quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Os bastidores das trincheiras


Lincoln revigora a filmografia de Spielberg por não apresentar-se como uma esperada biografia do personagem título


Quando Spielberg acerta, acerta em cheio. Lincoln é sim o melhor trabalho do cineasta desde Minority Report, ficção-científica de 2002 protagonizada por Tom Cruise. No entanto, o filme não chega a ser melhor que os dois melhores exemplares do mesmo gênero em sua carreira, A Lista de Schindler e O Retorno do Soldado Ryan. O maior acerto do diretor em Lincoln é desviar-se da rota das biografias acadêmicas para torná-lo um longa que discuta a essência da democracia e nos mostre o porque de Abraham Lincoln ser um dos homens mais admirados e celebrados da história contemporânea.

Lincoln trata mais sobre a discussão política que girou em torno da emenda à Constituição norte-americana que garantiria o fim da escravidão e que ficou marcada como uma dos principais entraves para o fim da Guerra Civil entre Sul e Norte no país. Através desse bastidor político, as batalhas são travadas unicamente pelas ideias, o diretor Steven Spielberg e o roteirista Tony Kushner querem mostrar a origem da admiração por aquele homem alto e de voz suave que liderou o país em tempos tão frágeis.

A intenção é louvável e exitosa durante boa parte da projeção. O roteiro de Kushner é afiado e Spielberg, sempre cercado pela melhor equipe de profissionais possível, realiza opções pertinentes em sua condução. O elenco é uma das maiores virtudes do longa, sem dúvida. Daniel Day-Lewis supera-se mais uma vez dando vida a um Lincoln palpável, de voz suave, mas ideias convictas e que, pelo caminhar e pela postura, parecem não suportar o peso das responsabilidades e dos julgamentos que recaem sobre todo líder político. Além disso, Day-Lewis segue a proposta de Spielberg e torna o personagem uma figura humana admirável, cheia de virtudes, apesar (e por conta dela mesma) da passividade com os dramas de sua mulher, algo que é compensado pela devoção que tem com seu filho mais novo e o carinho distante pelo mais velho, uma responsabilidade que assumiu para si já que Mary Todd mergulhava em uma depressão profunda. A esposa de Lincoln é vivida por Sally Field, que a despeito do que falam e das indicações a prêmios percorre o caminho óbvio da loucura de sua personagem, não é a interpretação mais interessante do filme, ainda que tenha bons momentos. Entre os coadjuvantes, o destaque vai mesmo para Tommy Lee Jones, irretocável como um dos parlamentares a favor da libertação dos negros, por motivos que somente mais adiante o espectador passa a conhecer.

Tecnicamente irrepreensível, Lincoln revela suas virtudes no teor humanitário de sua narrativa. Mais preocupado em discutir questões como igualdade, democracia e liberdade, Spielberg jamais deixa que uma previsível abordagem ufanista possa atrapalhar seus objetivos: discutir a importância e dimensionar a relevância do acontecimento histórico narrado. Em Lincoln, Abraham Lincoln é apenas um instrumento pertinente para se alcançar os objetivos do projeto, ser um tratado sobre o maior desafio da humanidade, a tolerância.




Lincoln, 2012. Dir.: Steven Spielberg. Roteiro: Tony Kushner. Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, James Spader, Hal Holbrook, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Gloria Reuben, Gulliver McGrath, Tim Blake Nelson, Joseph Cross, Lee Pace, Jared Harris, David Oyelowo. 150 min. Fox.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Mestre e pupilo


Em O Mestre, Paul Thomas Anderson discute os limites entre a fé o o fanatismo religioso 


Por mais reconhecimento que tenha entre os seus, Paul Thomas Anderson é o cineasta mais subestimado de sua geração. Sua singela filmografia contém verdadeiras referências que precisam ser conhecidas até mesmo por quem julga dominar conceitos técnicos e narrativos na sétima arte. Hard Eight, Boogie Nights, Magnólia, Embriagado de Amor e Sangue Negro pertencem ao seu legado por hora e seriam suficiente para deixar seu nome na história como um dos melhores diretores que os EUA já teve. O Mestre, seu mais novo longa é tão desafiador (e incompreendido) quanto os demais.

Anunciado como o filme que  conta a origem da Cientologia, religião controversa alicerçada na racionalidade e que tem adeptos fervorosos como Tom Cruise e John Travolta, O Mestre não é exatamente isso. Na verdade não há menção direta à religião em O Mestre, a doutrina criada pelo personagem de Philip Seymour Hoffman é chamada de "A Cura". No entanto, seus dogmas se aproximam por completo da Cientologia, então a associação é inevitável. No filme, Joaquin Phoenix vive Freddie Quell, um homem com sérios disturbios mentais que conhece um acadêmico e líder de uma doutrina que se espalha como a redenção para o período pós-guerra. Logo, o mestre passa a "adotar" o rapaz como um experimento para aperfeiçoar os conceitos da religião e se surpreende com os resultados desse encontro.

O longa de Paul Thomas Anderson quer mais do que buscar as origens de uma seita, o cineasta (que, como de praxe, também é o roteirista desse projeto) quer propor uma discussão acerca da religião e do livre arbítrio. O liame entre a redenção através de dogmas religiosos (representada pela trajetória do personagem de Joaquin Phoenix) e a escravidão e radicalismo religioso (ilustrado pela sutil personagem de Amy Adams). No fim das contas, o "mestre" do título acaba sendo o personagem de Phoenix que se liberta de seus próprios demônios sem se tornar refém da doutrina que o "transformou", mostrando ao seu próprio guru (Philip Seymour Hoffman) que conseguiu encontrar um equilíbrio para a sua própria vida.

Novamente, Paul Thomas Anderson tem uma condução primorosa que evita obviedades e didatismos narrativos. Há um tom permanentemente sombrio em O Mestre, trazendo para o filme uma atmosfera inquietante e perturbadora, tal qual a perspectiva do seu protagonista sobre o mundo. Joaquin Phoenix tem a interpretação da sua carreira se submetendo a uma caracterização minuciosa que requer trabalho corporal e vocal, transformando Freddie em um homem repulsivo, mas que guarda uma melancolia que ele mesmo faz questão de manter guardada em função de um passado que não faz questão de lembrar ou do qual ele mesmo se esqueceu em função da sua demência. Philip Seymour Hoffman, por sua vez, irradia carisma na pele do guru de "A Cura", sendo uma figura fascinante, calma e cheia de segurança em suas próprias crenças, característica essa que é desconstruída pelo próprio ator no desfecho do longa. Já Amy Adams usa o corrente estigma de ser a atriz certa para interpretar personagens doces e passivas e interpreta a radical esposa do personagem de Hoffman, uma mulher que não mede esforços para manter as aparências e que leva as palavras de seu marido até as últimas consequências. Uma trinca impecável e difícil de ser superada nessa temporada de prêmios.

Entregando mais um trabalho acima da média, o norte-americano Paul Thomas Anderson mostra mais uma vez em O Mestre que é uma das maiores referências contemporâneas do cinema. Anderson não tem medo de oferecer o lado mais obscuro de seus personagens, tampouco de mostrar que através de tanto cinismo e sordidez, ainda há espaço para encontrar nessas mesmas criaturas a beleza. O ser humano no seu estado de perfeição, a imperfeição. 



The Master, 2012. Dir.: Paul Thomas Anderson. Roteiro: Paul Thomas Anderson. Elenco: Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Laura Dern, Amy Ferguson, Madisen Beaty, Rami Malek, Ambyr Childers, Jesse Plemons, Lena Endre. 144 min. Paris Filmes.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

SAG Awards 2013


Sei que pode soar repetitivo, mas não custa enfatizar, já que boa parte das pessoas não conhecem o SAG Awards. Trata-se da premiação do sindicato dos atores que costuma ser um forte balizador para o Oscar nas categorias de interpretação, e até na de melhor filme, apesar da categoria principal aqui ser melhor elenco (explica-se pela maioria dos membros da Academia serem atores).
Mas tudo pode acontecer e os resultados do SAG podem ir em uma direção contrária daquela escolhida pela Academia, ainda mais se levarmos em consideração que em 2012-2013 os calendários de votação não coincidiram e o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro, SAG e demais sindicatos tiveram pouca influência nas escolhas dos finalistas do Oscar. 

Veja lista de indicados ao SAG Awards 2013 aqui. 

Vamos às apostas:

Melhor Elenco
O Lado Bom da Vida

É um dos queridinhos da temporada entre os atores e suas quatro indicações em todas as categorias de interpretação do Oscar são um indicativo, especialmente se levarmos em consideração que o nome de Jacki Weaver foi poucas vezes citado na temporada e acabou abocanhando uma menção que poderia ter sido das indicadas ao SAG, Nicole Kidman (The Paperboy) e Maggie Smith (O Exótico Hotel Marigold). Se perder será para Lincoln ou para a zebra Os Miseráveis, que apesar de dividir opiniões é muito querido entre os atores votantes.

Melhor Atriz
Jennifer Lawrence - O Lado Bom da Vida

A ausência de indicações para A Hora mais Escura pode enfraquecer uma possibilidade de vitória para Jessica Chastain (só ela foi indicada pelo filme, que nem recebeu menção em melhor elenco). Das indicadas a que tem maiores possibilidades de vitória é Lawrence.

Melhor Ator
Daniel Day-Lewis - Lincoln

Barbada do ano. Hugh Jackman não promete nem fazer cócegas, a não ser que Os Miseráveis seja mais aceito entre os atores do que poderíamos supor.

Melhor Atriz Coadjuvante
Anne Hathaway - Os Miseráveis

A aposta mais segura de Os Miseráveis na temporada, incluindo o Oscar, é Anne Hathaway. Sua principal rival é Sally Field, que pode ser considerada se Lincoln for escolhido como melhor elenco.

Melhor Ator Coadjuvante
Tommy Lee Jones - Lincoln

Com a ausência de Christoph Waltz (Django Livre, que também não foi indicado em nenhuma categoria do SAG) e a pouca expressão de O Mestre aqui (Philip Seymour Hoffman foi indicado nessa categoria, mas não há menção aos já finalistas do Oscar Joaquin Phoenix e Amy Adams), Tommy Lee Jones é o nome mais forte da lista. Mas podem contar também com possíveis vitórias de Javier Bardem (007 - Operação Skyfall) ou Alan Arkin (Argo).

A cerimônia de entrega dos prêmios do SAG será transmitida no Brasil pela TNT, no dia 27 de janeiro.

Atualização
Vencedores
Melhor Elenco: Argo
Melhor Atriz: Jennifer Lawrence de O Lado Bom da Vida
Melhor Ator: Daniel Day-Lewis de Lincoln
Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway de Os Miseráveis
Melhor Ator Coadjuvante: Tommy Lee Jones de Lincoln

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Spaghetti requentado

Quentin Tarantino peca pelo excesso de referências a sua própria filmografia em Django Livre, filme ambientado nos EUA escravagista


Chega a hora em que grandes cineastas acabam preenchendo seus invejáveis currículos cinematográficos com pequenas decepções. Esta é a vez de Quentin Tarantino com Django Livre. Não que seu mais recente filme seja um completo desastre, mas está bem atrás de uma extensa e marcante filmografia que inclui títulos como Pulp Fiction e Bastardos Inglórios. Django Livre parece se perder em meio às obrigações que Tarantino se auto-delega no que diz respeito a suas marcas como cineasta. Em certo momento a originalidade dos diálogos e a condução de Tarantino, comparado a outros de seus filmes, se torna óbvia. Assim, sabemos exatamente o momento em que um personagem será surpreendido e sumariamente assassinado em uma emboscada, ou seja da maneira mais embaraçosa e constrangedora possível, por exemplo.

Excessivamente extenso, Django Livre acompanha a trajetória de Django, personagem título vivido por Jamie Foxx. O ponto de partida é o momento em que ele é libertado por um "caçador de recompensas" que já foi dentista, um alemão interpretado afiadamente por Christoph Waltz. Os dois acabam criando um vínculo de amizade forte e o personagem de Waltz decide ajudar Django a resgatar sua esposa das mãos de um perigoso e arrogante fazendeiro do Mississippi, vivido por Leonardo DiCaprio, em momento não tão inspirado assim, ainda que correto.


Se a estrutura do roteiro de Tarantino sempre pareceu fluida em trabalhos anteriores, ainda que se estendesse em diálogos e sequências (o que sempre dá um atrativo a mais para os seus longas, já que proporciona uma dinâmica interessante para a narrativa), aqui se alonga em um desnecessário terceiro ato que só serve para saciar o prazer de ver mais sangue nas telas. E aqui poderiam me perguntar: mas isso não é um filme de Tarantino? Os litros e mais litros de sangue espalhados durante a projeção não deveriam ser celebrados? Sim, desde que funcionem e sirvam para o andamento da narrativa, como sempre aconteceu em seus trabalhos e nos dois primeiros atos deste aqui, e não para satisfazer o sadismo dos fãs. 

No entanto, há que se ressaltar a excelência dos dois primeiros atos, muito bem escritos e conduzidos pelo diretor. Ele segue à risca os propósitos da sua pretensa trilogia ao recontar episódios vergonhosos na história da humanidade pelo ponto de vista dos oprimidos, oferecendo-lhes uma espécie de vingança (em Bastardos Inglórios foi o nazismo, aqui o tema, óbvio, é a escravidão na América). A construção dos personagens, como de praxe, é de tirar o chapéu, assim como a funcionalidade dos mesmos para os propósitos do próprio Tarantino no filme.


Jamie Foxx está muito bem como o herói da fita, mas a grande performance do filme é de Christoph Waltz, interessantíssimo como o alemão que distoa da crueldade dos EUA escravagista, pouco compreendendo a maneira com que os senhores tratavam seus escravos na época. Há também uma excelente participação de Samuel L. Jackson como o criado do personagem de Leonardo DiCaprio. Ele vive um homem extremamente racista e  cruel com os negros da casa, uma contradição cheia de ironia. Os dois protagonizam os melhores diálogos do filme. E já que falamos de DiCaprio seu desempenho não prejudica o filme, já que ele evita qualquer canastrice (armadilha fácil em se tratando de um vilão), mas está bem aquém do que o ator realmente pode oferecer. DiCaprio parece ter tido preguiça em tornar seu personagem mais interessante do que ele realmente é, oferecer mais camadas ao papel.

Assim, Quentin Tarantino entrega um trabalho que oscila entre momentos interessantes e outros pálidos que afastam qualquer possibilidade de Django Livre se igualar aos seus filmes anteriores. O longa presta reverência ao gênero que o cineasta tanto ama, o western, talvez algo que tenha demorado demais para acontecer e que infelizmente já  tenha sido pincelado pelo diretor em seus outros longas. Dessas camadas de referências surgem as inevitáveis sensações de déjà vu, ainda que secretamente adoremos cada um desses momentos proporcionados por Django Livre.



Django Unchained, 2012. Dir.: Quentin Tarantino. Roteiro: Quentin Tarantino. Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Walton Goggins, Dennis Christopher, James Remar, David Steen, Dana Michelle Gourrier, Laura Cayouette, Nichole Galicia. 165 min. Sony.

Maior que a própria vida

Michael Haneke trata a velhice de forma terna e melancólica em Amor


Hábil em testar percepção e sensibilidade, Michael Haneke é um realizador cuja maior característica é o sadismo em levar personagens e espectador a extremos, algo compartilhado com outros diretores contemporâneos, como Lars Von Trier e Abbas Kiarostami. No entanto, alguns de seus trabalhos mais célebres, como Caché e A Fita Branca, sequer passavam pela ternura que inebria este novo filme do cineasta alemão, Amor. Vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, Amor é o retrato melancólico de um casal de idosos que enfrenta a finitude da vida quando um deles, no caso a esposa, é vitima de um derrame.

Veteranos da Nouvelle Vague, Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva percorrem ao longo de Amor toda a trajetória de Georges e Anne, que, até o último minuto de suas vidas, testam o amor que sentem um pelo outro e a capacidade de sublimar esse sentimento independente das circunstâncias que porventura possam desestabilizá-lo. O roteiro de Haneke segue os últimos dias na vida do casal e trata com muita sinceridade a velhice, tema por vezes tabu, sem deixar de trazer um olhar afetuoso e jamais flertando com as facilidades e armadilhas de um melodrama. 


Tudo é muito melancólico em Amor. O longa é ambientado na maior parte de sua projeção no apartamento do casal protagonista, uma criação interessantíssima em seus cômodos, objetos e disposições de ambientes, algo que fortalece ainda mais a noção de que Anne e Georges vivem em um universo particular e triste, mas também aconchegante e repleto de afabilidade. A construção dramática proporcionada pelo roteiro e pelas opções da direção de Michael Haneke também são espetaculares, utilizando ao máximo as potencialidades da linguagem e da narrativa cinematográfica, o diretor evita cair nos excessos didáticos que acabam sendo o mal de muitos cineastas.

E o filme só ganha com a presença de seus protagonistas, Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, que exploram ao máximo a cumplicidade de Georges e Anne. Trintignant segura as pontas enquanto vê o amor de sua vida partir diante de seus olhos, ao mesmo tempo em que também acaba se destruindo nesse processo, como acontece na maior parte dos casos. Assim, o filme deixa bem claro que a via crucis só é sentida e vivida de fato pelo casal, ainda que seus filhos sintam a dor desse momento (passado aqui pela presença de Isabelle Huppert, filha do casal). Já Emmanuelle Riva tem um desempenho espetacular ao conduzir todos os estágios da doença de sua personagem. Uma interpretação primorosa.


Comprovando ser um dos realizadores mais contundentes do cinema, Michael Haneke diversifica os horizontes de sua filmografia com Amor, um dos filmes mais emotivos de toda a sua carreira. Contando com as interpretações dos veteranos Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, merecidamente indicada ao Oscar, Amor é o exemplar definitivo do cinema sobre a velhice, tratando a finitude humana da maneira mais verdadeira possível, sem sentimentalismo e com muita sensibilidade. 



Amour, 2012. Dir.: Michael Haneke. Roteiro: Michael Haneke. Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, William Shimell, Alexandre Tharaud, Ramón Agirre, Rita Blanco, Carole Franck, Dinara Drukarova, Suzanne Schmidt. 127 min. Imovision.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Argo e Os Miseráveis ganham o Globo de Ouro 2013


Em linhas gerais, o resultado do Globo de Ouro seguiu a cartilha de sempre. Argo venceu na categoria drama, depois de uma vitória no Critic's Choice Awards. E, mais uma vez, repito: os resultados do Globo de Ouro e do Oscar tendem a ser diferentes já que são grupos de votantes bem distintos. Poderia dar Lincoln? Poderia, mas Argo tem a seu favor o fator "consenso da crítica", então não foi surpresa. Ainda que Argo não provoque reações apaixonadas como todos os seus concorrentes, não há um só votante que ouse depreciar o filme e isso conta muito na contagem de votos. Esse fator pode transformá-lo em um concorrente de peso para Lincoln no prêmio da Academia apesar da ausência da indicação de Ben Affleck como diretor por lá.

O que não esperava (tolinho...) era a grande aceitação dos votantes do Globo de Ouro para o musical Os Miseráveis na categoria comédia ou musical, um filme divisivo. Achava que o palpite mais óbvio era a vitória da dramédia queridinha entre os críticos, O Lado Bom da Vida. Na verdade, essa divisão entre drama e comédia ou musical sempre torna o resultado do Globo de Ouro um tanto quanto estranho já que o que não falta em Os Miseráveis é drama, o que o diferencia de Argo ou Lincoln enquanto gênero é o formato de sua história. Assim, sorrateiramente, Os Miseráveis conquistou três prêmios na cerimônia (filme comédia/musical, ator comédia/musical e atriz coadjuvante), mas trata-se de outro concorrente ao Oscar de melhor filme que não levou indicação para direção.



Seguindo a lógica de premiar Argo para melhor filme drama, o prêmio de melhor direção foi para Ben Affleck, que anda mostrando um certo despeito por não ter sido lembrado na categoria pelo Oscar. Como aconteceu há um tempo atrás em sua carreira de ator, o sucesso parece não fazer bem a ele. Dá um certo vexame. Chegou a esquecer os nomes dos produtores de seu próprio filme no discurso, George Clooney e Grant Heslov. Falha resolvida elegantemente por sua esposa, a atriz Jennifer Garner que minutos depois subiu ao palco para entregar outro prêmio.

O melhor filme estrangeiro foi Amor, drama aclamado do austríaco Michael Haneke, vencedor da última Palma de Ouro em Cannes. O que me faz perguntar: por que raios o Globo de Ouro não indicou Emmanuelle Riva como melhor atriz em drama já que o filme foi tão bem aceito assim pela imprensa estrangeira?


E Tony Kushner, que no Oscar disputa em roteiro adaptado por Lincoln (disparado o trabalho mais comentado do ano nesse departamento), perdeu o Globo para Quentin Tarantino por Django Livre, que no Oscar disputa a categoria roteiro original. Mais um daqueles caprichos do Globo de Ouro, os roteiros, originais ou não, são colocados todos em uma só lista de indicados, o que pode indicar que no Oscar as coisas serão um pouco diferentes.

A trilha sonora original escolhida, ao meu ver, foi uma das mais desinteressantes da categoria, Mychael Danna por As Aventuras de Pi. Trata-se de outra categoria na qual o Globo de Ouro acaba premiando candidatos que não são agraciados com o Oscar. Todos esperam que no Oscar o resultado também seja diferente.



Mas há os vencedores imbatíveis. Não veria outro concorrente levar o prêmio de melhor ator em drama que Daniel Day-Lewis por Lincoln, ainda que, a julgar pelo resultado da premiação, o filme de Spielberg não tenha se saído tão bem assim. Com os Globos, o ator já acumula sete prêmios pelo filme, se ganhar o SAG, prêmio do sindicato dos atores que acontecerá no dia 27 de janeiro e que será exibido pela TNT, já pode considerar-se vencedor de seu terceiro Oscar de melhor ator.

Também favorita em sua categoria, Adele levou o prêmio de melhor canção original por "Skyfall", tema de 007 - Operação Skyfall. Há anos uma canção de 007 não fisgava prêmios e espera-se que em função da homenagem aos 50 anos do personagem a ser realizada no Oscar e as cinco indicações ao prêmio que o filme recebeu sejam irresistíveis para a canção conquistar a Academia. 



Ainda que tivesse uma ponta de dúvida no prêmio de melhor atriz drama pela popularidade e apelo emocional (no bom sentido) da interpretação de Naomi Watts em O Impossível, Jessica Chastain está um pouco a frente de suas concorrentes na disputa por A Hora mais Escura. E ela é sempre graciosa, simpática e calorosa em suas entrevistas, fazendo questão de se aproximar de jornalistas e do público, diferente da maioria de suas colegas, sempre tão distantes e frias. Um encanto!

Vencerá o Oscar? Tenho cá minhas dúvidas. Não é um papel que renda rompantes emocionais como os desempenhos de Naomi Watts, Emmanuelle Riva e Quvenzhané Wallis. Pelo contrário, o papel de Chastain em A Hora mais Escura exigia um certo distanciamente e controle emocional, o que é igualmente difícil mas que poucas vezes é reconhecido pela Academia. Além disso, no Globo de Ouro ela não disputou diretamente com Jennifer Lawrence de O Lado Bom da Vida. Não posso nem dizer que a dúvida sobre o Oscar de melhor atriz será sanada no SAG, afinal duas fortes concorrentes (Riva e Wallis) também não foram indicadas ao prêmio do sindicato dos atores por questões burocráticas. 


Uma das maiores incertezas dessa cerimônia do Globo de Ouro foi o prêmio de melhor ator em comédia ou musical. Confesso que até pensei em considerar Hugh Jackman como possível vencedor (até escrevi isso no post sobre os palpites, leiam aqui). No entanto, parecia óbvio o favoritismo de Bradley Cooper pela maior aceitação entre os críticos de O Lado Bom da Vida. Mas como o Globo resolveu fazer de Os Miseráveis o grande vencedor da noite, Hugh Jackman levou o prêmio pelo filme. E não dá para deixar de comentar a reação de Bradley Cooper ao ouvir o nome do concorrente ser anunciado. Até ele já contava com o favoritismo de O Lado Bom da Vida.


Se Cooper tinha a acirrada concorrência de Os Miseráveis, as coisas foram mais fáceis para sua colega de elenco. Jennifer Lawrence venceu o prêmio de melhor atriz em comédia ou musical por O Lado Bom da Vida em uma categoria fraca que contou com o upgrade da dupla de apresentadores Will Ferrell e Kristen Wiig.


Na categoria animação, entre Frankenweenie e Detona Ralph, o Globo de Ouro preferiu a segurança e deu a vitória a Valente, da Pixar. Minha preferência estava por Detona Ralph. Valente é um ótimo filme, mas não é o melhor que a Pixar já ofereceu. Já Detona Ralph é o melhor que a Disney fez em anos, seria um come back interessante de um dos mais tradicionais estúdios de animação (curiosamente com a participação da Pixar). 


Dizem as más línguas que Os Miseráveis representa para Anne Hathaway o que Dreamgirls representou para a carreira de Jennifer Hudson, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2007: um número musical que não deixa pedra sobre pedra! E realmente Hathaway tem tudo para levar mais prêmios pela frente, incluindo o Oscar, interpretando uma das canções mais conhecidas de Os Miseráveis, "I dreamed a dream". Além disso, parece ser o momento certo para a atriz vencer o Oscar ( ela não é mais uma revelação, mas ainda tem muito a oferecer para Hollywood, está no ponto!).  E Sally Field, que vinha ganhando alguns prêmios de associações de críticos por Lincoln, aos poucos, vai perdendo espaço para a nova babe...


Christoph Waltz levou outro prêmio de ator coadjuvante por um filme de Quentin Tarantino, o diretor que praticamente nos apresentou ao austríaco em Bastardos Inglórios. Django Livre começa a parecer como certo nessa categoria do Oscar, ainda que exista um burburinho em torno dos nomes de Tommy Lee Jones (Lincoln) e Philip Seymour Hoffman (O Mestre). 

Melhores momentos da noite:

#1. Discurso de Jodie Foster ao receber o prêmio Cecil B.DeMille pela carreira

A atriz foi impecável em suas colocações e deu um tapa com luva de pelica naqueles que insistem em retirar dela qualquer confissão sobre sua orientação sexual.



# 2. Apresentação das indicadas ao prêmio de melhor atriz em comédia ou musical por Will Ferrell e Kristen Wiig

"Get out!". A dupla deu uma cutucada em quem vota e não assiste aos filmes indicados.  Teve gente que não gostou, especialmente Dustin Hoffman, cujo filme que dirigiu foi indicado na categoria (Maggie Smith - Quartet).




# 3. Monólogo de abertura 

Sério, alguém esperava o atrevimento de Tina Fey e Amy Poehler ao cutucar o comportamento de James Cameron durante a época em que era casado com  a diretora Kathryn Bigelow (A Hora mais Escura), indicada da noite? E quando as duas falaram sobre fatídica apresentação do Oscar de 2011, com Anne Hathaway e James Franco? E ainda  sobrou tempo para elas rirem do eterno favoritismo de Meryl Streep!




#4. Falha no teleprompter com Salma Hayek e Paul Rudd

A maior gafe da cerimônia foi a cara de paisagem da dupla de apresentadores diante da falha do teleprompter. É certo que Julianne Moore se saiu muito melhor ano passado com o mesmo problema, mas com Salma e Paul a falha demorou, demorou... No lugar deles, não saberia onde colocar a cara!



# 5. Amy Poehler no colo de George Clooney durante a apresentação das indicadas a melhor atriz em série de TV comédia ou musical

Amy e Tina foram indicadas nessa categoria e lógico que elas deitaram e rolaram com a situação. Enquanto Tina se fez íntima de Jennifer Lopez, Poehler simulou um flerte com Clooney, que, sempre simpático e espirituoso, entrou na brincadeira.



# Plus (escolha pessoal). Nicole Kidman e Ewan McGregor sentados na mesma mesa durante a cerimônia

Isso foi tão 2002! Ano em que ambos foram indicados por Moulin Rouge! e o filme e Nicole venceram na categoria comédia/musical. Nostalgia pura! Na hora lembrei imediatamente do discurso de Kidman mencionando a parceria com McGregor...



Vencedores do Globo de Ouro 2013:
Melhor Filme Drama: Argo
Melhor Filme Comédia ou Musical: Os Miseráveis
Melhor Direção: Ben Affleck, Argo
Melhor Roteiro (original ou não): Quentin Tarantino, Django Livre
Melhor Atriz Drama: Jessica Chastain , A Hora mais Escura
Melhor Ator Drama: Daniel Day-Lewis, Lincoln
Melhor Atriz Comédia/Musical: Jennifer Lawrence, O Lado Bom da Vida
Melhor Ator Comédia/Musical: Hugh Jackman, Os Miseráveis
Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway, Os Miseráveis
Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz, Django Livre
Melhor Filme Estrangeiro: Amor
Melhor Longa de Animação: Valente
Melhor Trilha Sonora Original: Mychael Danna, As Aventuras de Pi
Melhor Canção Original: "Skyfall", Adele, 007 - Operação Skyfall

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Ciclo da Vida


Ambição técnica e narrativa marcam A Viagem, retorno dos Wachowski em parceria com o cineasta alemão Tom Tykwer


Meus sinceros votos são de que A Viagem, longa que reúne os irmãos Wachowski (Matrix) com o diretor alemão Tom Tykwer (Corra Lola Corra e Perfume), um dia encontre seu público e seja reconhecido como o grande, ambicioso e exitoso evento cinematográfico que é. O longa teve reações divisivas por onde passou e não foi bem aceito nas bilheterias se levarmos em consideração o custo que teve, ressalta-se que A Viagem não contou com o suporte de um grande estúdio (a Focus, pequena produtora, apenas distribuiu o filme). Só por essa incerteza na avaliação do filme, A Viagem merece de cara o benefício da dúvida e valerá muito a pena se o espectador prestar atenção nos preciosos detalhes que permeiam as diversas tramas que fazem parte do filme, unindo passado, presente e futuro em um roteiro existencialista e redentor para seus protagonistas, mas sobretudo para o público.

Apesar de ser um trabalho colaborativo, percebe-se que há mais dedo dos Wachowski que de Tykwer na história. Os irmãos Lana (ex-Larry) e Andy chamaram o colega para conseguir dar conta dos seis segmentos que compõem o filme, baseado no romance de David Mitchell. Cada trama requeria um tratamento especial e detalhado, condizendo com a época e com o conceito narrativo e estético do filme. Os Wachowski dirigiram as passagens dos anos de 1849, 2144 e a de 2346, já Tykwer ficou responsável por 1936, 1973 e 2012.


Atores como Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant e Susan Sarandon dão conta de personagens que se misturam pelos segmentos e que apresentam diferentes etnias e gêneros. Alguns deles representam figuras cuja representatividade se repetem nos diferentes núcleos. Hugh Grant, por exemplo, é o opressor, enquanto Jim Sturgess vive os personagens que dão início aos movimentos de libertação, uma espécie de herói. Os realizadores os inserem em uma cadeia de acontecimentos que testam suas capacidades de compreender o verdadeiro sentido da vida, aquele que vai além da própria matéria. Assim, duelando entre o individualismo e o desprendimento, o jovem advogado de Sturgess  em 1849, por exemplo, toma coragem para ajudar um escravo contra a vontade de seu sogro e da sociedade da época, da mesma forma que Tom Hanks, cujos personagens passados sucumbiram à ganância, é colocado à prova a partir do segmento de 1973, atingindo a redenção em um futuro pós-apocalíptico.

 Enfim, interpretar A Viagem e seus meandros exigiria uma revisitada ao longa e seria leviano da minha parte me estender por aqui, mas tudo isso é um demonstrativo da força engenhosa do longa, o melhor e mais incompreendido trabalho dos envolvidos. Trata-se também de um impecável trabalho de elenco que reúne atuações dedicadas de Tom Hanks, Jim Broadbent, James D'Arcy e, claro, a revelação Doona Bae, intérprete de Sonmi, a personagem responsável pelo grande clímax do filme.


Em suma, A Viagem trata sobre escolhas, liberdade, amor, redenção, enfim, o filme fala sobre a vida. A chave para interpretar os diversos segmentos desta corajosa produção está na compreensão de que vida vai além de sua própria percepção física, um conceito que os  realizadores fazem questão de dizer que não tem obrigatoriamente relação com alguma crença em específico (espiritismo?). Tendo isso em mente não fica difícil concluir que é preciso ter um cuidado extremo com os rumos que damos para nossa existência, uma compreensão que, infelizmente, pouquíssimas pessoas têm. 

Como Somni faz questão de relatar ao Arquivista no desfecho do longa, um oceano é composto por pequenas partículas de água que se juntam com o tempo. Para os realizadores, basta compreender que nossas ações, por menores que sejam, provocam reverberações em gerações futuras. Os Wachowski e Tykwer concluem o filme em um tom esperançoso, flertando com conceitos simples que por completa cegueira cotidiana fazemos questão de não refletir. Ao menos, nas cerca de três horas de duração de A Viagem - que, particularmente, passam voando - essa semente é acionada. Lana, Andy e Tom fizeram a parte deles.



Cloud Atlas, 2012. Dir.: Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer. Roteiro: Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer. Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Susan Sarandon, Hugh Grant, Jim Sturgess, Jim Broadbent, Ben Whishaw, Hugo Weaving, Doona Bae, James Darcy, Keith David, Xun Zhou,  David Gyassi, Robert Fyfe, Martin Wuttke, Brody Nicholas Lee. 172 min. Imagem Filmes.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Jack Reacher - O Último Tiro


Assim que Tom Cruise resolveu assumir Jack Reacher na adaptação para os cinemas da série literária de Lee Child, fãs do personagem começaram a se manifestar. Como Cruise, que mede cerca de 1,70m, pode dar vida ao andarilho que nas páginas dos livros mede ameaçadores 1,98 e pesa entre 100 e 115 quilos? Simples, liberdade criativa hollywoodiana. Mas esse não é o principal problema para a credibilidade do personagem no filme de Christopher McQuarrie, que de parceiro de Bryan Singer e vencedor do Oscar pelo roteiro de Os Suspeitos passou a ser conhecido por verdadeiras catástrofes cinematográficas como O Turista (aquela infâmia com Johnny Depp e Angelina Jolie) e Operação Valquíria (também com Cruise). O principal equívoco de Jack Reacher - O Último Tiro está em seu roteiro superficial e confuso, que nunca consegue esclarecer para o público quem de fato é Jack Reacher (dar corpo ao personagem e não necessariamente revelar seu passado, algo que o próprio livro no qual o filme se baseia faz questão de ocultar). Como se não bastasse o roteiro insosso, McQuarrie mostra-se como um diretor confuso em sua estreia nessa função. Para completar, temos uma das atuações mais preguiçosas da carreira de Cruise, que sequer se preocupa em preencher as lacunas deixadas pelo roteiro com seu personagem. Ainda há uma  participação sem maiores explicações do cineasta Werner Herzog, um vilão que não diz a que veio.


Jack Reacher, 2012. Direção: Christopher McQuarrie. Roteiro: Christopher McQuarrie. Elenco: Tom Cruise, Rosamund Pike, Werner Herzog, Richard Jenkins, David Oyelowo, Alexia Fast, Jai Courtney, Vladimir Sizov, Michael Raymond James. 130 min. UIP.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Indicados ao Oscar 2013: Lincoln lidera a lista com 12 indicações

Emma Stone e Seth MacFarlane anunciaram os indicados ao Oscar na manhã desta quinta-feira (10).
A Academia enfim anunciou a lista de indicados ao Oscar desse ano. Lincoln, de Steven Spielberg, lidera a lista de indicados, como previsto, com 12 indicações. No entanto, aqueles que eram considerados seus maiores concorrentes, Argo e A Hora mais Escura, ficaram de fora da relação de indicados considerada crucial para quem almeja o Oscar de melhor filme, melhor direção. Ben Affleck e Kathryn Bigelow foram solenemente ignorados e em seus lugares foram indicados Michael Haneke (Amor) e o estreante Behn Zeitlin (Indomável Sonhadora). O mesmo aconteceu com Tom Hooper, do badalado musical Os Miseráveis. Os concorrentes mais fortes de Lincoln acabaram sendo As Aventuras de Pi, com impressionantes 11 indicações, e a dramédia O Lado Bom da Vida, que conseguiu indicações para seu elenco nas quatro categorias de interpretação (a mais surpreendente foi para Jacki Weaver, dando uma rasteira em Nicole Kidman, Maggie Smith e Ann Dowd). O caso de O Lado Bom da Vida é ainda mais emblemático se considerarmos que David O.Russell, seu diretor e roteirista, foi indicado em suas duas funções.

Outra decisão surpreendente da Academia foi não indicar John Hawkes por As Sessões, um nome que era considerado como praticamente certo entre os desempenhos masculinos. Em contrapartida, os temores pela exclusão de Joaquin Phoenix por O Mestre, novo filme de Paul Thomas Anderson que só conseguiu indicações para seu elenco, foram em vão. A pequena Quvenzhané Wallis (Indomável Sonhadora) e Emmanuelle Riva (Amor) integraram  a lista de atrizes como a mais nova e a mais velha indicada na categoria, respectivamente. Aqui, a exclusão ficou por conta de Marion Cotillard em Ferrugem e Osso. E o que dizer da ausência de Leonardo DiCaprio por Django Livre?

Fora da lista de melhor filme, 007- Operação Skyfall recebeu 5 indicações, mais do que alguns indicados a melhor filme, um feito para a franquia que nunca é lembrada com entusiasmo pelo Oscar. Outro destaque é Anna Karenina, romance de Joe Wright que, como quem não quer nada, acabou conseguindo 4 indicações.

Os indicados a melhor filme (foram 9 esse ano)...

Lincoln - 12 indicações
Melhor Filme
Melhor Diretor (Steven Spielberg)
Melhor Roteiro Adaptado (Tony Kushner)
Melhor Ator (Daniel Day-Lewis)
Melhor Atriz Coadjuvante (Sally Field)
Melhor Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones)
Melhor Montagem
Melhor Trilha Sonora Original (John Williams)
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Direção de Arte
Melhor Mixagem de Som

Os Miseráveis - 8 indicações
Melhor Filme
Melhor Ator (Hugh Jackman)
Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway)
Melhor Figurino
Melhor Direção de Arte
Melhor Maquiagem
Melhor Canção Original ("Suddenly")
Melhor Mixagem de Som

A Hora mais Escura - 5 indicações
Melhor Filme
Melhor Roteiro Original (Mark Boal)
Melhor Atriz (Jessica Chastain)
Melhor Montagem
Melhor Edição de Som

Argo - 7 indicações
Melhor Filme
Melhor Roteiro Adaptado (Chris Terrio)
Melhor Ator Coadjuvante (Alan Arkin)
Melhor Montagem
Melhor Trilha Sonora Original (Alexandre Desplat)
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som

Django Livre - 5 indicações
Melhor Filme
Melhor Roteiro Original (Quentin Tarantino)
Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz)
Melhor Fotografia
Melhor Edição de Som

O Lado Bom da Vida - 8 indicações
Melhor Filme
Melhor Direção (David O.Russell)
Melhor Roteiro Adaptado (David O.Russell)
Melhor Atriz (Jennifer Lawrence)
Melhor Ator (Bradley Cooper)
Melhor Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver)
Melhor Ator Coadjuvante (Robert DeNiro)
Melhor Montagem

As Aventuras de Pi - 11 indicações
Melhor Filme
Melhor Direção (Ang Lee)
Melhor Roteiro Adaptado (David Magee)
Melhor Montagem
Melhor Trilha Sonora Original (Mychael Danna)
Melhor Fotografia
Melhor Direção de Arte
Melhor Canção Original ("Pi's Lullaby")
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som
Melhores Efeitos Visuais ou Especiais

Amor - 5 indicações
Melhor Filme
Melhor Direção (Michael Haneke)
Melhor Roteiro Original (Michael Haneke)
Melhor Atriz (Emmanuelle Riva)
Melhor Filme Estrangeiro

Indomável Sonhadora - 4 indicações
Melhor Filme
Melhor Direção (Behn Zeitlin)
Melhor Roteiro Adaptado (Behn Zeitlin e Lucy Alibar)
Melhor Atriz (Quvenzhané Wallis)

As atrizes...

Melhor Atriz
Jessica Chastain - A Hora mais Escura
Jennifer Lawrence - O Lado Bom da Vida
Naomi Watts - O Impossível
Quvenzhané Wallis - Indomável Sonhadora
Emmanuelle Riva - Amor

Melhor Atriz Coadjuvante
Anne Hathaway - Os Miseráveis
Sally Field - Lincoln
Helen Hunt - As Sessões
Jacki Weaver - O Lado Bom da Vida
Amy Adams - O Mestre

Os atores...

Melhor Ator
Daniel Day-Lewis - Lincoln
Hugh Jackman - Os Miseráveis
Denzel Washington - O Voo
Bradley Cooper - O Lado Bom da Vida
Joaquin Phoenix - O Mestre

Melhor Ator Coadjuvante
Tommy Lee Jones - Lincoln
Alan Arkin - Argo
Philip Seymour Hoffman - O Mestre
Christoph Waltz - Django Livre
Robert DeNiro - O Lado Bom da Vida

Relação completa:

Melhor Direção
Michael Haneke - Amor
Behn Zeitlin - Indomável Sonhadora
Ang Lee - As Aventuras de Pi
Steven Spielberg - Lincoln
David O.Russell - O Lado Bom da Vida

Melhor Roteiro Original
Amor - Michael Haneke
Django Livre - Quentin Tarantino
O Voo - John Gatins
Moonrise Kingdom - Wes Anderson e Roman Coppola
A Hora mais Escura - Mark Boal

Melhor Roteiro Adaptado
Argo - Chris Terrio
Indomável Sonhadora - Behn Zeitlin e Lucy Alibar
As Aventuras de Pi - David Magee
Lincoln - Tony Kushner
O Lado Bom da Vida - David O.Russell

Melhor Montagem
Argo
As Aventuras de Pi
Lincoln
O Lado Bom da Vida
A Hora mais Escura

Melhor Trilha Sonora Original
Anna Karenina - Dario Marianelli
Argo - Alexandre Desplat
As Aventuras de Pi - Mychael Danna
Lincoln - John Williams
007: Operação Skyfall - Thomas Newman

Melhor Fotografia
Anna Karenina
Django Livre
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 - Operação Skyfall

Melhor Figurino
Anna Karenina
Os Miseráveis
Lincoln
Espelho, Espelho Meu
Branca de Neve e o Caçador

Melhor Direção de Arte
Anna Karenina
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln

Melhor Maquiagem
Hitchcock
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis

Melhor Canção Original
"Before my Time", de J.Ralph - Chasing Ice
"Everybody needs a best friend", de Seth MacFarlane e Walter Murphy - Ted
"Pi's Lullaby", de Mychael Danna e Bombay Jayashri - As Aventuras de Pi
"Skyfall", de Adele e Paul Epworth - 007:Operação Skyfall
"Suddenly", de Claude Michel-Schonberg, Herbert Kretzmer e Alain Boublil - Os Miseráveis

Melhor Edição de Som
Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
007 - Operação Skyfall
A Hora mais Escura

Melhor Mixagem de Som
Argo
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 - Operação Skyfall

Melhores Efeitos Visuais/Especiais
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
Os Vingadores
As Aventuras de Pi
Prometheus
Branca de Neve e o Caçador

Melhor Filme Estrangeiro
Amor (Áustria)
Kon-Tiki (Noruega)
No (Chile)
O Amante da Rainha (Dinamarca)
War Witch (Canadá)

Melhor Longa de Animação
Valente
Frankenweenie
ParaNorman
Piratas Pirados!
Detona Ralph

Melhor Longa Documentário
5 Broken Cameras
The Gatekeepers
How to survive a Plague
The Invisible War
Searching for Sugar Man

Melhor Curta Documentário
Inocente
Kings Point
Mondays at Racine
Open Heart 
Redemption

Melhor Curta de Animação
Adam and Dog
Fresh Guacamole
Head over Heels
Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'
Paperman

Melhor Curta de Ficção (Live Action)
Asad
Buzkashi Boys
Curfew
Death of a Shadow
Henry

Saldo para alguns filmes...


007 - Operação Skyfall - 5 indicações
Melhor Fotografia
Melhor Trilha Sonora Original (Thomas Newman)
Melhor Canção Original ("Skyfall")
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som

Anna Karenina - 4 indicações
Melhor Trilha Sonora Original (Dario Marianelli)
Melhor Direção de Arte
Melhor Figurino
Melhor Fotografia

O Mestre - 3 indicações
Melhor Ator (Joaquin Phoenix)
Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams)
Melhor Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman)

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada - 3 indicações
Melhor Direção de Arte
Melhor Maquiagem
Melhores Efeitos Visuais ou Especiais

O Voo - 2 indicações
Melhor Roteiro Original (John Gatins)
Melhor Ator (Denzel Washington)

Branca de Neve e o Caçador - 2 indicações
Melhor Figurino
Melhores Efeitos Visuais ou Especiais

Moonrise Kingdom - 1 indicação
Melhor Roteiro Original (Wes Anderson e Roman Coppola)

Espelho, Espelho Meu - 1 indicação
Melhor Figurino

Hitchcock - 1 indicação
Melhor Maquiagem

Ted - 1 indicação
Melhor Canção Original ("Everybody needs a best friend")

Os Vingadores - 1 indicação
Melhores Efeitos Visuais ou Especiais

Prometheus - 1 indicação
Melhores Efeitos Visuais ou Especiais