sábado, 26 de maio de 2012

Cannes 2012, Dia 10


Robert Pattinson com David Cronenberg: início de uma nova carreira?
Os últimos dias do festival chegaram com filmes que de alguma forma incomodaram alguns presentes. Não sei se pelo fato de serem protagonizados por ídolos adolescentes como Kirsten Stewart, Robert Pattinson ou Zac Efron, que demonstraram nesta edição do evento estarem empenhados nas mudanças dos rumos de sua carreira. No entanto, On the Road, The Paperboy e, agora, Cosmópolis, dirigido pelo cultuado David Cronenberg, dividiram opiniões.

The Paperboy é um caso à parte. Um filme que desde o início era apontado como um candidato da seleção oficial que não faz o gênero do festival, ainda assim, conseguiu a unanimidade na interpretação de Nicole Kidman e um salvo-conduto pelo fato de muitos terem gostado do filme, mas gostado muito. Cosmópolis não foi tão intenso em suas reações, mas o filme também dividiu opiniões e trouxe, para muitos, um fio de esperança de que Robert Pattinson poderá algum dia tornar-se um bom ator. Para muitos, ele o é em Cosmópolis
David Cronenberg na coletiva de imprensa do filme.
As atrizes Juliette Binoche e Samantha Morton, presenças aguardadas, não foram ao festival por compromissos diversos. Atenderam aos jornalistas e fotógrafos presentes David Cronenberg, Robert Pattinson, Paul Giamatti, Sarah Gadon e Emily Hampshire. O longa, que conta a história de um jovem bilionário que é surpreendido por eventos durante uma noite que o fazem refletir sobre sua vida, tendo menções e críticas diretas ao capitalismo.

Sobre seu cinema, David Cronenberg respondeu: "Para mim, a essência do cinema é um rosto de um ser humano que fala. Quando termino de filmar, vejo as cenas, a iluminação... Dou atenção a cada detalhe. E Cosmópolis não foi um filme fácil de realizar." . A escolha do protagonista, que gerou burburinhos e reclamações de toda sorte por ter sido Robert Pattinson, é enxergada de maneira mais pacífica pelo diretor que vê no personagem do ator algo mais que um vampiro de Wall Street. "É muito fácil dizer que o personagem interpretado por Robert é uma espécie de vampiro que chupa o sangue de Wall Street. Mas um actor não pode interpretar um conceito abstrato. É um personagem verdadeiro, com passado. Cosmópolis evoca o espectro do capitalismo. Quase que citamos diretamente o manifesto de Karl Marx.", diz o cineasta.

Quando perguntado sobre a experiência de trabalhar com um diretor como David Cronenberg, Pattinson não poupou elogios. "David ausenta-se frequentemente para verificar o que se acabou de rodar. David ouve-nos. Ele identifica tudo. É preciso manter-se atento quando se filma com ele!".

Elenco de Cosmópolis reunido posa para fotógrafos.
Veja o que foi dito sobre o novo filme de David Cronenberg no festival:

"Uma expressão inerte sobre o capitalismo na cidade de Nova York.", Todd McCarthy, Hollywood Reporter

"Com o que não podemos argumentar é que Cosmópolis é a expressão de um grande diretor, um realizador determinado a nos fazer pensar sobre ideias em uma limusine, nos revelando o que se passa na mente de seu protagonista.", Peter Howell

Clive Owen e Nicole Kidman se juntam a Philip Kaufman para promover Hemingway e Gelhorn, da HBO.
Outro filme que esteve no festival, mas fora de competição, foi Hemingway e Gelhorn, projeto da HBO dirigido por Philip Kaufman, de Os Eleitos e Contos Proibidos do Marquês de Sade. O longa feito para a TV fechada segue o romance do escritor Ernest Hemingway com a jornalista e correspondente de guerra Martha Gelhorn.

O projeto trouxe de volta a Riviera a australiana Nicole Kidman, intérprete de Gelhorn, desta vez com Clive Owen, que dá vida ao Ernest Hemingway do filme. A premiére do filme no festival também contou com Rodrigo Santoro, que é um dos integrantes de um elenco que inclui Robert Duvall e David Strathairn. O filme estreia no dia 28 de maio na HBO norte-americana. Ainda não há data prevista para a chegada do filme na TV fechada brasileira.



Veja o que foi dito sobre o filme no festival:

"Hemingway e Gelhorn é um filme magnífico. Junta-se ao melhor que Kaufman já pôde oferecer.", Jeffrey Anderson

"Um dinâmico, vivo e muito bem atuado olhar sobre dois dos maiores escritores do século XX, que compartilharam a guerra nos campos de batalha e entre quatro paredes.", Todd McCarthy, Hollywood Reporter

"Há vários momentos nos quais é difícil levar o filme a sério, tornando o filme por vezes um melodrama romântico risível.", Allan Hunter, ScreenDaily

"Um dos filmes mais passionais da carreira de Kaufman. É tão intenso quanto o relacionamento do casal principal.", David Wiegand, San Francisco Chronicle

Assista aos trailers de Cosmópolis e Hemingway e Gelhorn:


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