terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Guia Oscar 2013 - Atores

Protagonistas...


Daniel Day-Lewis
Lincoln

Dedicado e estudioso, Daniel Day-Lewis é uma das poucas unanimidades atuais. Conhecido por seu processo de imersão nos personagens, algo que beira a paranoia, o ator escolhe a dedo seus projetos e por vezes passa anos longe das telas. Estreou no cinema em Gandhi, filme de Richard Attenborough que ganhou 8 Oscars em 1982, e de lá para cá já atuou em Minha Adorável Lavanderia, A Insustentável Leveza do Ser, O Último dos Moicanos e A Época da Inocência. Em momento extremo, chegou a anunciar aposentadoria e começou a se dedicar à confecção de calçados na Inglaterra. Retornou em 2002 pelas mãos de Martin Scorsese em Gangues de Nova York e repensou sua decisão. 

Suas chances: Não há concorrência, Daniel Day-Lewis levará o terceiro Oscar de sua carreira e será o único ator a ter três prêmios na categoria principal em toda a história da premiação. Perto dele, só Jack Nicholson, que possui um Oscar de coadjuvante entre as três estatuetas que recebeu.

Vitórias anteriores: melhor ator por Sangue Negro (2007) e melhor ator por Meu Pé Esquerdo (1989).

Indicações anteriores: melhor ator por Gangues de Nova York (2002) e melhor ator por Em Nome do Pai (1993).


Hugh Jackman
Os Miseráveis

O australiano se tornou ícone pop ao interpretar o mutante Wolverine nos filmes da série X-Men. Por conta de sua aceitação no papel, seguiram outros blockbusters que fizeram a fama de Jackman como o herói de ação de Hollywood dos anos 2000, entre eles o desastroso Van Helsing e o recente Gigantes de Aço. Mas Jackman sempre colecionou elogios nos palcos e venceu o Tony, prêmio máximo da Broadway, pelo musical The Boy from Oz, em 2004. Desde então, ele tenta se colocar como um ator "sério" e já teve colaborações esforçadas com diretores como Christopher Nolan (O Grande Truque), Woody Allen (Scoop - O Grande Furo), Darren Aronofsky (Fonte da Vida) e Baz Luhrmann (Austrália), mas nenhuma delas deu certo. O máximo que chegou na temporada de prêmios do cinema foi apresentar a cerimônia do Oscar de 2009, muito bem sucedida, por sinal. Parecia que a primeira indicação de Jackman ao prêmio estava predestinada ao que o ator sabe fazer de melhor, musicais. Os Miseráveis é o primeiro de sua carreira nas telonas e certamente não será o único.

Suas chances: Já deve estar feliz da vida por ter conseguido o primeiro reconhecimento após tantas bolas na trave.

Vitórias anteriores: -

Indicações anteriores: -


Bradley Cooper
O Lado Bom da Vida

Ainda que preferisse ver o nome de John Hawkes de As Sessões na lista ao invés do seu, Bradley Cooper teve um desempenho surpreendente em O Lado Bom da Vida. O ator começou na TV nos seriados Sex and the City, Alias e Nip/Tuck. Por conta da estampa de galã, conseguiu aos poucos se firmar na comédia como antagonista. Sim Senhor e O Roqueiro foram seus primeiros trabalhos até vir Se Beber, não Case!, sucesso de 2009 que alavancou sua carreira. Depois disso, se esforçou com pouco êxito em dramas como Sem Limites e As Palavras. Ao que tudo indica, encontrou em David O.Russell o diretor certo já que, depois do sucesso de O Lado Bom da Vida, voltará a protagonizar mais um filme do diretor, previsto para estrear 2014.  

Suas chances: Cooper conseguiu tirar boa parte da antipatia e do preconceito que muitos tinham por ele com O Lado Bom da Vida. Outro caso de "para quem nunca foi indicado, a menção na categoria já está de bom tamanho".

Vitórias anteriores: -

Indicações anteriores: -


Denzel Washington
O Voo

Trata-se do indicado com maior histórico na Academia. O Voo é a sexta indicação da carreira de Denzel Washington, que foi revelado em Um Grito de Liberdade, de 1987, apesar de trabalhar no cinema desde 1980. Washington é um dos ídolos da comunidade negra americana, sempre celebrado ao lado de nomes como Sidney Poitier, a quem dedicou sua segunda vitória no Oscar em 2001, ocasião em que dois negros venceram a premiação nas categorias principais, ele em Dias de Treinamento e Halle Berry em A Última Ceia. Outros trabalhos famosos do ator são Filadélfia, O Colecionador de Ossos e Nova York Sitiada. Também é conhecido por suas parcerias, algumas bem sucedidas e outras nem tanto, com os irmãos Ridley e Tony Scott, como Chamas da Vingança, Déjà Vu e O Gângster.

Suas chances: Poucas. Nos prêmios em que foi indicado não obteve vitórias.

Vitórias anteriores: melhor ator por Dia de Treinamento (2001) e melhor ator coadjuvante por Tempo de Glória (1989)

Indicações anteriores: melhor ator por Hurricane - O Furacão (2000), melhor ator por Malcolm X (1992) e melhor ator coadjuvante por Um Grito de Liberdade (1987).


Joaquin Phoenix
O Mestre

Conhecido por seu comportamento explosivo, principalmente quando está com um microfone nas mãos, Joaquin Phoenix começou a temporada como favorito já que seu desempenho foi ovacionado no último Festival de Veneza. No entanto, o ator foi grosso com jornalistas e disse não precisar de prêmios. Apesar de voltar atrás em tudo o que fez, acabou perdendo lugar para a avassaladora performance de Daniel Day-Lewis em Lincoln. A história de Phoenix com o cinema começou por influência de seu irmão River Phoenix, ídolo das décadas de 1980-1990 que faleceu em virtude de uma overdose de drogas em 1994. Assim como aconteceu com seu irmão, a carreira de Joaquin, antes creditado como Leaf Phoenix, decolou nas telonas quando atuou em Um Sonho sem Limites, filme de Gus Van Sant, no qual vivia um garoto que era seduzido pela diabólica e fria garota do tempo interpretada por Nicole Kidman. O nome de Phoenix voltou a gerar interesse em 2000 com o épico Gladiador e desde então ele esteve em filmes como Contos Proibidos do Marquês de Sade e 8 milímetros. O ator é parceiro habitual do diretor James Gray, com quem já fez Caminho sem Volta, Os Donos da Noite e Amantes. Em 2009, anunciou aposentadoria e disse que passaria a se dedicar ao rap. Um ano depois foi descoberto que tudo não passou de uma farsa filmada por Casey Affleck para um falso documentário chamado I'm still here, ainda inédito no Brasil.

Suas chances: Poderiam ser melhores caso não fosse sua boca suja e o lançamento antecipado de O Mestre nos cinemas (estreou em setembro, dois meses antes de Lincoln).

Vitórias anteriores: -

Indicações anteriores: melhor ator por Johnny e June (2005) e melhor ator coadjuvante por Gladiador (2000).

Coadjuvantes...


Tommy Lee Jones
Lincoln

Tommy Lee Jones começou a carreira no cinema com o cultuado romance da década de 1970, Love Story - Uma História de Amor. Na época era creditado como Tom Lee Jones. No entanto, sua melhor fase está na década de 1990, quando atuou em filmes como JFK, A Força em Alerta e O Fugitivo, que lhe rendeu seu único Oscar. Na maturidade, Jones encontrou sucesso comercial ao incorporar o tipo rabugento em longas como a comédia de ação alienígena MIB - Homens de Preto, parceria com Will Smith que teve mais duas continuações. Outras produções que trazem o seu nome são Onde os Fracos não Têm vez, Céu Azul Batman Eternamente. Jones também foi bem sucedido em sua carreira como diretor, especialmente no drama Três Enterros, de 2005.

Suas chances: Ganhou o SAG Awards na categoria, prêmio do Sindicato dos Atores, portanto o favorito. Mas nem tão favorito assim, a disputa esse ano em ator coadjuvante está acirrada e bem mais flexível que o de costume. Não será um susto se, com todos os prós, ele perder para DeNiro ou para Waltz.

Vitórias anteriores: melhor ator coadjuvante por O Fugitivo (1993).

Indicações anteriores: melhor ator por No Vale das Sombras (2007) e melhor ator coadjuvante por JFK - A Pergunta que não quer calar (1991).


Christoph Waltz
Django Livre

O austríaco foi revelado ao mundo recentemente, mas já está no ramo com propriedade de veterano. Waltz foi apresentado a todos por Quentin Tarantino como o vilão de Bastardos Inglórios e conquistou todos os prêmios da temporada, o que inclui a Palma de Ouro de melhor ator em Cannes e o Oscar de melhor ator coadjuvante. De 2009 para cá, o ator tem repetido o tipo em produções hollywoodianas como O Besouro Verde e Água para Elefantes. Trouxe novos ares na comédia ácida de Roman Polanski Deus da Carnificina, ao lado de Kate Winslet, Jodie Foster e John C.Reilly, mas não o suficiente para apagar da memória seu inesquecível e premiado Hans Landa. O frescor veio novamente pelas mãos de Quentin Tarantino em Django Livre.

Suas chances: Sua vitória no Globo de Ouro nos fez ficar com uma pulga atrás da orelha. O palpite pessoal é de que ele não vencerá, mas não será surpresa se isso acontecer.

Vitórias anteriores: melhor ator coadjuvante por Bastardos Inglórios (2009)

Indicações anteriores: -


Philip Seymour Hoffman
O Mestre

Hoffman tem uma respeitada formação teatral, no entanto, durante muitos anos, a sina do ator no cinema foi ser um coadjuvante de luxo. Mas ele não tinha do que reclamar, já que acompanhou a carreira de novos e importantes cineastas. Desde 1999 atua com diretores do calibre de Paul Thomas Anderson (Boogie Nights, , Magnólia e Embriagado de Amor), Anthony Minghella (O Talentoso Ripley e Cold Mountain), os irmãos Coen (O Grande Lebowski) e Cameron Crowe (Quase Famosos). Dessas experiências surgiu a grande oportunidade de viver Truman Capote em Capote, de 2005, interpretação que lhe rendeu o Oscar de melhor ator. Depois de sua vitória na premiação da Academia surgiram filmes como Antes que o Diabo saiba que você está morto, Dúvida, Missão Impossível 3, Sinedoque Nova York e agora atua novamente sob a batuta de Paul Thomas Anderson em O Mestre.

Suas chances: O mesmo caso de Joaquin, tirando o boca suja. Talvez, entre os indicados por O Mestre seja o que tem mais chances.

Vitórias anteriores: melhor ator por Capote (2005).

Indicações anteriores: melhor ator coadjuvante por Dúvida (2008) e melhor ator coadjuvante por Jogos do Poder (2007).


Robert DeNiro
O Lado Bom da Vida

Não lembrado pela Academia desde 1992, quando foi indicado por Cabo do Medo, Robert DeNiro foi nas décadas de 1970 e 1980 o que Daniel Day-Lewis é hoje: versátil, ousado e dedicado. É uma pena que o ator camaleônico de Taxi Driver e Touro Indomável, duas de suas parcerias com o realizador constante em sua carreira Martin Scorsese, tenha cedido espaço para o intérprete relaxado e careteiro das décadas de 1990 e dos anos 2000. Em O Lado Bom da Vida, no entanto, com muita discrição, o veterano dá sinais de vigor e de composição de um personagem. Que o longa tragas bons ventos para as próximas escolhas de DeNiro, notadamente o mais respeitado da lista.

Suas chances: Cresceram consideravelmente nas duas últimas semanas pela sensação de come back a ponto de ser apontado como o grande rival de Tommy Lee Jones.

Vitórias anteriores: melhor ator por Touro Indomável (1980) e melhor ator coadjuvante por O Poderoso Chefão II (1974)

Indicações anteriores: melhor ator por Cabo do Medo (1992), melhor ator por Tempo de Despertar (1991), melhor ator por O Franco Atirador (1978) e melhor ator por Taxi Driver (1976).


Alan Arkin 
Argo

Ator de prestígio na década de 1960, quando estourou com filmes como Os Russos estão chegando! Os Russos estão chegando! e Por que tem que ser assim?, Alan Arkin passou as décadas seguintes com tímidos trabalhos no cinema. Alguns papeis coadjuvantes tiveram destaque como em Edward Mãos de Tesoura, Gattaca e Os Queridinhos da América, mas nada que fizesse os olhos de críticos e do público brilharem. Tudo mudou quando o ator foi resgatado em 2006 pelos novatos Valerie Faris e Jonathan Dayton para atuar na comédia indie mais premiada daquele ano, Pequena Miss Sunshine, longa que lhe rendeu o Oscar, surrupiado com graça e autoridade do favorito naquele ano Eddie Murphy (Dreamgirls). Desde então, Arkin voltou à ativa e retornou ao páreo nesse ano com Argo.

Suas chances: Único integrante do elenco do filme indicado ao Oscar. Pode ter chances se a Academia quiser dar muitas, mas muitas estatuetas ao filme.

Vitórias anteriores: melhor ator coadjuvante por Pequena Miss Sunshine (2006).

Indicações anteriores: melhor ator por Por que tem que ser assim? (1968) e melhor ator por Os Russos estão chegando! Os Russos estão chegando! (1966).

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