sábado, 27 de julho de 2013

Crítica: Wolverine - Imortal

Segundo filme solo de Wolverine aprende com os erros do anterior e consegue alçar voo sem a muleta da série X-Men 
 
 
Encarnando Wolverine pela sexta vez no cinema (se contarmos sua participação afetiva em X-Men - Primeira Classe), Hugh Jackman chegou a um ponto da sua carreira em que sua imagem pública e a de seu personagem são praticamente indissociáveis, não só pela frequência, mas pela credibilidade que passa na pele do anti-herói preferido da Marvel. No entanto, por essa mesma razão, Jackman consegue ter sobrevida para além do território da Marvel, conferindo sempre uma densidade interessante a atuações em filmes como Truque de Mestre, Fonte da Vida e, recentemente, talvez a melhor interpretação da sua carreira, no musical Os Miseráveis. Sua história profissional está mais para seguir um caminho semelhante daquela seguida por Sean Connery, Harison Ford ou Anthony Hopkins (estigmatizados por 007, Indiana Jones/Han Solo e Dr. Hannibal Lecter, respectivamente), do que para o "esquecimento" no mundo exterior aos seus icônicos personagens, do qual foram vítimas Mark Hamil (Luke Skywalker), Elijah Wood (Frodo) e Christopher Reeve (Superman/Clark Kent)
 
Jackman aparece novamente como Wolverine em Wolverine - Imortal, filme baseado na HQ do personagem intitulada Dívida de Honra, de 1982. Nela, Wolverine reencontra um empresário milionário que foi salvo por ele anos atrás. O homem deseja a imortalidade de Logan e a proteção da sua única neta e herdeira. As coisas começam a tomar um rumo diferente quando ele morre e a segurança da jovem  fica vulnerável às investidas da Yakuza e da perigosa mutante Víper, que vulnerabiliza Wolverine de tal maneira que ele acaba perdendo gradualmente o seu poder de cura.
 
 
 Tomando o que não deu certo em Origens como uma lição a ser seguida, o que já demonstra os sinais da evolução dos envolvidos, Wolverine - Imortal inicia no ponto em que X-Men - O Confronto Final terminou, propiciando a evolução do seu protagonista a partir dos reflexos dos traumáticos eventos protagonizados pelos X-men e que envolveram a morte de Jean Grey no longa de 2006. Em Imortal, Logan tem que lidar com o luto e com o "castigo" de possivelmente viver com essa dor por toda a sua vida. Enlaçando esse argumento de maneira astuta com a trama do novo longa, o personagem é tentado a abrir mão do seu poder de cura, não sem antes descobrir que essa talvez não seja a melhor maneira de pôr um fim à melancólica lembrança da amada Jean Grey.
 
Wolverine - Imortal é um filme solo que faz jus a fama do personagem ao longo de mais de uma década e que cimenta em definitivo o nome de Hugh Jackman como um dos principais nomes do cinema de ação da geração atual. Jackman não demonstra empenho apenas na aquisição de um físico descomunal e na dedicação às sequências de ação do filme, mas também ao conferir um tom dramático, que flerta discretamente com o trágico, imerso na personalidade bestial e pouco afeita a demonstrações de sentimento de Logan. O ator tem ótimas companhias femininas no longa, a começar por Svetlana Khodchenkova, que interpreta a perigosa Viper, e Rila Fukushima, braço direito de Wolverine nessa jornada ao Japão.
 
 
James Mangold, realizador do projeto, é o tipo de diretor que consegue se adequar a qualquer empreitada - dirigindo filmes tão diferentes entre si como Garota Interrompida, Johnny e June e Os Indomáveis -, consegue estabelecer um formato próprio e autônomo para sua história, não tornando-se refém do trabalho iniciado por Bryan Singer em 2000 como o ficou Gavin Hood em Origens. Em compensação, cede a simplificações em seu desfecho que transforma o filme em um produto padrão, um formato mofado que já  não condiz com o nível de exigência do público atual, de certa maneira saturado pela banalização das adaptações de HQs no cinema e que obrigaram os estúdios a sacudirem os formatos com esses cross-overs anunciados recentemente (Os Vingadores, o primeiro deles, e mais recentemente, o encontro de Superman e Batman como continuação a O Homem de Aço e o encontro da nova geração com a velha geração dos X-Men em Dias de um Futuro Esquecido).
 
 

The Wolverine, 2013. Dir.: James Mangold. Roteiro: Mark Bomback e Scott Frank. Elenco: Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hiroyuki Sanada, Svetlana Khodchenkova, Brian Tee, Hal Yamanouchi, Will Yun Lee, Ken Yamamura, Famke Janssen. 126 min. Fox.

Nenhum comentário: