sexta-feira, 20 de abril de 2012

Diário de um Jornalista Bêbado

Johnny Depp em Diário de um Jornalista Bêbado.
Diário de um Jornalista Bêbado é o tipo de equívoco cinematográfico que o próprio diretor não se dá conta que está produzindo. Aliás, nem ele nem seu ator principal e produtor, Johnny Depp, que anda sustentando escolhas duvidosas como esta levantando a bandeira de que a plateia é intelectualmente incapaz de acompanhar os passos do jornalista Paul Kemp, seu personagem aqui, em sua passagem por Porto Rico. O grande problema do longa é não conseguir sustentar por um só momento uma de suas inúmeras tramas, pecando evidentemente por ser disperso como narrativa e por não conseguir amadurecer nenhuma de suas propostas traçadas.

Johnny Depp interpreta um jornalista que acaba de chegar em Porto Rico e passa a trabalhar em um jornal praticamente falido. No meio da história, Paul Kemp - este é o nome do sujeito - começa a estabelecer negócios com um ambicioso empresário disposto a explorar a região e se apaixona pela namorada do mesmo. Sem chegar a uma definição sobre os meios que o fazem chegar à finalidade de Diário de um Jornalista Bêbado, Bruce Robinson se acovarda diante do receio de fazer com que sua obra, caso abraçasse assumidamente a anarquia, ganhasse a repulsa do público. Assim, o diretor e roteirista se perde em meio a uma trama tola e repleta de artifícios maniqueístas que não condizem com os anseios da obra. Temos o playboy com evidentes traços de vilania, a mocinha que alterna sensualidade e fragilidade e Johnny Depp cansando a retina e os ouvidos de todos ao interpretar pela milésima vez uma de suas variações de... Johnny Depp.

Diário de um Jornalista Bêbado ganharia mais se levantasse a bandeira da ironia e da crítica política e social. O que vemos na obra é um caminho cheio de rotas e atalhos que não chegam a lugar algum. O longa é puro entrenimento? Irônico? Anárquico? Talvez uma mistura de tudo isso. A certeza é que com essa diversidade de caminhos e tonalidades, o longa não deixa claro suas próprias regras e propósitos ao espectador que fica à mercê das excentricidades sem maiores justificativas de seu protagonista, interpretado por um Johnny Depp que a cada ano que passa se torna enfadonho por tentar se reinventar. O que o ator faz é se reciclar da pior maneira possível.



The Rum Diary, 2011. Dir.: Bruce Robinson. Roteiro: Bruce Robinson e Hunter S. Thompson. Elenco: Johnny Depp, Aaron Eckhart, Amber Heard, Richard Jenkins, Michael Rispoli, Giovani Ribisi, Amaury Nolasco, Marshall Bell, Bill Smitrovich. 120 min. Vinny Filmes.

Um comentário:

Alan Raspante disse...

Não entendi o motivo deste filme ter sido feito. Ainda não vi, mas a história, desde o início, tem cara de ser bem enfadonha mesmo...