sexta-feira, 18 de maio de 2012

Cannes 2012, Dia 3


Da esquerda para a direita, o diretor Matteo Garrone com os atores Loredana Simioli e Nando Paoene.
Desde O Show de Truman os reality shows não ganharam uma abordagem mais séria e comprometida do cinema. Segundo boa parte da imprensa presente na sessão especial desta sexta-feira, 19, o italiano Reality, de Matteo Garrone, é o novo representante. Entre a crítica social, que flerta com a comédia e o drama, Reality trouxe um certo burburinho porque o seu protagonista Aniello Arena não pôde comparecer no festival por estar preso, segundo a Forbes, cumprindo pena por assassinato. Tudo ganha um envólucro ainda mais atrativo quando a interpretação de Arena é um dos pontos fortes de Reality.

Garrone retorna ao festival, onde foi muito bem recebido com o drama sobre organizações criminosas na Itália, Gomorra. Reality é uma nova perspectiva na filmografia do italiano e a despeito das ressalvas feitas ao novo longa do diretor, que também assume a função de roteirista do filme.

Matteo Garrone defende seu filme na coletiva de imprensa de Cannes.
Durante a coletiva, o diretor explicou que depois do impacto causado por Gomorra, procurou um tema igualmente impactante e surpreendente para seu próximo filme. A tentativa, obviamente, levou o realizador a frustração até que ele se deparou com o roteiro de Reality, um filme que buscava criticar a valorização de reality shows na sociedade atual e a forma com que esse fenômeno ajuda a moldar comportamentos.

O diretor queria dar ao filme o mesmo tom de um dos gêneros mais apreciados na filmografia italiana: as comédias. Mas não era somente esta a intenção por trás de Reality. "Procurávamos simplesmente contar a história destas personagens. Pode-se no entanto ver em Reality uma homenagem aos grandes cineastas italianos. Espero neste caso ter conseguido não plagiá-los e manter o meu ponto de vista. Alexandre Desplat (compositor da trilha) fez-me a observação de que se compararmos Reality aos filmes de Fellini, pensamos sobretudo nos seus primeiros longas. Penso que o único ponto comum que temos é que ele também abordava o tema da televisão.", disse Garrone.

O diretor também procurou utilizar elementos como iluminação e música para dar a Reality o tom de fábula, algo que aproximasse o espectador da realidade deslumbrada e sonhadora de seus personagens principais. "A grande aposta desse filme é encontrar a ligação entre sonho e realidade", diz o cineasta.

Sobre a ausência de seu protagonista em Cannes pelos motivos já conhecidos, Garrone preferiu não comentar os motivos que levaram Arena a ser preso anos atrás. Sabe-se que o ator de Reality cumpre uma pena há cerca de 18 anos e que 12 anos atrás começou a fazer teatro na penitenciária de Volterra, formando lá um grupo teatral do qual é diretor La Fortezza. Garrone assistiu a uma das apresentações do grupo e ficou impressionado com a performance de Arena. O diretor pretendia usar o ator em Gomorra, mas não obteve autorização judicial para liberá-lo para as filmagens. Na segunda tentativa, com Reality, o diretor conseguiu permissão do juiz, sobretudo pelas filmagens acontecerem durante o dia.

Equipe de Reality posa para foto final no festival.
Reality não chamou tanto a atenção de Cannes quanto Gomorra. A sensação ficou clara através das principais críticas que saíram sobre o filme, a maioria estabelecendo comparativos entre eles. Veja o que foi dito sobre o longa italiano na Riviera:

"Um projeto desapontador se comparado ao drama criminal Gomorra", Deborah Young, The Hollywood Reporter.

"É um filme agradável, apesar de previsível e sentimental demais.", Peter Bradshaw, The Guardian.

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