sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Listão 2012 - Os 10 Melhores Filmes do Ano


# 1. Drive
Dir.: Nicolas Winding Refn
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan e Albert Brooks

Das premissas mais simples podem surgir os trabalhos mais geniais. Drive é um desses exemplos. Ao narrar a história de um dublê de sequências com automóveis em Hollywood, o diretor Nicolas Winding Refn bebe de diversas referências do melhor que a escola norte-americana já pôde oferecer. O desempenho memorável de Ryan Gosling também é responsável pelo ótimo resultado que o filme acaba mostrando, um equilíbrio nada ortodoxo entre a violência e a sensibilidade, tal qual a natureza do calado protagonista do longa. Disponibilidade: DVD/Blu-Ray




#2. A Invenção de Hugo Cabret
Dir.: Martin Scorsese
Elenco: Asa Butterfield, Chloe Grace Moretz, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen


Mais que um desafio visual - mesmo com os recursos 3D, ele deve ter tirado isso de letra -, A Invenção de Hugo Cabret foi um desafio narrativo para Martin Scorsese que nunca tinha se aventurado na adaptação de um conto juvenil. O resultado é de encher os olhos e os corações, já que A Invenção de Hugo Cabret conta com o desempenho emocionante do talentoso Asa Butterfield no papel título (de arrancar lágrimas de qualquer marmanjo) e presta uma bela reverência à magia do cinema. Disponibilidade: DVD/Blu-Ray






#3. O Impossível
Dir.: Juan Antonio Bayona
Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor e Tom Holland

Trazendo como pano de fundo o trágico tsunami que destruiu o Sudeste Asiático em 2004, O Impossível é, na verdade, uma história sobre a força dos laços familiares. O espanhol Juan Antonio Bayona acerta ao concentrar seus esforços nos dramas dos protagonistas, deixando de lado qualquer lugar comum que o cinema catástrofe tenha reproduzido desde os anos 90, com os filmes de Rolang Emmerich, Wolfgang Petersen e cia. Estupendo trabalho de todo o elenco e do seu diretor. Disponibilidade: Nos cinemas





# 4. Looper - Assassinos do Futuro
Dir.: Rian Johnson
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis e Emily Blunt

Grande azarão do ano, Looper- Assassinos do Futuro junta-se ao grupo das ficções-científicas distópicas que são cultuadas ao longo de gerações e gerações. Quem, no início do ano, apostaria que o novo trabalho do diretor de Vigaristas fosse tão interessante? Com menos recurso que o usual e um roteiro inventivo, Rian Johnson concebeu uma trama engenhosa que não deixa de lado os necessários laços afetivos entre personagens e espectador. Disponibilidade: Lançamento em DVD/Blu-Ray previsto para 2013





#5. As Vantagens de ser Invisível
Dir.: Stephen Chbosky
Elenco: Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller

Há anos não chegava aos cinemas um drama adolescente que dialogasse de maneira tão sincera com uma geração, sem recorrer a artifícios escapistas. Infelizmente, As Vantagens de ser Invisível não teve, e nunca teria, a mesma aceitação que produtos como Crespúsculo. No entanto, esse pequeno filme, roteirizado e dirigido pelo autor do livro no qual é baseado, é delicado e eficaz na medida certa, trazendo como grande revelação a tocante interpretação de Logan Lerman. Merece ser visto com urgência. Disponibilidade: Lançamento em DVD/Blu-Ray para 2013.





#6. Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres
Dir.: David Fincher
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara e Christopher Plummer

David Fincher conseguiu superar as expectativas de muitos com esta adaptação de um best-seller sueco, que na verdade também é um remake da primeira adaptação do romance. Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres não só mostrou-se mais inventivo e sombrio que o burocrático filme sueco baseado nos livros de Stieg Larsson, como trouxe o diretor de volta a um terreno que domina como nenhum outro, os thrillers policiais. E todos torcem para que a Sony dê sinal verde para a continuação do longa, ameaçada em função da baixa bilheteria norte-americana desse aqui (a arrecadação não  superou o orçamento). Disponibilidade: DVD/ Blu-Ray





#7. O Artista
Dir.: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérenice Bejo, John Goodman e James Cromwell

Desde 2003 não víamos um vencedor do Oscar de melhor filme conquistar o título com tanta autoridade quanto O Artista. O longa, que conta a trajetória de um fictício astro da década de 30 vítima das mudanças de seu tempo (o advento do cinema falado), traz em si vários elementos que o tornam uma experiência cinematográfica inesquecível: humor, drama, estética irretocável, trabalho técnico admirável, grandes interpretações e... números musicais! Tudo o que o produtor Harvey Weinstein e nós pedimos a Deus! Disponibilidade: DVD/ Blu-Ray





#8. Holy Motors
Dir.: Leos Carax
Elenco: Denis Lavant, Edith Scoob, Kylie Minogue e Eva Mendes

Anárquico e poético, o francês Holy Motors certamente foi um dos trabalhos mais originais do cinema em 2012. Repleto de metáforas visuais, o filme é uma grande declaração de amor e ódio (sempre juntos) do seu realizador, Leos Carax, a sua própria profissão. Poucos filmes provocaram tanto o espectador e certamente pouquíssimos foram tão recompensadores quanto Holy Motors. Disponibilidade: Nos cinemas.





#9. Shame

Dir.: Steve McQueen
Elenco: Michael Fassbender e Carey Mulligan

A melancólica trajetória do protagonista de Shame, um executivo viciado em sexo, é na verdade um pretexto para o filme fazer uma análise sobre a solidão e as dificuldades que a sociedade acaba impondo  ao indivíduio. Brandon não consegue estabelecer ou manter vínculos afetivos, só consegue ter relações fugazes. A intensa e entregue interpretação de Michael Fassbender conduz o espectador a um verdadeiro inferno que deteriora a condição humana do protagonista. Disponibilidade: DVD/ Blu-Ray





#10. Jovens Adultos
Dir.: Jason Reitman
Elenco: Charlize Theron, Patrick Wilson e Patton Oswalt

Mavis Gary, protagonista de Jovens Adultos vivida por Charlize Theron, é uma das personagens mais destestáveis do ano. A megera é o elemento central desse novo trabalho do diretor Jason Reitman (Amor sem Escalas) e da roteirista Diablo Cody (Juno) que abordam com muita sinceridade e ironia o que chamam de "adultescência", jovens beirando os 30 que acabam presos às expectativas não cumpridas que cultivaram na adolescência. Disponibilidade: DVD/ Blu-Ray



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Listão 2012 - Diretores


Melhor Direção
Nicolas Winding Refn
Drive

O ano foi bom para revelar talentos. Os veteranos estavam lá e com grande estilo, o caso de Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret), Leos Carax (Holy Motors), David Fincher (Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres), Christopher Nolan (Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e Abbas Kiarostami (Um Alguém Apaixonado) , mas 2012 foi marcado, por exemplo, pela vitória de Michel Hazanavicius no Oscar com O Artista e pela vivacidade e originalidade de Nicolas Winding Refn no drama de ação Drive, trabalho que lhe rendeu o prêmio de direção no Festival de Cannes de 2011 e que foi o primeiro da sua carreira dos Estados Unidos. Com um roteiro trivial, adaptado de um livro de James Sallis, que não tem maiores ambições, Refn criou um romance trágico e violento entre um dublê de sequências de carro de Hollywood e uma mãe solteira, repleto de referências ao cinema de Tarantino, Scorsese e à estética e narrativa oitentista e setentista. Um diretor que consegue conferir tamanha dimensão a um projeto aparentemente sem brilho, merece o reconhecimento que ele teve, e olhe que ainda foi pouco!




Ben Affleck por Argo -> Em seu terceiro longa metragem, Ben Affleck chega ao ápice da carreira de diretor, alcançando uma maturidade notável na condução de Argo, filme que já desponta como um dos três favoritos ao próximo Oscar. Affleck é daqueles que sabem lidar com tramas policiais ou políticas sem perder a perspectiva humana do roteiro.

Juan Antonio Bayona por O Impossível -> Nem nos meus maiores delírios cinematográficos poderia pensar que o diretor por trás do terror O Orfanato pudesse realizar um filme tão sensível e colocar de cabeça para baixo qualquer expectativa que possamos ter sobre o cinema catástrofe. Bayona levou o público às lágrimas com esta simples e emocionante história sobre a força dos laços familiares.


Leos Carax por Holy Motors -> O francês subverteu qualquer regra narrativa com o incômodo e reflexivo Holy Motors. A  inquietação de Carax como realizador está em cada frame e dialoga com o público e com o artista contemporâneo, perdido em seus referenciais. O diretor utilizou por completo o potencial (ou a função) que o cinema tem de desafiar o espectador por meio de metáforas visuais.

Michel Hazanavicius por O Artista -> Como um cineasta contemporâneo pode se manter fiel ao seu tempo e utilizar recursos técnicos e estéticos de 80 anos atrás? Michel Hazanavicius conseguiu o feito com O Artista. O francês venceu Martin Scorsese no Oscar e realizou uma grande homenagem ao fascínio que o cinema sempre inspirou em seu público, sobretudo no tempo em que o silêncio valia mais que mil palavras.

Martin Scorsese por A Invenção de Hugo Cabret -> Acostumado a dramas violentos, Martin Scorsese se submeteu ao desafio de adaptar um romance infanto-juvenil. O melhor de tudo é que o longa não é um engodo visual, todo o deleite estético está vinculado a uma trama emocionante que nada mais é do que uma grande homenagem do diretor a uma de suas maiores paixões: o seu próprio ofício.

Listão 2012 - Atrizes


Melhor Atriz
Charlize Theron
Jovens Adultos

Como resistir a uma boa bitch? Em 2012, Charlize Theron carregou o título com três personagens do gênero, mas entre a cruel Rainha Ravenna, de Branca de Neve e o Caçador, e a fria Meredith Vickers, de Prometheus, está o pouco visto e delicioso desempenho da atriz como Mavis Gary, a frustrada e recalcada escritora de livros juvenis de Jovens Adultos, recente parceria do diretor Jason Reitman e da roteirista Diablo Cody. Theron dá vida à odiosa personagem presa a sua imagem de líder de torcida popular no passado e que retorna para a sua cidade natal obstinada a destruir o casamento feliz de um antigo amor. A atriz, que já mostrou serviço escondendo sua beleza na interpretação que lhe rendeu um Oscar, Monster - Desejo Assassino, retorna mais monstruosa possível e irresistivelmente linda. Charlize entendeu profundamente a natureza dessa vilã não convencional que, de certa forma, reflete um pouco cada um de nós. As frustrações por não ter se tornado a pessoa que realmente acreditava ter potencial para ser na adolescência, transformou Mavis Gary nesse ser humano absolutamente repulsivo que devemos evitar ser, mas com o qual inevitavelmente em algum momento de nossas vidas acabamos sendo. Abaixo, a personagem na óptica de sua própria intérprete:



Outros nomes considerados: 

Viola Davis em Histórias Cruzadas -> O filme não resistirá ao tempo, sua protagonista sim. Histórias Cruzadas é maniqueísta com certos personagens e honesto com outros. Um desses retratos honestos e sensíveis é o de Aibileen Clark, personagem defendida com sensibilidade e dignidade ímpar por Viola Davis. Nada me tira da cabeça que o Oscar de melhor atriz desse ano deveria ter sido dela.


Meryl Streep em A Dama de Ferro -> Você sabe quando uma atriz é soberba quando ela consegue contornar a superficialidade do roteiro e direção e entregar uma interpretação complexa e multifacetada. Esse é o caso de Meryl Streep nessa biografia frouxa da ex-primeira ministra na Inglaterra, Margaret Tatcher.

Meryl Streep em Um Divã para Dois -> Depois de vencer um terceiro Oscar com A Dama de Ferro, Streep nos presenteou com essa deliciosa e sensível comédia sobre a sexualidade na terceira idade. Em outro esforço dedicado da atriz, ela interpreta uma submissa mãe de família que leva o rabugento e resistente marido para uma terapia de casal.


Tilda Swinton em Precisamos Falar sobre o Kevin -> É impressionante a quantidade de camadas que Tilda Swinton é capaz de oferecer em seu desempenho neste drama. Até quando está apática em cena, a inglesa está brilhante no longa, carregando a culpa por não conseguir estabelecer vínculos mais afetuosos com seu filho e por se responsabilizar pela criação de um verdadeiro monstro.

Naomi Watts em O Impossível -> Há quem diga que a interpretação da atriz no filme se resume a reações ao terror vivido no desastre natural. Grande equívoco, o desempenho de Watts é físico e emocionalmente visceral como uma mãe que tenta sobreviver, salvar seu filho e reencontrar a família durante o tsunami  de 2004. Watts é uma das responsáveis pela conexão emocional entre os personagens e o espectador.

Melhor Atriz Coadjuvante
Carey Mulligan
Shame


Conhecida até então por dar vida a jovens e recatadas heroínas românticas (Educação, Não me Abandone Jamais e Drive), Carey Mulligan mostrou serviço mesmo em Shame, na pele de Sissy, irmã despojada e afetuosa do problemático Brandon, personagem de Michael Fassbender. A personagem é uma espécie de pedra no sapato de um protagonista que tem dificuldades para estabelecer vínculos afetivos. Ainda que emocionalmente tão frágil quanto Brandon, Sissy é o extremo oposto do irmão e isso o incomoda. Uma das cenas antológicas do filme é protagonizada pela atriz, que interpreta a canção "New York, New York", de Frank Sinatra, e dá um novo significado para ela, um significado que tem a ver com o passado dos irmãos.  Carey está incrível nesse longa e dá os primeiros sinais de uma carreira interessante para a atriz nas telonas. Abaixo, a tão comentada cena dela em Shame e uma entrevista da atriz sobre a personagem:






Outros nomes considerados:

Sareh Bayat em A Separação -> Contraponto para a moderna família protagonista, Sareh Bayat interpreta a cuidadora Razieh em A Separação. Bayat dá substância às convicções religiosas de Razieh sem transformá-la em uma extremista religiosa, uma compreensão humana para uma personagem que poderia cair na caricatura.

Emily Blunt em Looper - Assassinos do Futuro -> A relação entre Sara e o pequeno Cid é um dos pontos nevrálgicos de Looper. Blunt interpreta uma mulher que tenta se reconciliar com o passado, protegendo com unhas e dentes seu filho que manifesta um poder destrutivo quando irritado. Por um desempenho sensível e feroz, Blunt merece estar em qualquer lista por esse papel.

Anne Hathaway em Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge -> Não dá para esquecer Michelle Pfeiffer como a Mulher-Gato, mas dá para aceitar que Hathaway fez um trabalho irretocável como a sinuosa e icônica personagem no novo longa do Batman. Ainda que não use o codinome, sua  Selina Kyle é tudo o que se esperava e mais um pouco.

Maggie Smith em O Exótico Hotel Marigold -> A rabugenta e preconceituosa Muriel Donnelly é uma das melhores coisas de O Exótico Hotel Marigold. Smith trabalha como ninguém as nuances e as mudanças de ponto de vista da personagem durante sua estadia na Índia. Aos 78 anos de vida, a veterana inglesa também vive uma das melhores fases de sua carreira com a série Downton Abbey.

Shailene Woodley em Os Descendentes -> A jovem tem a melhor cena de todo o filme, colocando George Clooney no chinelo quando revela ao personagem do ator que sua esposa o traia. A intérprete da filha mais velha do protagonista domina toda a cena, o que nos faz esperar ansiosos pelos seus próximos passos.

Listão 2012 - Atores


Melhor Ator
Ryan Gosling
Drive
Ryan Gosling não precisa mais provar que não é apenas mais uma carinha bonita que saiu do Clube do Mickey Mouse. O currículo do ator fala por si só no quesito atuação: Diário de uma Paixão, A Passagem, Half Nelson, A Garota Ideal, Namorados para Sempre e Tudo pelo Poder. O ator já esteve aqui em 2009 com A Garota Ideal, interpretação tão surpreendente quanto a que ele entrega em Drive, estreia surpreendente do diretor Nicolas Winding Refn. Na pele de um dublê para perseguições de automóveis de Hollywood, Gosling é de poucas palavras, mas muito expressivo, carinhoso e perigoso na mesma proporção. Chamado de driver durante todo o filme, o ator transforma esse homem "sem passado" em uma figura que oscila entre a sensibilidade e a força bruta e selvagem. Uma cena em especial, provavelmente a mais emblemática do filme, traz esse caráter do personagem. O driver tenta salvar sua paixão, a vizinha Irene, de um grupo de criminosos. Ele a beija e momentos depois esmaga a cabeça do bandido a chutes, tudo dentro de um elevador. Veja abaixo as palavras do diretor e de Gosling sobre o protagonista do filme:



Outros nomes considerados:


Leonardo DiCaprio em J. Edgar -> 
Clint Eastwood já errou muito nos últimos anos, mas um de seus acertos recentes é J.Edgar, que traz uma das melhores interpretações da carreira de Leonardo DiCaprio. O ator vive o intolerante e lendário ex-diretor do FBI. Um dos aspectos mais interessantes da performance de DiCaprio foi a forma com que ele conduziu todo o processo de rejeição de Edgar com a própria sexualidade.

Jean Dujardin em O Artista -> Fazer um filme mudo em pleno século XXI é uma tarefa mais difícil do que se possa imaginar. Jean Dujardin não só teve que aprender a se expressar o máximo que pôde através da linguagem corporal, como teve que se adequar às técnicas de interpretação da era de ouro do cinema mudo para dar vida a George Valentin, papel que lhe rendeu um Oscar.

Michael Fassbender em Shame -> Vencedor do Festival de Veneza 2012 por esse desempenho, Michael Fassbender interpreta um executivo viciado em sexo no drama Shame, um ótimo estudo de personagem que adentra no universo de um homem solitário e com dificuldades de estabelecer laços afetivos até mesmo com sua afetuosa irmã. 


Denis Lavant em Holy Motors -> No comentário que fiz sobre Holy Motors disse que o desempenho de Denis Lavant era esquizofrênico. O ator está impecável na pele de um ator em busca de sua própria identidade como artista na medida em que interpreta diversos personagens ao longo da narrativa. Lavant é versátil e não deixa de tratar com cuidado meticuloso cada nova transformação a que é submetido.

Michael Shannon em O Abrigo -> Tá ai um ator que merece ser conhecido. Michael Shannon está dilacerante na pele de um homem que prevê o fim do mundo e deixa todos ao seu redor (e o espectador) com dúvidas sobre sua sanidade. Esse desempenho limítrofe entre a razão e a loucura é uma prova definitiva da competência de Shannon. Quem não o conhece, passe a conhecê-lo.

Melhor Ator Coadjuvante
Ezra Miller
Precisamos Falar sobre o Kevin
Temos um forte por figuras problemáticas nessa categoria. Já estiveram aqui Heath Ledger por Batman - O Cavaleiro das Trevas, Jackie Earle Haley por Pecados Íntimos, Jack Nicholson por Os Infiltrados, Christoph Waltz por Bastardos Inglórios e, recentemente, Ben Mendelsohn por Reino Animal. O escolhido da vez é Ezra Miller que consegue roubar a cena de ninguém mais, ninguém menos que Tilda Swinton, em Precisamos Falar sobre o Kevin. Arrogante, provocador e doentio, o adolescente vivido pelo ator tem uma relação complicada com sua mãe e sua vontade prejudicá-la e condená-la a um eterno calvário é tão extrema que ele provoca um verdadeiro extermínio no colégio em que estuda. O ator também esteve ótimo em As Vantagens de ser Invisível, outro filme que trazia o seu nome e que estreou em 2012 no Brasil. A seguir, uma das melhores cenas de Miller no filme, seguida de uma entrevista do ator durante a campanha do filme no Festival de Cannes:






Outros nomes considerados:



Michael Caine em Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge -> O terceiro capítulo da saga de Christopher Nolan sobre o Homem-Morcego possibilitou a Michael Caine protagonizar algumas das cenas mais cortantes da trilogia. Nos três filmes, Caine foi impecável como o mordomo Alfred, mas nesse capítulo ele consegue dar um enlace mais afetivo para o relacionamento entre seu personagem e o Bruce Wayne de Bale.

Tom Hardy em Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge -> Tom Hardy esteve muito bem esse ano em Guerreiro e Os Infratores, mas o vilão Bane é uma prova viva do empenho do ator quando mergulha em um personagem. Sem utilizar a boca como artifício, Hardy tinha apenas, sua voz, seu corpo e seus olhos como elementos de expressão do apavorante, extremista e trágico vilão. 

Ben Kingsley em A Invenção de Hugo Cabret -> O George Méliès que conhecemos no filme de Martin Scorsese é um homem desiludido e amargurado pela incompreensão do seu tempo. Kingsley carrega esse personagem com tanta dignidade e respeito que acaba protagonizando alguns dos momentos mais emocionantes do filme ao lado do garoto Asa Butterfield.

Guy Pearce em Os Infratores -> Mais um psicopata se junta à lista do blog. Sem um grande vilão não há western ou filme de gangster que dê liga. O frio personagem de Guy Pearce em Os Infratores é certeiro nesse sentido, causando temor pelos irmãos liderados pelo personagem de Tom Hardy no filme. Pearce é assustador sem fazer o menor alarde. Esses são os piores.


Max Von Sydow em Tão Forte e Tão Perto -> O filme de Stephen Daldry falha em alguns pontos, mas a interpretação de Max Von Sydow é tão marcante que foi responsável por garantir uma vaga no Oscar para o filme. Sydow interpreta o vizinho do garoto que é protagonista no longa. Ele não fala e se corresponde apenas através de seu bloco de anotações. No entanto, sua história é mais forte que isso e quando revelada não há como segurar a emoção.

Listão 2012 - Roteiros



Melhor Roteiro Original
Rian Johnson
Looper - Assassinos do Futuro

Looper - Assassinos do Futuro surgiu do nada e de repente se tornou um dos filmes mais cultuados do ano. Rian Johnson não é novato, antes da ficção científica ele já havia dirigido alguns episódios de Breaking Bad e roteirizado e conduzido a comédia non sense Vigaristas, esta última sem muito êxito. Mas nenhuma dessas empreitadas se comparam ao engenhoso Looper - Assassinos do Futuro, que coloca Joseph Gordon-Levitt e Bruce Willis, frente a frente como as versões passada e futura de um mesmo homem, o assassino profissional Joe. No meio do caminho de ambos está a personagem de Emily Blunt, Sara, uma mãe solteira que vive sozinha em uma propriedade rural para proteger seu único filho, o pequeno Cid, que manifesta uma força destrutiva quando irritado. Tudo parece sem sentido, mas Johnson consegue dar coesão e conexão a essas tramas aparentemente opostas. O cineasta talvez tenha conseguido com seu roteiro atingir um meio termo que grandes realizadores contemporâneos ainda não conseguiram, criar uma trama cerebral que não deixa a emoção e o tratamento sensível de seus personagens de lado. Abaixo, o diretor e roteirista explica suas inspirações em Looper:






Melhor Roteiro Adaptado
Steven Zaillian
Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres 

Desde que o blog começou, aliás desde que me reconheço como cinéfilo, levantei a bandeira de que a máxima "o livro é sempre melhor que o filme" é uma verdadeira falácia. Outros falsos conceitos que sempre vi com certas reservas são os de que adaptações devem permanecer 100% fieis às páginas dos trabalhos originais e o de que  qualquer filme europeu é melhor que toda a filmografia norte-americana atual. Pois bem, Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres, de David Fincher, é a prova viva de que todas essas conclusões não passam de senso comum.  O roteiro de Steven Zaillian acertou ao tomar todas as liberdades possíveis e fugir do tom burocrático da adaptação sueca para o cinema. Concessões foram tomadas e todas elas serviram muito bem à trama. E adaptar um texto para o cinema nada mais é do que isso, compreender que trata-se de uma nova plataforma e que muita coisa que funciona no tempo e nas páginas de uma publicação impressa, não funciona no tempo e na linguagem cinematográfica. Não há o que se discutir, Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres, de David Fincher e Steven Zaillian é o filme que merece ser reconhecido como a adaptação definitiva do livro de Stieg Larsson. Abaixo, uma matéria realizada pela CBS abordando o fenômeno literário na ocasião do lançamento do filme sueco:



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Listão 2012 - Trilhas




Melhor Trilha Sonora Original
Howard Shore
A Invenção de Hugo Cabret


Compositor da trilha sonora premiada da trilogia O Senhor dos Anéis, Howard Shore merece mais uma vez ser lembrado por seu trabalho em A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese. Uma composição que evoca a música francesa para explorar os diversos sentimentos que permeiam o longa e ainda transmite todo o encantamento que cultivamos pelo trabalho de George Méliès, reacendido através da homenagem prestada pelo filme. A trilha sonora de A Invenção de Hugo Cabret tem aquela qualidade inescapável dos grandes trabalhos neste departamento, está umbilicalmente conectada à história e aos personagens de tal forma que chega ser impossível não associá-la ao trabalho de Scorsese em seus primeiros acordes.




Também consideradas:

Ludovic Bource, O Artista



Alexandre Desplat, Moonrise Kingdom


Trent Reznor e Atticus Ross, Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres


Fernando Velázquez, O Impossível



Hans Zimmer, Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Listão 2012 - Montagem



Melhor Montagem
Kirk Baxter e Angus Wall
Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres


Kirk Baxter e Angus Wall repetem a parceria com David Fincher em Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres, trabalho que lhes rendeu mais um Oscar (o prêmio anterior tinha sido por A Rede Social, também do diretor). Cortes precisos que deram fluidez a um dos filmes mais frenéticos do ano, sobretudo quando tem que lidar com sequências que envolvem a junção de dois núcleos diferentes, especificamente os momentos em que Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist estão separados ou quando, já juntos para investigar o caso da família Vanger, cada um está em um pólo da ação. 


Listão 2012 - Fotografia



Melhor Fotografia
Bruno Delbonnel
Fausto

Inspirado nos trabalhos de Vermeer e Rembrandt, Bruno Delbonnel, que já foi responsável pela fotografia de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, fez um trabalho inspiradíssimo em Fausto, adaptação do clássico homônimo de Goethe dirigido por Aleksandr Sokurov. Sombrio e por vezes idílico, Delbonnel realiza uma fotografia de composição artesanal quadro a quadro, permitindo que as imagens dispostas na tela nos provoquem toda sorte de sensações, do incômodo ao êxtase pela beleza de algumas cenas. Algumas imagens surgem distorcidas nos quadros, todas entram em momentos pertinentes, sempre à serviço dos personagens, da história e dos propósitos do diretor, como toda grande fotografia deve ser no cinema. Abaixo, dois momentos inspirados do trabalho do diretor de fotografia no filme:





Listão 2012 - Direção de Arte


Melhor Direção de Arte
Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo
A Invenção de Hugo Cabret

Certamente você já deve ter se encantado com algum cenário concebido por Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo sem sequer conhecer suas respectivas carreiras e a importância de ambos para o cinema. Triste sina essa de profissionais que trabalham atrás das câmeras e são responsáveis pela estética de um filme: as glórias vão, na maioria das vezes, para os diretores. Sorte que temos os prêmios e eles servem, entre outras coisas, para isso, reconhecer o verdadeiro valor desses profissionais que trabalham em parceria com os realizadores na concepção de um projeto e cujos rostos são menos conhecidos. Ambos foram responsáveis pelos cenários premiados de Sweeney Todd e O Aviador, além de A Época da Inocência, Kundun e As Aventuras do Barão de Munchausen. Em A Invenção de Hugo Cabret, Ferretti e Schiavo foram responsáveis pela estação de trem de Paris, os cenários das produções de Georges Méliès, reconstituição impecável em cores vivas, e a maquinaria dos relógios operados por Hugo.



Listão 2012 - Figurino



Melhor Figurino
Lidiya Kryukova
Fausto


Durante boa parte do tempo de projeção, o figurino de Lidiya Kryukova em Fausto é soturno. Em alguns momentos sujo, em outro inventivo e cheio de detalhes. Essa combinação de detalhes que servem muito bem ao desafiador trabalho do russo Aleksandr Sokurov, fazem desse trabalho um dos mais fascinantes do ano. Fausto também é a combinação harmônica entre o figurino e outros elementos estéticos como fotografia e direção de arte, junção que ajuda compor cada frame que inspira metáforas visuais e referência a pinturas icônicas que nos remetem aos temas sugeridos pelo filme. 



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Listão 2012 - Elenco


Melhor Elenco
A Separação
Paiman Maadi
Leila Hatami
Sareh Bayat
Shahab Hosseini
Sarina Farhadi
Ali-Asghar Shahbazi
Kimia Hosseini
Babak Karimi

A Separação vence qualquer resistência tola com o cinema iraniano. Por trazer uma história universal, que permite discutir questões de cunho político e social através de conflitos que se instalam no núcleo de uma família da classe média do Irã, o filme conseguiu atingir até mesmo a resistente plateia norte-americana, que usualmente foge das produções dessa nacionalidade. Um dos elementos que permite a prevalência desse caráter universal é seu elenco. Sem exceção, todos os atores conseguem proporcionar para o espectador múltiplos olhares sobre a mesma história. O grande triunfo de A Separação está, entre outras coisas, no desempenho de um elenco que consegue compreender que a força do filme está no coletivo e que o que podem fazer de melhor com seus personagens é expor pontos de vista sem estabelecer juízo de valor sobre qualquer ato.



Listão 2012 - Jovem Ator do Ano



Jovem Ator do Ano
Tom Holland
O Impossível


O ano foi marcado pelo empenho de verdadeiros prodígios do cinema. Dá para vislumbrar uma carreira sólida para Asa Butterfield e Chloe Grace Moretz, de A Invenção de Hugo Cabret, e também para Jared Gilman e Kara Hayward, de Moonrise Kingdom. E o que dizer da fofura (ou não) chamada Pierce Gagnon, de Looper - Assassinos do Futuro? Mas provavelmente o desempenho mais marcante e penoso tenha sido o de Tom Holland, que parece amadurecer dez anos em menos de duas horas de projeção do de O Impossível, drama sobre o tsunami asiático de 2004. Ao lado de Naomi Watts, o jovem ator entregou uma interpretação carregada de emoção e disciplina. 


Listão 2012 - Dupla em Cena


Melhor Dupla em Cena
Meryl Streep e Tommy Lee Jones
Um Divã para Dois

Não é difícil ler ou ouvir queixas de atores mais velhos sobre as dificuldades de se conseguir papeis no cinema depois de uma certa idade. 2012 foi um divisor de águas nesse sentido com O Exótico Hotel Marigold, que aborda com muita leveza e sinceridade os dilemas da terceira idade, mas também pela subestimada comédia (ser subestimada é praticamente uma sina para o gênero) Um Divã para Dois, que mostrou ser muito mais que uma comédia romântica, sobretudo pela cumplicidade da dupla central, Meryl Streep e Tommy Lee Jones, que vivem um casal que está junto há anos e que decide reacender sexualmente o relacionamento. Tema sério, tratado com humor nada debochado, e que foi conduzido com muita humanidade pela dupla irresistível de veteranos.