terça-feira, 30 de abril de 2013

Neuroses cinéfilas: Como é difícil falar de cinema hoje em dia



É o constrangimento máximo para qualquer cinéfilo, quase um prenúncio do Apocalipse. O momento em que a vontade primeira é incorporar a Bette Davis em seu papel mais irônico e condenar o indivíduo por sua simples existência como pretenso amante do cinema (sim, me permito a essas humanidades...). 

Não tem nada mais embaraçoso do que ser puxado para um papo dessa forma. "Hum, você gosta de cinema?". Você já olha ressabiado para o indivíduo, mas tenta ser sociável. Quem sabe, né? Anda tão raro encontrar cinéfilos hoje em dia. Vamos lá: "Sou sim". "Eu também!". Nossa que bacana, mais uma pessoa a desafiar-te intelectualmente, te sugerir aquelas raridades, tesourinhos de locadora. Daí o sujeito simplesmente destroi o seu castelo de areia impiedosamente, tal qual uma criança inocente, Chaves com Quico no lendário episódio de Acapulco. "Você já assistiu A Reconquista, com John Travolta? E Gigli - Contato de Risco, com Ben Affleck e Jennifer Lopez? Muito bons!". Difícil contra-argumentar uma afirmação dessas feita com tamanha efusão e expectativa de retorno. O problema não é a menção a um filme ruim, mas a menção a verdadeiras bombas cinematográficas, unanimidades. Uma coisa é a divergência de opiniões sobre obras que ensejam pontos de vista diferentes. Sobre estas, não há como negar, o debate e os contrastes são imprescindíveis e não vejo problema nenhum em se predispor a mudar de opinião, ver um filme não tão querido assim por um outro ângulo. Outra coisa é encarar desastres cinematográficos nos quais pouca, mas pouca coisa mesmo se aproveita, só de porre! 

Quem já não foi surpreendido com o mau gosto alheio? O que dizer numa hora dessas?

Particularmente, não sei para onde olho, dou um sorriso amarelor e quando me pegam nos meus melhores dias, consigo elaborar alguma resposta, ainda que a mesma seja frustrante para o outro. Começo com um "veja bem" aqui, meço umas considerações ali, deixo claro que se trata de um argumento pessoal... (claro, não quero dizer que dez em cada dez seres humanos conscientes abominam A Reconquista ou Gigli). Mas é claro que fica um embaraço no ar.

No entanto, a maturidade, que ainda não bateu na minha porta em toda sua plenitude (ainda tenho muito que aprender), me fez ver que nem tudo na vida se resume a afinidades cinéfilas. Tenho amigos queridos que simplesmente não sabem absolutamente nada de cinema, mas são verdadeiras almas gêmeas, me divertem, inspiram e me confortam com suas considerações sobre a vida, seus conselhos e um incrível bom senso, serenidade e humor. Me ensinam coisas sobre as quais não tinha familiaridade, me abrem janelas. É o que mais prezo.

Então, hoje me sinto mais confortável a dar seguimento nas conversas com os apaixonados por A Reconquista, Gigli e outras bombas que profanam a cinefilia, sem preconceitos. Quem sabe não é uma oportunidade para mostrar o que existe de bom na sétima arte, algo que particularmente julgo ter o mínimo de domínio? É lindo ver desabrochar o interesse por algo tão mágico e transformador quanto o cinema. E talvez esse ser de gosto exótico me mostre coisas que eu também não conhecia ou mesmo coisas que julgava conhecer. 

sábado, 27 de abril de 2013

Fast Movie

Apesar da Marvel apostar em fórmulas para tornar Homem de Ferro 3 um sucesso, no final das contas, Robert Downey Jr. é quem faz toda a diferença no produto final



Em meados do século passado, Hollywood ganhou corpo como indústria, um processo balizado pelos grandes estúdios em ascensão. As produções que chegavam ao cinema eram pensadas pelos seus produtores e executivos, o diretor era um mero executor de orientações que visavam enquadrar o filme no gosto médio das grandes audiências. Quando o cinema norte-americano foi angariando seus primeiros autores cinematográficos, os filmes a "toque de caixa" dividiram espaço com trabalhos assinados por Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick e Martin Scorsese. Estúdios como a Universal e a Paramount tiveram que engolir a seco a opinião de profissionais que antes eram pouco ouvidos e que, agora, eram responsáveis diretos pelas "marcas" dos trabalhos que dirigiam. 

Toda essa "historinha" é pertinente para traçarmos um paralelo com o que anda se consolidando após a instituição da Marvel como um estúdio cinematográfico. De uns anos para cá, sinceramente, não consigo estabelecer distinções entre franquias como Homem de Ferro e Thor. A Marvel entrou em um processo de homogeneização de sua produção que tem seus pontos positivos e negativos. Se por um lado essa padronização é fruto de um controle de qualidade que visa evitar desnivelamentos entre os "produtos" que estão sob sua total concepção (e não me refiro ao caso dos X-Men, Homem-Aranha e todos os outros que ainda estão sob a responsabilidade de outras companhias, estou falando apenas dos longas vinculados a Os Vingadores, estes sim sob inteira responsabilidade da Marvel), por outro, como já mencionei, inibe a força criativa de seus realizadores e permite pouquíssima ousadia narrativa e visual em seu legado. 

Dito isto, Homem de Ferro 3 segue padrões. Se passa após os eventos de Os Vingadores, surge uma nova ameaça personificada na figura de um terrorista chamado Mandarim e Tony Stark tem que evitar que esse lunático destrua a humanidade com seus planos mirabolantes. Existe um ou outro complicador no meio dessa trama que é minimamente desdobrado, mas que não entrarei em detalhes aqui para não estragar surpresas. 

O fato é que, apesar de não ter um décimo da ousadia e da autonomia que o cineasta Christopher Nolan tinha na franquia rival O Cavaleiro das Trevas, o novato Shane Blake tem êxito em Homem de Ferro 3 por seguir a fórmula de sucesso involuntária (sim, porque por essa lógica o que menos importa aqui são aspectos artísticos) e talvez o único elemento original de toda a série cinematográfica: Robert Downey Jr., que já incluiu Tony Stark na galeria de personagens icônicos do cinema. Sem o ator, certamente Homem de Ferro 3 seria o amontoado de efeitos especiais e tramas tolas que não foram suficientes para transformar Thor em um grande filme, por exemplo. Aliás, seria injusto dar créditos somente a Downey Jr., é preciso dizer que Gwyneth Paltrow também é responsável pelo êxito dele, apagando boa parte da resistência que o público tinha por ela desde Shakespeare Apaixonado. O timing cômico de Downey Jr. não teria o mesmo efeito  na plateia se não contasse com o suporte que a atriz deu a ele durante toda a série, funcionando muito mais do que um interesse amoroso para o protagonista.

No mais, Homem de Ferro 3 não percorre caminhos mais ousados, muito pelo contrário. Quando pensamos que seus realizadores promoveriam uma grande virada na vida de Tony Stark, eles voltam atrás para não desagradar o público mais conservador. Não há danos psicológicos ou ações que reflitam de fato em novos horizontes para o personagem, ainda que não exista um quarto filme. 

Homem de Ferro 3 é mais do mesmo sim, tanto que a troca de diretores nem será sentida pelo público. Com exceção de Capitão América - O Primeiro Vingador, e por motivos bem específicos, todos os filmes da Marvel no projeto Os Vingadores seguem uma fôrma e Homem de Ferro 3 não é diferente. O que o torna especial e entrega um certo sentido a sua existência é o trabalho de um grande ator que consegue se sobressair em meio a toda essa pasmaceira. Robert Downey Jr. transformou o personagem Tony Stark em mito, apesar da Marvel não conseguir trazer o mínimo de originalidade para o filme em si. Mas para quem está pouco se importando com isso e vibra com os produtos Marvel no cinema (uma pena), provavelmente Homem de Ferro 3 é satisfação garantida.




Iron Man 3, 2013. Dir.: Shane Black. Roteiro: Shane Black e Drew Pearce. Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Guy Pearce, Ben Kingsley, Rebecca Hall, Don Cheadle, Jon Favreau, Ty Simpkins, James Badge Dale, William Sadler. 130 min. UIP.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Notícias AdoroCinema: Wagner Moura, Cinquenta Tons de Cinza, The Paperboy, J.J. Abrams, Emma Stone


Wagner Moura estará no próximo filme do inglês Stephen Daldry
Rodrigo Santoro e Alice Braga não estão sós na tentativa de acumular experiências internacionais interessantes no currículo, Wagner Moura acaba de entrar para o grupo. Após   a ficção científica Elysium, que estreia ainda este ano no Brasil, o protagonista de Tropa de Elite acaba de ser contratado para o próximo filme de Stephen Daldry, diretor de As Horas e O Leitor. O projeto em questão é Trash, longa que acompanhará a vida de três adolescentes que vivem no lixão e o ator deve interpretar um policial. O  longa é uma produção da O2, produtora do cineasta Fernando Meirelles. Mais interessante do que acompanhar a carreira de  Wagner Moura no exterior será ver Stephen Daldry, cuja filmografia parece estar totalmente dissociada dos temas abordados em Trash, dirigir um filme que será ambientado parcialmente no Brasil.

Gus Van Sant pode dirigir versão cinematográfica de Cinquenta Tons de Cinza
Um projeto como a versão cinematográfica do best-seller Cinquenta Tons de Cinza começa a gerar interesse quando alguém como Gus Van Sant entra na jogada. Essa semana, o diretor de Milk - A Voz da Igualdade e Gênio Indomável (só para citar dois filmes de sua filmografia altamente recomendável) começou a ser vinculado ao projeto a partir de notícias que afirmavam que ele teria feito testes com o ator Alex Pettyfer (Magic Mike) para papel de Christian Grey. Grandes diretores já deram vida a livros considerados rasteiros por intelectuais. E se a máxima de Quentin Tarantino for verdadeira, de que em se tratando de adaptações cinematográficas é sempre bom trabalhar com livros não tão bem quistos ou escritos para evitar dor de cabeça com as expectativas frustradas de leitores, esse pode ser um bom caminho para Van Sant, que tem um currículo invejável, seja em projetos alternativos como Elefante, seja em filmes com produções relativamente robustas, como é o caso do já citado Milk - A Voz da Igualdade.

Europa Filmes batiza The Paperboy com o título nacional Obsessão
Ainda consigo me surpreender com as distribuidoras brasileiras. Das duas uma, ou elas têm falta de tino  comercial para a coisa ou simplesmente têm preguiça de mexer com os neurônios. O último filme de Lee Daniels (Preciosa), The Paperboy, com Nicole Kidman, Zac Efron, John Cusack e Matthew McConaughey acaba de ganhar um título brasileiro. O filme será chamado no Brasil de Obsessão e a distribuição ficará por conta da reaberta Europa FilmesO mais estranho é que The Paperboy nem é um título tão difícil de se adaptar (pelo menos não tanto quanto Blue Valentine, que aqui se chamou Namorados para Sempre). Não seria mais elegante chamá-lo de O Garoto do Jornal ou coisa do gênero do que batizá-lo com um título que não consegue dar conta da proposta do filme e ainda pode confundir o público que certamente terá conclusões equivocadas ou preconceitos sobre o filme no momento da escolha do programa de final de semana? Bom, pelo menos já tem estreia definida, dia 12 de julho.

P.S.: Sobre esta, tomei a liberdade, não foi uma notícia do AdoroCinema, mas sim uma atualização do site nos dados da página do filme.

J.J. Abrams fala sobre as diferenças de Star Trek e Star Wars
Criador da série Lost e responsável pela repaginada na série cinematográfica Star Trek. J.J. Abrams também é responsável pelos novos caminhos de outra série cinematográfica importante para toda uma geração: Star Wars. Durante a divulgação de Além da Escuridão - Star Trek, o diretor acalmou os fãs mais preocupados com possíveis semelhanças nas abordagens dos novos Star Wars e Star Trek por serem projetos que estão sendo conduzidos pelo mesmo realizador. Demonstrando consciência e respeito com o material que têm em mãos, Abrams disse que os filmes têm propostas diferentes, ainda que se passem em ambientes e universos narrativos parecidos. Em suma, não se preocupem, geeks!

Emma Stone é sondada por Woody Allen para protagonizar seu próximo filme na França
Já falei que não vejo motivo para tamanho auê com Emma Stone? Ela é bonitinha, simpática, carismática, mas mostrar serviço de fato que é bom mesmo... Quem sabe trabalhar ao lado de alguém como Woody Allen faça com que a gente veja em Stone alguém além de sua própria persona da girl next door. A atriz acaba de ser vinculada ao próximo projeto do cineasta. O filme pós-Blue Jasmine, seu novo longa protagonizado por Cate Blanchett e que estreia em junho de 2013 no Brasil, será ambientado no interior da França e tem estreia marcada para o ano que vem. A trama e o título, como de praxe nos filmes de Woody Allen, ainda não foram reveladas.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A carreira de Robert Downey Jr. em três atos

Às vésperas da estreia de Homem de Ferro 3, marcada para amanhã (26/04), e com as reformulações do blog, "ressuscitamos" uma antiga seção do Chovendo Sapos e vamos estreá-la com o astro do novo projeto da Marvel, Robert Downey Jr..

1º ato - Promessa
Charlie Chaplin
em
Chaplin (1992)

Filho do diretor indie Robert Downey, Downey Jr. começou a carreira aos cinco anos de idade no filme dirigido pelo próprio pai, Pound. Anos depois, o ator integraria um grupo de atores que ficou conhecido com Brat Pack, alusão ao Rat Pack da década de 1960. Tratava-se de um grupo de jovens artistas conhecidos por captarem a essência da década de 1980 e por sempre trabalhar junto em filmes que explorassem temas ligados a essa geração. Além de Downey Jr., fizeram parte dela Charlie Sheen, James Spader, John Cusack, Sean Penn, Kevin Bacon e Kiefer Sutherland. Um dos filmes mais conhecidos com o ator na época foi Abaixo de Zero. Não demorou muito para os grandes papéis caírem no colo de Downey Jr. e um dos seus maiores desafios foi interpretar Charlie Chaplin na biografia de Richard Attenborough, Chaplin. Por esta interpretação cativante e dedicada, Downey Jr. conseguiu sua primeira indicação ao Oscar, na categoria melhor ator, e ganhou o BAFTA de melhor ator. A partir de Chaplin, Downey Jr. começou a ser visto como ator sério e talentoso e fez filmes com diretores renomados como Oliver Stone (Assassinos por Natureza) e Robert Altman (Short Cuts - Cenas da Vida e Até que a morte nos separe). No entanto, após essa fase, o ator começou a se envolver com as drogas e ser internado constantemente em clínicas de reabilitação,  o que o levou a romper o relacionamento que tinha com a atriz Sarah Jessica Parker desde os 19 anos.

2º ato - Garoto problema
Larry Paul
em
Ally McBeal (2000 - 2002)

Foram muitas idas e vindas do ator até ele encontrar um equilíbrio. Downey Jr. começou a dar trabalho para as equipes de filmagens e ensaiou diversos retornos durante um bom tempo, sumindo subitamente e aparecendo meses depois nas páginas policiais da imprensa norte-americana. No cinema, a oscilação era a mesma, esteve em U.S. Marshals - Os Federais (1998), com Tommy Lee Jones, e Garotos Incríveis, de Curtis Hanson com Michael Douglas e Tobey Maguire (2000). No entanto, a melhor reação de Downey Jr. nesse período foi sua atuação na série de TV Ally McBeal, protagonizada por Calista Flockhart. Downey Jr. foi de participação especial a personagem fixo na série e pelo trabalho ganhou o Globo de Ouro e o SAG Awards, prêmio do sindicato dos atores de Hollywood, de melhor ator coadjuvante em série de TV, sendo indicado ao Emmy na mesma categoria. Nada disso foi suficiente para mantê-lo na série e após ter sido encontrado vagando pelas ruas de Los Angeles como um maltrapilho, o ator se submeteu a um novo tratamento contra as drogas que o manteve fora dos holofotes por cerca de um ano.

3º ato - Ícone pop
Tony Stark/ Homem de Ferro
em
Homem de Ferro (2008), Homem de Ferro 2 (2010) e Os Vingadores (2012)

Downey Jr. volta para os grandes papéis, agora completamente afastado dos problemas pessoais, em 2005, quando protagonizou ao lado de Val Kilmer a comédia de ação de relativo sucesso, Beijos e Tiros. Ao filme, seguiram A Pele e Zodíaco, longas que lhe renderam elogios e que contribuíram para que pairasse em Hollywood uma vontade de dar uma segunda chance ao ator, que ainda preservava certa credibilidade profissional entre os colegas, a despeito dos fantasmas pessoais que viveu nos anos de 1990. Em 2007, a Marvel estava engatando o projeto da adaptação de Homem de Ferro para as telonas, um dos poucos personagens do estúdio que ainda não tinham se aventurado nos cinemas. Após negociações mal sucedidas com Tom Cruise, ofereceram o personagem a Robert Downey Jr.. O ator transformou Tony Stark em ícone pop, provavelmente um dos personagens mais queridos e rentáveis do recém criado estúdio de cinema. Com Homem de Ferro 3, o ator já viveu o personagem quatro vezes, incluindo aqui a franquia Os Vingadores, para a qual Downey Jr. tem contrato assinado somente até a próxima continuação. Com o sucesso de Tony Stark, Downey Jr. assumiu outra franquia, Sherlock Holmes, comandada por Guy Ritchie, que provavelmente irá para seu terceiro filme. Em 2008, o ator voltou ao Oscar, sendo indicado como melhor ator coadjuvante pela comédia Trovão Tropical. Para o futuro, Downey Jr. já disse que pretende retornar a papéis mais "sérios", mas independente de quais sejam seus caminhos daqui para frente o público respira aliviado por seu talento finalmente ser reconhecido e por sua vida finalmente ter voltado aos trilhos.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Júri do Festival de Cannes 2013 é anunciado


A comissão organizadora da 66ª edição do Festival de Cannes acaba de divulgar, em comunicado oficial, a lista dos componentes do júri que irá julgar e votar nos filmes selecionados para a competição de 2013 do evento.

Presidido pelo diretor e produtor Steven Spielberg (Lincoln), a lista traz atores, diretores e produtores das mais diversas nacionalidades. Índia, Taiwan, Austrália, Áustria, França, Romênia, Japão e Reino Unido foram os contemplados da vez.

Da esquerda para a direita (foto): Christoph Waltz, ator austríaco vencedor da Palma de Ouro em Cannes de melhor ator em 2009 (Bastardos Inglórios) e de dois Oscars de melhor ator coadjuvante (Bastardos Inglórios e Django Livre); Nicole Kidman, australiana vencedora do Urso de Prata de melhor atriz de 2003 em Berlim (As Horas) e do Oscar de melhor atriz (As Horas); Ang Lee, diretor e produtor taiwanês vencedor duas vezes do Leão de Ouro no Festival de Veneza (O Segredo de Brokeback Mountain e Desejo e Perigo) e de dois Oscars de melhor diretor (O Segredo de Brokeback Mountain e As Aventuras de Pi); Lynne Ramsay, inglesa vencedora do BAFTA de melhor curta metragem (Swimmer) e diretora do longa Precisamos falar sobre o Kevin, selecionado em 2011 pelo Festival de Cannes; Christian Mungiu, diretor e roteirista romêno que ganhou a Palma de Ouro de melhor filme (4 meses, 3 semanas e 2 dias) e de melhor roteiro (Além das Montanhas); Vidya Balan, atriz indiana conhecida por filmes como Parineeta e Kahaani; Naomi Kawase, diretora japonesa que ganhou o prêmio especial Golden Camera em Cannes (Moe no suzaku) e  o Grand Prize (Mogari no mori); e o ator francês Daniel Auteil, ganhador da Palma de Ouro de melhor ator em Cannes (Le Huitième Jour).

Duas curiosidades sobre o júri que gostaria de apontar. A primeira é que Steven Spielberg e Ang Lee estarão novamente em um mesmo grupo (os dois acabaram de disputar o Oscar de melhor direção, Spielberg por Lincoln e Ang Lee por As Aventuras de Pi). E a segunda, claro, a presença de Nicole Kidman no júri no mesmo ano em que Baz Luhrmann volta ao festival com O Grande Gatsby

O que sairá da cabeça e dos votos de um júri tão diversificado quanto esse não se sabe.  Temos quatro cabeças femininas opinando, sendo que na competição oficial são poucos os filmes dirigidos por mulheres. Para completar, se temos Spielberg como presidente podendo inclinar o grupo a votar em filmes de apelo mais popular, por outro temos Lynne Ramsay, Nicole Kidman, Christian Mugiu e Naomi Kawase, conhecidos por suas inclinações para projetos mais difíceis e incomuns. 

A certeza é que os olhos do mundo, ou pelo menos do mundo cinéfilo, estarão voltados para esse grupo do dia 15 ao dia 26 de maio, período marcado para as atividades do festival.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Notícias do AdoroCinema: Thor, Reese Whiterspoon e baiano em Cannes

Primeiro trailer de Thor - O Mundo Sombrio é divulgado
Não gostei do primeiro filme, acredito que muitos elementos e tramas se desencontraram, mas o fato é que a continuação de Thor já está em sua fase de finalização e chegará aos cinemas no dia 8 de novembro deste ano. A Marvel já disponibilizou o trailer da continuação que se chamará Thor - O Mundo Sombrio. A personagem de Natalie Portman parece que terá uma considerável importância nesse capítulo (até que enfim!), mas não sei por que raios a Marvel insiste tanto em explorar o vilão Loki em mais um filme, provavelmente um dos personagens mais frouxos de Thor e Os Vingadores. O novo diretor, Alan Taylor (de alguns episódios de Game of Thrones, Mad Man e Os Sopranos), diferente das crises existenciais shakespearianas propostas por Kenneth Branagh, já entrega no trailer que o filme terá um ritmo mais intenso e uma atmosfera mais sombria, o que talvez se adeque melhor à proposta desse universo. 

Reese Whiterspoon é presa por dirigir alcoolizada
Da seção gossip, Reese Whiterspoon derruba o último "bastião moral" hollywoodiano. A atriz de Legalmente Loira e vencedora do Oscar por Johnny e June é presa por dirigir após ter consumido uma quantidade considerável de álcool. Tudo bem que ela é um ser humano como outro qualquer e tem total direito de apresentar falhas como tal, mas até então a atriz era um dos maiores exemplos de retidão  comportamental na indústria. Mãe e esposa exemplares, Reese passando bem longe do comportamento bomba-relógio de figuras como Charlie Sheen e Lindsay Lohan. Provavelmente será um fato isolado na trajetória de Reese e tudo voltará a ser como antes no "quartel de Abrantes", mas não deixa de ser uma informação que a gente receba carregado de surpresa.

Baiano vai ao Festival de Cannes com curta selecionado
A mostra Seleção da Crítica do Festival de Cannes divulgou no início dessa semana a lista de curtas metragens que serão exibidos este ano. Para a felicidade verde e amarela, o filme Pátio, do baiano Aly Muritiba, está na seleção, uma competição paralela do festival. O curta é ambientado em uma prisão e é o segundo filme de uma trilogia sobre o sistema penitenciário brasileiro concebida pelo mesmo e que foi iniciada com A Fábrica, curta que foi pré-selecionado na categoria melhor curta-metragem da última edição do Oscar. 

domingo, 21 de abril de 2013

Relações perigosas

O Dia que durou 21 anos descortina as ligações entre o governo norte-americano e grupos militares brasileiros que engendraram o golpe de 1964


Há muito que se ouve sobre a influência dos EUA na ditadura militar no Brasil. No entanto, graças aos entraves costumeiros de nosso país, muita coisa documentada continua escondida e intocável aos olhos daqueles que querem se debruçar sobre a história brasileira, principalmente sobre a parte mais vergonhosa da nossa história. O diretor Camilo Tavares teve que ir até os EUA para buscar toda essa base documental que liga os pontos apresentados no documentário O Dia que durou 21 anos, curiosamente o país que contribuiu para a instauração de um regime anti-democrático na América Latina,  comprovando as tramas que tiveram como partes os presidentes dos EUA John Kennedy e Lyndon Johnson, intermediados pelo embaixador norte-americano Lincoln Gordon, e os militares na derrubada do presidente João Goulart no início dos anos de 1960.

O filme começa quando Goulart dissemina no Brasil suas propostas de reforma agrária que acabam tendo acolhida por parte da população. Concomitantemente o governo de Fidel Castro em Cuba consolida-se como o grande temor dos EUA, a potência não queria que governos populistas tomassem conta da América Latina e com isso interferissem em suas relações de dominação com esses países. Essas tensões, todas por debaixo do pano, servem para os EUA começarem a pensar em uma forma de controlar a independência e avanços futuros do Brasil. Intermediados pelo embaixador Lincoln Gordon, os EUA começam a dialogar com grupos militares mais conservadores a fim de que estes possam agir em nome dos interesses de ambos: tirar Goulart do poder e assumir o controle sobre o crescente movimento esquerdista que começava a tomar forma no Brasil.

Toda essa trama é mostrada com objetividade, articulação e ritmo por Camilo Tavares, que assume o tom conspiratório da fita, apesar de não se tratar de uma conspiração sem fundamento, tudo é comprovado pelo documentarista através de documentos e depoimentos montados com extrema eficácia ao longo do filme. Tavares cria uma espécie de thriller documental que permite a fluidez narrativa e o envolvimento e interesse do espectador pela trama, ainda que se tenha noção de alguns meandros dela. O diretor ainda tem como mérito assumir um juízo sobre os fatos demonstrados sem parecer panfletário. Tavares toma partido elegantemente, sem pretender fazer lavagem cerebral no espectador, recurso do qual alguns documentaristas não abrem mão.

O Dia que durou 21 anos é um relato amadurecido sobre uma época ainda obscura no Brasil. Uma época marcado por fatos que, curiosamente, foram comprovados neste documentário através da disponibilidade de arquivos oficiais do governo norte-americano, aquele mesmo governo que foi responsável pelo regime castrador que comandou o Brasil por mais de uma década. Ainda que seja um ponto de vista de bastidores de gabinete, o longa dá uma dimensão do que foi aquele período para o país e nos faz refletir sobre até onde pode ir a manipulação de uma massa refém de ideologias e promessas truncadas. Desses 21 anos não vividos, dou graças aos céus.




O Dia que durou 21 anos, 2013. Dir.: Camilo Tavares. Entrevistas: Flávio Tavares. 77 min. Pequi Filmes.

sábado, 20 de abril de 2013

Drops: A Morte do Demônio


A geração Facebook provavelmente nunca irá vivenciar certos fenômenos da cultura pop. Os tempos são outros, os meios de acesso a conteúdos são outros, as facilidades são maiores e tudo é banal. A Morte do Demônio de 1981 foi uma produção barata que só chegou no Brasil em 1983, saindo diretamente em VHS e tornando-se um dos filmes de terror mais cultuados de sua época, extendendo sua fama para os anos de 1990. Em muitas casas a fita era praticamente proibida pela violência explícita, o que para algumas crianças ou adolescentes só tornava a experiência de assistir A Morte do Demônio ainda mais tentadora. O longa trouxe aquela que viria a ser a marca do diretor Sam Raimi no gênero, criando uma ramificação dentro do próprio terror, muito antes de dirigir a primeira trilogia Homem-Aranha: tramas que não têm vergonha de ser gore e que tiram sarro das próprias situações que trazem para o espectador. Corpos mutilados, adolescentes compulsivamente estúpidos e situações inverossímeis, tudo isso fazia parte da grande brincadeira que Raimi propunha, "olha como o terror é involuntariamente ridículo!" . Esse remake de A Morte do Demônio, apesar de ter o dedo do próprio Sam Raimi (um dos produtores), leva-se a sério demais. Seu diretor, o uruguaio Fede Alvarez, até consegue criar uma atmosfera assustadora, mas não diferencia A Morte do Demônio de tantos outros longas do gênero que saem aos montes a cada ano. O que torna esse filme tão especial a ponto dele ser refeito? Para a geração de 1980 a resposta é muito simples. E para esta? Sem encontrar uma resposta, a simples necessidade de atender a uma demanda do mercado por remakes soa fútil demais. Prefiro ficar com minha antiga versão em VHS já mofada pelo tempo do que está versão turbinada de A Morte do Demônio.


Evil Dead, 2013. Dir.: Fede Alvarez. Roteiro: Fede Alvarez e Rodo Sayagues. Elenco: Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci, Jessica Lucas, Elizabeth Blackmore, Jim McLarty, Sian Davis, Randal Wilson, Stephen Butterworth. 90 min. Sony.

Drops: Os Croods

Os Croods assume um tom de fábula com ensinamentos morais, mas no fundo o que quer mesmo é garantir a consolidação de mais uma franquia cinematográfica para os envolvidos. Trata-se da história de uma família de homens das cavernas que em plena mudança geográfica da Terra, a formação dos continentes, sai do seu universo particular, que sempre lhes deu proteção, a caverna, para conhecer um planeta muito mais amplo de possibilidades, encantamentos e descobertas do que poderiam supor. A animação é bem feita tecnicamente, mas possui alguns entraves no roteiro que acabam tornando-a arrastada na transição do segundo para o terceiro ato. Ainda assim garante algum divertimento, especialmente nas sessões em 3D.


The Croods, 2013. Dir.: Chris Sanders e Kirk de Micco. Roteiro: Chris Sanders e Kirk de Micco. Vozes de: Nicolas Cage, Emma Stone, Ryan Reynolds, Catherine Keener, Cloris Leachman, Clark Duke, Randy Thom, Chris Sanders. 98 min. Fox.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Drops: Ginger e Rosa

Ginger e Rosa estão crescendo em plena Londres dos anos de 1960, cidade efervescente com os protestos políticos na ocasião da Crise dos Mísseis de Cuba. As duas acham a vida de suas respectivas mães completamente patéticas, donas de casa que intelectualmente nada lhes têm a acrescentar, enquanto o pai de Ginger (sim, porque o pai de Rosa não aguentou a vida doméstica e abandonou ela e sua mãe) é visto pelas duas como um modelo a ser seguido, um homem cheio de ideias libertárias. A vida das duas segue trajetórias opostas em determinado momento da trama e Ginger entra em crise quando essa cisão simboliza o desmoronamento de todos os seus sonhos e ideais adolescentes. Roteirizado pela própria diretora, Sally Potter, que por sinal dirige o filme com uma sensibilidade ímpar, Ginger e Rosa é um bonito e melancólico tributo à adolescência, especialmente à fase em que nos deparamos com as constatações sobre a vida adulta e com a dissolução da imagem que fazemos de nossos maiores ídolos (sejam elas boas, como no caso do pai da protagonista e de Rosa, ou más, no caso da mãe). O longa conclui de maneira belíssima esse impasse, evitando uma linha mais pessimista, ainda que flerte com o tom melancólico. Pelo contrário, a protagonista opta pela tolerância com a falibilidade dos personagens a sua volta, constata que todos têm ranhuras de caráter. Em síntese, opta pelo amadurecimento e não há nada mais edificante do que amadurecer. O filme ainda nos presenteia com uma grande interpretação de Elle Faning, que deixou de ser promessa há muitos anos e surge como uma profissional madura em Ginger e Rosa, uma atriz capaz de compreender os dilemas e as transformações de sua personagem. Em outras palavras, Ginger e Rosa tem nome e sobrenome: Elle Faning.


Ginger & Rosa, 2012. Dir.: Sally Potter. Roteiro: Sally Potter. Elenco: Elle Faning, Alice Englert, Alessandro Nivola, Christina Hendricks, Annette Bening, Timothy Spall, Oliver Platt, Jodhi May, Andrew Hawley, Matt Hooking. 90 min. Paris Filmes.

Notícias da semana no AdoroCinema: O Cavaleiro Solitário, Jamie Foxx, Star Wars

Pôster de O Cavaleiro Solitário estampado por Armie Hammer.

Novo trailer de O Cavaleiro Solitário é divulgado pela Disney
O mais recente trailer, e último antes do lançamento do filme, de O Cavaleiro Solitário impressionou bastante este que vos escreve, talvez por não ter visto nada do filme até o momento. Armie Hammer (J. Edgar) parece que vai subir alguns degraus no panteão hollywoodiano, o que é interessante já que ele é um ótimo ator. Só espero que Johnny Depp esqueça as composições excêntricas pela pura excentricidade e mergulhe mesmo em uma composição que valha a pena e que não seja mais uma variação do icônico Jack Sparrow. O diretor do filme é Gore Verbinsky (dos três primeiros filmes Piratas do Caribe) e sua estreia está marcada para o dia 12 de julho, deste ano, no Brasil.




Jamie Foxx surge em fotos como o novo vilão de O Espetacular Homem-Aranha 2

Foram divulgadas na rede as primeiras imagens de Jamie Foxx caracterizado como o vilão Electro da continuação de O Espetacular Homem-Aranha 2. Com uma maquiagem carregada no azul-Avatar-Dr.Manhattan do Watchment, Foxx é o segundo vilão que o Aranha de Andrew Garfield irá enfrentar no filme, o outro será interpretado por Paul Giamatti (Cosmópolis). E o filme ainda trará Mary Jane Watson, mocinha vivida por Kirsten Dunst na primeira trilogia, e que aqui será interpretada por Shailene Woodley (a filha mais velha de George Clooney em Os Descendentes). Tanto personagem assim me faz lembrar de Homem-Aranha 3...
O Espetacular Homem-Aranha 2 chegará aos cinemas em 2014.

Além da nova trilogia, Disney pretende fazer filmes solos com alguns personagens de Star Wars
Ai a gente descobre que o anúncio da nova trilogia era só um dos filões que a Disney pretende abrir com a aquisição dos direitos de Star Wars. Além dos novos filmes que farão parte da saga composta pelas duas trilogias anteriores, eles pretendem lançar filmes solos de personagens como Han Solo e Yoda. Será um filme Star Wars por ano. Fico pensando até onde isso vai chegar... É muito até para quem é fã!


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Cannes divulga filmes selecionados para a edição de 2013 do festival


Nada de figurinhas fáceis, velhos conhecidos de Cannes. Uma cara ou outra já passou pela riviera francesa, mas muito pouco. A 66ª edição do Festival de Cannes optou por deixar de fora de sua seleção oficial cineastas que tradicionalmente estão sempre por lá e que têm produções agendadas para estrear neste ano, foi o caso de Woody Allen (Blue Jasmine), Terrence Malick (Knight of Cups) e Lars Von Trier (Nymphomaniac), este último provavelmente em função das declarações que deu dois anos atrás na coletiva de Melancolia no festival.

No entanto, outras figuras que já passaram pelo festival foram selecionadas como Baz Luhrmann, cujo filme O Grande Gatsby irá abrir esta edição; Sofia Coppola, que estará na seleção Un Certain Regard com Bling Ring - A Gangue de Hollywood; e Nicolas Winding Refn, ganhador do prêmio de melhor direção em 2011 por Drive que retorna ao festival com Only God Forgives.

O festival ocorrerá de 15 a 26 de maio. O júri, que este ano será presidido por Steven Spielberg, ainda está para ser anunciado.

Confira abaixo os destaques de Cannes 2013:


O Grande Gatsby
Dir.: Baz Lurhmann

Descoberto no festival com Vem dançar comigo , o australiano Baz Luhrmann abrirá as atividades do festival com a aguardada adaptação do romance de F, Scott Fitzgerald O Grande Gatsby, assim como fez em 2001 com Moulin Rouge!
O longa conta a história de um veterano de guerra que fica fascinado pelo estilo de vida do seu vizinho milionário, Gatsby. Ele começa a frequentar o círculo de amizades de Gatsby e acompanha o amor que ele nutre por sua prima, Daisy Buchanan. O romance de Fitzgerald busca através dessa trama fazer uma análise da sociedade norte-americana da década de 1920, recém saida da Primeira Guerra Mundial e ainda imersa na ideia do "sonho americano".
Não se sabe até que ponto esta crítica social de Fitzgerald estará no filme de Luhrmann, o cineasta nunca adentrou nesse terreno em seus filmes anteriores. A julgar pelo trailer, O Grande Gatsby trará todas as marcas da filmografia de Luhrmann, seus excessos, flertes com diversos gêneros cinematográficos, direção de arte e figurinos caprichados (ambos assinados por Catherine Martin, vencedora do Oscar por Moulin Rouge!) e a trilha diversificada, que vai de Beyoncé cantando Amy Winehouse, a Jack White, Jay-Z e Florence Welch.
No elenco, Leonardo DiCaprio (Django Livre), voltando a trabalhar com o diretor (os dois fizeram juntos Romeu + Julieta), Carey Mulligan (Shame) e Tobey Maguire (Entre Irmãos).
O filme vai estrear ainda esse ano no Brasil, no dia 14 de junho.




Inside Llewyn Davis
Dir.: Joel e Ethan Coen


Os irmãos Coen (Onde os Fracos não têm Vez) voltam ao festival com uma "falsa" biografia sobre um músico folk na Nova York dos anos de 1960. Inside Llewyn Davis é a história do personagem que dá título ao longa e que por sua vez é inspirada na trajetória do músico Dave Van Ronk, exímio guitarrista e ativista político que inspirou artistas como Joni Mitchell e Bob Dylan.
O personagem será interpretado por Oscar Isaac (Drive), naquela que promete ser a grande oportunidade da sua carreira. O longa ainda conta com participações de Carey Mulligan (no festival com O Grande Gatsby), Justin Timberlake (Curvas da Vida), Garrett Hedlund (Na Estrada) e John Goodman (O Voo).




Le Passé
Dir.: Asghar Farhadi

Após o sucesso de A Separação (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2012), o iraniano Asghar Farhadi retorna com mais um drama centrado em um casal e os conflitos gerados nessa relação em virtude das diferenças culturais. Trata-se da história de um iraniano que retorna para casa e se surpreende com o novo relacionamento de sua ex-mulher, uma francesa.
Será o primeiro filme de Asghar em língua francesa e o roteiro foi escrito pelo próprio diretor, assim como aconteceu com A Separação. A protagonista é vivida por Bérenice Bejo (O Artista), que substituiu de última hora Marion Cotillard (A Origem). Tahar Rahim (O Profeta) também estará no elenco.




The Immigrant
Dir.: James Gray

Por falar em Marion Cotillard, a atriz francesa estará em dose dupla no festival. O primeiro filme protagonizado pela atriz na seleção deste ano é The Immigrant, que antes chamava-se Lowlife, do diretor James Gray (Amantes).
Cotillard interpreta uma imigrante nos EUA que passa a ganhar a vida em clubes de burlesque e vaudeville. A vida dessa mulher muda quando ela encontra um mágico que tenta reuní-la com sua irmã.
The Immigrant é a nova parceria de Gray e Ric Menello, que juntos assinam o roteiro da produção, assim como fizeram em Amantes. Esta será a quarta vez que o diretor trabalhará com Joaquin Phoenix, com quem já fez, além de Amantes, Os Donos da Noite e Caminho sem Volta. O filme também conta com Jeremy Renner (João e Maria).

Não há trailer divulgado


Wara No Tate
Dir.: Takashi Miike

Thriller do japonês Takashi Miike (13 Assassinos), o filme já estreou no Japão e é adaptado de um romance de Kazuhiru Kiuchi. O longa traz a história de um assassino que mata a neta de um magnata em serviço. Meses depois esse assassino descobre que o magnata está no seu encalço, oferecendo um bilhão de yens para quem conseguir a sua cabeça.
O filme ganhou distribuição da Warner no Japão e é uma produção robusta. No elenco, figuras conhecidas do cinema japonês como Tsutomu Yamazaki (Kagemusha - A Sombra de um Samurai) e Tatsuya Fujiwara (Batalha Real).




Jeune et Jolie
Dir.: François Ozon


Em cartaz nos cinemas brasileiros com Dentro da Casa, François Ozon vai a Cannes esse ano com Jeune et Jolie, descrito como o "retrato de uma garota de 17 anos em 4 estações e 4 canções". No filme, o diretor abordará o processo de descoberta e amadurecimento dessa personagem, que será interpretada por Marine Vacth, atriz pouco conhecida do público.
O resto do elenco do filme é formado por Charlotte Rampling (Melancolia) e Frédéric Pierrot (Há tanto tempo que te amo).

Não há trailer divulgado



Nebraska
Dir.: Alexander Payne

Alexander Payne (Os Descendentes) apresenta Nebraska, filme que conta a história de um senhor que viaja da Montana até o Nebraska na companhia de seu filho, com quem não se dá bem, para resgatar um prêmio milionário que acaba de ganhar. 
Dessa vez Payne não dirigirá um roteiro de sua autoria, o trabalho foi escrito por Bob Nelson, da série The Magic Hour. O filme marca o retorno de Bruce Dern (de Amargo Regresso), pai da atriz Laura Dern, Seu filho será vivido pelo ator Will Forte (Vizinhos Imediatos de 3º Grau).

Não há trailer divulgado


Venus in Fur
Dir.: Roman Polanski

A imagem de Roman Polanski é meramente ilustrativa, mesmo porque não há foto oficial ou dos sets de filmagem do novo longa do diretor. Por isso, todos receberam com surpresa sua presença na seleção oficial, uma surpresa feliz, é claro.
O filme conta a história de um diretor e autor de teatro que está em busca de uma atriz para interpretar a protagonista de sua peça. Entra em seu caminho uma mulher que está disposta a tudo para conseguir o papel.
O personagem masculino principal é vivido por Mathieu Almaric (O Escafandro e a Borboleta) e a feminina será interpretada por Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski e que já esteve em alguns de seus filmes, como O Último Portal, Busca Frenética e Lua de Fel.

Não há trailer divulgado


Behind the Candelabra
Dir.: Steven Soderbergh

Com Hemingway e Gellhorn, o Festival de Cannes abriu um precedente ano passado para as produções televisivas da HBO. O telefilme Behind the Candelabra, anunciado como o último trabalho do diretor Steven Soderbergh (Contágio), terá sua estreia mundial por lá. 
O filme conta a vida do showman Liberace, que acumulou uma fortuna na década de 1960 nos EUA, e sofreu por seis anos ao não assumir para o público seu relacionamento com um outro homem, o jovem Scott Thorson.
Liberace será interpretado por Michael Douglas (Wall Street - O Dinheiro nunca Dorme), já seu amante será vivido por Matt Damon (Compramos um Zoológico). O filme deve passar nos canais HBO do Brasil no segundo semestre de 2013.




La Grande Bellezza
Dir.: Paolo Sorrentino


Depois do problemático Aqui é o meu lugar, protagonizado por Sean Penn, o italiano Paolo Sorrentino (Il Divo) volta para sua terra para filmar La Grande Bellezza.
O filme traz a história de um maduro escritor que começa a recuperar em sua vida a juventude através de novos relacionamentos. O filme, nas palavras do próprio Sorrentino pretende ser um retrato da Roma contemporânea.
O protagonista será interpretado por Vernon Dobtcheff (A Vida de outra Mulher).






Only God Forgives
Dir.: Nicolas Winding Refn

Um dos filmes que geram mais expectativa no festival, Only God Forgives marca o retorno da parceria entre o diretor Nicolas Winding Refn e o ator Ryan Gosling, que juntos fizeram Drive, filme que causou frisson na edição de 2011 do festival.
No longa, Gosling interpreta um jovem que acaba se envolvendo com o mundo criminoso em Bangkok. A vida do protagonista se complica ainda mais quando sua mãe surge na história e lhe pede que mate os responsáveis pela morte do seu irmão, que não por acaso fazem parte desse submundo.
Apesar das expectativas sobre Gosling sempre serem grandes, surpreendentemente o primeiro trailer trouxe um burburinho em torno do desempenho de Kristin Scott Thomas (Há tanto tempo que te amo), que surge com uma caracterização completamente surpreendente.
Diferente de Drive, Only God Forgives conta com um roteiro do próprio Winding Refn. Veremos como ele se sai na dupla função.




Zulu
Dir.: Jérôme Salle


Zulu foi o longa escolhido para encerrar as atividades do festival no dia 25. O filme de Jérôme Salle (O Invencível) conta a história do sobrevivente de um ataque promovido por um grupo na África do Sul, que anos após o ocorrido torna-se chefe de polícia de um grupo que atua com homicídios na Cidade do Cabo. As tensões começam a tomar conta da corporação quando ele e seu parceiro, um jovem branco que faz parte de uma família envolvida no apartheid, encontram os corpos de duas jovens. 
O protagonista será interpretado por Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia). Seu parceiro de ação será Orlando Bloom (Os Três Mosqueteiros), que pode ter uma nova chance de sair do ostracismo que os anos de canastrice em Piratas do Caribe lhe proporcionou.

Não há trailer divulgado

ATUALIZAÇÃO




Only Lovers left Alive
Dir.: Jim Jarmusch

Adicionado aos selecionados na última hora, Only Lovers Left Alive é um romance gótico protagonizado por dois vampiros que se amam há séculos. O casal será interpretado por Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin) e Tom Hiddleston (Amor Profundo). Este será o retorno do cineasta Jim Jarmusch ao festival do qual participou pela última vez em 2005, com Flores Partidas, longa protagonizado por Bill Murray. Only Lovers Left Alive parece fazer jus às clássicas histórias de vampiros. O filme ainda traz Mia Wasikowska (Jane Eyre) e Anton Yelchin (A Hora do Espanto) no elenco. 

Não há trailer divulgado

Fora de competição...


Bling Ring - A Gangue de Hollywood
Dir.: Sofia Coppola

Sofia Coppola (Maria Antonieta) não entrou na competição, mas seu novo filme The Bling Ring estará no festival. A produção abrirá as atividades da mostra paralela Un Certain Regard.
Inspirado em eventos reais, o longa mostrará uma gangue de jovens inconsequentes e obcecados pela fama que rastrearam a vida de algumas celebridades norte-americanas para saquearem suas casas em Los Angeles.
A protagonista do filme é interpretada por Emma Watson (As Vantagens de ser Invisível) e há participações de Leslie Mann (Eu queria ter a sua vida) e do músico Gavin Rossdale. O filme está previsto para estrear em junho no Brasil.




Blood Ties
Dir.: Guillaume Canet

Segundo filme com Marion Cotillard no festival, Blood Ties se diferencia por ser o mais novo longa dirigido pelo marido da atriz, o também ator Guillaume Canet (que dirigiu o financeiramente bem-sucedido Até a Eternidade). Primeiro filme em língua inglesa de Canet, Blood Ties contou com a colaboração de James Gray, que dirigiu Cotillard em The Immigrant, no roteiro, e é um remake de um longa francês que ele protagonizou em 2008 chamado Laços de Sangue
O longa conta a história de dois irmãos que estão em lados diferentes da lei mas acabam lutando juntos contra criminosos no Brooklyn da década de 1970. 
Os irmãos do filme serão interpretados por Clive Owen (Hemingway e Gellhorn) e Billy Crudup (Comer, Rezar, Amar). Cotillard e Mila Kunis (Oz - Mágico e Poderoso) serão os interesses amorosos dos protagonistas. 

Não há trailer divulgado

Para conferir a seleção oficial completa, clique aqui.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Nova parceria: Raining Frogs agora é amigo do AdoroCinema!


Há seis anos no ar, o Raining Frogs é o mais novo parceiro do site número 1 em cinema no Brasil, o AdoroCinema. A parceria se concretizou através do novo programa de relacionamentos do site, o "Amigos do AdoroCinema", que já conta com outros 15 blogueiros e tem pretensões de expandir sua rede de afiliados.

Desde que foi fundado, o propósito do Raining Frogs sempre foi contribuir para a reflexão da arte cinematográfica. Com o tempo, um aspecto ou outro do blog pode ter modificado, natural, mas jamais o Raining Frogs deixou de lado seu objetivo principal, ser um espaço de expressão e construção de significados para esta que é a paixão compartilhada da comunidade na qual está inserido:  o cinema. O cinema arte, autoral, reflexivo, engajado politicamente, mas também o cinema descompromissado, despojado... O cinema dos grande atores e diretores, mas também o blockbuster cheio de efeitos especiais ou o cinema daquela grande revelação indie da temporada... O cinema norte-americano, mas também o brasileiro, o francês, o japonês, o argentino, o australiano... 

A expectativa é que esta nova parceria traga bons frutos para o AdoroCinema, para o blog Raining Frogs e para os leitores em geral. E podem ter certeza que vincular o nome do blog a um site que tem uma carreira já consolidada como é o caso do AdoroCinema só é motivo de orgulho e satisfação para este que vos escreve. Espero cumprir as expectativas de todos!

Muito obrigado por receber o Raining Frogs, AdoroCinema

Wanderley Teixeira

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Frame a Frame: Jogos Vorazes - Em Chamas


A continuação de Jogos Vorazes enfim tem seu primeiro trailer divulgado. Jogos Vorazes - Em Chamas acompanhará o retorno de Katniss e Peeta aos seus antigos distritos após a  vitória do casal na última edição dos "Jogos Vorazes". 
A direção desta vez é de Francis Lawrence (Água para Elefantes e Constantine) que, apesar do desânimo de alguns pela perda de Gary Ross, diretor do anterior (muito mais interessante que Lawrence que sempre foi um mero cumpridor de expediente), parece ter preservado a atmosfera do anterior, evitando qualquer descompasso na qualidade das produções, algo que é muito comum com a injeção de um orçamento mais robusto em continuações.


A primeira cena do trailer traz Katniss e Peeta sendo ovacionados pelos moradores do distrito. No entanto, o tom de esperança logo é substituído pela tensão com a agressão a um dos moradores.
A ideia de utilizar o casal como distração para a população parece ser mantida e trabalhada com mais profundidade e novas variantes nesse segundo episódio.


Nesse meio tempo surge um novo vilão e somos apresentados ao novo integrante do elenco: Philip Seymour Hoffman. E nem preciso dizer que a série só tem a ganhar com sua entrada.
Donald Sutherland trava um diálogo com Hoffman que é a linha condutora de todo o trailer. A ideia da dupla é usar Katniss até onde ela for interessante para eles e depois descartá-la.


E parece que a intenção do segundo capítulo é confundir o coração de Katniss. Liam Hemsworth parece ganhar considerável atenção aqui, protagonizando mais cenas de romance com a protagonista que Josh Hutcherson. O que me leva questionar: será que Peeta será seduzido pelos privilégios da vitória nos "Jogos Vorazes"? Seria uma decisão interessante...



Jogos Vorazes - Em Chamas estreará no Brasil no dia 22 de novembro.