável por momentos de sensibilidade à for da pele como a filha do casal divorciado.

A Separação é um trabalho que se destaca por contrapor pontos de vista internos que são fruto de reformulações do tempo e influências externas. Tradições são difíceis de serem adaptadas, apesar de o serem, e comumente não conseguem conviver sem ranhuras com novas perspectivas e hábitos humanos. O percurso é lento e deve ser lento porque nada pode ser dizimado nesse processo de adaptação. Ao trazer esta disputa de ideias e emoções abertamente humanas, A Separação rompeu estigmas de uma filmografia bastante específica. Talvez seja um início desse processo de adaptação de convivência harmônica entre convenções e novas maneiras de encarar a dinâmica social.



Jodaeiye Nader az Simin, 2011. Dir.: Asghar Farhadi. Roteiro: Asghar Farhadi. Elenco: Peyman Maadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Merila Zare'i, Ali-Asghar Shahbazi, Babak Karimi, Kimia Hosseini. 123 min. Imovision.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Tão Forte e Tão Perto

Max Von Sydow e Thomas Horn em Tão Forte e Tão Perto: sensibilidade, apesar da racionalidade do protagonista.
A Síndrome de Asperger flerta com o autismo, sem apresentar o retardo no sistema cognitivo daquele que apresenta este quadro clínico. Os sinais comuns da síndrome são o elevado nível de inteligência e a dificuldade de socialização daquele que é diagnosticado. Assim, não deixa de ser compreensível a dificuldade inicial que Tão Forte e Tão Perto tem para aproximar o espectador de seu protagonista, o menino Oskar Schell, que ao longo do filme revela ter tido uma avaliação inconclusa a respeito da síndrome. Oskar é uma criança extremamente inteligente e que consegue socializar-se apenas com o pai por julgar que todos os outros a seu redor são inferiores intelectualmente a ele. O garoto não exita em ofender e não consegue dimensionar e respeitar a dor alheia, por exemplo. Este foi um dos motivos para a maioria dos críticos rejeitarem o novo filme de Stephen Daldry, diretor de Billy Elliot, As Horas e O Leitor. Particularmente, acredito que em Tão Forte e Tão Perto o diretor tenha conseguido contornar uma inevitável antipatia pelo protagonista com sua habitual sensibilidade, traço marcante em todos os seus filmes.

Tão Forte e Tão Perto começa quando Oskar perde seu pai nos atentados às Torres Gêmeas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. O menino então encontra em um paletó do falecido patriarca uma chave dentro de um envelope endereçado a alguém com o sobrenome Black. Oskar então começa uma jornada para encontrar esta pessoa que pode saber alguma informação de seu pai. Stephen Daldry é muito habilidoso em cenas cruciais do filme, cenas que exigem uma natural habilidade com sentimentos e percepções dos personagens. Mesmo nos diálogos mais intensos pela crueldade das palavras de Oskar, Daldry consegue relativizar julgamentos, compreendendo aos poucos que a empreitada de Oskar acaba promovendo uma suavização dos traços dominantes da síndrome que o menino porta.

Ao contrário do que vem sendo alardeado, Thomas Horn consegue compreender muito bem as possibilidades e fronteiras de seu personagem, conferindo a Oskar uma agilidade de racicínio e uma dificuldade de entregar-se a emoções pela própria maneira racional com que encara os acontecimentos. Considerando que este é o primeiro trabalho do garoto, ele está muito bem e junta-se ao seleto grupo de jovens atores descobertos por Daldry - Jamie Bell, de Billy Elliot; Jack Rovello, de As Horas; David Kross, de O Leitor. O garoto é acompanhado por um excelente grupo de coadjuvantes que incluem Tom Hanks, Sandra Bullock, Viola Davis, John Goodman e Jeffrey Wright, todos ótimos em seus respectivos papeis, especialmente Bullock, com quem venho implicando há anos. Mas não há nada tão soberbo quanto o trabalho de Max Von Sydow aqui. Na pele do inquilino da avó de Oskar, um senhor alemão que tem dificuldades para falar e se comunica através de um bloquinho e de suas mãos, Von Sydow consegue ser magnífico sem pronunciar uma palavra sequer. Estupendo.

Tão Forte e Tão Perto pode estar bem longe do resultado já obtido por Stephen Daldry em seus filmes anteriores - talvez a ausência de David Hare, seu habitual roteirista, tenha lhe feito falta. No entanto, o drama está longe de ser o desastre alardeado e consegue emocionar, ainda que utilize como protagonista um garoto com dificuldades de externar seus sentimentos. Daldry consegue tornar o filme comovente, sem apelar para as repetitivas abordagens sobre o 11 de setembro. Até porque Tão Forte e Tão Perto não trata sobre o atentado, mas sobre um garoto que procura desesperadamente uma razão lógica para a morte de seu pai, quando não há razão lógica, e acaba encontrando pelo caminho pessoas, dando oportunidade para as emoções, para o toque humano. E como a gente tem o terrível dom de não enxergar o óbvio... Nem tudo pode ser explicado na vida. O aprendizado é duro, mas necessário.




Extremely Loud and Incredibly Close, 2011. Dir.:Stephen Daldry. Roteiro: Eric Roth. Elenco: Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock, Max Von Sydow, Viola Davis, John Goodman, Jeffrey Wright, Zoe Caldwell, Hazelle Goodman. 129 min. Warner.

A Mulher de Preto

Daniel Radcliffe traça os novos rumos de sua carreira em A Mulher de Preto.
Para um ator, não é nada fácil exorcisar um ícone. Christopher Reeve, Mark Hamill e Elijah Wood morreram na praia ou preferiram não lutar contra a maré, representada pela rejeição que o público tem com a dissociação de suas imagens com a de personagens como Superman, Luke Skywalker e Frodo. Outros foram bem sucedidos, como Harrison Ford e Sean Connery, ainda que seus trabalhos mais lembrados sejam nas séries cinematográficas Star Wars, Indiana Jones e 007. Após cerca de 10 anos dedicado à franquia Harry Potter, Daniel Radcliffe enfrenta o mesmo desafio e de peito aberto em A Mulher de Preto. Ainda que o projeto tenha suas limitações, especialmente a conclusão capenga que seu roteiro encontra para a história, boa parte da pojeção é recompensadora e Radcliffe segura muito bem as pontas do projeto.

O filme conta a história de um jovem advogado, viúvo e pai de um garotinho, que parte para um vilarejo a trabalho e se depara com o estranho caso de um vulto de uma mulher vestida de preto que assombra um casarão isolado pela névoa. James Watkins, que havia dirigido projetos duvidosos como O Olho que tudo Vê e O Abismo do Medo 2, conduz muito bem o suspense, especialmente se levarmos em consideração que toda a ação do longa se passa no mausoléu, somente com o personagem de Radcliffe em cena. Talvez ainda nos falte o hábito de ver Radcliffe interpretando um personagem adulto, encará-lo como um pai de um garoto entre 3 e 4 anos é difícil, especialmente se tomarmos como referência os dez anos do ator como Harry Potter. Mas há que se relevar, Radcliffe já está na faixa dos 20 e pode muito bem carregar um personagem com as características de Arthur Kipps.

Só é uma pena que o longa não abra espaço para atores como Ciarán Hinds e Janet McTeer explorarem melhor suas participações. No entanto, torna-se perfeitamente compreensível quando constatamos que A Mulher de Preto é um teste para Daniel Radcliffe, que sabiamente escolheu um projeto que o distancia de qualquer rótulo corriqueiro, um deles é o de ídolo adolescente, e que consegue servir muito bem ao gênero. Um recomeço promissor, resta saber como a grande massa de fãs ou não da série Harry Potter receberão A Mulher de Preto e todos os próximos trabalhos do ator, definindo se há sobevida ou não para ele após os anos em Hogwarts.
 

The Woman in Black, 2012. Dir.: James Watkins. Roteiro: Jane Goldman. Elenco: Daniel Radcliffe, Ciarán Hinds, Janet McTeer, Misha Handley, Sophie Stuckey, Jessica Raine, Roger Allam, Alexia Osborne, Alfie Field. 95 min. Paris Filmes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Guia Oscar 2012 - Os Filmes

O Artista - 10 indicações

Vitórias controversas como as de Onde os Fracos não Têm Vez e Beleza Americana são raras na história da Academia. Tradicionalmente, o Oscar costuma premiar filmes que entram no consenso popular, e isso, em hipótese alguma, pode ser considerado como um demérito para o filme escolhido ou para o grupo de votantes. O Artista encaixa-se neste consenso. Por mais que exista um grupo que não tenha se arrebatado de amores pelo filme mudo de Michel Hazanavicius, não há quem critique negativamente O Artista. O filme promete receber, na noite do dia 26, cinco estatuetas. Pelas premiações que já aconteceram e pelas vitórias que o filme colecionou desde janeiro em associações de críticos e sindicatos, os prêmios de melhor filme, direção e trilha sonora são barbadas. Jean Dujardin, vencedor na premiação do sindicato dos atores, é favorito a melhor ator, no entanto a batalha do francês contra o star power de George Clooney e Brad Pitt será árdua. Já na categoria edição, há a possibilidade de Os Descendentes ganhar. No entanto, se O Artista foir o favorito que todos estão pensando, será praticamente impossível perder em montagem.

Favorito em: Melhor filme, melhor direção (Michel Hazanavicius), melhor ator (Jean Dujardin), melhor edição e melhor trilha sonora (Lodovic Bource). Previsão: 5 Oscars
Em roteiro roteiro original, a competição fica mais difícil. O Artista é um filme mudo e concorre diretamente com Meia-Noite em Paris, de Woody Allen. No entanto se a Academia surpreender, poderá vencer aqui também. Direção de arte é outra categoria complicada para o filme, O Artista enfrenta o trabalho do veterano Dante Ferretti, mais uma vez impecável em A Invenção de Hugo Cabret. Figurino pode ser uma aposta. No entanto, como a Academia adora surpreender aqui e premiar trabalhos mais suntuosos, longas como W.E. e Jane Eyre têm mais chances que O Artista. O filme também teria chances em fotografia se o estupendo trabalho de Emmanuel Lubezcki em A Árvore da Vida perder. 

Segunda opção em: Melhor roteiro original, melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor figurino.

Uma certeza que O Artista terá no Oscar é que o prêmio de melhor atriz coadjuvante irá para Berenice Bejo. Octavia Spencer de Histórias Cruzadas é a favorita absoluta.

Possibilidade distante de vitória em: Melhor atriz coadjuvante ( Berenice Bejo)

A Invenção de Hugo Cabret - 11 indicações

A Invenção de Hugo Cabret é o recordista da edição, mas o filme sofre com a ausência de indicações nas categorias de interpretação, o que pode ser crucial na contabilidade final dos votos já que a maioria dos membros da Academia é composta por atores. O filme detém o devido destaque em função de sua inegável qualidade técnica e estética. O visual e os cenários de A Invenção de Hugo Cabret são unanimidades, difícil a Academia esnobar a direção de arte do filme, a não ser que tenha caído de amores completamente por O Artista, o único concorrente que pode rivalizar com o filme de Scorsese neste departamento. A Invenção de Hugo Cabret também é favorito nas categorias sonoras pela recente premiação no sindicato dos profissionais de som. No entanto, o longa corre o risco de perder a estatueta para concorrentes mais barulhentos como Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2, Cavalo de Guerra, Os Homens que não Amavam as Mulheres e Transformers.

Favorito em: Melhor Direção de Arte, melhor edição de som e melhor mixagem de som. Previsão: 3 Oscars

Mais uma vez, A Invenção de Hugo Cabret detém o maior número de indicações, mas não é o favorito a melhor filme da noite (uma indicação para Ben Kingsley poderia ter salvo a lavoura...). No entanto, a premiação de Martin Scorsese é uma possibilidade, ainda que o sindicato dos diretores tenha premiado Michel Hazanavicius. Scorsese é um eterno injustiçado pela Academia e sua premiação por Os Infiltrados em 2006 não convenceu muita gente. Howard Shore também pode surpreender com a trilha musical de Hugo Cabret, na hipótese de dar uma zebra e Lucovic Bource perder por seu trabalho em O Artista. Hugo Cabret também pode levar em fotografia, caso A Árvore da Vida ou O Artista não forem premiados na categoria.

Segunda opção em: Melhor filme, melhor direção, melhor trilha sonora (Howard Shore) e melhor fotografia.

Há uma remota possibilidade de vitória para Hugo em roteiro adaptado. O roteiro de John Logan não é páreo para os concorrentes Os Descendentes ou O Homem que Mudou o Jogo, por exemplo. Há também concorrentes mais fortes em edição. Efeitos visuais ou especiais poderia ser uma possibilidade, mas com Planeta dos Macacos - A Origem e o símio Ceasar no páreo fica dífícil.

Possibilidade distante de vitória em: Melhor roteiro adaptado, melhor edição, melhor figurino, melhores efeitos visuais ou especiais.

Os Descendentes - 5 indicações

George Clooney não tem sorte. Já é o terceiro ano que um longa do ator é apontado como franco favorito e perde fôlego durante a temporada. Foi assim com Conduta de Risco, Amor sem Escalas e está sendo este ano com Os Descendentes. O filme de Alexander Payne até venceu o Globo de Ouro, o que não é muita coisa, mas de lá para cá foi derrota atrás de derrota. A vitória na premiação do sindicato dos roteiristas talvez tenha dado um ânimo a mais para o longa continuar na disputa. O único favoritismo incontestável de Os Descendentes é na categoria roteiro adaptado, onde Alexander Payne é figurinha fácil.

Favorito em: Melhor roteiro adaptado. Previsão: 1 Oscar

Os Descendentes pode surpreender e ser uma segunda opção em melhor filme. Esta possibilidade pode se firmar se o filme vencer categorias como ator e edição, por exemplo.

Segunda opção em: Melhor filme, melhor ator (George Clooney) e melhor edição.

Dificilmente Alexander Payne será um candidato no caminho de Hazanavicius ou Scorsese.

Possibilidade distante de vitória em: Melhor direção (Alexander Payne).

Meia-Noite em Paris - 4 indicações

Há anos não víamos um filme de Woody Allen. Mas um filme de Woody Allen nunca deixa de ser um filme de Woody Allen. Um gosto muito específico, adquirido. Contudo, Meia-Noite em Paris é o filme mais popular do diretor até então (se popularidade significar bilheteria). Se há favoritismo para o filme no domingo, ele está na categoria roteiro original, onde disputa com concorrentes como Margin Call, A Separação e Missão Madrinha de Casamento. Woody Allen venceu no sindicato dos roteiristas pelo roteiro original do filme, mas tem um concorrente ameaçador, O Artista.

Favorito em: Melhor roteiro original. Previsão: 1 Oscar

Não vejo o filme como segunda opção em nenhuma outra categoria. As indicações já são um alento para a comunidade de fãs do Allen.

Segunda opção em: -

Mais uma vez, Allen é um gosto muito específico e será difícil vê-lo repetir a façanha de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, onde surgia como novidade.

Possibilidade distante de vitória em: Melhor filme, melhor direção (Woody Allen) e melhor direção de arte.

Histórias Cruzadas - 4 indicações

Histórias Cruzadas é uma das escolhas mais duvidosas da Academia. Só para comprovar o que disse sobre a comunidade de atores na comissão julgadora, todas as indicações do longa, exceto melhor filme, foram para o trabalho de seu elenco. Não há dúvidas de que se há um prêmio merecido para o filme é o de melhor atriz. Viola Davis ainda enfrenta o "oba-oba" em torno de Meryl Streep nas últimas semanas, mas está disputando cabeça por cabeça a estatueta com sua colega de elenco em Dúvida, de 2008. A certeza absoluta é a premiação da terrível interpretação de Octavia Spencer, uma lástima diante do trabalho de sua colega de cena, Jessica Chastain, também indicada.

Favorito em: Melhor atriz (Viola Davis) e melhor atriz coadjuvante (Octavia Spencer). Previsão: 2 Oscars

Não seria nada decepcionante ver Jessica Chastain ser premiada no lugar de Spencer. É a alternativa no caso de alguma zebra na noite.

Segunda opção em: Melhor atriz coadjuvante (Jessica Chastain)

Ainda que tenha o elenco com o maior número de indicações, Histórias Cruzadas não foi indicado por sua direção, roteiro ou edição, categorias essenciais para um filme que almeje vencer como melhor filme.

Possibilidade distante de vitória em: Melhor filme

A Árvore da Vida - 3 indicações

A Árvore da Vida é um concorrente à parte na lista. Não dá nem para compará-lo com os concorrentes (sem desmerecê-los, óbvio). O filme de Terrence Malick é a escolha de vanguarda da Academia em 2012. O filme, no entanto, é imbatível em um quesito: fotografia. O trabalho de Emmanuel Lubezcki foi reconhecido pelo sindicato dos diretores de fotografia e surge como favorito, apesar de concorrer diretamente com os recordistas em indicações na noite, O Artista e A Invenção de Hugo Cabret. Pode perder por ser um dos trabalhos mais controversos da lista do Oscar deste ano.

Favorito em: Melhor fotografia. Previsão: 1 Oscar

Não há possibilidade de vitória para o filme em outra categoria.

Segunda opção em: -

A indicação a melhor filme e direção já foi uma vitória para o filme. Malick é um daqueles visionários que nunca será recompensado por seus esforços. Mais uma vez, a Academia busca o consenso e isto é difícil de encontrar na recepção de um filme como A Árvore da Vida.

Possibilidade distante de vitória em: Melhor filme e melhor direção (Terrence Malick).

O Homem que Mudou o Jogo - 6 indicações

Apesar de sua ação se passar muito mais às portas fechadas que nas partidas de beisebol, O Homem que Mudou o Jogo é o clássico conto de superação esportiva que sempre comove o espectador. Bennett Miller contornou a frieza habitual de seus roteiristas e conseguiu transformar o filme em um trabalho com grande e sincera apelo emocional. Apesar destas qualidades e de ter da Sony ter dado uma injeção de ânimo na campanha do filme nas últimas semanas, parece ser o trabalho que sairá de mãos abanando na premiação. Uma injustiça inevitável para que se faça a justiça com outros indicados.

Favorito em: -

O filme pode surpreender na categoria roteiro adaptado. Steven Zaillian e Aaron Sorkin são roteiristas respeitados e já ganharam a estatueta (Sorkin recentemente com A Rede Social). A dupla terá que bater o roteiro de Os Descendentes. Há também a possibilidade de Brad Pitt passar a perna em George Clooney e Jean Dujardin. Puro fator popularidade.

Segunda opção em: Melhor roteiro adaptado e melhor ator (Brad Pitt).

Há concorrentes mais fortes em melhor filme e Jonah Hill não chega nem nos pés dos seus concorrentes veteranos (Christopher Plummer e Max Von Sydow). O filme também enfrenta dificuldades em melhor edição pela concorrência, assim como em mixagem de som.

Possibilidade distante de vitória em: Melhor filme, melhor ator coadjuvante (Jonah Hill), melhor edição e melhor mixagem de som.

Cavalo de Guerra- 6 indicações

Se o favoritismo de Os Descendentes ruiu com o tempo, Cavalo de Guerra foi o filme que sofreu por sua antecipação. Desde que a última temporada de premiações terminou, em março de 2011, o retorno de Spielberg na direção de um longa metragem foi apontado como o candidato a ser batido no Oscar. O favoritismo do filme foi atropelado assim que surgiram as primeiras sessões do filme e as críticas não foram tão favoráveis assim. No entanto, o filme está aqui e concorre a seis estatuetas, mas são indicações tão pálidas que o filme surge como uma aparição pálida na edição de 2012 do Oscar. Não há favoritismo. Spielberg fez melhor em As Aventuras de Tintim, que recebeu uma mísera indicação, trilha sonora.

Favorito em: -

Como o filme é um trabalho irrepreensível tecnicamente, pode ser uma opção nas categorias sonoras, caso a Academia ignore os esforços de Hugo e alguns blockbusters indicados.

Segunda opção em: Melhor edição de som e melhor mixagem de som.

Não arriscaria palpite algum nas demais categorias para Cavalo de Guerra. Talvez direção de arte e trilha sonora, caso a Academia perca totalmente o senso de oportunidade.

Possibilidade distante de vitória em: Melho filme, melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor trilha sonora (John Williams).

Tão Forte e Tão Perto - 2 indicações

As duas indicações de Tão Forte e Tão Perto são dois incômodos para a própria Academia. Prova de que o novo sistema de contagem de votos não está funcionando. Como indicar um filme ao Oscar de melhor filme com apenas uma indicação em melhor ator coadjuvante? Difícil... Se Stephen Daldry chegou com moral nas edições de 2001 e 2003 com Billy Elliot e As Horas, aqui, nem o próprio diretor - um profissional admirável por sua sensibilidade e talento - merecia tamanho mico.

Favorito em: -

O veterano Max Von Sydow parece ser a grande razão da presença do filme aqui. O ator vem sendo citado à exaustão por diversos especuladores como o maior concorrente de Christopher Plummer na categoria ator coadjuvante. Tem que existir alguma jutificativa para o filme estar aqui.

Segunda opção em: Melhor ator coadjuvante (Max Von Sydow)

Sério? Preciso argumentar?

Possibilidade distante de vitória em: Melhor filme


Outras premiações...

Os filmes que não foram indicados ao Oscar de melhor filme que têm chances de receber uma estatueta são:

W.E. - Melhor figurino. A Academia costuma premiar filmes de época e que primam pela estética no guarda-roupa. Ainda que O Artista e A Invenção do Cabret preencham os requisitos, os figurinos de W.E. e Jane Eyre são mais extravagantes. W.E., de Madonna, é a aposta.

Planeta dos Macacos - A Origem - O trabalho da equipe de efeitos especiais do filme foi tão bom que chegou-se a cogitar uma indicação ao Oscar para Andy Serkis que contribuiu na captura de movimentos para a composição do símio Ceasar. Não há premiação mais merecida.

Toda Forma de Amor - Christopher Plummer venceu todos os prêmios de ator coadjuvante até então. No entanto, a enxurrada de prêmios pode vencer a Academia pelo cansaço e a surpreendente inclusão de Max Von Sydow na lista de indicados pode fazer Plummer perder seu Oscar.

Rango - Ano fraco em animações. Rango leva fácil o Oscar de melhor animação.

A Dama de Ferro - A vitória de Meryl Streep é mais palpável hoje que no início da temporada. Ela pode vencer fácil o Oscar de melhor atriz, ainda que considere Viola Davis mais forte na categoria. O prêmio incontestável do filme deve ir para a maquiagem, o trabalho da equipe de maquiadores de A Dama de Ferro é melhor que os de Albert Nobbs e Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2.

Os Muppets - "Man or Muppet" de Os Muppets é favorito em melhor canção. Já estou até vendo na segunda-feira reclamações e artigos brasileiros amaldiçoando a Academia pela não premiação de Carlinhos Brown e Sergio Mendes por "Real in Rio" da animação Rio. Bobagem, os dois trabalhos estão em pé de igualdade. No entanto, tudo pode acontecer na categoria canção original, vitórias surpreendentes como as de Diários de Motocicleta e Apenas uma Vez estão aí para comprovar. Tudo pode acontecer, ainda mais com apenas dois indicados.

A Separação - O filme iraniano é favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro por ter levado tudo quanto é prêmio até aqui e por ter conseguido o feito de ser indicado a melhor roteiro original, uma indicação difícil para trabalhos estrangeiros.

Paradise Lost 3 - Purgatory - Esta é a aposta para melhor documentário. No entanto, Pina é um adversário a ser temido em um ano com filmes que essencialmente homenageiam a arte.

As apostas são:
Melhor Filme: O Artista
Melhor Direção: Michel Hazanavicius, O Artista
Melhor Roteiro Original: Meia-Noite em Paris
Melhor Roteiro Adaptado: Os Descendentes
Melhor Atriz: Viola Davis, Histórias Cruzadas
Melhor Ator: Jean Dujardin, O Artista
Melhor Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas
Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor
Melhor Edição: O Artista
Melhor Trilha Sonora Original: O Artista
Melhor Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Fotografia: A Árvore da Vida
Melhor Figurino: W.E.
Melhores Efeitos Especiais: Planeta dos Macacos - A Origem
Melhor Maquiagem: A Dama de Ferro
Melhor Animação: Rango
Melhor Canção Original: "Man or Muppet" de Os Muppets
Melhor Edição de Som: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Mixagem de Som: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Filme Estrangeiro: A Separação
Melhor Documentário: Paradise Lost 3 - Purgatory

Confira lista completa de indicados aqui.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

Asa Butterfield em A Invenção de Hugo Cabret: reinvenção da carreira do diretor Martin Scorsese.
Apesar dos irmãos Auguste e Louis Lumière terem criado o cinematógrafo, Georges Méliès foi quem deu forma ao cinema como conhecemos hoje. Ilusionista francês, Méliès se encantou com o potencial da nova invenção e foi pioneiro ao utilizá-la em prol de narrativas fantásticas. Conhecido como o pioneiro dos efeitos especiais, Méliès deu forma e sentido ao novo invento, que na mão de seus criadores era visto como uma atividade de pouco futuro. Méliès criou o primeiro estúdio cinematográfico da Europa e foi o primeiro profissional a utilizar storyboards para realizar suas obras, contabilizadas em mai de 500 filmes. Resgatando a memória de Méliès, o escritor de romances fantásticos infantis Brian Selznick publicou A Invenção de Hugo Cabret. Um conto que traz a história de um garoto órfão que vive em uma estação de trem de Paris. A única lembrança que restou a Hugo de seu falecido pai foi um autômato, um boneco mecânico. Para Cabret, ele guarda uma mensagem deixada por seu pai, algo que o confortaria em sua solidão. O caminho que leva Hugo a George Méliès logo é delineado pelo autor e ficamos diante de um maravilhoso conto sobre a importância de cada um de nós nesse mundo.

A adaptação de A Invenção de Hugo Cabret para os cinemas ficou por conta de Martin Scorsese, lenda do cinema e um dos responsáveis pela remodelação do cinema norte-americano com histórias protagonizadas por imigrantes no submundo violento das grandes cidades do país. São de Scorsese Taxi Driver, Touro Indomável, Caminhos PerigososOs Bons Companheiros e Os Infiltrados. O cineasta já se dedicou a outros gêneros como biografias (O Aviador), romances de época (A Época da Inocência) e thrillers psicológicos (Ilha do Medo), mas nenhuma dessas rupturas na carreira do diretor foram tão abruptas quanto A Invenção de Hugo Cabret, um conto infantil que no fundo é uma grande reverência à sétima arte. E não há diretor melhor para prestar esta reverência que Martin Scorsese.

Estudioso de seu próprio ofício, Scorsese já havia exercitado a metalinguagem em seu trabalho anterior, o subestimado Ilha do Medo. No entanto, enquanto Ilha do Medo pode ser considerad como um trabalho acadêmico do diretor sobre o cinema, A Invenção de Hugo Cabret é sua declaração apaixonada de um cineasta a sua própria arte, uma espécie de agradecimento do próprio Scorsese àquilo que dá significado a sua existência neste mundo, algo que é abordado com muita sensibilidade em uma dos diálogos mais bonitos do filme, protagonizado por Hugo e sua amiga Isabelle. Scorsese também assume o ineditismo de utilizar a tecnologia em 3D pela primeira vez em um longa metragem que assina (sabiamente não se trata de uma daquelas conversões improvisadas que vulgarizaram por completo a técnica). Assim, vemos o resgate dos primórdios do cinema com George Méliès com os recursos dos novos tempos, a tecnologia popularizada por James Cameron. O resultado é magnífico, a melhor utilização da tecnologia desde Avatar e Up - Altas Aventuras. Melhor não porque consegue arremessar objetos aos olhos do espectador mas por saber utilizar todas as possibilidades da tecnologia a favor do apuro técnico e artístico do filme e de sua narrativa.

Artisticamente, o filme também é um primor. Scorsese não abriu mão do trabalho de velhos colaboradores como Dante Ferretti (direção de arte), Robert Richardson (fotografia), Howard Shore (trilha sonora) e Sandy Powell (figurino). Trabalhos irretocáveis que ao mesmo tempo que não se sobrepõem à história, conseguem criar uma estética harmônica e emotiva ao longa. Com todo este apuro estético, Scorsese não transforma A Invenção de Hugo Cabret em uma alegoria fria, fetichista e vazia de pulsação (recado para Tim Burton e seus últimos trabalhos). O cineasta consegue trazer para o filme ternura e respeito à obra original, um olhar ainda mais abrangente para sua história e seus persongens que o prórprio livro. Digo isso porque por mais que os esforços de Selznick em sua homenagem a Méliès mereçam reconhecimento, Scorsese consegue traduzir isso em imagem e nada melhor do que o cinema de um dos diretores mais geniais da contemporaneidade para falar sobre o próprio cinema.

O diretor também foi muito feliz na escalação de Asa Butterfield para o protagonista Hugo Cabret. Butterfield é simplesmente encantador, demonstrando sensibilidade e e maturidade na condução da história. Não há como não se enternecer com o personagem diante da expressividade do olhar de Butterfield, o garoto é apaixonante. Também está muito bem Chloe Grace Moretz, a menina que todos conheceram como Hitgirl em Kick-Ass - Quebrando Tudo, interpretando a esperta e curiosa Isabelle. Na ala adulta, o filme ainda conta com Sacha Baron Cohen, impagável como o inspetor que vive para perseguir garotos órfãos na estação para enviá-los a orfanatos, Jude Law, Emily Mortimer, Frances de La Tour, Richard Griffiths, Ray Winstone, Christopher Lee e Helen McCrory. Mas claro que em meio a estas participações o maior destaque é Ben Kingsley, formidável como o amargo e desiludido Georges Méliès.

A Invenção de Hugo Cabret é um film múltiplo, como todos os bons filmes devem ser. A nova obra da carreira do mestre Scorsese é uma homenagem ao cineasta Georges Méliès, uma comovente história sobre um garoto que deseja aplacar a solidão, um conto sobre pessoas tentando encontrar um lugar no mundo e uma carta de amor ao cinema por um dos maiores entusiastas da sétima arte, Martin Scorsese. Estamos diante de uma obra que redefiniu os rumos da carreira e Scorsese e que sintetiza porque é importante conservar e preservar a sensação de pertencimento diante de todas as intempéries da vida. A Invenção de Hugo Cabret é um conto sobre pessoas extraordinárias que iluminam a vida das outras e inspiram nossas trajetórias. Como foi George Méliès para o pai de Hugo, Hugo Cabret para o próprio Méliès e Martin Scorsese para seus espectadores, desta vez maravilhados com o carinhoso A Invenção de Hugo Cabret.




Hugo, 2011. Dir.: Martin Scorsese. Roteiro: John Logan. Elenco: Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloe Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, Jude Law, Helen McCrory, Christopher Lee, Frances de la Tour, Emily Mortimer, Ray Winstone, Michael Stuhlbargh, Richard Griffiths. 126 min. Paramount.

Guia Oscar 2012 - Os Diretores

Michel Hazanavicius
O Artista

O francês Michel Hazanavicius é o novato da lista - dos quatro indicados é o único que não havia sido mencionado em uma edição do Oscar -, no entanto, chega ao prêmio como grande favorito. Com raríssimas exceções durante a temporada - o Globo de Ouro, por exemplo, que foi para Martin Scorsese -, Hazanavicius levou todos os prêmios de direção. Os méritos? Ter conseguido reproduzir a linguagem do cinema mudo na Hollywood dos anos de 1920 em O Artista. Hazanavicius iniciou a carreira na televisão francesa, dirigindo comerciais e telefilmes. O primeiro trabalho do diretor nas telons foi com Mes Amis, longa francês de 1999. O grande trabalho de Hazanavicus até então tinha sido Agente 117, sátira dos filmes de James Bond protagonizada por Jean Dujardin, protagonista de O Artista.

Suas chances nesta edição do Oscar: Todas. Hazanavicius é favoritíssimo e o fato de nunca ter sido indicado não pesará em sua premiação, vencedores anteriores estão aí para comprovar como Tom Hooper (O Discurso do Rei) e Sam Mendes (Beleza Americana). Conta pontos a favor de Hazanavicius o favoritismo de O Artista na categoria melhor filme.

Indicações anteriores: -

Vitórias anteriores: -


Martin Scorsese
A Invenção de Hugo Cabret

Martin Scorsese é um dos diretores mais importantes do cinema norte-americano, um ícone. No entanto, com tantas obras-primas no currículo, demorou para a Academia reconhecer o talento de Scorsese e premiá-lo com um Oscar. A honra foi conferida somente em 2006, pelo trablho do diretor em Os Infiltrados. O cineasta é oriundo do seleto grupo de diretores que reformulou o cinema norte-americano na década de 1970. Contemporâneos de Scorsese, como Francis Ford Coppola e Brian De Palma, reconhecem a enciclopédia cinematográfica que Scorsese é. O diretor ficou conhecido por explorar a violência urbana nos EUA em dramas protagonizados em sua maioria por imigrantes. São de Scorsese Taxi Driver, Caminhos Perigosos, Touro Indomável, Os Bons Companheiros, Cassino O Aviador. O diretor também é conhecido por suas parcerias com Harvey Keitel, Robert DeNiro e, mais recentemente, Leonardo DiCaprio. Nos últimos anos, o diretor parece estar se dedicando a grandes homenagens ao cinema. O primeiro deles foi o incompreendido Ilha do Medo, que dialogava brilhantemente com alguns dos maiores clássicos do suspense. Já com A Invenção de Hugo Cabret, Scorsese radicalizou ao trazer um conto infantil filmado em 3D.

Suas chances nesta edição do Oscar: A situação de Scorsese neste ano parece melhor que a de 2006, quando venceu por Os Infiltrados, uma vitória que para muitos foi mais um consolo da Academia que um prêmio merecido. Não fosse O Artista, este seria o ano de A Invenção de Hugo Cabret e Martin Scorsese.

Indicações anteriores: Melhor direção por O Aviador (2004), melhor direção por Gangues de Nova York (2002), melhor roteiro adaptado por A Época da Inocência (1993), melhor direção por Os Bons Companheiros (1990), melhor roteiro adaptado por Os Bons Companheiros (1990), melhor direção por A Última Tentação de Cristo (1988) e melhor direção por Touro Indomável (1980).

Vitórias anteriores: Melhor direção por Os Infiltrados (2006).

Alexander Payne
Os Descendentes

Alexander Payne se ausentou por quase sete anos das telonas, esse é o intervalo entre Sideways - Entre umas e outras e seu novo trabalho, Os Descendentes. Logo quando surgiu em Hollywood, Payne foi comparado a Woody Allen por priorizar o roteiro de seus trabalhos e por mesclar drama e comédia em situações triviais, realçando as idiossincrasias humanas. O primeiro grande trabalho de Payne foi em Eleição, de 1999, filme que foi responsável por levar Reese Whiterspoon a ser escolhida para protagonizar Legalmente Loira, lançando-a ao time "A" de Hollywood. Em seguida, Payne nos surpreende com umas das composições mais diferentes da carreira de Jack Nicholson em As Confissões de Schimidt, um dos poucos diretores a arrancar do ator uma interpretação "menos Jack Nicholson". Com dois trabalhos elogiadíssimos, a glória de Payne chegou com Sideways - Entre umas e outras, filme que rendeu indicações ao Oscar a três de seus atores (Paul Giamatti, Thomas Haden Church e Virginia Madsen) e a vitória do cineasta na categoria roteiro adaptado.

Suas chances nesta edição do Oscar: No início da temporada, a rivalidade parecia estar entre os trabalhos de Hazanavcius e Payne. No entanto, com o passar do tempo, Os Descendentes foi perdendo lugar para filmes como A Invenção de Hugo Cabret e Histórias Cruzadas. Uma premiação aqui parece improvável. Em roteiro, Payne tem mais chances, sempre.

Indicações anteriores: Melhor direção por Sideways - Entre umas e outras (2004) e melhor roteiro adaptado por Eleição (1999).

Vitórias anteriores: Melhor roteiro adaptado por Sideways - Entre umas e outras (2004).

Woody Allen
Meia-Noite em Paris

Woody Allen é múltiplo. Ator, músico, escritor, roteirista e diretor, Woody Allen é o preferido dos "pseudo-intelectuais". Mas não há que se generalizar, Allen é um dos grandes cineastas norte-americanos vivos, um dos poucos a ter como marca registrada de seus trabalhos roteiros escritos por ele mesmo, originalmente para as telonas. O diretor também é conhecido por filmes com orçamentos mais modestos e, por isso mesmo, consegue manter a impressionante média de um filme por ano. Os filmes de Allen são conhecidos por seus diálogos rápidos, sofisticados e cheios de ironia e acidez com os hábitos da classe média norte-americana. O diretor e roteirista também ficou conhecido pela constante parceria com suas atrizes, carinhosamente conhecidas na comunidade como suas musas: Diane Keaton, Mia Farrow, Mira Sorvino, Scarlett Johansson e Penélope Cruz. O "namoro" de Allen com o Oscar começou com Noivo Neurótico,Noiva Nervosa, único filme da carreira do diretor a sair vencedor na categoria melhor filme, uma das poucas comédias premiadas pela Academia. No entanto, o cineasta é conhecido por nunca comparecer à cerimônia do Oscar, mesmo tendo sido indicado tantas vezes. Provavelmente, nesta edição não será diferente.

Suas chances nesta edição do Oscar: Allen costuma sair-se melhor nas categorias de roteiro, onde é favorito pelo roteiro original de Meia-Noite em Paris.

Indicações anteriores: Melhor roteiro original por Match Point (2005), melhor roteiro original por Desconstruindo Harry (1997), melhor roteiro original por Poderosa Afrodite (1995), melhor direção por Tiros na Broadway (1994), melhor roteiro original por Tiros na Broadway (1994), melhor roteiro original por Maridos e Esposas (1992), melhor roteiro original por Simplesmente Alice (1990), melhor direção por Crimes e Pecados (1989), melhor roteiro original por Crimes e Pecados (1989), melhor roteiro original por A Era do Rádio (1987), melhor direção por Hannah e suas Irmãs (1986), melhor roteiro original por A Rosa Púrpura do Cairo (1985), melhor direção por Broadway Danny Rose (1984), melhor roteiro original por Broadway Danny Rose (1984), melhor roteiro original por Manhattan (1979), melhor direção por Interiores (1978), melhor roteiro original por Interiores (1978) e melhor ator por Noivo Neurótico,Noiva Nervosa (1977).

Vitórias anteriores: Melhor roteiro original por Hannah e suas Irmãs (1986), melhor direção por Noivo Neurótico,Noiva Nervosa (1977) e melhor roteiro original por Noivo Neurótico,Noiva Nervosa (1977).

Terrence Malick
A Árvore da Vida

Pretensioso ou gênio? Prefiro chamar o norte-americano Terrence Malick de ambicioso. Malick é um dos poucos nos EUA a realizar filmes mais contemplativos, filmes rodados do jeito que o próprio cineasta bem entende, sem obedecer a regras e enquadramentos lógicos ou convencionalmente aceitos. Terrence Malick é formado com honras em Filosofia pela Universidade de Harvard e por isso seus filmes são repletos e questionamentos sobre a existência humana, mesmo quando tratam de acontecimetos históricos (como Além da Linha Vermelha O Novo Mundo). O diretor chegou a ser professor universitário e já escreveu artigos para revistas como Newsweek e The News Yorker. Malick começou a se dedicar ao cinema trabalhando como revisor de roteiros. O primeiro filme do diretor foi Terra de Ninguém, de 1973, com Martin Sheen e Sissy Spaceck. O segundo filme do diretor foi Dias de Paraíso, em 1978, trabalho que lhe rendeu a Palma de Ouro de melhor direto em Cannes. Depois disso, Malick só voltou a filmar no final da década de 1990. Ele mudou-se para França e permaneceu recluso, como de costume, durante anos. O terceiro filme do cineasta foi Além da Linha Vermelha, de 1999, um longa que deu muita dor de cabeça para o elenco envolvido e que contribuiu para a fama de difícil que o cineasta nutre até hoje. Sabe-se que durante as filmagens, Malick mudava os rumos da história e a importância de seus personagens na trama, a ponto do protagonista do filme ser modificado. Adrien Brody seria o personagem central do filme e, no decorrer das filmagens, Malick decidiu diminuir a importância de seu personagem e tornar Jim Caviezel o protagonista da produção. Os boatos da inconstâcia de Malick também rondaram seu projeto seguinte, O Novo Mundo, de 2005. Christpher Plummer se irritou tanto com o diretor que chegou  escrever um carta direta para ele após as filmagens dizendo que jamais voltaria a tabalhar com Malick. Ossos do ofício para o diretor.

Suas chances nesta edição do Oscar: A indicação foi um reconhecimento da Academia ao pioneirismo e ousadia de Malick. Dificilmente um filme controverso e que dividiu tantas opiniões como A Árvore da Vida venceria um prêmio que procura majoritariamente o consenso como é o caso do Oscar. Uma coisa é certa, como é mais recluso que Allen - Malick não chega nem a comparecer em coletivas, festivais e premieres de seus filmes como Allen -, não veremos o diretor na cerimônia.

Indicações anteriores: Melhor direção por Além da Linha Vermelha (1999) e melhor roteiro adaptado por Além da Linha Vermelha (1999).

Vitórias anteriores: -