segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Argo e Os Miseráveis ganham o Globo de Ouro 2013


Em linhas gerais, o resultado do Globo de Ouro seguiu a cartilha de sempre. Argo venceu na categoria drama, depois de uma vitória no Critic's Choice Awards. E, mais uma vez, repito: os resultados do Globo de Ouro e do Oscar tendem a ser diferentes já que são grupos de votantes bem distintos. Poderia dar Lincoln? Poderia, mas Argo tem a seu favor o fator "consenso da crítica", então não foi surpresa. Ainda que Argo não provoque reações apaixonadas como todos os seus concorrentes, não há um só votante que ouse depreciar o filme e isso conta muito na contagem de votos. Esse fator pode transformá-lo em um concorrente de peso para Lincoln no prêmio da Academia apesar da ausência da indicação de Ben Affleck como diretor por lá.

O que não esperava (tolinho...) era a grande aceitação dos votantes do Globo de Ouro para o musical Os Miseráveis na categoria comédia ou musical, um filme divisivo. Achava que o palpite mais óbvio era a vitória da dramédia queridinha entre os críticos, O Lado Bom da Vida. Na verdade, essa divisão entre drama e comédia ou musical sempre torna o resultado do Globo de Ouro um tanto quanto estranho já que o que não falta em Os Miseráveis é drama, o que o diferencia de Argo ou Lincoln enquanto gênero é o formato de sua história. Assim, sorrateiramente, Os Miseráveis conquistou três prêmios na cerimônia (filme comédia/musical, ator comédia/musical e atriz coadjuvante), mas trata-se de outro concorrente ao Oscar de melhor filme que não levou indicação para direção.



Seguindo a lógica de premiar Argo para melhor filme drama, o prêmio de melhor direção foi para Ben Affleck, que anda mostrando um certo despeito por não ter sido lembrado na categoria pelo Oscar. Como aconteceu há um tempo atrás em sua carreira de ator, o sucesso parece não fazer bem a ele. Dá um certo vexame. Chegou a esquecer os nomes dos produtores de seu próprio filme no discurso, George Clooney e Grant Heslov. Falha resolvida elegantemente por sua esposa, a atriz Jennifer Garner que minutos depois subiu ao palco para entregar outro prêmio.

O melhor filme estrangeiro foi Amor, drama aclamado do austríaco Michael Haneke, vencedor da última Palma de Ouro em Cannes. O que me faz perguntar: por que raios o Globo de Ouro não indicou Emmanuelle Riva como melhor atriz em drama já que o filme foi tão bem aceito assim pela imprensa estrangeira?


E Tony Kushner, que no Oscar disputa em roteiro adaptado por Lincoln (disparado o trabalho mais comentado do ano nesse departamento), perdeu o Globo para Quentin Tarantino por Django Livre, que no Oscar disputa a categoria roteiro original. Mais um daqueles caprichos do Globo de Ouro, os roteiros, originais ou não, são colocados todos em uma só lista de indicados, o que pode indicar que no Oscar as coisas serão um pouco diferentes.

A trilha sonora original escolhida, ao meu ver, foi uma das mais desinteressantes da categoria, Mychael Danna por As Aventuras de Pi. Trata-se de outra categoria na qual o Globo de Ouro acaba premiando candidatos que não são agraciados com o Oscar. Todos esperam que no Oscar o resultado também seja diferente.



Mas há os vencedores imbatíveis. Não veria outro concorrente levar o prêmio de melhor ator em drama que Daniel Day-Lewis por Lincoln, ainda que, a julgar pelo resultado da premiação, o filme de Spielberg não tenha se saído tão bem assim. Com os Globos, o ator já acumula sete prêmios pelo filme, se ganhar o SAG, prêmio do sindicato dos atores que acontecerá no dia 27 de janeiro e que será exibido pela TNT, já pode considerar-se vencedor de seu terceiro Oscar de melhor ator.

Também favorita em sua categoria, Adele levou o prêmio de melhor canção original por "Skyfall", tema de 007 - Operação Skyfall. Há anos uma canção de 007 não fisgava prêmios e espera-se que em função da homenagem aos 50 anos do personagem a ser realizada no Oscar e as cinco indicações ao prêmio que o filme recebeu sejam irresistíveis para a canção conquistar a Academia. 



Ainda que tivesse uma ponta de dúvida no prêmio de melhor atriz drama pela popularidade e apelo emocional (no bom sentido) da interpretação de Naomi Watts em O Impossível, Jessica Chastain está um pouco a frente de suas concorrentes na disputa por A Hora mais Escura. E ela é sempre graciosa, simpática e calorosa em suas entrevistas, fazendo questão de se aproximar de jornalistas e do público, diferente da maioria de suas colegas, sempre tão distantes e frias. Um encanto!

Vencerá o Oscar? Tenho cá minhas dúvidas. Não é um papel que renda rompantes emocionais como os desempenhos de Naomi Watts, Emmanuelle Riva e Quvenzhané Wallis. Pelo contrário, o papel de Chastain em A Hora mais Escura exigia um certo distanciamente e controle emocional, o que é igualmente difícil mas que poucas vezes é reconhecido pela Academia. Além disso, no Globo de Ouro ela não disputou diretamente com Jennifer Lawrence de O Lado Bom da Vida. Não posso nem dizer que a dúvida sobre o Oscar de melhor atriz será sanada no SAG, afinal duas fortes concorrentes (Riva e Wallis) também não foram indicadas ao prêmio do sindicato dos atores por questões burocráticas. 


Uma das maiores incertezas dessa cerimônia do Globo de Ouro foi o prêmio de melhor ator em comédia ou musical. Confesso que até pensei em considerar Hugh Jackman como possível vencedor (até escrevi isso no post sobre os palpites, leiam aqui). No entanto, parecia óbvio o favoritismo de Bradley Cooper pela maior aceitação entre os críticos de O Lado Bom da Vida. Mas como o Globo resolveu fazer de Os Miseráveis o grande vencedor da noite, Hugh Jackman levou o prêmio pelo filme. E não dá para deixar de comentar a reação de Bradley Cooper ao ouvir o nome do concorrente ser anunciado. Até ele já contava com o favoritismo de O Lado Bom da Vida.


Se Cooper tinha a acirrada concorrência de Os Miseráveis, as coisas foram mais fáceis para sua colega de elenco. Jennifer Lawrence venceu o prêmio de melhor atriz em comédia ou musical por O Lado Bom da Vida em uma categoria fraca que contou com o upgrade da dupla de apresentadores Will Ferrell e Kristen Wiig.


Na categoria animação, entre Frankenweenie e Detona Ralph, o Globo de Ouro preferiu a segurança e deu a vitória a Valente, da Pixar. Minha preferência estava por Detona Ralph. Valente é um ótimo filme, mas não é o melhor que a Pixar já ofereceu. Já Detona Ralph é o melhor que a Disney fez em anos, seria um come back interessante de um dos mais tradicionais estúdios de animação (curiosamente com a participação da Pixar). 


Dizem as más línguas que Os Miseráveis representa para Anne Hathaway o que Dreamgirls representou para a carreira de Jennifer Hudson, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2007: um número musical que não deixa pedra sobre pedra! E realmente Hathaway tem tudo para levar mais prêmios pela frente, incluindo o Oscar, interpretando uma das canções mais conhecidas de Os Miseráveis, "I dreamed a dream". Além disso, parece ser o momento certo para a atriz vencer o Oscar ( ela não é mais uma revelação, mas ainda tem muito a oferecer para Hollywood, está no ponto!).  E Sally Field, que vinha ganhando alguns prêmios de associações de críticos por Lincoln, aos poucos, vai perdendo espaço para a nova babe...


Christoph Waltz levou outro prêmio de ator coadjuvante por um filme de Quentin Tarantino, o diretor que praticamente nos apresentou ao austríaco em Bastardos Inglórios. Django Livre começa a parecer como certo nessa categoria do Oscar, ainda que exista um burburinho em torno dos nomes de Tommy Lee Jones (Lincoln) e Philip Seymour Hoffman (O Mestre). 

Melhores momentos da noite:

#1. Discurso de Jodie Foster ao receber o prêmio Cecil B.DeMille pela carreira

A atriz foi impecável em suas colocações e deu um tapa com luva de pelica naqueles que insistem em retirar dela qualquer confissão sobre sua orientação sexual.



# 2. Apresentação das indicadas ao prêmio de melhor atriz em comédia ou musical por Will Ferrell e Kristen Wiig

"Get out!". A dupla deu uma cutucada em quem vota e não assiste aos filmes indicados.  Teve gente que não gostou, especialmente Dustin Hoffman, cujo filme que dirigiu foi indicado na categoria (Maggie Smith - Quartet).




# 3. Monólogo de abertura 

Sério, alguém esperava o atrevimento de Tina Fey e Amy Poehler ao cutucar o comportamento de James Cameron durante a época em que era casado com  a diretora Kathryn Bigelow (A Hora mais Escura), indicada da noite? E quando as duas falaram sobre fatídica apresentação do Oscar de 2011, com Anne Hathaway e James Franco? E ainda  sobrou tempo para elas rirem do eterno favoritismo de Meryl Streep!




#4. Falha no teleprompter com Salma Hayek e Paul Rudd

A maior gafe da cerimônia foi a cara de paisagem da dupla de apresentadores diante da falha do teleprompter. É certo que Julianne Moore se saiu muito melhor ano passado com o mesmo problema, mas com Salma e Paul a falha demorou, demorou... No lugar deles, não saberia onde colocar a cara!



# 5. Amy Poehler no colo de George Clooney durante a apresentação das indicadas a melhor atriz em série de TV comédia ou musical

Amy e Tina foram indicadas nessa categoria e lógico que elas deitaram e rolaram com a situação. Enquanto Tina se fez íntima de Jennifer Lopez, Poehler simulou um flerte com Clooney, que, sempre simpático e espirituoso, entrou na brincadeira.



# Plus (escolha pessoal). Nicole Kidman e Ewan McGregor sentados na mesma mesa durante a cerimônia

Isso foi tão 2002! Ano em que ambos foram indicados por Moulin Rouge! e o filme e Nicole venceram na categoria comédia/musical. Nostalgia pura! Na hora lembrei imediatamente do discurso de Kidman mencionando a parceria com McGregor...



Vencedores do Globo de Ouro 2013:
Melhor Filme Drama: Argo
Melhor Filme Comédia ou Musical: Os Miseráveis
Melhor Direção: Ben Affleck, Argo
Melhor Roteiro (original ou não): Quentin Tarantino, Django Livre
Melhor Atriz Drama: Jessica Chastain , A Hora mais Escura
Melhor Ator Drama: Daniel Day-Lewis, Lincoln
Melhor Atriz Comédia/Musical: Jennifer Lawrence, O Lado Bom da Vida
Melhor Ator Comédia/Musical: Hugh Jackman, Os Miseráveis
Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway, Os Miseráveis
Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz, Django Livre
Melhor Filme Estrangeiro: Amor
Melhor Longa de Animação: Valente
Melhor Trilha Sonora Original: Mychael Danna, As Aventuras de Pi
Melhor Canção Original: "Skyfall", Adele, 007 - Operação Skyfall

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Um comentário:

4primos disse...

Curti mto a vitoria de Moulin Rouge naquele ano...
Recordar é viver!!!