segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Guia Oscar 2012 - Os Diretores

Michel Hazanavicius
O Artista

O francês Michel Hazanavicius é o novato da lista - dos quatro indicados é o único que não havia sido mencionado em uma edição do Oscar -, no entanto, chega ao prêmio como grande favorito. Com raríssimas exceções durante a temporada - o Globo de Ouro, por exemplo, que foi para Martin Scorsese -, Hazanavicius levou todos os prêmios de direção. Os méritos? Ter conseguido reproduzir a linguagem do cinema mudo na Hollywood dos anos de 1920 em O Artista. Hazanavicius iniciou a carreira na televisão francesa, dirigindo comerciais e telefilmes. O primeiro trabalho do diretor nas telons foi com Mes Amis, longa francês de 1999. O grande trabalho de Hazanavicus até então tinha sido Agente 117, sátira dos filmes de James Bond protagonizada por Jean Dujardin, protagonista de O Artista.

Suas chances nesta edição do Oscar: Todas. Hazanavicius é favoritíssimo e o fato de nunca ter sido indicado não pesará em sua premiação, vencedores anteriores estão aí para comprovar como Tom Hooper (O Discurso do Rei) e Sam Mendes (Beleza Americana). Conta pontos a favor de Hazanavicius o favoritismo de O Artista na categoria melhor filme.

Indicações anteriores: -

Vitórias anteriores: -


Martin Scorsese
A Invenção de Hugo Cabret

Martin Scorsese é um dos diretores mais importantes do cinema norte-americano, um ícone. No entanto, com tantas obras-primas no currículo, demorou para a Academia reconhecer o talento de Scorsese e premiá-lo com um Oscar. A honra foi conferida somente em 2006, pelo trablho do diretor em Os Infiltrados. O cineasta é oriundo do seleto grupo de diretores que reformulou o cinema norte-americano na década de 1970. Contemporâneos de Scorsese, como Francis Ford Coppola e Brian De Palma, reconhecem a enciclopédia cinematográfica que Scorsese é. O diretor ficou conhecido por explorar a violência urbana nos EUA em dramas protagonizados em sua maioria por imigrantes. São de Scorsese Taxi Driver, Caminhos Perigosos, Touro Indomável, Os Bons Companheiros, Cassino O Aviador. O diretor também é conhecido por suas parcerias com Harvey Keitel, Robert DeNiro e, mais recentemente, Leonardo DiCaprio. Nos últimos anos, o diretor parece estar se dedicando a grandes homenagens ao cinema. O primeiro deles foi o incompreendido Ilha do Medo, que dialogava brilhantemente com alguns dos maiores clássicos do suspense. Já com A Invenção de Hugo Cabret, Scorsese radicalizou ao trazer um conto infantil filmado em 3D.

Suas chances nesta edição do Oscar: A situação de Scorsese neste ano parece melhor que a de 2006, quando venceu por Os Infiltrados, uma vitória que para muitos foi mais um consolo da Academia que um prêmio merecido. Não fosse O Artista, este seria o ano de A Invenção de Hugo Cabret e Martin Scorsese.

Indicações anteriores: Melhor direção por O Aviador (2004), melhor direção por Gangues de Nova York (2002), melhor roteiro adaptado por A Época da Inocência (1993), melhor direção por Os Bons Companheiros (1990), melhor roteiro adaptado por Os Bons Companheiros (1990), melhor direção por A Última Tentação de Cristo (1988) e melhor direção por Touro Indomável (1980).

Vitórias anteriores: Melhor direção por Os Infiltrados (2006).

Alexander Payne
Os Descendentes

Alexander Payne se ausentou por quase sete anos das telonas, esse é o intervalo entre Sideways - Entre umas e outras e seu novo trabalho, Os Descendentes. Logo quando surgiu em Hollywood, Payne foi comparado a Woody Allen por priorizar o roteiro de seus trabalhos e por mesclar drama e comédia em situações triviais, realçando as idiossincrasias humanas. O primeiro grande trabalho de Payne foi em Eleição, de 1999, filme que foi responsável por levar Reese Whiterspoon a ser escolhida para protagonizar Legalmente Loira, lançando-a ao time "A" de Hollywood. Em seguida, Payne nos surpreende com umas das composições mais diferentes da carreira de Jack Nicholson em As Confissões de Schimidt, um dos poucos diretores a arrancar do ator uma interpretação "menos Jack Nicholson". Com dois trabalhos elogiadíssimos, a glória de Payne chegou com Sideways - Entre umas e outras, filme que rendeu indicações ao Oscar a três de seus atores (Paul Giamatti, Thomas Haden Church e Virginia Madsen) e a vitória do cineasta na categoria roteiro adaptado.

Suas chances nesta edição do Oscar: No início da temporada, a rivalidade parecia estar entre os trabalhos de Hazanavcius e Payne. No entanto, com o passar do tempo, Os Descendentes foi perdendo lugar para filmes como A Invenção de Hugo Cabret e Histórias Cruzadas. Uma premiação aqui parece improvável. Em roteiro, Payne tem mais chances, sempre.

Indicações anteriores: Melhor direção por Sideways - Entre umas e outras (2004) e melhor roteiro adaptado por Eleição (1999).

Vitórias anteriores: Melhor roteiro adaptado por Sideways - Entre umas e outras (2004).

Woody Allen
Meia-Noite em Paris

Woody Allen é múltiplo. Ator, músico, escritor, roteirista e diretor, Woody Allen é o preferido dos "pseudo-intelectuais". Mas não há que se generalizar, Allen é um dos grandes cineastas norte-americanos vivos, um dos poucos a ter como marca registrada de seus trabalhos roteiros escritos por ele mesmo, originalmente para as telonas. O diretor também é conhecido por filmes com orçamentos mais modestos e, por isso mesmo, consegue manter a impressionante média de um filme por ano. Os filmes de Allen são conhecidos por seus diálogos rápidos, sofisticados e cheios de ironia e acidez com os hábitos da classe média norte-americana. O diretor e roteirista também ficou conhecido pela constante parceria com suas atrizes, carinhosamente conhecidas na comunidade como suas musas: Diane Keaton, Mia Farrow, Mira Sorvino, Scarlett Johansson e Penélope Cruz. O "namoro" de Allen com o Oscar começou com Noivo Neurótico,Noiva Nervosa, único filme da carreira do diretor a sair vencedor na categoria melhor filme, uma das poucas comédias premiadas pela Academia. No entanto, o cineasta é conhecido por nunca comparecer à cerimônia do Oscar, mesmo tendo sido indicado tantas vezes. Provavelmente, nesta edição não será diferente.

Suas chances nesta edição do Oscar: Allen costuma sair-se melhor nas categorias de roteiro, onde é favorito pelo roteiro original de Meia-Noite em Paris.

Indicações anteriores: Melhor roteiro original por Match Point (2005), melhor roteiro original por Desconstruindo Harry (1997), melhor roteiro original por Poderosa Afrodite (1995), melhor direção por Tiros na Broadway (1994), melhor roteiro original por Tiros na Broadway (1994), melhor roteiro original por Maridos e Esposas (1992), melhor roteiro original por Simplesmente Alice (1990), melhor direção por Crimes e Pecados (1989), melhor roteiro original por Crimes e Pecados (1989), melhor roteiro original por A Era do Rádio (1987), melhor direção por Hannah e suas Irmãs (1986), melhor roteiro original por A Rosa Púrpura do Cairo (1985), melhor direção por Broadway Danny Rose (1984), melhor roteiro original por Broadway Danny Rose (1984), melhor roteiro original por Manhattan (1979), melhor direção por Interiores (1978), melhor roteiro original por Interiores (1978) e melhor ator por Noivo Neurótico,Noiva Nervosa (1977).

Vitórias anteriores: Melhor roteiro original por Hannah e suas Irmãs (1986), melhor direção por Noivo Neurótico,Noiva Nervosa (1977) e melhor roteiro original por Noivo Neurótico,Noiva Nervosa (1977).

Terrence Malick
A Árvore da Vida

Pretensioso ou gênio? Prefiro chamar o norte-americano Terrence Malick de ambicioso. Malick é um dos poucos nos EUA a realizar filmes mais contemplativos, filmes rodados do jeito que o próprio cineasta bem entende, sem obedecer a regras e enquadramentos lógicos ou convencionalmente aceitos. Terrence Malick é formado com honras em Filosofia pela Universidade de Harvard e por isso seus filmes são repletos e questionamentos sobre a existência humana, mesmo quando tratam de acontecimetos históricos (como Além da Linha Vermelha O Novo Mundo). O diretor chegou a ser professor universitário e já escreveu artigos para revistas como Newsweek e The News Yorker. Malick começou a se dedicar ao cinema trabalhando como revisor de roteiros. O primeiro filme do diretor foi Terra de Ninguém, de 1973, com Martin Sheen e Sissy Spaceck. O segundo filme do diretor foi Dias de Paraíso, em 1978, trabalho que lhe rendeu a Palma de Ouro de melhor direto em Cannes. Depois disso, Malick só voltou a filmar no final da década de 1990. Ele mudou-se para França e permaneceu recluso, como de costume, durante anos. O terceiro filme do cineasta foi Além da Linha Vermelha, de 1999, um longa que deu muita dor de cabeça para o elenco envolvido e que contribuiu para a fama de difícil que o cineasta nutre até hoje. Sabe-se que durante as filmagens, Malick mudava os rumos da história e a importância de seus personagens na trama, a ponto do protagonista do filme ser modificado. Adrien Brody seria o personagem central do filme e, no decorrer das filmagens, Malick decidiu diminuir a importância de seu personagem e tornar Jim Caviezel o protagonista da produção. Os boatos da inconstâcia de Malick também rondaram seu projeto seguinte, O Novo Mundo, de 2005. Christpher Plummer se irritou tanto com o diretor que chegou  escrever um carta direta para ele após as filmagens dizendo que jamais voltaria a tabalhar com Malick. Ossos do ofício para o diretor.

Suas chances nesta edição do Oscar: A indicação foi um reconhecimento da Academia ao pioneirismo e ousadia de Malick. Dificilmente um filme controverso e que dividiu tantas opiniões como A Árvore da Vida venceria um prêmio que procura majoritariamente o consenso como é o caso do Oscar. Uma coisa é certa, como é mais recluso que Allen - Malick não chega nem a comparecer em coletivas, festivais e premieres de seus filmes como Allen -, não veremos o diretor na cerimônia.

Indicações anteriores: Melhor direção por Além da Linha Vermelha (1999) e melhor roteiro adaptado por Além da Linha Vermelha (1999).

Vitórias anteriores: -

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