domingo, 29 de setembro de 2013

Curta: Elysium

Distrito 9 foi uma das grandes surpresas de 2009, a combinação de fatores aparentemente excludentes que deu certo: o favela movie e a ficção-científica. A impressão que Elysium passa, com o mesmo realizador da produção anteriormente mencionada, é a de que existiu uma tentativa de repetir a abordagem - o foco do sul-africano Neill Blomkamp ainda é a distopia terceiro-mundista -, mas com menos empenho e tratamento mais desleixado que Distrito 9. A trama do filme é ambientada em dois mundos distintos, a Terra, desgastada após anos de maus tratos pela humanidade, e Elysium, planeta artificial habitado pelos abastados do Primeiro Mundo. As metáforas políticas e sociais são sufocadas por uma trama linear de ação e os personagens recebem um tratamento superficial, sobretudo o protagonista vivido por Matt Damon, cujos propósitos não são bem claros ou mostram-se insuficientes para nos importarmos com sua própria existência na história (além disso, ao menos para nós da América do Sul, sai estranho inserir Damon em um núcleo protagonizado por atores latino americanos - além de Moura, Alice Braga e o mexicano Diego Luna). Damon parece mais um nativo de Elysium do que um dos habitantes esfolados da Terra. A participação mais interessante do longa (e ninguém aqui está puxando sardinha) é a de Wagner Moura, seu Spider é, disparado, o personagem mais multifacetado do filme.

 
Elysium, 2013. Dir.: Neill Blomkamp. Roteiro: Neill Blomkamp. Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Alice Braga, Wagner Moura, Sharlto Copley, Diego Luna, William Fichtner, Brandon Auret, Josh Blacker, Emma Tremblay. 109 min. Sony. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Curta: A Família


Luc Besson já fez muita besteira em sua carreira, mas ocasionalmente acerta a mão e nos presenteia como um filme como A Família, que se não é uma obra-prima, ao menos nos entretém com um bom elenco e uma dose equilibrada de humor negro. O novo longa do diretor é protagonizado por uma família de criminosos em reabilitação no interior da França. A trama é por vezes desencontrada e episódica, falta um norte para a narrativa ter mais consistência e mote. Fica evidente que a força e o interesse no longa reside no casal central interpretado por Robert DeNiro e Michelle Pfeiffer, sobretudo DeNiro que protagoniza uma sequência de auto-referência em um cine-clube discutindo Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese, longa de 1993 que protagonizou. O filme também revela o jovem John D'Leo, intérprete do filho do casal. O garoto é maduro o suficiente para apropriar-se das linhas mais irônicas do roteiro, um achado de Besson na mesma medida de Natalie Portman em O Profissional, de 1995.

 
The Family, 2013. Dir.: Luc Besson. Roteiro: Luc Besson e Michael Caleo. Elenco: Robert DeNiro, Michelle Pfeiffer, Tommy Lee Jones, Diana Agron, John D'Leo, Jimmy Palumbo, Domenick Lombardozi, Paul Borghese. 111 min. Paris Filmes

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Crítica: Rush - No Limite da Emoção

 
 O cinema norte-americano viveu e vive ciclicamente de histórias de superação. A trajetória do "vencedor" que contraria todas as expectativas e ultrapassa todos os obstáculos está no DNA da cinematografia hollywoodiana, é um conceito integrante da cultura norte-americana. O esporte é um universo propício para o surgimento desse tipo de narrativa (ecos de Rocky - O Lutador) e nessa esteira surge o novo filme de Ron Howard, que já havia navegado por essas águas oito anos atrás com A Luta pela Esperança, o Cinderella Man com Russell Crowe e Renée Zellweger. O trabalho em questão é Rush - No Limite da Emoção.
 
O filme é roteirizado pelo mesmo Peter Morgan responsável pelos roteiros de A Rainha e Frost/Nixon, um dos melhores trabalhos de Howard. Rush - No Limite da Emoção não supera o acabamento deste último, mas rende um filme cheio de vida, que conserva uma certa simplicidade narrativa, evitando descambar para as armadilhas do melodrama. O longa acompanha a marcante rivalidade da Fórmula 1 entre o inglês James Hunt e o austríaco Nikki Lauda. No auge de suas carreiras, na década de 1970, disputando em escuderias rivais, Hunt e Lauda protagonizaram algumas das corridas mais memoráveis da época. A relação entre os dois ficou mais tensa quando Lauda sofreu um grave acidente durante a competição no Japão e acabou tendo o rosto desfigurado pelas queimaduras, além de alguns órgãos afetados.
 
O trabalho de  Peter Morgan em Rush - No Limite da Emoção é bem mais modesto que o usual. O que, por sua vez, enaltece o esforço do diretor Ron Howard, diretor do longa. O vencedor do Oscar por Uma Mente Brilhante, conhecido por ser um realizador que segue a cartilha do roteiro, tem que desdobrar seu empenho em Rush - No Limite da Emoção.  Dessa forma, no lugar do diretor engessado pelo script, somos surpreendidos por um Ron Howard preocupado em entregar uma certa personalidade à história, com opções interessantes de passagem de tempo e uma preocupação com a narração imagética.
 
Howard também, como sempre, conta com o extraordinário desempenho de seus atores para compensar suas deficiências como diretor. No caso, em específico, o alemão Daniel Brühl (você deve se lembrar dele de Edukators ou Bastardos Inglórios), na pele do austríaco Nikki Lauda. Brühl oferece uma performance cheia de vida, carisma e entrega que é responsável pela fidelidade do espectador ao filme até o último minuto. Ainda que Lauda seja uma figura avessa às emoções, pragmática e antisocial por natureza, o vínculo entre ele e o público, fundamental para a evolução da trama, é mantido do início ao fim por Brühl, um ator minuncioso em sua composição e atento à natureza do seu personagem. Chris Hemsworth, o Thor, também encarna muito bem o playboy boa praça James Hunt. Apesar do sotaque britânico soar estranho (aliás não só o dele como o de Olivia Wilde, intérprete da esposa do personagem), Hemsworth consegue algo extremamente difícil na condução desse tipo de personagem, evitar que ele caia na antipatia da plateia.
 
Rush - No Limite da Emoção é o que Ron Howard pode fazer de melhor. O diretor nunca foi um exemplo de excelência entre seus pares, sempre demonstrou suas limitações em seus trabalhos. O que é mais interessante de se constatar com o tempo é que Howard aprendeu a reconhecer até onde consegue ir e até onde consegue se desafiar e se superar. Rush - No Limite da Emoção é a prova viva desse equilíbrio encontrado por um diretor que já errou feio em O Código Da Vinci, entregou o "arroz com feijão" em Uma Mente Brilhante e se superou em Frost/Nixon. Rush - No Limite da Emoção é o equilíbrio de um diretor que chegou à maturidade e sabe se cercar de bons atores e calcular os seus próprios passos.
 
 
Ron Howard Rush Body
 
 
Rush, 2013. Dir.: Ron Howard. Roteiro: Peter Morgan. Elenco: Chris Hemsworth, Daniel Brühl, Alexandra Maria Lara, Olivia Wilde, Natalie Dormer, Pierfrancesco Favino, Jay Simpson, Tom Wlaschiha, Patrick Baladi, Rebecca Ferdinando. 123 min. Califórnia Filmes.

sábado, 14 de setembro de 2013

Crítica: Invocação do Mal


Filmes de terror são produzidos em escala industrial a cada ano, mas produções como Invocação do Mal são um grão, precioso, muito precioso, na mediocridade infinita que se tornou esse que é um dos gêneros mais delicados para qualquer cineasta que se aventure por seus caminhos sinuosos. Delicado porque a probabilidade de transformar um longa de terror em um emaranhado sem fim de clichês e soluções mal encontradas é muito grande. Isso não acontece quando se encontra um roteiro inteligente, que resolve conferir corpo à narrativa com dramas e motivações fluidas para seus personagens, e uma direção sensível e disposta a oferecer abordagens interessantes e originais. Estas são as qualidades de Invocação do Mal e provavelmente um dos motivos que o tornaram um verdadeiro sucesso comercial da temporada, a prova de que nem todo filme de terror é estúpido e artificial e a de que o público ainda paga para assistir a uma boa história na tela grande.
O filme é baseado em um dos casos paranormais investigados pelo casal Ed e Lorraine Warren. Juntos, os dois resolveram inúmeras possessões e eventos sobrenaturais nos Estados Unidos, um deles, o mais emblemático, envolveu a família Perron e é contado em Invocação do Mal. A direção é de James Wan, diretor malasiano que foi responsável por outro sucesso do gênero, Sobrenatural, e que dirigiu o primeiro Jogos Mortais.
Em Invocação do Mal, Wan demonstra domínio da linguagem cinematográfica desde o início da projeção e, melhor, domínio dos artifícios do gênero. Evitando os sustos banais, Wan consegue articular movimentos de câmera originais, jogos de luzes, uso do som e da trilha sonora e uma montagem inteligente e coerente com a produção das sensações de tensão do filme. A verdade é que Wan consegue uma proeza que poucos diretores contemporâneos que se aventuraram pelo terror conseguiram, trazer para uma trama simples um nível altíssimo de urgência e empatia com as situações e emoções vividas por seus personagens. Todos eles são de carne e osso e não meras iscas para fantasmas e assassinos sanguinolentos e isso vai desde o casal de investigadores interpretado por Vera Farmiga e Patrick Wilson até a família Perron que é vítima dos fenômenos paranormais.
Dando ainda mais credibilidade ao trabalho de Wan, o elenco de Invocação do Mal é um primor, afiadíssimo. A começar pela sempre competente Farmiga, que, de tão talentosa, nem sentimos a presença de uma atriz interpretando na tela, mas sim uma personagem que, de fato, existe e se manifesta em emoções humanas e nada afetadas na tela. Como Lorraine Warren, Farmiga nos apresenta a uma mulher com convicções ideológicas e sentimentos bem sólidos, palpáveis. Seu parceiro de cena, Patrick Wilson é igualmente interessante, estabelecendo uma espécie de simbiose com a atriz, o que fortalece ainda mais a relação dos Warren aos olhos do público. Há ainda a ótima Lili Taylor como a matriarca dos Perron, carregando um fardo difícil ao seguir uma tradição no gênero, da qual é melhor não adentrarmos para não estragar a experiência.
Invocação do Mal é um respiro de inventividade e reverência ao bom filme terror, retirando o gênero da vala na qual costumou ser reduzido em função de péssimos tratamentos de roteiro e da subestimação da inteligência e da emoção das suas plateias em algumas produções feitas a toque de caixa. Com seu novo filme, James Wan dá ao terror o seu sentido basilar, o de revelar o que existe de melhor e pior na natureza humana, o de levar seus personagens ao limite e testar suas capacidades de se reconectarem com suas próprias crenças, medos e sentimentos. Que o diretor continue nesse caminho, a plateia agradece.


The Conjuring, 2013. Dir.: James Wan. Roteiro: Chad Hayes e Carey Hayes. Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor, Ron Livingstone, Shanley Caswell, Hayley MacFarland, Joey King, Mackenzie Foy, Kyla Deaver, Shannon Kook, John Brotherton. 112 min. Warner.

sábado, 7 de setembro de 2013

Curtas: O Ataque



Quando falamos sobre Invasão à Casa Branca alguns meses atrás mencionamos o quanto o filme protagonizado por Gerard Butler e Aaron Eckhart era repleto de ideias mofadas, atores desperdiçados e ideologias questionáveis. Curioso é que, em menos de seis meses, um outro filme com premissa similar chega aos cinemas, O Ataque, de Roland Emmerich, diretor preferido de filmes catástrofes como Independence Day, O Dia depois de Amanhã e 2012. Temos a Casa Branca invadida, a cabeça do presidente dos EUA à prêmio... Mas o mais curioso, e é nesse aspecto que O Ataque se diferencia (bem, até chegarmos na segunda página), é que a ameaça norte-americana é interna, entre os seus pares, o que torna o filme relativamente interessante. Emmerich testa o quanto pode o carisma do ator do momento, Channing Tatum (que segura muito bem as rédeas como heroi de ação) e conta com a credibilidade e eficiência de Jamie Foxx, Maggie Gyllenhaal e Richard Jenkins. Até que, do segundo ato em diante, Emmerich se rende de vez a gags e situações que se prolongam desnecessariamente.
 

White House Down, 2013. Dir.: Roland Emmerich. Roteiro: James Vanderbilt. Elenco: Channing Tatum, Jamie Foxx, Maggie Gyllenhaal, Richard Jenkins, Jason Clarke, Joey King, James Woods, Nicholas Wright, Jimmi Simpson, Rachelle Lefevre. 131 min. Sony.

Curtas: A Coleção Invisível



Há muitos anos que digo por aqui que a Globo Filmes desgasta o circuito comercial com um filão que é produzido como água: as comédias. A maioria delas ruins não por serem comédias, mas por serem mal feitas, a toque de caixa. Filmes como A Coleção Invisível, como tantos outros dramas, são feitos, mas a duras penas na pré-produção, pós-produção e tem uma dificuldade enorme para encontrar o seu público cativo. O longa de Bernard Attal, conduzido com muita sensibilidade e domínio da linguagem cinematográfica, é ambientado na Bahia e traz como protagonista Beto, um jovem que perde seu grupo de amigos em um acidente de automóvel. Ele passa a ter uma convivência mais frequente com a mãe e toma para si o negócio da família, um antiquário. Beto começa, então, a se envolver com a procura das obras de um artista pernambucano que foram compradas anos atrás por um fazendeiro. Ele viaja para o interior da Bahia para procurar esse homem e as obras em questão. A Coleção Invisível é um filme sobre o resgate de uma identidade através das reconexões do seu personagem com o passado de sua família e das suas relações com o mundo, com o que está ao seu redor, uma "rehumanização". Retratando a transformação de Beto ao longo da projeção, Vladimir Brichta tem um trabalho exemplar nesse longa. Comedido e minucioso em aspectos singelos da construção do seu personagem, o ator conquista a plateia mesmo que o filme opte pelo caminho da sugestão e não da exposição exacerbada de argumentos e situações passadas. O elenco de coadjuvantes é primoroso, passando pela impecável participação de Walmor Chagas, a última antes de sua morte, as de Clarisse Abujamra e Ludmila Rosa, esposa e filha do personagem de Chagas respectivamente, e o menino Wesley Macedo, uma revelação.
 

A Coleção Invisível, 2013. Dir.: Bernard Attal. Roteiro: Bernard Attal, Sérgio Machado e Iziane Mascarenhas. Elenco: Vladimir Brichta, Walmor Chagas, Ludmila Rosa, Clarisse Abujamra, Wesley Macedo, Conceição Senna, Frank Menezes, Paulo César Pereio. 89 min. Pandora Filmes
 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Crítica: Jobs

 
Alguns realizadores pensam que é fácil dirigir uma cinebiografia. Basta contar com a força de um ícone como protagonista, narrar linearmente todos seus passos, enaltecer os seus feitos, pincelar rapidamente suas falhas e pronto, o trabalho está feito. Ledo engano. Ao final da sessão de Jobs essa é a sensação que fica para boa parte do seu público, a de que o diretor Joshua Michael Stern se apoiou na força da imagem de Steve Jobs, acreditando que ela por si só bastava para fazer seu filme deslanchar, interferindo pontualmente ao longo da projeção através de clichês que já se tornaram piadas internas na comunidade cinéfila e não produzem efeito algum: as frases de efeito, os picos dramáticos do seu protagonista, a trilha sonora intrusa que tenta forçar emoções no espectador... Tudo isso está em Jobs  e somam-se a um fator que leva o filme em definitivo para a vala: o péssimo desempenho, para variar (ironia), de Ashton Kutcher.
 
Jobs acompanha a trajetória ascendente de Steve Jobs, desde à idealização da Apple, passando pela sua saída e retorno triunfal para a companhia, tornando-a uma das mais poderosas do mundo por levar até às últimas consequências dois conceitos básicos: a inserção da tecnologia no cotidiano dos seus usuários, não sendo esta um privilégio de poucos, e a aplicação do design em seus produtos. Jobs era um perfeccionista, amava o que fazia e, por isso, era obcecado pelo seu trabalho, deixando para segundo, terceiro, quarto ou quinto plano sua vida pessoal. Esse conceito permeia Jobs desde o início, ainda que atabalhoadamente.
 
A condução engessada e artificial de Joshua Michael Stern, além da linearidade burocrática do roteiro de Matt Whiteley, tornam a cinebiografia um trabalho precoce sobre uma figura tão importante quanto Jobs, fruto de uma necessidade precipitada de levar para as telas, de qualquer jeito e o mais rápido que fosse, a vida do empresário após a sua morte. Aaron Sorkin, roteirista vencedor do Oscar por A Rede Social, estava idealizando um outro projeto sobre Jobs e, a julgar pelo lançamento e pela péssima repercussão desse aqui, nem sei em que pé está.

As comparações entre a estrutura narrativa pouco esforçada de Jobs e a impecável condução de A Rede Social, que abordava um universo semelhante,  me vieram logo na cabeça. Inevitável. A Rede Social, de maneira impecável, fez o seu Cidadão Kane contemporâneo. O filme sobre a criação do Facebook era algo que ia além da própria criação da rede social, discutindo questões da ordem do dia, como as frágeis relações interpessoais na era da internet, os impérios da comunicação liderados por jovens gênios e a legitimidade da autoria de uma criação. Jobs não explora qualquer possibilidade temática que extrapole a figura do seu protagonista, fazendo com que, paradoxalmente, ao enfocar sua narrativa em um só homem e não no seu entorno não consiga dimensionar a importância do seu legado e das suas ideias para o mundo dentro da sua própria esfera narrativa.
 
Como se não bastasse a enfadonha e pálida condução, o longa conta com um protagonista que sofre para conseguir retratar Steve Jobs com o mínimo de complexidade e contradição que sugere. Ashton Kutcher ainda não está preparado para algo como Jobs, que poderia até encontrar sua redenção caso contasse com uma atuação que conseguisse suprir as falhas narrativas. Kutcher oscila entre a imitação carregada do biografado, acreditando que o simples fato de andar encurvado e com passos pesados conferem qualquer tipo de credibilidade ao seu trabalho, e os momentos em que simplesmente é Ashton Kutcher, ficando difícil dizer em quais situações está mais embaraçoso. Kutcher não consegue segurar um momento dramático sequer nesse filme. A sorte do rapaz é ter como coadjuvante Josh Gad, que, em uma única cena (na qual contracena com o próprio Kutcher!), consegue ser o coração de todo o filme como Steve Wozniak, parceiro de Jobs na empreitada da Apple.
 
Reduzindo a narrativa a explicações técnicas sobre as invenções de Jobs (algo que sinceramente só fará diferença para quem é da área e não oferece para o espectador leigo, que tem sim o direito de assistir ao filme, uma percepção sobre os feitos do protagonista, como já dito), Jobs é uma cartilha do que há de mais constrangedor em "filmes baseados em fatos reais" ou "biografias cinematográficas". Como já dito, um projeto prematuro que caiu nas mãos erradas. Esperasse um pouco mais, parando nas mãos habilidosas de criadores como Aaron Sorkin, e, quem sabe, seu resultado fosse tão ousado quanto o próprio legado de Steve Jobs...
 
 

Jobs, 2013. Dir.: Joshua Michael Stern. Roteiro: Matt Whiteley. Elenco: Ashton Kutcher, Josh Gad, Dermot Mulroney, Lukas Haas, Matthew Modine, J.K. Simmons, Lesley Ann Warren, Ron Eldard, Ahna O'Reilly, Victor Rasuk. 128 min. Playarte.