terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

10 promessas para o Oscar 2014


#1. The Wolf of Wall Street
Dir.: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matthew McConaughey, Jean Dujardin, Jonah Hill.

Depois de A Invenção de Hugo Cabret e Ilha do Medo, Martin Scorsese retornará aos dramas urbanos com The Wolf of Wall Street, que promete muito sangue, sexo e drogas, voltando a uma de suas cidades preferidas: Nova York. O filme é baseado nas memórias de um corretor da bolsa de valores que entra na decadência nos anos 90. Scorsese volta a dirigir Leonardo DiCaprio e promete arrancar mais uma interpretação visceral do ator, desconstruindo seu personagem diante das plateias. Também será a estreia do vencedor do Oscar de melhor ator por O Artista, Jean Dujardin, no cinema americana. Aqui ele será um grande vilão.


#2. O Grande Gatsby
Dir.: Baz Luhrmann
Elenco: Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan, Tobey Maguire, Isla Fisher

As razões para se esperar por O Grande Gatsby são várias e já foram enumeradas no início do ano quando escrevi sobre os longas mais esperados pelo blog nos cinemas brasileiros em 2013. Esta será a volta de Baz Luhrmann às telonas. Diretor do cultuado Moulin Rouge!, Luhrmann teve a grande decepção de sua carreira quando viu seu épico romântico de 2008, Austrália, ser espinafrado pela crítica. O Grande Gatsby será sua chance de redenção. Além disso, a obra de F.Scott Fitzgerald nunca teve uma adaptação digna de sua fama nos cinemas e a julgar pelo trailer todos esperam que Luhrmann seja fiel ao espírito da obra, mas que se apodere da mesma, adaptando-a a seu estilo histriônico de contar histórias (o filme terá na trilha composições de Jack White e Jay-Z!!!). Aqui, o diretor volta a trabalhar com Leonardo DiCaprio, o protagonista do segundo longa-metragem da sua carreira, Romeu+Julieta.


#3. Grace of Monaco
Dir.: Olivier Dahan
Elenco: Nicole Kidman, Tim Roth, Paz Vega, Frank Langella

Harvey Weinstein acaba de adquirir os direitos de exibição desse drama para 2013 nos EUA, então o filme acaba de entrar na disputa. Grace of Monaco contará parte da vida de Grace Kelly, atriz que abandonou Hollywood na década de 1950 para se casar com o príncipe de Monaco, Rainier III. O longa trará como foco uma crise política local e os conflitos pessoais de Kelly, que na ocasião demonstrou interesse em retornar ao cinema pelas mãos de Alfred Hitchcock em Os Pássaros. O roteiro do filme foi muito elogiado e esteve entre os dez melhores de uma lista de filmes independentes do ano passado. A direção ficou a cargo do francês Olivier Dahan, que dirigiu Piaf - Um Hino ao Amor, longa que rendeu a Marion Cotillard o Oscar de melhor atriz em 2008. A produção já chega cercada de polêmicas porque os herdeiros de Kelly disseram não endossar o retrato que o filme fará da princesa. P.S.: Nicole Kidman promete dar um show!


#4. Inside Llewyn Davis
Dir.: Joel e Ethan Coen
Elenco: Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, John Goodman, Garrett Hedlund

Experimentais ou não, os irmãos Coen estão sempre na mira do Oscar. Apesar da premissa nada convencional, Inside Llewyn Davis promete ser um dos filmes mais comentados do ano. O longa será uma homenagem ao universo da música folk dos anos de 1960, através do olhar do fictício Llewin Davis, que nada mais é do que o guitarrista de blues Dave Van Ronk, inspiração para artistas como Joni Mitchell e Bob Dylan. O protagonista será vivido por Oscar Isaac, que viveu em Drive o marido da personagem de Carey Mulligan, que, por acaso, também está no longa. Além deles, o cada vez mais requisitado pelo cinema Justin Timberlake e John Goodman.


#5. The Fifth Estate
Dir.: Bill Condon
Elenco: Laura Linney, Bennedict Cumberbatch, Daniel Bruhl, Dan Stevens

Não demoraria muito para o caso do Wikileaks vir para as telas. O diretor do filme será Bill Condon que, apesar de ter cometido Amanhecer e Dreamgirls, já foi um diretor respeitado por seu trabalho em Deuses e Monstros, e parece retornar aos dramas pesados com esse The Fifth Estate. O longa contará o escândalo do site Wikileaks, que tornou público documentos oficiais do governo e de empresas de todo o mundo em 2006. O fundador do site, Julian Assange, será interpretado por Benedict Cumberbatch, que enfim ganha seu grande protagonista no cinema. Além dele, o filme contará com a sempre subestimada Laura Linney que viverá uma agente no encalço de Assange.


#6. Saving Mr.Banks
Dir.: John Lee Hancock
Elenco: Tom Hanks, Emma Thompson, Colin Farrell, Paul Giamatti

Tom Hanks interpretará Walt Disney em Saving Mr.Banks, drama que narrará o percurso da adaptação de  Mary Poppins para o cinema. O longa contará como Disney convenceu a escritora e criadora da personagem, P.L. Travers, a ceder os direitos da obra, que acabou se tornando um dos maiores sucessos do estúdio na década de 1960, tendo Julie Andrews como protagonista. A autora do livro será interpretada por Emma Thompson e Colin Farrell viverá o pai da autora que morreu em função do alcoolismo, quando ela ainda era criança. A direção ficou por conta de John Lee Hancock, de Um Sonho Possível, filme que rendeu a Sandra Bullock o Oscar de melhor atriz em 2010. Não é uma boa referência, mas a julgar pelo material e pelos atores envolvidos pode render um bom caldo.


#7. Diana
Dir.: Oliver Hirschbiegel
Elenco: Naomi Watts, Naveen Andrews, Douglas Hodge, Geraldine James

Outra personagem icônica que tomará as telas em 2013 será a Princesa Diana. Diana contará os dois últimos anos de vida de Lady Di, que será interpretada por Naomi Watts, recém indicada ao Oscar por O Impossível. O filme trará fatos que aconteceram com Lady Di depois de divorciar-se do Príncipe Charles, passando também pelo romance de Diana com o cirurgião Hasnat Kahn, papel de Naveen Andrews, e culminando com a sua morte em 1997. Para dar vida a Diana, Watts recorreu à maquiagem e a próteses no nariz. A direção é do alemão Oliver Hirschbiegel, de A Queda! - As últimas horas de Hitler.
  

# 8. August - Osage County
Dir.: John Wells
Elenco: Meryl Streep, Julia Roberts, Juliette Lewis, Ewan McGregor, Abigail Breslin

Baseado em uma peça vencedora do Pulitzer, August - Osage County trará a esperada reunião de Meryl Streep e Julia Roberts. No longa, Streep viverá uma matriarca viciada em drogas que entra em desespero quando seu marido desaparece, mobilizando suas duas filhas, interpretadas por Roberts e Juliette Lewis, retornando aos grandes papéis, em seu resgate. O filme tem mais gente de peso no elenco, incluindo Ewan McGregor, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch e Chris Cooper. A direção é de John Wells, que dirigiu o pouco conhecido A Grande Virada e alguns episódios de E.R..


#9. Blue Jasmine
Dir.: Woody Allen
Elenco: Cate Blanchett, Sally Hawkins, Alec Baldwin, Peter Sarsgaard

Além de manter a média de um filme por ano, Woody Allen tem mantido a expectativa de alternar a qualidade de seus trabalhos. Assim, se em 2011 tivemos o ótimo Meia-Noite em Paris e em 2012 o bonzinho Para Roma com Amor, Blue Jasmine, seu filme de 2013, promete ser um bom filme de sua recente safra. As protagonistas serão Cate Blanchett e Sally Hawkins, que prometem boas atuações vivendo duas irmãs. A trama de Blue Jasmine inicia com uma crise aguda (claro, estamos falando de Woody Allen e dos seus personagens neuróticos) na vida da personagem de Cate Blanchett, uma dona de casa apaixonada por moda. 


# 10. The Butler
Dir.: Lee Daniels
Elenco: Forest Whitaker, Oprah Winfrey, Terrence Howard, Jane Fonda, Robin Williams, Vanessa Redgrave, Mariah Carey

Ame-o ou deixe-o, Lee Daniels divide opinião com seus filmes. Do aclamado e indicado ao Oscar Preciosa ao criticado e candidato a cult, ainda inédito no Brasil, The Paperboy, o diretor não deixa pedra sobre pedra e reúne um dos elencos mais inusitados do ano em The Butler. O filme tem como protagonista Cecil Gaines, personagem de Forest Whitaker, homem que trabalhou como mordomo da Casa Branca servindo a oito diferentes presidentes. Um elenco que vai de extremos como Jane Fonda, Forest Whitaker, Vanessa Redgrave a Oprah Winfrey e Mariah Carey é no mínimo curioso e pode render algumas surpresas afinal foi ele quem descobriu Monique, vencedora do Oscar por Preciosa, e fez de Nicole Kidman e Zac Efron um dos casais mais explosivos de 2012 em The Paperboy.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar 2013: A justiça foi feita?

Em cerimônia burocrática, Argo sai vitorioso com três Oscars, incluindo o de melhor filme. As Aventuras de Pi, Os Miseráveis, Django Livre e Lincoln também são premiados.

Ben Affleck, Grent Heslov e George Clooney, produtores de Argo, agradecem o prêmio de melhor filme.
Essa é uma sensação particular, mas a cada ano que passa a festa do Oscar assume um tom burocrático, perdendo um pouco da sua identidade como show. Não sei se por escolha da própria Academia ou se por um processo natural da temporada de premiações, cada vez mais antecipada e empurrando a principal atração dela (o Oscar) para o final, ou mesmo se é um reflexo do meu próprio amadurecimento como telespectador e cinéfilo, mas o Oscar tá ficando chato. Paradoxalmente, continua sendo uma brincadeira muito divertida de se participar.

Nos últimos anos, tenho preferido a descontração e até mesmo a escolha dos apresentadores do Globo de Ouro. Esse ano, por exemplo, Tina Fey e Amy Poehler foram sensacionais. O mesmo não pode ser dito de Seth MacFarlane no Oscar que, apesar de um momento interessante aqui e ali (entre eles o número musical sobre os "peitinhos" das atrizes nos filmes e a apresentação da categoria sonora dublando mais uma vez o urso Ted), não convenceu como um todo, nem trouxe nada de especialmente surpreendente em suas piadas. 

Claro que coordenada pela dupla de produtores vencedora do Oscar por Chicago, Craig Zadan e Neil Meron, os números musicais foram garantidos, tanto que um dos temas que permearam a cerimônia foi a presença dos musicais no prêmio nos últimos dez anos. No entanto, apesar de ter vibrado com a apresentação de Catherine Zeta-Jones, revivendo seu número "All that Jazz" em Chicago, ter praticamente voltado atrás na minha implicância com a vitória de Jennifer Hudson por Dreamgirls (sua apresentação de "And I'm telling you I'm not going" foi de arrepiar) e ter me emocionado com a reunião do elenco de Os Miseráveis, senti falta da presença de outro musical recente e muito importante (praticamente abriu a porta para todos esses) na homenagem: Moulin Rouge!. Nicole e Ewan mereciam seu momento "Come what may" no Oscar 2013, não há dúvidas.  

Outra coisa que não deu para entender foi porque a cerimônia fez tanto alarde para a homenagem a James Bond com uma apresentação tão desinteressante dos filmes do personagem. Também não deu para entender porque o Oscar reservou uma apresentação tão impecável e pirotécnica para Adele e deixou Norah Jones no vácuo, sozinha no palco cantando a canção de Ted. Até dá, afinal de contas é Adele no Oscar! Não sei quando isso pode acontecer de novo.

Mas vamos aos prêmios!

Como esperado, já que todos os prêmios dos sindicatos sinalizavam para isso, Argo levou o Oscar de melhor filme com aquele fantasma, lembrado a todo momento na cerimônia, inclusive no discurso de aceitação do prêmio por Grent Heslov, da não indicação de Ben Affleck a melhor diretor. Affleck teve seu momento no microfone, certamente um dos mais emocionantes da noite, lembrando de sua última vitória na premiação, em 1998, pelo roteiro de Gênio Indomável, escrito em parceria com o amigo Matt Damon. Argo ainda levou as também esperadas estatuetas de melhor roteiro adaptado, recebida por Chris Terrio (que também lembrou da vitória anterior de Affleck), e de melhor montagem.

O que poderia ter sido visto como uma surpresa, não surpreendeu tanto assim. Nas últimas semanas, muito foi dito sobre uma possível rasteira que Ang Lee daria em Steven Spielberg, vencendo o Oscar de melhor direção por As Aventuras de Pi. Dito e feito, o taiwanês recebe sua segunda estatueta, a primeira foi também como melhor diretor por O Segredo de Brokeback Mountain. Aliás, As Aventuras de Pi roubou a cena nessa edição do Oscar, um destaque que era esperado para Lincoln, que das 12 categorias a que foi indicado saiu vitorioso em apenas duas. As Aventuras de Pi recebeu os previsíveis prêmios de fotografia, efeitos visuais ou especiais e trilha sonora original, trabalho do compositor Mychael Danna. 





A categoria mais esperada e disputada da noite foi uma grande decepção. Como apontado por muitos, Jennifer Lawrence levou o Oscar de melhor atriz por O Lado Bom da Vida. Um tropeço tão grande quanto o que a atriz levou ao subir no palco para receber o prêmio. Inicialmente considerado um ano fraco para as atrizes, o Oscar 2013 acabou reunindo desempenhos espetaculares na categoria, interpretações mais fortes que as masculinas indicadas. Assim fica difícil acreditar que o desempenho de Lawrence seja o melhor com Emmanuelle Riva, Jessica Chastain, Naomi Watts e Quvenzhané Wallis na concorrência. Jennifer é uma atriz medíocre? Claro que não. A questão é que sua interpretação em O Lado Bom da Vida não merece um prêmio sequer e não chega aos pés dos seus trabalhos anteriores, o também indicado Inverno da Alma e Jogos Vorazes. Uma pena, mas a atriz entra para o hall das piores vencedoras na categoria, o que inclui Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado) e Reese Whiterspoon (Johnny e June). Ainda vamos olhar para trás e dizer: what the fuck?


Bom, se não tivemos o prazer de ver Emmanuelle Riva sair vitoriosa como melhor atriz, ao menos seu longa cumpriu a promessa. Amor ganhou a estatueta de melhor filme estrangeiro, recebida por seu diretor, o alemão Michael Haneke.


O prêmio de melhor ator para Lincoln, no entanto, compensou a falta cometida em melhor atriz. Por mais que ache que o desempenho de Joaquin Phoenix em O Mestre o melhor da categoria, não dá para dizer que o terceiro Oscar da carreira de Daniel Day-Lewis não seja merecido. Meryl Streep, vencedora do ano passado como melhor atriz, nem fez suspense para revelar o vencedor. Visivelmente emocionado, uma emoção nada montada, Day-Lewis deu um verdadeiro banho de simplicidade, simpatia e elegância no palco. Deu tempo até do ator fazer uma graça com Streep e com a fama que os dois carregam de aplicarem métodos rigorosos em suas interpretações. Day-Lewis disse que aceitou Lincoln após a recusa da atriz para viver o papel e que no ano anterior também havia recusado viver Margaret Tatcher em A Dama de Ferro.


Fora a estatueta de melhor ator, o longa de Spielberg saiu apenas com o Oscar de melhor direção de arte, um prêmio que esperava que fosse para As Aventuras de Pi, repetindo a avalanche de prêmios técnicos e artísticos do filme de Ang Lee. Mas depois tudo fez sentido por Lincoln ser um filme de gabinete e reproduzir com precisão de detalhes os espaços que servem de cenário para os principais diálogos do longa.


Anne Hathaway também era aposta certa como melhor atriz coadjuvante por Os Miseráveis. E como a atriz disse em seu próprio discurso, o sonho se tornou realidade. Mas tudo favoreceu a moça naquela cerimônia, além de ter cantado ao vivo com o elenco do musical de Tom Hooper, sua apresentação foi precedida dos números musicais de Catherine Zeta-Jones e Jennifer Hudson, atrizes que venceram anteriormente na categoria por musicais. Aliás tudo favoreceu o filme naquela noite (estava quase convencido de que Jackman poderia ser uma zebra e levar a estatueta de melhor ator do favorito Day-Lewis), afinal a cerimônia era uma homenagem aos musicais e Os Miseráveis era o único representante do gênero na noite. O filme também recebeu outras duas estatuetas, a de melhor maquiagem e de melhor mixagem de som, ambas bem previsíveis também.


Além de melhor atriz, outra categoria disputadíssima nesse ano era a de melhor ator coadjuvante. Todos os indicados já foram vencedores do prêmio e não havia desempenho destoante, tanto que em outras premiações as vitórias foram distribuídas, com uma pontinha de favoritismo para Tommy Lee Jones e a ascensão do nome de Robert DeNiro nas bolsas de apostas. Mas o vencedor esse ano foi o ganhador do Globo de Ouro, Christoph Waltz, por Django Livre. Trata-se da segunda vitória do ator, em curtíssimo espaço de tempo, por um filme de Quentin Tarantino, a anterior foi por Bastardos Inglórios na edição de 2010 do prêmio.

Waltz fez um discurso espirituoso logo no início da festa, reverenciando o talento de Tarantino e sua vitória foi um demonstrativo da aceitação do cineasta na Academia. Blocos mais tarde, o longa receberia uma segunda estatueta, a de melhor roteiro original, segundo Oscar da carreira de Tarantino (o anterior foi na mesma categoria em 1995 por Pulp Fiction). E mais uma vez vou deixar bem claro, apesar de ser um dos filmes mais populares da filmografia do cineasta, não vejo Django Livre como um Tarantino na melhor forma e o amor que tenho por sua filmografia não pode ser maior do que a constatação de que seu recente longa tem seus percalços, entre eles, o desnecessário terceiro ato. 

A disputa pelo prêmio de roteiro original deve ter ficado entre ele e A Hora mais Escura, meu favorito na categoria, e que saiu apenas com o prêmio de melhor som. Por sinal, o filme de Kathryn Bigelow protagonizou um momento raro na história da Academia, empatou com 007 - Operação Skyfall em melhor som, uma das surpresas que movimentou a noite.


007 - Operação Skyfall também recebeu o óbvio prêmio de melhor canção original por "Skyfall", que tinha entre seus compositores Adele. O novo longa da franquia protagonizada por James Bond fez história na Academia, sendo o filme com maior número de vitórias no Oscar até hoje, dois prêmios.

Também fora da lista de indicados a melhor filme, o controverso romance de Joe Wright baseado no clássico de Tolstói, Anna Karenina levou a esperada estatueta de melhor figurino.

A animação da Pixar, Valente, foi escolhida como o melhor longa de animação. Uma surpresa, já que Detona Ralph e Frankenweenie monopolizaram as atenções e Valente foi um dos filmes da Pixar com a recepção mais fria até hoje. 

Entre os curtas e na categoria documentário não existiram surpresas. Talvez o mais próximo que tenhamos chegado do espanto foi a vitória de Inocente como melhor curta de ficção em live action, quando todos esperavam que Curfew fosse faturar o prêmio.

No geral, a distribuição de prêmios foi igualitária em um ano mais acirrado que o habitual e que contava com super-produções indicadas a melhor filme, algo que não acontecia há um certo tempo. Se houve justiça, difícil dizer. Todo prêmio é um consenso e as decisões têm que ser compreendidas com um olhar sobre quem as faz. No caso, um grupo numeroso de profissionais da área, com amizades escancaradas e pensamento do público médio, com pontos isolados de grupos que pensam o cinema como arte, o cinema crítico (o mesmo grupo que conseguiu a entrada de longas como Amor A Hora mais Escura, mas que não é o suficiente para garantir a vitória na soma dos votos. Em alguns casos acontece de agradar os dois perfis de votantes, como foi o caso de Django Livre, mas em outros é extremamente difícil quebrar a resistência. O que podemos fazer é nos conformar e não levar tão a sério assim. O que vale mesmo na temporada é o entretenimento, a brincadeira. É isso que aprendi com 14 anos acompanhando a transmissão do Oscar, sobretudo com essa temporada que, em um movimento raro, trouxe grandes produções com inegável qualidade artística.

As Aventuras de Pi
Vencedor de 4 0scars
Melhor Diretor
Melhor Fotografia
Melhor Trilha Sonora Original
Melhores Efeitos Visuais ou Especiais

Argo
Vencedor de 3 Oscars
Melhor Filme
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Montagem

Os Miseráveis
Vencedor de 3 Oscars
Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway)
Melhor Maquiagem
Melhor Mixagem de Som

Django Livre
Vencedor de 2 Oscars
Melhor Roteiro Original
Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz)

Lincoln
Vencedor de 2 Oscars
Melhor Ator (Daniel Day-Lewis)
Melhor Direção de Arte

007 - Operação Skyfall
Vencedor de 2 Oscars
Melhor Canção Original ("Skyfall")
Melhor Som

O Lado Bom da Vida
Vencedor de 1 Oscar
Melhor Atriz (Jennifer Lawrence)

Amor
Vencedor de 1 Oscar
Melhor Filme em Língua Estrangeira

Anna Karenina
Vencedor de 1 Oscar
Melhor Figurino

A Hora mais Escura
Vencedor de 1 Oscar
Melhor Som

Valente
Vencedor de 1 Oscar
Melhor Longa de Animação

Curtas e Documentários:
Melhor Documentário: Searching for Sugar Man
Melhor Curta Documentário: Open Heart
Melhor Curta de Animação: Paperman
Melhor Curta de Ficção (Live Action): Inocente

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Guia Oscar 2013 - Os filmes e os palpites finais

Lista de indicados aqui

Argo
Palpite: Vencedor de 3 Oscars
Melhor filme, roteiro adaptado e montagem

Com a maioria dos prêmios dos sindicatos, Argo tornou-se o favorito da temporada passando para trás Lincoln. Difícil outro candidato levar melhor filme, sobretudo após o sentimento de injustiça que pairou sobre Hollywood após a esnobada da Academia a Ben Affleck na categoria de direção. Como estatisticamente o melhor filme nunca sai com menos de três estatuetas da mão e por ser um ano muito competitivo, o palpite é que Argo sairá do Dolby Theatre com exatos três prêmios. Os palpites imediatos são o Oscar de melhor roteiro adaptado para Chris Terrio, compensando a ausência de Affleck como diretor, e a montagem. 

Possibilidade em: Som e mixagem de som

Chances por uma zebra: ator coadjuvante (Alan Arkin) e trilha sonora original

Lincoln
Palpite: Vencedor de 3 Oscars
Melhor Diretor, ator (Daniel Day-Lewis) e melhor ator coadjuvante (Tommy Lee Jones)

A grande certeza em Lincoln é a vitória de Daniel Day-Lewis como melhor ator. Nem as antes certas estatuetas de diretor e ator coadjuvante estão tão certas assim. O grande empecilho que o filme enfrenta neste momento é aquele enfrentado por todo longa que mesmo antes da temporada já tem cara de favorito, a perda de fôlego entre janeiro e fevereiro, quando os prêmios de fato são entregues. Atualmente, Spielberg enfrenta a possibilidade de Ang Lee vencer como melhor diretor (já que Lincoln encontra-se com chances menores de levar o prêmio de melhor filme, os votantes podem se sentir desobrigados em votar em Spielberg) e a categoria em que Tommy Lee Jones concorre é a mais disputada, com todos tendo chances de ganhar. Além do que, nas últimas semanas, começaram alguns burburinhos em torno de Robert DeNiro e seu retorno aos bons desempenhos em O Lado Bom da Vida

Possibilidade em: Filme, atriz coadjuvante (Sally Field), roteiro adaptado, trilha sonora original, figurino 

Chances por uma zebra: Montagem, fotografia, direção de arte, mixagem de som.

As Aventuras de Pi
 Palpite: Vencedor de 4 Oscars
Melhores efeitos visuais ou especiais, fotografia, direção de arte e trilha sonora original

As Aventuras de Pi deve repetir o mesmo caso de filmes como A Invenção de Hugo Cabret, A Origem e Avatar no Oscar. Como grande feito cinematográfico que é levará uma boa combinação de prêmios técnicos e artísticos que incluem efeitos visuais ou especiais (seria um desaforo qualquer candidato levar em seu lugar, apesar da ameaça do primeiro capítulo de O Hobbit ser um azarão aqui); a dobradinha fotografia e direção de arte; e a trilha sonora de Mychael Danna, um dos trabalhos mais elogiados do ano no departamento. Há ainda a possibilidade de Ang Lee levar o prêmio de melhor direção no lugar de Spielberg, mas daí já seriam 5 Oscars... Será que é bom reconsiderar algumas apostas?

Possibilidade em: Diretor (Ang Lee)

Chances por uma zebra: Filme, roteiro adaptado, montagem, canção original ("Pi's Lullaby"), som, mixagem de som

A Hora mais Escura
Palpite: Vencedor de 2 Oscars
Melhor roteiro original e melhor som

Teria a Academia coragem de dar a vitória ao controverso roteiro de Mark Boal após a esnobada em Kathryn Bigelow na categoria de melhor direção ou eles apostariam no mais óbvio, o roteiro de Quentin Tarantino em Django Livre (antes que os fãs xiitas do diretor me apedrejem, me refiro assim porque Tarantino sempre é uma excelência nesse departamento)? Vou arriscar em A Hora mais Escura como melhor roteiro original por ser um tipo de trabalho que costuma ser premiado na categoria (mais racional e cheio de meandros). Também aposto que o filme de Bigelow leve o Oscar de melhor som, apesar de ter como principal adversário o favorito a melhor filme Argo, que também pode levar nessa categoria caso a Academia queira mesmo reparar a injusta omissão com Affleck. A vida não será fácil para A Hora mais Escura no Oscar. Mas o que foi fácil para Kathryn Bigelow e seus parceiros nessa temporada?

Possibilidade em: Montagem e atriz (Jessica Chastain)

Chances por uma zebra: Filme

O Lado Bom da Vida
Palpite: Vencedor de 1 Oscar
Melhor atriz (Jennifer Lawrence)

Por mais que exista um movimento a favor de Emmanuelle Riva, de Amor, como vencedora do Oscar de melhor atriz, a história da Academia nos mostra injustiças como as de 1998, quando Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado) venceu Cate Blanchett (Elizabeth) e Fernanda Montenegro (Central do Brasil), e de 2005, quando Reese Whiterspoon (Johnny e June) venceu Felicity Huffman (Transamérica). O Oscar adora as chamadas babes, jovens atrizes em comédias simpáticas como esta. No entanto, vou adorar errar o palpite se ver Riva, Wallis, Watts ou Chastain levar a melhor. O filme também é um forte candidato em melhor ator coadjuvante, uma onda recente a favor de Robert DeNiro, e em roteiro adaptado, caso os votos de Lincoln e Argo empatem. Além disso, é um filme dos Weinsteins e eles vendem a mãe por uma estatueta do Oscar! É só ver o histórico da dupla de produtores com a Academia.

Possibilidade em: Ator coadjuvante (Robert DeNiro) e roteiro adaptado

Chances por uma zebra: Filme, direção (David O.Russell), Ator (Bradley Cooper), atriz coadjuvante (Jacki Weaver) e montagem

Django Livre
Palpite: Não ganhará prêmios

 Tarantino já levou um Oscar pelo roteiro de Pulp Fiction. Não existindo sentimento de culpa da Academia com o cineasta, porque cargas d'água ele levaria o Oscar por Django Livre, que nem é o seu melhor trabalho? A justificativa mais óbvia é a falta de concorrência. Se a Academia considerar que o roteiro de A Hora mais Escura é polêmico demais e pode gerar problemas para a instituição, eles vão preferir Django Livre. Outra categoria na qual o filme de Tarantino pode levar é ator coadjuvante, antes da ascensão de DeNiro nas bolsas de apostas, o nome de Waltz era apontado como o concorrente direto de Tommy Lee Jones na categoria. Esse sim seria um prêmio justo para o filme.

Possibilidade em: Roteiro original e ator coadjuvante (Christoph Waltz)

Chances por uma zebra: Filme, fotografia e som

Os Miseráveis
Palpite: Vencedor de 3 Oscars
Melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway), maquiagem e mixagem de som

Anne Hathaway praticamente não tem adversária. Assim, Os Miseráveis já tem um Oscar garantido, o de atriz coadjuvante. O musical também está cotado como melhor mixagem de som, pelo trabalho que deu harmonizar os números musicais "ao vivo" com a orquestra gravada em estúdio, além da neutralização ambiente. Nesse departamento, o resultado ficou muito bom  e fica difícil competir até mesmo com Argo. Já o Oscar de maquiagem (lembrando que é maquiagem e cabelos) vai para o filme por falta de concorrente melhor (O Hobbit é um universo revisitado e Hitchcock praticamente imobilizou as expressões de Anthony Hopkins caracterizado como o cineasta). Os planos fechados e inclinados impossibilitam qualquer apreciação do figurino ou da direção de arte, por isso não os considero favoritos, mas não descarto suas vitórias.

Possibilidade em: figurino, direção de arte e canção original ("Suddenly")

Chances por uma zebra:Filme e ator (Hugh Jackman)

Amor
Palpite: Vencedor de 1 Oscar
Melhor Filme Estrangeiro

Concorrer com um filme que está na categoria principal, a de melhor filme, chega a ser covardia. O melhor filme em língua estrangeira será Amor, não resta dúvidas. Se fosse apostar em uma zebra seria no chileno No. Quanto a Emmanuelle Riva, foi o que disse parágrafos atrás, existe a possibilidade e tudo favorece a atriz, mas por outro lado penso nos votantes e como se trata de uma maioria, não sei se a francesa é a primeira opção de muitos. O caminho mais fácil é Jennifer Lawrence. Em tempo, caso a Academia não premie A Hora mais Escura em roteiro original, será muito bom ver Amor vencer na categoria. Um sonho que acredito ser distante, mas não custa nada sonhar.

Possibilidade em: Atriz (Emmanuelle Riva)

Chances por uma zebra: Filme, diretor (Michael Haneke), roteiro original

Indomável Sonhadora
Palpite: Não ganhará prêmios

Foi muita sorte Indomável Sonhadora ter entrado e, pode soar piegas, seus realizadores devem estar radiantes só pelo fato de participar do Oscar e das oportunidades que as indicações podem lhe proporcionar em novos projetos. Se existirem chances, elas estão em roteiro adaptado, mas ai é preciso vencer uma competição com Argo, Lincoln e O Lado Bom da Vida; e atriz, outra categoria difícil em que Quvenzhané Wallis disputa atenções com Emmanuelle Riva e Jennifer Lawrence. Apesar de que, Wallis tem o apelo de ser uma criança e isso pode atrais votantes.

Possibilidade em: Roteiro adaptado e atriz (Quevenzhané Wallis)

Chances por uma zebra: Filme, diretor (Benh Zeitlin)

Não indicados a melhor filme que podem ser premiados


Entre os filmes que não estão concorrendo ao Oscar de melhor filme, mas que também receberam indicações nessa edição dos prêmios da Academia, três têm chances de levar estatuetas. São eles:

Detona Ralph --> Deve ser o vencedor na categoria melhor longa de animação, apesar de enfrentar Frankenweenie de Tim Burton  e a falta de estatuetas no currículo do diretor;

Anna Karenina --> O drama inglês baseado no romance de Tolstoi foi indicado a 4 Oscars (trilha sonora original, figurino, direção de arte e fotografia). Deve levar o prêmio de melhor figurino, ainda que enfrente a concorrência de longas indicados a melhor filme nesta categoria, as mais pesadas são de Lincoln e Os Miseráveis. Existe também a possibilidade de levar em direção de arte, caso a dobradinha prevista para As Aventuras de Pi (efeitos visuais e direção de arte) não ocorra;

007 - Operação Skyfall --> Adele levará o Oscar de melhor canção por Operação Skyfall, que concorre a 5 prêmios (fotografia, trilha sonora original, canção original, som e mixagem de som). Há também a possibilidade do filme levar o prêmio de melhor fotografia, caso Pi não vença na categoria.

Outros longas indicados em mais de uma categoria como O Mestre (3 indicações; ator, ator coadjuvante e atriz coadjuvante), O Hobbit - Uma Jornada Inesperada (3 indicações; direção de arte, maquiagem e efeitos visuais), O Voo (2 indicações, ator e roteiro original) e Branca de Neve e o Caçador (2 indicações; figurino e efeitos visuais) não devem levar estatuetas para casa.

Apostas do blog:

Melhor Filme: Argo
Melhor Diretor: Steven Spielberg, Lincoln
Melhor Roteiro Original: A Hora mais Escura
Melhor Roteiro Adaptado: Argo
Melhor ator: Daniel Day-Lewis, Lincoln
Melhor atriz: Jennifer Lawrence, O Lado Bom da Vida
Melhor atriz coadjuvante: Anne Hathaway, Os Miseráveis
Melhor ator coadjuvante: Tommy Lee Jones, Lincoln
Melhor filme estrangeiro: Amor
Melhor fotografia: As Aventuras de Pi
Melhor direção de arte: As Aventuras de Pi
Melhor figurino: Anna Karenina
Melhor trilha sonora original: As Aventuras de Pi
Melhor maquiagem: Os Miseráveis
Melhores efeitos visuais ou especiais: As Aventuras de Pi
Melhor longa de animação: Detona Ralph
Melhor canção original: "Skyfall", 007 - Operação Skyfall
Melhor som: A Hora mais Escura
Melhor mixagem de som: Os Miseráveis
Melhor documentário: Searching for Sugarman
Melhor curta documentário: Open Heart
Melhor curta ficção: Curfew
Melhor curta animado: Paperman

Pequeno notável

Cruel e sensível, o modesto Indomável Sonhadora mostra um país poucas vezes retratado nas telonas


Em uma região remota ao Sul da Louisiana, nos EUA, a garotinha Hushpuppy mora sozinha com seu pai em condições precárias. Ela e seus vizinhos sobrevivem à pobreza por não ter melhor opção e graças a válvulas de escape que eles mesmos criam. No caso de Hushpuppy, como é comum a toda e qualquer criança com seis anos de idade, cada dificuldade imposta pela vida é suavizada por meio de lendas sobre grandes bestas pré-históricas ou na preservação da presença de sua mãe em seu cotidiano na Banheira, como o lugar em que mora é conhecido em função dos constantes alagamentos causados por temporais.

Através dessa premissa, Indomável Sonhadora flerta com o chamado realismo fantástico - meio que passeia na proposta de Onde Vivem os Monstros -, mas Benh Zeitlin, seu diretor e roteirista, é bem claro em suas intenções: mostrar uma dura - e inédita nos cinemas, ao menos como foi retratada - realidade norte-americana através do olhar de uma criança. Hushpuppy é jogada nas mais terríveis condições e forjada ao endurecimento precoce para evitar maiores sofrimentos, ainda que seu pai, vez ou outra ensaie movimentos de recuo e ceda à constatação de que ela é apenas uma meninha cujo contexto já é ingrato e perverso o suficiente e que por vezes ceder às lágrimas é necessário.

Zeitlin concentra seu olhar preciso no universo ao redor de Hushpuppy e na própria narradora da história, interpretada encantadoramente por Quvenzhané Wallis, cujo instinto a leva por decisões extremamente maduras para qualquer candidata a atriz na sua idade (lembrando que na época em que o filme foi rodado ela tinha apenas cinco anos!). Wallis mescla doçura, encantamento pelo mundo e valentia em cada frame de Indomável Sonhadora tornando sua Hushpuppy a protagonista ideal dessa história árida contada com otimismo cru (todos ali estão cientes de sua condição e procuram fazer o melhor que podem com o pouco que têm).

Narrado com consciência cinematográfica de planos e contando com o magnetismo cênico da jovem Quvenzhané, Indomável Sonhadora aponta para novas possibilidades que o cinema independente norte-americano pode orientar-se, indo para uma estrada oposta a que seguiu o sonolento e cheio de marcações manjadas O Lado Bom da Vida. Trata-se de um filme com poucos recursos e que utiliza imaginação, improviso e muito talento para contar histórias de personagens críveis e latentes no cotidiano daquele país, mas que são esquecidos pelos meios massificados. Cabe a esse cinema revelá-los em suas paradoxais graças e tragédias.




Beasts of the Southern Wild, 2012. Dir.: Benh Zeitlin. Roteiro: Benh Zeitlin e Lucy Alibar. Elenco: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly, Gina Montana, Lowell Landes, Pamela Harper, Amber Henry, Jonshel Alexander, Nicholas Clark. 93 min. Imagem Filmes.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Guia Oscar 2013 - Diretores


Steven Spielberg
Lincoln

Dos cinco, o mais experiente na premiação. Spielberg é um dos símbolos do cinema escapista norte-americano e um dos poucos que conseguem aliar entretenimento, qualidade artísticas e suas marcas como autor. Seu primeiro longa-metragem foi o modesto Encurralado, de 1972, que nasceu como telefilme e fez tanto sucesso que foi distribuído nos cinemas e tornou-se um dos maiores sucessos de bilheteria do verão norte-americano naquele ano. O grande salto na carreira de Spielberg foi em 1975 com seu terceiro longa-metragem, Tubarão, um marco na história do entretenimento norte-americano que impulsionou a proliferação das grandes produções nos estúdios hollywoodianos programadas para a temporada de férias nos EUA, o blockbuster ganhou corpo com esse filme. Após 1975, Spielberg engatou um sucesso atrás do outro, Contatos Imediatos de Terceiro Grau Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida foram os principais. E.T. - O Extraterrestre foi outro momento marcante da carreira do diretor. Com ele, Spielberg conseguiu a maior arracadação do cinema até então e ainda recebeu indicações em diversos prêmios. Depois de E.T., a preocupação de Spielberg era mostrar seu lado mais "sério" em dramas como A Cor Púrpura e O Império do Sol. Em 1993, ele retorna aos blockbusters com um filme que marcou outra geração, Jurassic Park. A consagração artística do diretor veio no mesmo ano com A Lista de Schindler, filme que lhe rendeu seus primeiros Oscars e que resgatava um pouco de sua história pessoal já que o diretor é descendente de judeus. O feito se repetiu em 1998, quando Spielberg venceu outro Oscar como melhor diretor por O Resgate do Soldado Ryan, apesar de ter amargado no mesmo ano a derrota na categoria melhor filme, o eleito foi Shakespeare Apaixonado. Outros filmes do diretor que compõem sua extensa filmografia são A. I. - Inteligência Artificial, Minority Report, Guerra dos Mundos, Munique e, mais recentemente, Cavalo de Guerra. Spielberg também tem uma lista de filmes de outros diretores produzidos por ele, como é o caso de sua parceria com Clint Eastwood em Cartas de Iwo Jima ou com J.J. Abrams em Super 8.

Suas chances: Tornou-se o favorito na categoria pela ausência de Ben Affleck. Já que Lincoln será rival direto de Argo durante toda a cerimônia é bem possível que este Oscar seja de Spielberg.

Vitórias anteriores: melhor diretor por O Resgate do Soldado Ryan (1998), melhor diretor e melhor filme por A Lista de Schindler (1993). *

Indicações anteriores: melhor filme por Cavalo de Guerra (2011), melhor filme por Cartas de Iwo Jima (2006), melhor diretor e melhor filme  por Munique (2005), melhor filme por O Resgate do Soldado Ryan (1998), melhor filme por A Cor Púrpura (1985), melhor diretor e melhor filme por E.T. - O Extraterrestre (1982), melhor diretor por Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981), melhor diretor por Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977).*


Ang Lee
As Aventuras de Pi

O taiwanês Ang Lee estudou cinema nos EUA e estreou na carreira em 1993 com o filme A Arte de Viver. O diretor, no entanto, estourou mesmo no ano seguinte, quando ganhou prêmios no Festival de Berlim e uma indicação ao Globo de Ouro pelo filme O Banquete de Casamento. Em 1995, Lee roda seu primeiro filme com um elenco internacional, a adaptação do romance de Jane Austen Razão e Sensibilidade, roteirizado por Emma Thompson (que ganhou o Oscar de roteiro adaptado e está no elenco do romance) e que conta com a presença de Hugh Grant e Kate Winslet, que recebeu sua primeira indicação ao Oscar aqui.  Com o sucesso do romance, Lee dirigiu o cultuado Tempestade de Gelo e Cavalgada com o Diabo. Em 2000, o diretor voltou a filmar em seu país de origem e conseguiu uma façanha conquistada por poucos filmes estrangeiros com O Tigre e o Dragão, ser indicado ao Oscar de melhor filme e de melhor filme estrangeiro. O sucesso do longa rendeu ao sensível diretor o convite para dirigir a adaptação para o cinema de um dos mais icônicos personagens da Marvel, Hulk. Hulk, de 2003, com Eric Bana e Jennifer Connelly, custou uma grande dor de cabeça ao diretor e rendeu críticas exaltadas ao tratamento que Lee deu ao personagem, privilegiando o drama em detrimento da ação (particularmente, uma discussão tola). O cineasta se "redimiu" em 2005 com o polêmico O Segredo de Brokeback Mountain, romance gay que "brinca" com um dos principais símbolos de masculinidade da cultura norte-americana, o cowboy. O filme rendeu o Oscar de melhor diretor para Ang Lee, que perdeu o prêmio de melhor filme para Crash - No Limite. Em 2007, o diretor retornou às suas origens com o drama erótico oriental Desejo e Perigo, filme que ganhou o Festival de Veneza naquela edição.

Suas chances: Principal oponente de Spielberg na categoria. 

Vitórias anteriores: melhor diretor por O Segredo de Brokeback Mountain (2005).

Indicações anteriores: melhor diretor e filme por O Tigre e o Dragão (2000). *


Michael Haneke
Amor

 Amor é a primeira oportunidade de Haneke pisar na cerimônia de entrega dos prêmios da Academia de Hollywood como indicado direto. Antes desse longa, Haneke esteve no Oscar com A Fita Branca, vencedor do Festival de Cannes de 2010 e indicado a melhor filme estrangeiro e a melhor fotografia aos prêmios da Academia. O austríaco, conhecido por seu tom provocativo e sádico, sempre "brincando" com a certeza de domínio da narrativa que o público tem da história que está assistindo, começou a carreira na televisão e estreou no cinema em 1989. Haneke, no entanto, atingiu reconhecimento internacional somente em 2001 com o drama A Professora de Piano, que ganhou três prêmios no Festival de Cannes. Em 2005, retornou ao festival ganhando a Palma de Ouro de direção por Caché, um de seus trabalhos mais elogiados. Em 2007, Haneke revisitou sua própria obra, refilmando o cultuado longa que concebeu em 1997, Violência Gratuita, desta vez com um elenco de peso composto por Naomi Watts, Tim Roth e Michael Pitt. 

Suas chances: Como esse ano a aposta é de que o prêmio de melhor filme e diretor não coincidam, existem rodas que especulam que a Academia pode surpreender concedendo uma vitória a um estrangeiro na categoria. É uma possibilidade, caso não dê Ang Lee ou Spielberg.

Vitórias anteriores: - 

Indicações anteriores: -  


Benh Zeitlin
Indomável Sonhadora

Grande sortudo da noite, Benh Zeitlin conseguiu duas indicações ao Oscar para si em sua estreia em longa-metragens. Ele concorre em melhor roteiro adaptado, com sua parceira Lucy Alibar, de quem é amigo desde a adolescência, e como melhor diretor por Indomável Sonhadora, filme que custou modestos U$ 2 milhões de dólares e que levou Zeitlin ao pódium com exibições, elogios e prêmios em festivais de todo o mundo. Antes de dirigir em live action, Benh passou um tempo trabalhando com animações em Praga e como professor em escolas de cinema de Nova York. 

Suas chances: Só o fato de ter conseguido uma indicação quando tudo estava contra é motivo de comemoração. Talvez seja o único da lista que não tenha chances.

Vitórias anteriores: -

Indicações anteriores: -


David O.Russell
O Lado Bom da Vida

Conhecido por seu comportamento explosivo com os atores nos sets de filmagens, nos últimos anos, David O.Russell tem curiosamente sido reconhecido como um grande agregador de elencos. As quatro indicações que conseguiu para O Lado Bom da Vida nas categorias de interpretação foram precedidas pelas menções aos trabalhos de Christian Bale, Amy Adams e Melissa Leo no Oscar de 2011 por O Vencedor, filme anterior do diretor. Bale e Leo ganharam a estatueta como coadjuvantes naquele ano e Jennifer Lawrence segue favorita ao Oscar de melhor atriz por O Lado Bom da Vida nessa edição do prêmio. Paradoxalmente, O.Russell conseguiu desafetos em três de seus filmes: Três Reis, Huckabees - A Vida é uma Comédia e no já citado O Vencedor. Em Três Reis, de 1999, teve uma desavença com George Clooney que dura até hoje. Huckabees - A Vida é uma Comédia rendeu ofensas e xingamentos constrangedores entre o diretor e a atriz Lily Tomlin, todas filmadas e disponibilizadas no YouTube anos depois do filme ser lançado. Recentemente, O.Russell cortou relações com Mark Wahlberg, um dos poucos atores que esteve em todos os seus filmes até então. Wahlberg interpretaria o papel que coube a Bradley Cooper em O Lado Bom da Vida, mas recusou o convite e a decisão parece não ter agradado o diretor.

Suas chances: Como já mencionado, o fato de conseguir extrair bons desempenhos de seu elenco pode ser um bônus para O.Russell ser eleito pela Academia, composta em sua maioria por atores. Se O Lado Bom da Vida conseguir mais prêmios que o previsível (mas nem tão certo) Oscar de melhor atriz para Jennifer Lawrence, David O.Russell pode vencer na categoria. É uma pena que O Lado Bom da Vida não seja seu melhor trabalho e tenha inibido todas as características do diretor por trás da embalagem de uma comédia romântica indie que não quer ser uma simples comédia romântica (mas é).

Vitórias anteriores: -

Indicações anteriores: melhor diretor por O Vencedor (2010).


*As indicações ou prêmios de melhor filme ocorreram porque eles foram os produtores dos títulos mencionados