terça-feira, 27 de novembro de 2012

Os dois últimos candidatos

Zero Dark Thirty e Les Misérables arrancam reações positivas da plateia em primeiras exibições


Parece que nessa temporada não contaremos com nenhuma decepção ou quebra de expectativas. Dois dos filmes mais comentados e que mais geraram expectativas ao longo do ano para a temporada de premiações do cinema confirmaram sua força em exibições para plateias norte americanas na semana passada. Estamos falando de Zero Dark Thirty, drama político sobre a caçada a Osama Bin Laden, dirigido por Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror), e o musical Les Misérables, de Tom Hooper (O Discurso do Rei).

Ame-o ou deixe-o
Les Misérables ainda está sob embargo, o que significa que muito pouco pode ser dito sobre ele na grande imprensa especializada. Mas não tem como controlar a força das mídias sociais e sobretudo de blogs especuladores. Já soltaram que é de fato um dos grandes favoritos do ano e que Anne Hathaway é imbatível para levar prêmios de melhor atriz coadjuvante do ano por sua interpretação no filme. O que se diz é que mesmo tendo pouco tempo em cena (algo que poderia depor contra a atriz), sua personagem praticamente conduz todos os eventos do filme. O longa de Tom Hooper deve enfrentar sua parcela de críticas negativas, afinal Les Misérables é todo cantado, há pouquíssimos diálogos no filme. Mas pode encontrar seu espaço nas inovações de Hooper, que fez com que todos os seus atores cantassem ao vivo seus números musicais nos sets, algo inédito no cinema.

Forte candidata ao Oscar de melhor atriz
Zero Dark Thirty começou a ser resenhado por críticos norte-americanos. Segunda parte na trilogia de guerra idealizada pela diretora Kathryn Bigelow, o filme é totalmente centrado na busca obsessiva da personagem de Jessica Chastain pelo esconderijo de Bin Laden. E se na semana passada tínhamos suspeitas de que Chastain rivalizasse com Jennifer Lawrence o favoritismo para prêmios de melhor atriz, as sessões de Zero Dark Thirty confirmaram: trata-se de um dos desempenhos femininos mais interessantes do ano, segundo críticos. Para quem não gostou de Guerra ao Terror, filme vencedor do Oscar de 2010, aviso: o que se fala sobre Zero Dark Thirty é que ele amplia as discussões e o estado de nervos que o filme anterior da diretora trazia. Claro, agora Kathryn está com um orçamento mais gordo e o suporte de um estúdio.

Resta saber o que Tarantino nos reserva no derradeiro capítulo dessa temporada, o western Django Livre.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Drops: Curvas da Vida


É fato, Curvas da Vida não é um grande feito cinematográfico, nem tem grandes coisas a acrescentar na carreira de todos os seus envolvidos. Temos Clint Eastwood reciclando o tipo durão que ajudou a construir em toda sua carreira, um pouquinho de romance entre os personagens de Amy Adams e Justin Timberlake, vilões cartunescos e um final muito previsível que faria inveja ao mais quadrado dos folhetins. No entanto, não deixa de ser um grande e agradável clichê hollywoodiano. O filme conta a história de um veterano olheiro de um grande time de beisebol que passa a ter sua carreira comprometida por um sério problema nos seus olhos. Ele passa a ter seu emprego comprometido e conta com a ajuda de sua filha, uma jovem advogada, com quem não consegue se entender.Sabe-se desde o primeiro instante que pai e filha irão se entender e que muitas lágrimas correrão pela fonte, tudo com muito bom humor (no caso de Eastwood, um mau humor sempre divertido). Apesar das soluções tolas do roteiro e da direção pouco inspirada de Robert Lorenz, em seu primeiro filme após anos na equipe dos longas que Eastwood dirigiu, há ótimos momentos não apenas para Clint Eastwood, mas também para Amy Adams, a cada trabalho mais interessante. 


Trouble with the Curve, 2012. Dir.: Robert Lorenz. Roteiro: Randy Brown. Elenco: Clint Eastwood, Amy Adams, Justin Timberlake, Johnn Goodman, Matthew Lillard, Robert Patrick, Scott Eastwood, Ed Lauter, Clifton Guterman, George Wyner, Bob Gunton. 111 min. Warner.

Drops: As Palavras


As Palavras parte de uma premissa interessante. Trata-se da história de um jovem autor que para conseguir contrato com uma grande editora e publicar seu primeiro livro, considerado por agentes literários como "complicado" para um autor estreante, rouba um trabalho que encontra em uma pasta velha comprada em um antiquário. O filme tem três frentes: o autor que escreve essa história, vivido por Dennis Quaid (a história tem um "q" de metalinguagem); o jovem plagiador, interpretado por Bradley Cooper; e o verdadeiro autor da história surrupiada, personagem de Jeremy Irons. Infelizmente, o filme não avança em sua premissa e parece não ter fôlego para dar mais complexidade aos personagens e a trama, nunca avançando em suas ideias. Dennis Quaid apresenta uma interpretação rasteira, ao passo que Bradley Cooper parece não conseguir engatar os dilemas de seu personagem e o sempre apático Ben Barnes vai de mal a pior na versão mais nova do personagem de Irons. Por sinal, Jeremy Irons é o ponto mais forte deste razoável drama, que ainda traz Zoe Saldana fazendo muito bem o que pode com uma personagem que não faz jus a um terço do seu talento.


The Words, 2012. Dir.: Brian Klugman e Lee Sternthal. Roteiro: Ben Klugman e Lee Sternthal. Elenco: Bradley Cooper, Zoe Saldana, Dennis Quaid, Jeremy Irons, Olivia Wilde, Ben Barnes, J. K. Simmons, John Hannah, Michael McKean. 97 min. Imagem Filmes.

sábado, 17 de novembro de 2012

Drops: Amanhecer - Parte 2


Incrível como a franquia Crepúsculo manteve o péssimo hábito da auto-sabotagem ao longo de seus cinco filmes. Mas vamos dar um desconto a todos os realizadores, quando se têm em mãos um conceito tão frágil como o que é oferecido pelo trabalho de Stephenie Meyer não se pode fazer muita coisa. Amanhecer - Parte 2 esteve perto (um pouquinho, tá?) de reverter esse quadro, mas o roteiro, sempre ruim, de Melissa Rosenberg nos presenteia com uma das maiores quebras de clímax do cinema no terceiro ato do longa. Tudo poderia ter um final bem mais interessante, trágico até, não fosse a interferência de uma das personagens mais queridas pelos fãs (não me perguntem porque), a Alice. Ao invés de alçar voos mais ousados, Amanhecer - Parte 2 opta por encerrar a franquia da mesma maneira que começou, muito mais preocupado em agradar fãs que sequer param para pensar em elementos básicos de uma narrativa cinematográfica e ficam hipnotizados pelas repetitivas declarações de amor entre Edward e Bella. Em tempo, se Amanhecer - Parte 2 tem algo de positivo é a paresença de Michael Sheen, cujo personagem, o vilão Volture, finalmente diz a que veio.


Breaking Dawn - Part 2, 2012. Dir.: Bill Condon. Roteiro: Melissa Rosenberg. Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Michael Sheen, Peter Facinelli, Lee Pace, Elizabeth Reaser, Ashley Greene, Jackson Rathbone, Kellan Lutz, Nikki Reed, Billy Burke, Maggie Grace, Dakota Fanning, Cameron Bright. 115 min. Paris Filmes.

Drops: Selvagens


Não é de hoje que Oliver Stone perdeu a mão. Selvagens, seu mais recente longa metragem, é uma verdadeira bagunça. Misturando paletas de cores na fotografia e recursos variados para a passagem de tempo (cronômetro, mapa), Stone faz a sua mistureba de costume, mas desta vez se perde ainda mais com a quantidade de personagens que existem em seu filme. Para piorar tudo ainda mais, o diretor apela para o infame rewind, tentando iludir o espectador e a si mesmo de que está fazendo algo simplesmente genial no desfecho de Selvagens. Puro confete, o thriller é desorientado do começo ao fim. Trata-se da história de dois jovens traficantes que mergulham no submundo do cartel de drogas mexicano depois que a namorada dos dois (sim, eles dividem a mesma mulher, vivida por Blake Lively) é sequestrada por uma perigosa chefona do crime. Ecos de Glória Perez à parte (parece uma daquelas vilãs criadas pela autora de novelas), a interpretação de Salma Hayek como a chefona dos sequestradores da personagem de Lively é o que existe de melhor em Selvagens. Hayek dá humanidade à personagem,  irresistível.


Savages, 2012. Dir.: Oliver Stone. Roteiro: Oliver Stone, Don Winslow e Shane Salerno. Elenco: Blake Lively, Aaron Taylor-Johnson, Taylor Kitsch, Salma Hayek, Benicio DelToro, John Travolta, Demián Bichir, Emile Hirsch, Sandra Echeverria, Diego Cataño. 131 min. UIP.

domingo, 11 de novembro de 2012

Campo minado

Ben Affleck amadurece como diretor em Argo, filme que promete finalmente levá-lo ao Oscar


Não ficarei por aqui enaltecendo as características de Ben Affleck como cineasta, já fiz isso nos comentários sobre seus dois filmes anteriores Medo da Verdade e Atração Perigosa. Affleck é consciente da linguagem cinematográfica e objetivo e elegante em seus planos, consenso. Vamos falar sobre o amadurecimento dele em sua nova empreitada, Argo. Sim, pois se Affleck ainda não conseguiu superar sua estreia em Medo da Verdade com este longa, demonstrou estar mais do que ciente do que pode oferecer atrás das câmeras. O thriller político fica a todo momento sob o controle do diretor, que consegue conferir um ritmo crescente a  um filme que poderia cair no marasmo panfletário sobre a situação no Oriente Médio.

Argo conta a história de uma missão que durante anos permaneceu escondida nos porões da CIA. O agente Tony Mendez, integrante de uma divisão ultra-secreta do departamento de inteligência dos EUA, foi convocado para construir uma estratégia de resgate a seis diplomatas do país encurralados no Irã após a invasão da embaixada norte-americana por seguidores de Khomeini, entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980. O plano arquitetado por Mendez era chegar no país como um produtor de um filme de ficção científica que tinha interesse em ter algumas locações no oriente. Mendez, por intermédio do amigo John Chambers, maquiador vencedor do Oscar por O Planeta dos Macacos, contrata o produtor Lester Siegel para a farsa e até compra os direitos de um roteiro batizado de Argo.


Affleck começa o filme com storyboards, imagens reais e reproduções suas dos eventos na embaixada americana, o que aliás evidencia a compreensão de estar lidando com um tema espinhoso e que é preciso deixar o espectador contextualizado sem se perder em didatismos dispensáveis. Além de ser uma história que por si só gera interesse no público, Affleck não perde o ritmo nem as oportunidades certas para proporcionar a quem está assistindo um nível de tensão semelhante ao vivido pelos seis reféns no Irã.

Talvez algumas ressalvas que merecem ser feitas diz respeito ao tom ligeiramente ufanista do terceiro ato, contrastando com a leve crítica feita às intervenções americanas no início do filme. No entanto, fica claro que a necessidade de exaltar emoções no desfecho de Argo está ligada às pessoas e não às nações envolvidas no conflito geopolítico. Também é difícil encarar Affleck como o protagonista da trama sobretudo com o emotivo desfecho que encontra para Argo. Aqui há um problema semelhante ao que todos detectaram em Atração Perigosa, o Affleck ator não consegue carregar o peso dramático que seus protagonistas exigem. Contudo, a apatia habitual do ator acaba, de certa forma, servindo ao personagem, que encontra-se em um momento melancólico de sua vida e que tem uma profissão que exige dele  a maior discrição possível. Portanto, perdoam-se os leves deslizes.


O diretor conta com um elenco coadjuvante formidável. Alan Arkin está interessantíssimo como o produtor Lester Siegel e faz uma dupla impagável com John Goodman, intérprete do maquiador John Chambers. 

Argo é o trabalho mais ambicioso da carreira de Ben Affleck. O filme lida com questões políticas internacionais complicadas, um terreno que o diretor ainda não tinha desbravado em seus dois últimos projetos. Argo é a história de heróis silenciosos, aqueles cujos nomes muitas vezes não sabemos. Por mais ufanista que isso possa parecer, Affleck consegue transformar a história de Tony Mendez em um legado para seu próprio filho, apaixonado pela saga Star Wars e que certamente tem em Luke Skywalker a referência masculina de sua infância. No entanto, Mendez sempre esteve por perto, mesmo ausente. Encontrar essa humanidade em uma trama dominada basicamente pelo ódio e desrespeito ao ser humano é para poucos, mas pouquíssimos diretores. Affleck fez isso, mais uma vez.



Argo, 2012. Dir.: Ben Affleck. Roteiro: Chris Terrio. Elenco: Ben Affleck, Bryan Cranston, Alan Arkin, John Goodman, Victor Garber, Clea DuVall, Tate Donovan, Scoot McNairy, Rory Cochrane, Christopher Denham, Kerry Bishé, Kyle Chandler, Chris Messina, Zeljko Ivanek, Titus Welliver.

Temporada de prêmios - Novembro

Podem acusar o blog de fútil por abrir espaço para uma discussão como essa e não falar mais sobre documentários ou cinema europeu. Bullshit! Não tem nada mais divertido para um cinéfilo que especular sobre possíveis candidatos ao Oscar, mesmo que (ou justamente por esse motivo) estejamos ainda dois meses antes do anúncio dos indicados ao prêmio.
Alguns longas já estrearam nos EUA, os blogs dedicados a especulação já começaram a fazer suas apostas e em breve teremos as listas com os eleitos por associações de críticos e sindicatos - sem falar no guilty pleasure Globo de Ouro. Vamos às apostas!

Clique nos links para conferir os trailers


Filmes

Para melhor filme, o único título com sólidas chances é Argo, terceiro longa de Ben Affleck como diretor. Além do fator "consenso" - o longa pode ter seus detratores, mas ainda assim é difícil eles negarem as qualidades da produção -, o filme mantém-se como um grande sucesso de bilheteria nos EUA, tendo faturado cerca de U$ 76 milhões. O filme tem contra si o fato de não ter nenhum nome que seja candidato a categorias de interpretação, mas isso não impediu que outros vencedores do Oscar faturassem a estatueta.
Além de Argo, me parecem prováveis indicados na categoria principal Lincoln, de Steven Spielberg - que acaba de estrear muito bem nos EUA- e Silver Linings Playbook, dramédia de David O.Russell (O Vencedor).
Alguns possíveis indicados que ainda precisam do aval da crítica e do público, já que ainda não estrearam nos EUA, são Les Misérables, de Tom Hooper (O Discurso do Rei); Zero Dark Thirty, de Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror); O Hobbit, de Peter Jackson; The Promised Land, de Gus Van Sant (Milk)  e Django Livre, de Quentin Tarantino. Mas não há dúvidas que, se derem certo, estarão lá.
O favorito Argo tem chances de encontrar um rival em As Aventuras de Pi, novo longa de Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain), que, apesar de não ter estreado comercialmente nos EUA, já teve exibições prévias e reações bem positivas.
As demais indicações podem ser divididas entre The Master, de Paul Thomas Anderson (Sangue Negro); Moonrise Kingdom, de Wes Anderson (A Vida Marítma de Steve Zissou), Beasts of the Southern Wild, estreia do neozeolandês Benh Zeitlin; Amor, de Michael Haneke (A Fita Branca); As Sessões, de Ben Lewin; O Exótico Hotel Marigold, de James Mangold (Shakespeare Apaixonado).

Minhas apostas de novembro

Melhor Filme
Argo
As Aventuras de Pi
Lincoln
Silver Linings Playbooks
Zero Dark Thirty
The Master
Beasts of the Southern Wild
As Sessões
Les Misérables
Amor

Melhor direção
Ben Affleck - Argo
Steven Spielberg - Lincoln
Ang Lee - As Aventuras de Pi
David O.Russell - Silver Linings Playbook
Michael Haneke - Amor


Atrizes

Em um ano no qual as melhores interpretações femininas parecem ser das francesas Marion Cotillard, em Ferrugem e Osso, e Emmanuelle Riva, em Amor, o favoritismo de Jennifer Lawrence (foto, esquerda) em Silver Linings Playbook é o que se tem até o momento. Mas ainda há muitas incertezas nessa categoria... Esse ano existem poucos nomes para ela e a personagem de Lawrence, apesar de ser muito bem defendida pela atriz e pelo roteiro do longa, como dizem os críticos, parece não fugir da "clássica" outsider de comédias românticas. Mas é preciso levar em conta que a atriz está em seu melhor momento (Jogos Vorazes e a recente indicação ao Oscar por Inverno da Alma ) e que isso sempre é levado em conideração nas premiações. Muita gente prefere Cotillard, mas seria a Academia capaz de premiar a atriz pela segunda vez com um filme francês? Difícil, mas não impossível. Também se discute a viabilidade do Oscar trazer dois filmes em francês na categoria (Cotillard e Riva). Particularmente, não vejo problema nenhum nisso. A Academia já quebrou o protocolo tantas vezes... Se isso acontecer, podem contar com Helen Mirren, no não muito bem visto Hitchcock, no qual a inglesa interpreta a esposa do cineasta.
As outras duas indicações em melhor atriz podem ficar para a garotinha Quvenzhané Wallis, de Beasts of the Southern Wild, ou Jessica Chastain, de Zero Dark Thirty, que apesar de não ter sido visto ainda traz muito burburinho em torno de sua personagem.
Há ainda as possibilidades de Naomi Watts, de O Impossível; Judi Dench, de O Exótico Hotel Marigold; e Keira Knightley, de Anna Karenina, serem indicadas.

Minhas apostas de novembro
Melhor atriz
Jennifer Lawrence - Silver Linings Playbook
Marion Cotillard - Ferrugem e Osso
Emmanuelle Riva - Amor
Quvenzhané Wallis - Beasts of the Southern Wild
Jessica Chastain - Zero Dark Thirty

Já para melhor atriz coadjuvante, as coisas mudam de figura. Temos as candidaturas de Sally Field, de Lincoln, e Helen Hunt, de As Sessões, mais do que garantidas. No entanto, desde que Les Miserábles começou a ser filmado, Anne Hathaway desponta como favorita em função de sua interpretação da canção "I Dreamed a Dream". Seria a oportunidade ideal para Hathaway levar e Field e Hunt já têm suas estatuetas. Resta saber se Les Misérables fará jus às suas expectativas.
Junto das três temos Amy Adams, em The Master, e Maggie Smith, de O Exótico Hotel Marigold.
Há especulações sobre Jackie Weaver, em Silver Linings Playbooks e Amanda Seyfried, Helena Bonham Carter ou Samantha Barks de Les Misérables.

Minhas apostas de novembro
Melhor atriz coadjuvante
 Anne Hathaway - Les Misérables
Sally Field - Lincoln
Helen Hunt - As Sessões
Samantha Barks - Les Miserábles
Maggie Smith - O Exótico Hotel Marigold

Atores

Para os atores, a vida sempre é mais fácil. A batalha promete ser grande entre Joaquin Phoenix, em The Master, e Daniel Day-Lewis, em Lincoln. Há críticos que já levantam a campanha de um terceiro Oscar para Day-Lewis, coisa que pode acontecer se Phoenix não parar de falar besteiras em veículos como o The Hollywood Reporter. Em recente entrevista para a publicação, o ator disse que não precisava do Oscar para viver, sem contar seu show de excentricidade no último Festival de Veneza, onde ganhou o prêmio de melhor ator pelo desempenho em The Master.
Parecem também certas as indicações de Denzel Washington, em O Voo; John Hawkes, em As Sessões; e Bradley Cooper, de Silver Linings Playbook.
No entanto, as coisas podem mudar se a Academia resolver contrariar as orientações e indicar Philip Seymour Hoffman como ator principal de The Master, junto com Joaquin, e não como coadjuvante como esperado.
Há ainda Richard Gere, de A Negociação; Hugh Jackman, em Les Misérables;  e Anthony Hopkins, de Hitchcock, disputando vagas.

Minhas apostas de novembro
Melhor ator
Joaquin Phoenix - The Master
Daniel Day-Lewis - Lincoln
Denzel Washongton - O Voo
John Hawkes - As Sessões
Bradley Cooper - Silver Linings Playbook

Retornando ao tópico Philip Seymour Hoffman. Provavelmente, a Weinstein Co., responsável pela campanha de The Master com a Academia, fará de um tudo para o filme render ao ator uma indicação de melhor ator coadjuvante. Tudo porque Hoffman tem muito mais chances aqui que como ator. Seu principal rival parece ser Tommy Lee Jones, em Lincoln.
Os demais formam uma verdadeira sopa de letrinhas e tudo pode acontecer. Temos possibilidades com: Alan Arkin, em Argo; Robert DeNiro, de Silver Linings Playbook; Matthew McConaughey, de Magic Mike; Dwight Henry, de Beasts of the Southern Wild; William H.Macy, de As Sessões; Russell Crowe, de Les Miserábles e John Goodman, de Argo.

Minhas apostas de novembro
Melhor ator coadjuvante
Philip Seymour Hoffman - The Master
Tommy Lee Jones - Lincoln
Alan Arkin - Argo
Dwight Henry - Beasts of the Southern Wild
Matthew McConaughey - Magic Mike

Drops: Histeria


Histeria pode ser simplificado em sua descrição como o filme que conta a história do surgimento do vibrador, mas a comédia de Tania Wexler é um filme sobre costumes. Wexler traz a história de Mortimer Granville, um jovem médico do século XIX que começa a trabalhar no consultório do Dr. Robert Dalrymple no início de sua carreira, após ser despedido de diversos hospitais por estar a frente dos padrões médicos da época. Dalrymple atende senhoras diagnosticadas com "histeria" e a solução para esse problema feminino estava, segundo o médico, literalmente nas suas mãos. Acreditava-se que quando uma mulher demonstrava inquietação ou começava a manifestar ideias transgressoras, a solução estava na satisfação sexual através da masturbação. Claro que tudo era feito com muita discrição nos consultórios e sequer o consideravam como um tratamento sexual. A partir de sua experiência, Mortimer começa a pensar em uma máquina que solucionaria o problema das mulheres e os seus, já que atender a dezenas delas por semana começava a lhe causar câimbras nas mãos.Curioso é que se pensarmos na sociedade em que vivemos, até hoje as mulheres sofrem com as acusações de histeria e não é difícil ver um infeliz sugerir que a origem de qualquer oscilação de humor está diretamente ligada com a ausência de sexo. Bom, não deixa de ter um fundo de verdade na época já que boa parte dos maridos ou eram completamente ausentes ou sequer consideravam os desejos sexuais de suas esposas, tornando elas completamente infelizes na cama. O fato é que, como diz a personagem de Maggie Gyllenhaal em um dado momento do longa, as mulheres sempre viveram uma relação de culpa com o sexo (não são donas de seus próprios corpos, ela diz). Sem mais delongas, Histeria é um filme bem interessante sim. Apesar de descambar para a comédia romântica em seus minutos finais de projeção mostra na maior parte dela um oportuno humor malicioso, sem ser grosseiro, e  proporciona discussões relevantes sobre a emancipação feminina.


Hysteria, 2011. Dir.: Tania Wexler. Roteiro: Stephen Dyer e Jonah Lisa Dyer. Elenco: Hugh Dancy, Maggie Gyllenhaal, Jonathan Pryce, Felicity Jones, Rupert Everett, Ashley Jensen, Sheridan Smith, Gemma Jones, Malcolm Rennie, Kim Criswell. 100 min. Imagem Filmes

domingo, 4 de novembro de 2012

Drops: Loucamente Apaixonados


Loucamente Apaixonados é uma dessas fitas independentes norte-americanas que faz um grande sucesso com uma fatia dos espectadores e da crítica. No ano passado, o filme chegou a figurar em várias listas de apostas do Oscar para uma indicação para Felicity Jones, sua protagonista. O filme não apresenta nada de novo, nem pretende apresentar. Loucamente Apaixonados trabalha com a ideia de que o tempo e os obstáculos podem ser os melhores e piores aliados de um relacionamento amoroso. Jacob e Anna se conheceram quando ela saiu de Londres e foi para os EUA estudar. Quando o prazo da estadia de Anna nos EUA está prestes a expirar, o casal passa a viver atormentado com a possibilidade de viverem longe um do outro. Acontece que, por imprudência, Anna burla uma das regras de sua licença e acaba impedida por alguns anos de voltar aos EUA. A distância acaba sendo uma prova de fogo para o casal que passa anos tentando manter um relacionamento à distância. Drake Doremus segue a cartilha do cinema independente norte-americano e conta com as performances de Felicity Jones e Anton Yelchin para dar um algo a mais a esse filme que se não surpreende, ao menos não ofende com conclusões estúpidas.


Like Crazy, 2011. Dir.: Drake Doremus. Roteiro: Drake Doremus. Elenco: Anton Yelchin, Felicity Jones, Jennifer Lawrence, Chris Messina, Charlie Bewley, Alex Kingston, Finola Hughes, Ben York Jones, Jamie Thomas King, Keeley Hazell. 90 min. UIP

Drops: Marcados para Morrer


A estética da filmagem "caseira" chega enfim aos policiais com Marcados para Morrer. No entanto, diferente do oportunismo de algumas fitas pós-A Bruxa de Blair, este longa de David Ayer, o mesmo de Os Reis da Rua, chega na leva dos reality shows, especialmente aqueles que servem para saciar o voyerismo em torno de operações policiais de risco. Muita violência, drogas e uma disputa entre negros americanos e imigrantes mexicanos pelo domínio do tráfico de drogas no subúrbio de Los Angeles. Com o intuito de fazer um registro de rotina policial, Brian Taylor, personagem de Jake Gyllenhaal, filma suas ações  ao lado de seu parceiro Mike Zavala, de Michael Peña. Mesmo nos momentos em que Taylor não está com a câmera em mãos, Ayer opta pelo "amadorismo" e o resultado, algumas vezes incômodo e desnecessário, funciona muito bem na maioria dos momentos, dando um tom mais intimista na relação do espectador com a situação vivida por aqueles personagens. Gyllenhaal e Peña funcionam muito bem nessa parceria. O filme ainda dialoga com diversos filmes, como Dia de Treinamento, roteirizado pelo próprio Ayer, e o já citado A Bruxa de Blair. Tudo, é claro, sem grandes pretensões, mas não perdendo de vista a urgência que a denúncia sobre violência urbana exige.


End of Watch, 2012. Dir.: David Ayer. Roteiro: David Ayer. Elenco: Jake Gyllenhaal, Michael Peña, Anna Kendrick, Natalie Martinez, America Ferrera, David Harbour, Frank Grillo, Cody Horn, Cle Shaheed Sloan, Jaime FitzSimons. 109 min. Califórnia Filmes. 

Drops: Frankenweenie


De alguma maneira, a animação Frankenweenie resgata o Tim Burton que ficou perdido lá na década de 1980, algo parecido com o recente Sombras da Noite. Todos os elementos que fizeram a fama do cineasta estão lá: o humor negro, os personagens bizarros, o tom sombrio, o protagonista outsider e a trilha de Danny Elfman. Mas, da mesma forma que o longa que traz Johnny Depp como o vampiro Barnabas, alguma coisa na animação não funciona. O longa é uma parceria do diretor com a Disney e pretende ampliar os horizontes de uma história já contada em um curta de animação no início da carreira de Burton. Na trama, o jovem Victor Frankenstein resolve trazer de volta à vida seu cão de estimação, Spike, que morreu após ser atropelado por um carro. Para isso, Victor coloca em prática um experimento inspirado em uma de suas aulas de Ciência com o professor Rzykrusky, reanimando o animal com eletricidade. Até ai, Frankenweenie é uma animação inspiradíssima. O problema é que o longa enfraquece no terceiro ato, quando resolve reverenciar os clássicos do terror da Universal (Drácula, Lobisomem, a Múmia e, as mais óbvias, Frankenstein e a Noiva Frankenstein). Nesse momento, o roteiro extrapola a narrativa do curta que originou esse projeto. Enfim, mais uma vez digo que não deixa de ser uma pena ver que a carreira de um cineasta com um universo tão peculiar oscile entre filmes ruins  e medianos. Mas também não sei se amadureci e o mundo de Burton já não me causa o mesmo fascínio. Ainda estou amadurecendo essa ideia...


Frankenweenie, 2012. Dir.: Tim Burton. Roteiro: John August. Vozes de: Charlie Tahan, Catherine O'Hara, Martin Short, Martin Landau, Winona Ryder, Atticus Shaffer, Conchatta Ferrell, Tom Kenny, James Hiroyuki Liao, Dee Bradley Baker. 87 min. Buena Vista.

Drops: Cosmópolis


Cosmópolis é a representação viva de um David Cronenberg perdido em suas próprias aspirações. Adaptando o apocalíptico e "cabeçudo" livro de Don DeLillo, que veio para as livrarias em 2003 e foi tido como uma espécie de premonição para a crise econômica e política que se abateu sobre os EUA em 2008, o diretor erra mais que acerta. O longa traz Robert Pattinson como um jovem milionário que decide cruzar Nova York para cortar seu cabelo, isso no momento em que a cidade está em polvorosa com diversas manifestações do proletariado e em função da visita do presidente do país. Cronenberg resolve optar pela verborragia e pelo tom que oscila entre a erudição e a teatralidade para tornar os diálogos de seus personagens verdadeiros tópicos argumentativos que visam convencer o espectador sobre os efeitos nefastos do capitalismo e, consequentemente, da política externa norte-americana. Os personagens são apenas um pretexto para DeLillo, e agora Cronenberg, apresentarem ao espectador um encadeamento de ideias, que não apresentam nada que ninguém já tivesse concluído por outras vias. No entanto, a interpretação de Paul Giamatti nos minutos finais e algumas sacadas irônicas (o exame de próstata) salvam o longa. Giamatti protagoniza um duelo (sim!) com Robert Pattinson, que finalmente dá conta do recado. Ainda assim não empolgue-se, aqui a habitual apatia de Pattinson o beneficia e cai como uma luva para o protagonista de Cosmópolis.



Cosmopolis, 2012. Dir.: David Cronenberg. Roteiro: David Cronenberg. Elenco: Robert Pattinson, Paul Giamatti, Sarah Gadon, Samantha Morton, Juliette Binoche, Kevin Durand, Abdul Ayoola, Emily Hemphshire, Jay Baruchel, Mathieu Amalric, Patricia McKenzie. 109 min. Imagem Filmes.

sábado, 3 de novembro de 2012

Vida nada fácil

Steven Soderbergh encontra drama e melancolia no rentável negócio do striptease masculino da Flórida de Magic Mike


Steven Soderbergh não dorme em serviço. E ainda que aqui e ali tenha alguma reserva em sua extensa filmografia, o olhar de Soderbergh para os temas que escolhe em seus filmes é sempre relevante, ainda que soe algumas vezes pernóstico, como no projeto Che ou em Confissões de uma Garota de Programa. O norte-americano já anunciou que vai parar as atividades muito em breve para se dedicar às artes plásticas, no entanto, tem pelo menos dois projetos na gaveta prontinhos para estrear,Side Effects, drama sobre a indústria dos medicamentos psiquiátricos com Rooney Mara, Jude Law, Catherine Zeta-Jones e Chaning Tatum, e seu derradeiro longa, Behind the Candelabra para a HBO, no qual Michael Douglas interpreta o showman Liberace e Matt Damon vive o seu amante, ambos estrearão em 2013. Antes disso, Soderbergh veio com aquele que talvez é um dos seus maiores sucessos comerciais , Magic Mike, drama sobre o universo do striptease masculino com Chaning Tatum, que por sinal já fez parte desse mundo. O filme custou cerca de US$ 7 milhões e arrecadou quase US$ 140 milhões só nos EUA, sendo que esse lucro ficará com Soderbergh já que ele não contou com o financiamento de um grande estúdio.

Em Magic Mike, o norte-americano habilmente transforma um filme que teria tudo para ter uma trama superficial (ecos de Striptease com Demi Moore) em um longa pontual sobre as escolhas erradas da juventude, o caminho mais fácil que no final das contas traz uma conta mais cara quando estamos à beira da maturidade. Temos a história de Adam, um jovem sem muita perspectiva de futuro que acaba se encantado pelo mundo sedutor das boates de striptease masculino. Ele é ciceroneado nesse universo por Mike, um stripper prestes a completar trinta anos que planeja abrir um negócio em Miami e largar a boate onde trabalha há dez anos. Mas a despeito das "cores" que traz para seu filme logo no início, Soderbergh logo revela um mundo de futilidades, narcísico, imediatista, sem perspectivas e imerso em misoginia.


Claro que provavelmente por respeito ao próprio Channing muita coisa ficou pasteurizada. Provavelmente o universo de Magic Mike seria menos leve em outras circunstâncias. Mas Soderbergh preferiu atenuar um pouco o lado mais sombrio do projeto, ainda que ele esteja presente, só que em doses homeopáticas, o que não retira em nada os méritos do cineasta. Soderbergh parece ter encontrado enfim o equilíbrio entre seu ego e o ritmo da narrativa. Magic Mike não é a melhor coisa que ele já fez, mas merece os créditos pelo pulso firme de um diretor que soube ir pelo caminho menos óbvio e fisgar as plateias que certamente se surpreenderão com os temas que o longa evoca e com a contundência com que constroi seu protagonista, vivido por um surpreendente Channing Tatum.

Com conhecimento de causa, Tatum compreende todas as nuances e dilemas de Mike, um jovem que oscila entre a inconsequência e a maturidade. A maior frustração de Mike é saber que tem meios para mudar de vida e que apesar disso não consegue concretizar essa guinada. Mas não há dúvidas que o maior rival de Channing no quesito "revelação" não é Alex Pettyfer, que vive o pupilo Adam, mas sim Matthew McConaughey. O personagem do texano é o stripper mais experiente do grupo, Dallas, que caiu como uma luva para McConaughey. O ator consegue transformar o personagem em uma figura carismática, mas também repulsiva pelo excesso de vaidade e pela falta de limites para conseguir o que quer.


Com um roteiro muito bem escrito, sabendo dosar o degringolar dos acontecimentos e levar a história ao clímax do terceiro ato, sem desviar-se com personagens periféricos ou seduzir-se pelo apelo do público ao elenco de saradões do filme, Magic Mike é um filme surpreendente. Soderbergh sabe como poucos frustrar as expectativas de uns e entregar um resultado acima da média através dos caminhos menos óbvios. Outro mérito do cineasta aqui é a escalação do seu elenco, Soderbergh sempre soube aliar as exigências dos personagens com as limitações dramáticas de seus próprios atores. Esta combinação de fatores faz de Magic Mike um filme denso e cheio de nuances que supera o seu próprio "cartão de visitas".





Magic Mike, 2012. Dir.: Steven Soderbergh. Roteiro: Reid Carolin. Elenco: Channing Tatum, Matthew McConaughey, Alex Pettyfer, Cody Horn, Olivia Munn, Matt Bomer, Joe Manganiello, Adam Rodriguez, Kevin Nash, James Martin Kelly. 110 min. Imagem Filmes

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Blog completa seis anos


Entra ano e sai ano eu não deixo de lembrar essa data. Exatamente no dia 22 de outubro de 2006, o Raining Frogs entrou na rede com seu primeiro post. Em outubro passado, o blog completou seis anos de existência.
Esse espaço já deixou de ter um cunho comercial e apesar de representar nos últimos anos uma espécie de válvula de escape, um momento no qual realmente posso falar sobre o que amo e da forma que eu quero, cinema, não deixo de ter um compromisso com todos que passam um tempinho aqui.
Por amizade (rs) ou curiosidade, hoje o Raining Frogs conta com a ajuda e o retorno de todos vocês. Para não deixar passar a data em branco, lembrei alguns nomes do cinema que surgiram, fizeram história ou se reinventaram nesses seis anos.


Filmes 
Começaremos pelos filmes e pelo primeiro longa a encabeçar o Listão de melhores do ano: Filhos da Esperança, de Alfonso Cuáron (E sua mãe também), em 2006, ano de abertura do blog. O longa passou batido nas premiações daquele ano e hoje tem status de cult no gênero "futuro apocalíptico". Conta a história de um jornalista desacreditado na humanidade que de repente se vê envolvido em uma trama para salvar a única mulher fértil na Terra.

Em 2007, foi a vez de escolhermos Pecados Íntimos, um pequeno, brilhante e complexo drama de Todd Field (Entre quatro paredes) no subúrbio dos EUA que trata da eterna imaturidade  humana. Traz Kate Winslet, indicada ao Oscar aqui, Jennifer Connelly e o excepcional Jackie Earle Haley, intérprete de um pedófilo, também foi lembrado pela Academia.

 Desde o início do Raining Frogs sabia que em algum ano lembraria de uma adaptação de HQs, ainda mais se ela fosse protagonizada pelo meu super-herói preferido desde a infância, Batman. Dando continuidade aos trabalhos de Christopher Nolan (Amnésia) na franquia, Batman - O Cavaleiro das Trevas fez a transposição definitiva dos quadrinhos para o cinema (e não me venham com a histeria de Os Vingadores!).

Sangue Negro, de 2007, lançado em 2008 no Brasil,  trouxe Paul Thomas Anderson (Magnólia) de volta após um hiato de cinco anos. O cineasta mais uma vez conseguiu fazer um grande candidato a épico americano. Protagonizado pelo sempre intenso Daniel Day-Lewis, vencedor de um Oscar entre tantos outros prêmios por esse desempenho, Sangue Negro é um filme sobre o embrião da ambição e da corrupção no ser humano

Seguindo a cartilha dos complexos dramas sobre relacionamento, Amantes foi um filme que gerou simpatia em 2009. O longa de James Gray (Os Donos da Noite) fala sobre a escolha entre o sentimento seguro, personificado por Vinessa Shaw, e a instabilidade afetiva, representada pela personagem de Gwyneth Paltrow. A escolha deve caber ao introvertido e inseguro personagem de Joaquin Phoenix. O resultado é lindo, poético.

No mesmo ano de Amantes, esse blog lembrou da revolução tecnológica de Avatar, primeiro filme inteiramente em 3D, dirigido pelo dedicado James Cameron (Titanic). Ok, não sei se hoje Avatar sobreviveria ao tempo como Titanic, mas vale a lembrança. Não tinha como passar batido...
Provavelmente mais resistente ao tempo, A Origem é o segundo filme de Christopher Nolan na lista. O longa firmou em definitivo o nome de Nolan no panteão hollywoodiano, possibilitando-o livre acesso na Warner. Aqui, gerou um dos posts mais comentados nesses seis anos de existência do blog, com infinitas discussões sobre seu desfecho.

David Fincher aparece na lista com aquele que é o seu Cidadão Kane. Guardada as devidas proporções, o diretor descortinou o império das comunicações de nossa época, as redes sociais, através de A Rede Social. O criador do Facebook, o emblemático e controverso Mark Zuckeberg, proporcionou a Fincher seu primeiro estudo pontual sobre um  personagem. Caiu como uma luva, um personagem eminentemente racional nas mãos de um diretor eminentemente racional.

Cisne Negro foi outro filme que marcou os seis anos do blog. Trata-se de um dos projetos mais aguardados de Darren Aronofsky, que começou a década muito bem com Requiém para um Sonho. O thriller ambientado nos bastidores de uma montagem novaiorquina de O Lago dos Cisnes rendeu o esperado Oscar de melhor atriz a Natalie Portman. O longa é um exemplar até então invicto das marcas de Aronofsky como cineasta.

A Árvore da Vida, vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano de 2011, foi um dos filmes mais controversos nesses seis anos. Teve quem achasse pretensioso... Particularmente, acredito que o filme de Terrence Malick é na verdade ambicioso, o que é bem diferente. Acontece que a abordagem existencialista, uma marca de Malick, e a forma como ele expõe sua história ainda causa estranheza no público médio ou mesmo entre os cinéfilos. Basta lembrar, e não estou exagerando, que grandes filmes tiveram a mesma rejeição das plateias quando foram lançados. O tempo dirá.


Diretores
1 - Christopher Nolan -  Um dos poucos cineastas a conseguir aliar o apelo comercial com o cinema de autor. O ápice da carreira de Nolan aconteceu em 2008, com Batman - O Cavaleiro das Trevas, e em 2010, com A Origem. Hoje, ele é um dos poucos a ter uma certa autonomia mesmo sendo contratado de um estúdio, no caso a Warner (casa que deu a mesma liberdade para Kubrick). Nesses seis anos, Nolan também nos trouxe O Grande Truque (2006) e o encerramento da trilogia O Cavaleiro das Trevas com Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012).
2 - Selton Mello - Grande alento da nova safra do cinema nacional, dominado pela Globo Filmes e suas produções pasteurizadas, Selton Mello revelou-se um excelente cineasta. Após sua estreia com o melancólico Feliz Natal (2008), o diretor fez O Palhaço no ano passado (nosso candidato a uma vaga no próximo Oscar). Atualmente, Mello dirige a série Sessão de Terapia do GNT, um dos programas mais elogiados da grade do canal.
3 - Ben Affleck - Também fazendo muito bem a transição da interpretação para a direção, Ben Affleck mostrou ser mais que uma versão 2.0 de Clint Eastwood. Claro que as comparações são inevitáveis, ainda mais porque Affleck dirigiu até o momento dramas policiais, forte do Clintão. No entanto, ele tem trilhado sua própria trajetória com o excelente Medo da Verdade, de 2007, e o correto Atração Irresistível, de 2010, filmes com marcas muito pessoais. A grande chance de Affleck ainda está por vir com Argo, filme que será lançado no Brasil em novembro e que promete levá-lo finalmente ao Oscar.
4 - James Gray - Um dos cineastas mais subestimados de sua geração, Gray começou a carreira com filmes policiais que exploravam a violência e eram centrados em grandes conflitos familiares, a maioria masculinos. As comparações aqui foram com a filmografia de Martin Scorsese. Foi assim em Caminho sem Volta, de 2000, e Os Donos da Noite, de 2007. Dois anos depois, Gray viria com seu filme mais interessante e curiosamente menos conhecido, Amantes, um drama simples sobre relacionamentos. Espero que o tempo seja mais justo com Gray...
5 - David Yates - O inglês David Yates entregou nada menos que quatro filmes acima da média nesses seis anos, todos da franquia Harry Potter. Ele merece estar na lista por ter sido responsável pelo amadurecimento da franquia e ter realizado um trabalho exemplar na condução de A Ordem da Fênix, O Enigma do Príncipe e As Relíquias da Morte - Parte 1 e 2. Se ele fez isso com uma franquia tão controlada e com tanta gente para dar pitaco como Harry Potter, imagina o que ele pode fazer em um projeto mais autoral.
6 - Sean Penn - Apesar de ter rodado apenas um longa nesses seis anos, Sean Penn foi responsável por Na Natureza Selvagem, mais um exemplar do inesquecível ano de 2007. Atrás das câmeras, Penn mostrou o mesmo vigor e visceralidade que demonstra na frente das câmeras. A gente também fica na fila a espera da próxima empreitada dele como diretor.



Atores
Ryan Gosling - Raro caso de ator que consegue colecionar composições interessantes no currículo e manter o status de galã hollywoodiano, o recente Drive talvez seja o exemplar vivo disso, Gosling já teve momentos interessantes em Diário de uma Paixão (2004) e A Passagem (2005), mas mostrou serviço mesmo a partir de 2006 com Half Nelson, sua primeira e única indicação ao Oscar. De lá para cá, foram Namorados para Sempre (2010), Tudo pelo Poder (2011) e sobretudo A Garota Ideal (2007), que o tornaram um dos nomes mais disputados entre os produtores. 
Brad Pitt - Esses seis anos também fizeram bem a Brad Pitt. O ator entregou uma performance tocante em Babel, de 2006, ganhou o Festival de Veneza com sua interpretação em O Assassinato de Jesse James  em 2007 e fez sua terceira parceria com David Fincher, O Curioso Caso de Benjamin Button, de 2008, trabalho pelo qual foi indicado ao Oscar. O ator ainda foi lembrado pela Academia neste ano com O Homem que Mudou o Jogo. A fórmula para a transformação de Pitt de galã canastrão a ator premiado foi trabalhar com as pessoas certas. Seus últimos projetos foram dirigidos por Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios) e Terrence Malick (A Árvore da Vida). Pitt é a prova de que nem sempre é preciso ter um talento nato, ele pode ser construído com o tempo e com as parcerias certas.
Selton Mello - O brasileiro não merece menção apenas por seu trabalho como diretor, Mello, um dos atores mais ativos do nosso cinema, esteve simplesmente brilhante em O Palhaço, que ele mesmo dirigiu e que estreou em 2011, e em Jean Charles, de 2009. Além desses longas, o ator também está ótimo em Meu Nome não é Johnny, de 2008, e na breve participação que fez em Os Desafinados, também de 2008, na pele de um cineasta (!!!!). O ator também divertiu em A Mulher Invisível, filme de 2009. Selton Mello nunca é demais!
Heath Ledger - O intérprete do icônico Coringa de Batman - O Cavaleiro das Trevas era conhecido por ser canastrão em suas performances até cair nas graças de Ang Lee e protagonizar O Segredo de Brokeback Mountain em 2005. Desde então, Ledger mostrou ser uma grande promessa que assim como James Dean foi embora muito cedo. Ficou a clara sensação que ele ainda tinha muito mais a nos oferecer.
Christoph Waltz - O austríaco tem repetido seu tipo em Bastardos Inglórios desde então, mas não dá para esquecer Hans Landa. As melhores cenas do filme de Tarantino são de Christoph Waltz. O ator voltou a surpreender em Deus da Carnificina, de 2011, mas ainda esperamos que ele saia da sombra do personagem que o apresentou ao grande público. Quem sabe não é agora com Django Livre, mais recente filme de Tarantino?
Ricardo Darin - O argentino virou selo de qualidade de qualquer filme que o traga como protagonista. Darin foi o protagonista de O Segredo dos seus Olhos, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009, e esteve incrível em Um Conto Chinês no ano passado. É o típico caso de baixarmos a guarda e reconhecemos o talento de um argentino.



Atrizes
Marion Cotillard - Quem acompanha o blog sabe que a francesa vencedora do Oscar por Piaf - Um Hino ao Amor , em 2007, é um dos meus maiores xodós. Cotillard não conseguiu ainda o status de uma Penélope Cruz, Catherine Deneuve ou Sophia Loren em terras ianques, mas sempre procurou os melhores diretores para trabalhar. Desde então, já atuou com Woody Allen (Meia -Noite em Paris), Christopher Nolan (A Origem e Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e Michael Mann (Inimigos Públicos). Cotillard ainda esteve incrível em Nine, de 2009, sendo disparada a melhor coisa em um musical que trazia Daniel Day-Lewis, Judi Dench e Nicole Kidman e que ainda assim foi um fracasso.  
Penélope Cruz - A espanhola sofria rejeição parecida com a que Heath Ledger sofreu no início da carreira nos EUA. No caso de Cruz, a situação era ainda mais difícil, o sotaque da atriz, que poderia ser um charme a mais em suas performances, era motivo de chacota. Foi só Cruz assumir sua origem espanhola e voltar a trabalhar com Pedro Almodóvar que ela recebeu sua primeira indicação ao Oscar e a vários prêmios em 2006 com Volver. Depois, Cruz trabalhou com Woody Allen em Vicky Cristina Barcelona, de 2008, e levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante, a atriz também foi indicada por Nine, de 2009, na mesma categoria.
Kate Winslet - Quando venceu o Oscar de melhor atriz em 2008 com O Leitor, Kate Winslet já era recordista na premiação. Winslet era a atriz mais jovem com mais indicações ao prêmio no currículo, cinco no total (Razão e Sensibilidade, Titanic, Íris, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Pecados Íntimos). No mesmo ano que levou a estatueta por O Leitor, Winslet estrelou o subestimado Foi Apenas um Sonho. No ano passado, a inglesa esteve em Mildred Pierce, minissérie da HBO de Todd Haynes, um verdadeiro primor televisivo. O segredo de Winslet? Ser extremamente seletiva em seus papéis. Dificilmente ela sai de casa para atuar em um projeto qualquer. 
Amy Adams - Adams é uma daquelas atrizes que todo mundo já viu em algum filme, mas que poquíssimas pessoas reparam nos detalhes de suas performances. Que outra atriz carregaria com tanta dignidade e se aplicaria tanto na composição de uma autêntica princesa Disney (e com tantas referências) como ela fez em Encantada, mistura de animação e live action de 2007. A atriz já tem três indicações ao Oscar (Dúvida, O Vencedor e, a melhor delas, Retratos de Família) e especula-se sempre esteve como a segunda opção do prêmio nos anos que esteve na disputa.
Viola Davis - A atriz já é veterana em Hollywood, mas só foi reconhecida mesmo depois de roubar a cena de Meryl Streep com menos de dez minutos em cena no drama Dúvida, de 2008. Davis conseguiu o papel depois que escreveu uma biografia para sua personagem e a entregou nas mãos do diretor John Patrick Shanley. No ano passado, Davis teve o melhor momento de sua carreira com Histórias Cruzadas, rivalizando com Streep (!!!) o Oscar de melhor atriz. Injustamente, o prêmio foi para Streep. Enfim, uma daquelas injustiças que a Academia faz quando quer reparar outras injustiças. No caso, a necessidade de dar um terceiro prêmio a Streep, ainda que por um filme medíocre como A Dama de Ferro. Todos esperamos que o fato de estar acima dos 40 e de ser negra não coloquem Davis em um limbo que grandes atrizes já estiveram. 
Jessica Chastain - Parece que Jessica Chastain surgiu ontem, mas não foi bem assim.A atriz esteve em nada menos que seis produções somente em 2011. Acontece que todas essas produções com Jessica sofreram adiamentos e a atriz teve uma superexposição (positiva) no ano que passou. Chastain tem seus melhores trabalhos em A Árvore da Vida, O Abrigo e Histórias Cruzadas, pelo qual foi indicada ao Oscar. A gente ainda vai ouvir muito o nome dessa moça...