domingo, 1 de abril de 2012

Fúria de Titãs 2

Sam Worthington volta ao papel do semideus Perseu em Fúria de Titãs 2.
A excelente bilheteria de Fúria de Titãs em 2010 teve como justificativa o frissom causado pela tecnologia 3D na época. O filme estreou no Brasil e nos EUA poucos meses depois de Avatar, precurssor do recurso que justificava a experiência, afinal, todo o longa de James Cameron foi filmado com câmeras especiais desenvolvidas pelo próprio Cameron que proporcionavam a reprodução de ambientes e personagens emtrês dimensões. Com isso, diversas produções quiseram pegar carona e conseguiram. Produções como Fúria de Titãs e Alice no País das Maravilhas foram filmados convencionalmente e preparavam-se para um lançamento em 2D, com o advento Avatar, subitamente os envolvidos mudaram suas estratégias e converteram o formato original para o 3D. Este tipo de procedimento é muito mais comum do que a maior parte do público possa imaginar. A quantidade de produções que são convertidas em 3D é muito maior do que os filmes que são pensados e filmados no formato. O resultado é que o público compra gato por lebre e acaba tendo uma experiência em 3D camuflada, maquiada.

Mas vamos aos fatos. Fúria de Titãs recebeu péssimas críticas, mas a gorda bilheteria garantiu um segundo filme e a promessa de seus realizadores de que a continuação consertaria todos os tropeços da primeira. A primeira decisão foi tirar Louis Leterrier da direção, trocaram o francês por Jonathan Liebesman, do famigerado Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles. Mudaram também os roteiristas, entraram Dan Mazeau e David Johnson. Além dessas mudanças no corpo criativo da continuação, foi feita uma promessa ao público: a participação de Liam Neeson e Ralph Fiennes, intérpretes e Zeus e Hades, seria consideravelmente aumentada. Particularmente, nenhuma dessas decisões serviram para evitar que Fúria de Titãs 2 siga a mesma, ou pior, sorte que o seu antecessor. O filme exagera na ação - caindo no equívoco de 9 em cada 10 blockbusters ao acreditar que preencher o filme de sequências de ação garante algum êxito - tem uma plot constrangedoramente superficial e continua relegando espaço reduzido a personagens e conflitos que poderiam render ótimos momentos ao filme.

O primeiro problema de Fúria de Titãs 2 está em acreditar que convence ao usar como justificativa para todos os eventos que ocorrem na tela o antigo clichê que hoje em dia nem mais em séries animadas vemos: Perseu volta à arena de combate para evitar a destruição do mundo. Enquanto o primeiro longa explorava a descoberta do personagem como semideus e o enfrentamento de um novo universo, aqui, as motivações dele e de seus amigos estão limitadas a isso. Claro que, paralelamente, os roteiristas tentam inserir subtramas mais interessantes como a paternidade do personagem, seu receio pela morte do pai Zeus e a inveja de seu irmão, o deus Ares. No entanto, nenhuma dessas situações é explorada com clareza e entrega pelo filme, demonstrando que os responsáveis pela continuação perderam uma grande oportunidade ao não conseguirem vislumbrar a ótima oportunidade que estava na frente de cada um deles de tirar Fúria de Titãs 2 da completa banalidade.

Como se não bastasse tudo isso, Fúria de Titãs 2 relega peças e passagens fundamentais da mitologia grega a segundo plano. Além de não cumprir a promessa de dar o merecido destaque a Zeus e Hades - o destino de Zeus é uma das piores soluções que o filme pôde encontrar e toda a ambiguidade de Hades vai para o ralo quando o personagem subitamente se arrepende de todas as suas ações e junta-se aos "bons" -, o longa injeta novos e riquíssimos personagens de maneira aleatória, o caso de Ares. Outro equívoco do longa foi o tratamento dado a Andrômeda, vivida  aqui pela linda e talentosa - que aqui não faz absolutamente nada - Rosamund Pike, e interpretada no primeiro por Alexa Davalos, que lá fora oferecida ao Kraken em sacrifício sendo salva por Perseu nos eventos finais do longa de 2010. O soneto é ainda mais desastroso quando surge Agenor, personagem de Toby Kebbell, semideus filho de Poseidon, um daqueles alívios cômicos que se utilizados em demasia, como acontece no filme, serve muito mais pare desviar a atenção da plateia, tornar o personagem inverossímil, irritante e alheio a tudo o que há a seu redor.


Wrath of the Titans, 2012. Dir.: Jonathan Liebesman. Roteiro: Dan Mazeau e David Johnson. Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Rosamund Pike, Édgar Ramirez, Toby Kebbell, Bill Nighy, Danny Huston, Kathryn Carpenter, Freddy Drabble. 99 min. Warner.

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