sábado, 10 de março de 2012

John Carter - Entre Dois Mundos

Taylor Kitsch como o personagem-título de John Carter: uma das péssimas escolhas de Andrew Stanton em seu filme.
Quem conheceu Andrew Stanton na Pixar, dirigindo animações que já se tornaram clássicos contemporâneos como Wall-E e Procurando Nemo, praticamente não reconhece o diretor em sua primeira empreitada com atores de carne e osso, John Carter. Toda a inventividade, pungência e sensibilidade de Stanton dão lugar a um diretor inseguro e perdido em sua própria história em John Carter. Enfim, uma grande decepção para quem esperava com expectativas a estreia do diretor no live action. John Carter tem uma trama abordada com pouca clareza, seu elenco está péssimo em cena, tem sequências de ação enfadonhas e ainda conta com um péssimo desfecho, desses que na tentativa de tornar as amarras da trama originais acabam colocando os pés pelas mãos. Stanton torna John Carter uma espécie de Avatar e Planeta dos Macacos, o longa de 1968, que sofre do mesmo mal de Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, de 2010. Um verdadeiro desarranjo cinematográfico.

John Carter é um soldado rebelde da Guerra Civil norte-americana que encontra-se perdido em Marte após ser teletransportado através de um amuleto. Carter é feito prisioneiro por uma tribo de nativos do planeta e acaba se envolvendo com a Princesa Dejah Thoris, que encontra-se às voltas com as decisões políticas de seu pai que podem lhe custar sua liberdade e a de seu povo. Stanton transforma a obra de Edgar Rice Burroughs em um grande clichê com aspirações de matinê. Como fantasia, o filme jamais consegue transportar o espectador para seu universo, torná-lo interessante, muito menos cativá-lo com seus personagens, uma compilação casuística de tantos outros tipos que já vimos em filmes muito mais bem resolvidos que John Carter.

Para completar ainda mais a desgraça de Stanton no universo live action, o diretor conta com dois protagonistas fraquíssimos. Taylor Kitsch é monocórdico como John Carter e jamais consegue trazer o peso dramático que o personagem exige - e olhe que momentos não faltaram para o ator explorar esse lado do personagem. Já Lynn Collins exagera nas expressões e no tom da voz, soando irritante na maior parte das vezes, uma performance que consegue ofuscar até mesmo sua inegável beleza. Nem atores interessantes como Ciáran Hinds, Mark Strong ou James Purefoy conseguem desempenhos marcantes. Samantha Morton, Thomas Haden Church e Willem Dafoe são outras adições que não fazem a menor diferença, interpretam o povo nativo de Marte e foram substituídos por personagens digitais através da técnica de captura de movimentos e expressões, um trabalho bem inferior ao que já vimos em Planeta dos Macacos - A Origem, Avatar, King Kong e O Senhor dos Anéis.

Ao final de John Carter fica a dúvida: onde está Andrew Stanton no filme? O diretor praticamente se anula em meio a efeitos digitais e a uma narrativa de aventura pouco interessante. Seu colega de Pixar, Brad Bird, foi mais sábio em sua escolha para estreia em live action. Ao optar por Missão Impossível - Protocolo Fantasma, Bird preferiu um projeto mais seguro e que lhe permitisse fazer uma espécie de teste nessa nova abordagem. Já Stanton, ao radicalizar com o ambicioso John Carter nos ofereceu um filme que está anos luz do virtuosismo de obras como Procurando Nemo e Wall-E.



John Carter, 2012. Dir.: Andrew Stanton. Roteiro: Andrew Stanton, Mark Andrews e Michael Chabon. Elenco: Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Willem Dafoe, Dominic West, Ciáran Hinds, Mark Strong, Bryan Cranston, Thomas Haden Church, James Purefoy, Polly Walker. 132 min. Buena Vista. 

Um comentário:

Anônimo disse...

concordo com o comentario. diversas vezes tive sono durante o filme.
muito efeito especial e uma estoria que confunde demais, faltou explicaçoes melhores da trama. ao que parece destrui uma estoria classica de anos. ( ao contrario do senhor dos aneis que elevou o livro ao topo pela qualidade do filme ) esse afundou a estoria...