quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Crítica: Trapaça


Desde o lançamento de O Vencedor em 2010, David O.Russell, realizador conhecido no circuito alternativo por Procurando Encrenca ,Três Reis e Huckabees - A Vida é uma Comédia, vive uma nova fase da sua carreira em que passou a flertar com o Oscar, estando junto com o produtor Harvey Weinstein a frente de produções que, para o bem ou para o mal, traziam elementos que pareciam seduzir os votantes da Academia com estratégias "manjadas", como o melodrama, as mensagens de superação e o elenco com grandes e jovens estrelas em ótimas atuações. Assim era O Lado bom da Vida. Não que Trapaça abra mão dessas "armas", mas ao menos é um filme que desde o início se apresenta como é, sem subterfúgios, sem a "conversa fiada" da "comédia romântica alternativa" que O Lado bom da Vida espertamente defendia. 

Trapaça tem como protagonista Irving Rosenfeld (Christian Bale), um golpista que trabalha junto com sua sócia e amante, a jovem Sydney Prosser (Amy Adams). Os dois são pegos por Richie DeMaso (Bradley Cooper), agente do FBI, que os obriga a colaborar em um esquema de investigação da máfia para promovê-lo em seu departamento policial. O grupo acaba envolvendo na armação o honesto político Carmine Polito (Jeremy Renner) e a esposa de Irving, Rosalyn Rosenfeld (Jennifer Lawrence), uma instável dona de casa que pode colocar todo o esquema deles a perder.

Assim, Trapaça é um sexy e divertido filme de gênero - flerta com o que se convenciona chamar filme de roubo ou trapaça -, um razzle dazzle na temporada de premiações, puro show, entretenimento escancarado, ambientado na excitante década de 1970, com um elenco afiado e se divertindo muito em seus respectivos papéis. No entanto, o que faz a gente respirar aliviado em Trapaça e considerá-lo como um dos mais interessantes filmes da recente fase de David O.Russell é que este é o longa que mais dialoga com algumas das marcas do diretor nos seus primórdios, um cinema que tem em sua montagem e no seu mise en scène características bem peculiares. 

Já que mencionamos o mise em scène apresentado em Trapaça como um típico representante das marcas do seu diretor, o excelente trabalho que O.Russell realiza com seu elenco não pode deixar de ser comentado. Christian Bale, Bradley Cooper, Jeremy Renner e Robert DeNiro, este último em participação impagável, estão excelentes em suas funções, mas o destaque de Trapaça é mesmo a sua dupla feminina: Amy Adams e Jennifer Lawrence. Amy Adams é uma atriz de sutilezas e não de grandes caracterizações, talvez por isso suas interpretações, sempre lembradas em prêmios, sejam tão subestimadas. Aqui, Adams administra com destreza o papel da típica trapaceira, personagem com múltiplas facetas e "personalidades" na tela. Alma gêmea de Irving, papel de Christian Bale, Sydney está tão envolvida no jogo de gato e rato que a simulação de sentimentos já está impregnada em sua própria existência. Não que Sydney não se preocupe com os outros ou deixe de nutrir sentimentos verdadeiros por eles (ela é de fato apaixonada pelo Irving e sente pena por não atender às expectativas de Richie), mas sua sobrevivência está acima de todos eles e mesmo que doa na sua própria carne enganar Richie, por exemplo, ela vai até o fim  e sem remorso com seus planos. Adams consegue definir muito bem os propósitos dessa personagem: a sua inteligência, o seu poder de persuasão, o seu sex appeal, enfim, as suas inúmeras demandas. A personagem da Adams talvez seja a que carrega consigo todo o propósito do filme desde o início, o de contar uma história, ainda que torta, sobre sobreviventes. Já Jennifer Lawrence rouba todos os momentos em que surge em cena como a descontrolada Rosalyn, cuja escassa vida social e a crescente desatenção do marido a tornam uma verdadeira bomba relógio prestes a destruir os planos e as certezas de todos os personagens. Lawrence conduz Rosalyn com muito humor, mas sem perder a sua linha dramática e os seus conflitos, entre eles o receio de perder a "estabilidade" que a vida de casada representa para ela.

Em uma determinada cena de Trapaça, Richie DeMaso, personagem de Bradley Cooper, conta para Edith Greensly, brevemente, a caminho de uma boate,  alguns dados a respeito da sua vida infeliz. Por um breve instante, ela se enternece pelo parceiro e sente que ele está em situação semelhante a sua, dois miseráveis tentando sobreviver e se dar bem na vida. No entanto, em nome dessa mesma necessidade de sobreviver, Edith sai desse estado de compaixão e volta a si, lembra que é na verdade Sydney Prosser (Amy Adams) e que, infelizmente, os seus interesses devem prevalecer sobre os interesses de Richie. Essa passagem não só define o instinto dos principais personagens de Trapaça como dá tônus ao tema central dessa deliciosa fita que retoma um subgênero que o cinema norte-americano ama por excelência, os filmes sobre vigaristas. Assim, o novo longa de David. O.Russell é uma ingloriosa história sobre sobrevivência, mas antes de mais nada um filme que não tem medo de assumir a sua veia pop sem estabelecer compromisso com qualquer outro propósito. Nas suas linhas gerais, Trapaça é um filme de gênero agradável que se assume que seduz e entretém as plateias com seus jovens, bonitos e talentosos atores, sem ofender a inteligência do espectador. É pura Hollywood old school!

P.S.: Após analisar Trapaça, gostaria de fazer uma digressão sobre o filme e sobre o seu atual contexto de exibição. Determinadas situações que surgem a partir das indicações ao Oscar são curiosas. Os filmes indicados ao prêmio principal, sobretudo se são mencionados em muitas categorias, acabam sendo avaliados nas críticas não por seus méritos enquanto obras ou suas relações com o histórico dos seus cineastas, mas pelo merecimento ou não de estarem na lista de melhores filmes do ano. É como se críticos e cinéfilos não conseguissem avaliar esses dois aspectos da obra em suas duas faces, o que o filme em si representa enquanto proposta e resultado e, em outro momento, a sua presença na edição do prêmio Oscar. Tratam-se de dois tipos de avaliações diferentes. No caso de Trapaça é como se o fato de ter recebido 10 indicações ao Oscar já trouxesse para o longa um argumento indelével contra ele em comparação com os outros indicados. É como se a equação entre proposta e resultado promovida pelo diretor David O. Russell pouco importasse, o que interessa é avaliar o seu filme em comparação com Gravidade, 12 Anos de Escravidão ou qualquer outro longa da lista desse ano. Independente do público ter visto ou não os seus concorrentes, o que interessa é essa marca das 10 indicações em seu currículo. Claro que uma crítica não se atém apenas a elementos internos da própria obra, mas também aos seus elementos externos (e a filmografia do realizador, os gostos de cada crítico e vários outros cumprem bem esse papel), mas o que se percebe é que há, com muita frequência, uma confusão entre a avaliação do filme com uma análise sobre a premiação em si.

Não sei se estou entrando em contradição com essa linha de raciocínio, mas entendam, não desejo fazer dessas observações um repúdio aberto ao Oscar, até porque seria incoerente da minha parte já que sempre considerei a temporada de prêmios uma das mais divertidas do ano para cinéfilos (sim, porque tenho em mente que nem sempre, repito, nem sempre, o Oscar é um prêmio para a qualidade artística e isso não depõe contra ele, o Oscar é uma espécie de jogo no qual todos especulam sobre os gostos médios de um grupo que vota em filmes por motivos diversos, entre eles, a qualidade artística, mas não só ela). O que quero dizer é que quando um filme atinge uma combinação em nível elevado de popularidade e reconhecimento em prêmios, logo surgem os "espertos" detratores para dizer: "Não entendo porque estão falando tanto desse filme. O filme não é tão bom assim...". De certa maneira, Trapaça tem sido "vítima" desse processo não só por estar recebendo prêmios e roubando um certo favoritismo de 12 Anos de Escravidão e Gravidade, mas também por ser o mais popular e divertido longa da temporada. E que mal há nisso? A menos que esse grupo dê argumentos consistentes e sólidos para irem contra Trapaça (tirando a sombra das premiações do seu próprio julgamento) não há motivo para repudiar um filme que te entretém de maneira deliciosa por cerca de duas horas sem ofender a sua condição de ser pensante. Frisando, a menos que existam argumentos consistentes, não há motivo para se detestar um filme tão agradável quanto Trapaça. Caso tenha argumentos consistentes, desconsiderem essa breve análise e vamos ao que interessa, o filme.



American Hustle, 2013. Dir.: David O. Russell. Roteiro: David O. Russell e Eric Warren Singer. Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, Michael Peña, Louis C.K., Alessandro Nivola, Elisabeth Rohm. 138 min. Sony.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Crítica: O Lobo de Wall Street


Dirigindo-se a um auditório cheio de indivíduos ávidos por uma resposta para seus problemas financeiros, Jordan Belfort oferece a cada um uma caneta e pede para que eles o convençam a comprá-la de alguma maneira. Belfort não ouve uma única resposta convincente, um fala sobre as qualidades estéticas do objeto, o outro fala sobre a sua durabilidade, mas nenhum deles lança a resposta que o jovem palestrante recém saído da cadeia e em condicional queria ouvir e que ele mesmo daria para a questão caso fosse indagado: "Compre a caneta porque você precisa dela!". Essa sequência que encerra O Lobo de Wall Street traz a ideia que norteia toda a crítica à sociedade do consumo que Martin Scorsese, esbanjando a mesma vitalidade cinematográfica de alguns dos seus mais icônicos trabalhos, traz para um filme que não mede esforços ao mostrar o que existe de pior no ser humano, a sua ganância, moldada pela dependência por necessidades de consumo artificiais fabricadas por uma logística financeira que não poupa ninguém.
 
O Lobo de Wall Street traz a ascensão do jovem Jordan Belfort no mercado financeiro em Wall Street na década de 1980, logo após o fatídico episódio da "Segunda-feira Negra", que fez a bolsa de Nova York despencar cerca de 500 pontos. Em meio a esse cenário, através de transações ilegais, Jordan consegue acumular uma fortuna, o que acaba chamando muita atenção para sua vida cheia de excessos e tornando-o a peça central de uma investigação promovida pelo FBI. Baseado nas memórias do próprio Belfort, Scorsese faz do longa uma narrativa episódica repleta de passagens do seu protagonista pelo mundo das drogas, dos crimes de colarinho branco, da prostituição e das festas cheias de ostentações e excentricidades, acompanhando todos esses relatos até a sua derrocada no início dos anos de 1990.
 
Diferente do que vêm se argumentando na imprensa norte-americana, O Lobo de Wall Street não é uma carta apaixonada de Martin Scorsese a indivíduos como Jordan Belfort, que não hesitam em cometer as maiores barbaridades em prol do benefício próprio e sequer demonstram um pingo de compaixão pelo próximo. A abordagem de Scorsese é expositiva, sem maiores interferências ou tentativas de sugerir conclusões para o seu espectador. A mensagem é muito mais sutil do que as aparências, o que o cineasta quer é através do exagero e da exposição ao ridículo dos seus personagens fazer o espectador refletir sobre a própria engrenagem de lucro, consumo e trabalho que acaba nos tornando escravos fora de si, indivíduos cegos, frios, incontrolavelmente repulsivos e sem freios. Não há adesão ou fascínio do diretor por aquele universo, muito pelo contrário. Scorsese acaba enredando o público nessa alegoria repleta de cores e atrativos para em seguida nos questionar: é por esse tipo de vida e por esse tipo de gente que vocês estão mesmo fascinados? Esse é o principal êxito de O Lobo de Wall Street.
 
Os personagens do filme são basicamente definidos por suas ações, indistintos em personalidade como uma manada de animais ensandecidos. Não há propriamente individualidades, mas o trabalho conjunto de um elenco afiado formado por Leonardo DiCaprio, Jonah Hill (os dois protagonizam uma das cenas mais absurdas já vistas no cinema e que envolve o efeito colateral de uma das drogas consumidas pela dupla), Margot Robbie, Matthew McConaughey (em participação espirituosa) e Jean Dujardin (o vencedor do Oscar por O Artista dando conta do recado). Scorsese conferiu um tom uníssono de histrionice que está à serviço da própria proposta da sua obra. Claro que Leonardo DiCaprio é o grande destaque por liderar essa embarcação que parece ter saído de um manicômio, mas não há construção individualizada de personagens multidimensionais já que todos tornam-se animais irracionais utilizando os mais baixos recursos para conseguir mais e mais dinheiro, mais e mais poder. Ou seja, mais uma decisão certeira na direção de Scorsese. Talvez a única distinção feita nesta seara seja para o personagem de Kyle Chandler, o agente do FBI que investiga Belford, não por acaso, um dos poucos corretor do grupo (aliás, uma interpretação subestimada e pouco comentada).
 
Sem querer parecer saudosista, os anos de 1970 e 1980, somando-se a essas décadas o brilhante Os Bons Companheiros, continuam sendo a melhor fase de Martin Scorsese. No entanto, O Lobo de Wall Street por manter diálogo com algumas das melhores obras do diretor ganha lugar de destaque na sua recente filmografia. Excessivo e sem concessões, Scorsese expõe o lado mais asqueroso do ser humano através do ridículo, da ironia, e não há nenhuma apologia a isso. Caso a pura diversão e a idolatria dos personagens dominem a plateia, sem a mínima reflexão sobre os seus atos, já não é mais problema do cineasta pois ele mesmo oferece mecanismos para irmos no sentido contrário. A adesão ou não ao estilo de vida de Jordan Belford é algo que não está nas mãos de O Lobo de Wall Street, que, por sinal, traz, através do humor, muito mais uma crítica a esse tipo de comportamento do que uma carta de amor incondicional aos seus principais agentes.



The Wolf of Wall Street, 2013. Dir.: Martin Scorsese. Roteiro: Terence Winter. Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Jean Dujardin, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Favreau, Joanna Lumley, Cristin Milioti, Christine Ebersole. 180 min. Paris Filmes.

sábado, 18 de janeiro de 2014

SAG Awards 2014: Atores de Trapaça foram escolhidos como o melhor elenco e Clube de Compras Dallas vence dois prêmios

Poucas surpresas no anúncio dos vencedores da premiação do sindicato dos atores, o SAG Awards, em sua 20ª edição. Cate Blanchett, melhor atriz por Blue Jasmine, confirma o seu favoritismo, assim como Jared Leto, melhor ator coadjuvante de Clube de Compras Dallas. Já Matthew McConaughey, melhor ator por Clube de Compras Dallas, juntou mais uma vitória acumulando prêmios desde o Globo de Ouro.
Dois prêmios-chave da noite deixaram ainda mais dúvidas para o Oscar. Trapaça ganhou o SAG de melhor elenco, prêmio máximo do sindicato (seria o equivalente a melhor filme), indicando o que os atores votantes da Academia, ainda uma maioria, podem escolher como o melhor filme no Oscar. Já Lupita Nyong'o levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante por 12 Anos de Escravidão, derrotando os apelos por uma vitória de Jennifer Lawrence, a única do elenco de Trapaça com uma indicação ao SAG.
Esse arranjo do SAG deixa ainda mais acirrada a disputa entre Trapaça e 12 Anos de Escravidão, não excluindo ainda da batalha Gravidade que só não brilhou no SAG por um motivo óbvio, é o show de apenas uma mulher, Sandra Bullock. Com mais essa etapa da temporada encerrada, vamos esperar o que nos aguarda as escolhas de outros sindicatos, como o dos produtores e dos diretores, que podem nos dá certezas mais firmes sobre qual dos três longas tem mais chance de sagrar-se campeão no Oscar 2014, dia 02 de março.

Dying to see - 10 filmes para 2014

 
 
#1. Maps to the Stars
Dir.: David Cronenberg
Elenco: John Cusack, Julianne Moore, Robert Pattinson, Mia Wasikowska, Sarah Gadon, Olivia Williams, Carrie Fisher
 
Possível destaque do próximo Festival de Cannes, o novo longa de David Cronenberg (Marcas da Violência) promete ser uma mordaz crítica à sociedade midiática ao explorar a obsessão do público por celebridades. O filme conta a história da família Weiss a partir de Stafford, personagem de John Cusack, um terapeuta que ganhou fortunas com seus livros de auto-ajuda, casado com com uma agente de Hollywood, Christina (Olivia Williams), que administra a carreira do próprio filho, um jovem ator de TV. O mosaico de personagens ainda traz a filha do casal (Wasikowska), garota que acaba de sair de uma clínica psiquiátrica e se apaixona pelo motorista da família, vivido por Robert Pattinson, um jovem aspirante a ator; e Havana, interpretada por Julianne Moore, uma estrela de cinema que se submete ao tratamento de Stafford.
Razões para ver: Maps to the Stars traz ecos de Cidade dos Sonhos, de David Lynch, o que já é uma ótima referência. Além disso, trata-se de um filme de David Cronenberg, ou seja, muita violência e crítica social reunidas com um elenco que promete render muito. Sim, Robert Pattinson virou a obsessão do diretor desde Cosmópolis, mas diferente de alguns cinéfilos incrédulos, acredito que exista redenção para o ator. Pattinson parece seguir os passos de Brad Pitt, que, desacreditado no início da sua carreira, fez o que todo jovem ator que deseja de fato aperfeiçoar a sua arte deveria fazer: passou a trabalhar com os melhores diretores disponíveis. Ao menos Pattinson está tentando ao trabalhar com os melhores, como Cronenberg e Werner Herzog No entanto, Maps to the Stars não deve ser reduzido a Robert Pattinson e todos esperam desempenhos espetaculares de John Cusack, Olivia Williams, Mia Wasikowska e, principalmente, Julianne Moore (Oscar alert!!!). 
Data de estreia no Brasil: Indefinida.

 #2. How to Catch a Monster
Dir.: Ryan Gosling
Elenco: Christina Hendricks, Saoirse Ronan, Eva Mendes, Matt Smith

Ryan Gosling deu um tempo em sua carreira de ator para se dedicar às filmagens do seu primeiro longa metragem, a fantasia How to Catch a Monster. O filme terá como protagonista sua parceira de cena em Drive, Christina Hendricks, que viverá uma stripper cujo filho descobre uma passagem secreta para um universo paralelo, uma cidade aquática soturna e cheia de mistérios. O filme foi roteirizado pelo próprio Gosling que preferiu não dar maiores detalhes sobre a produção.
Razões para ver: Quando um jovem ator tão interessante por suas escolhas como Ryan Gosling se aventura assim no outro lado da câmera já é motivo o suficiente para aguardarmos um bom filme. A proposta de How to Catch a Monster, uma produção inicialmente independente, impressionou tanto os executivos de Hollywood, que, durante o Festival de Cannes no ano passado, a Warner anunciou uma parceria com o diretor estreante para a realização e distribuição do filme.
Data de estreia no Brasil: Indefinida

#3. Interstellar
Dir.: Christopher Nolan
Elenco: Matthew McConaughey, Jessica Chastain, Anne Hathaway, Michael Caine, Casey Affleck, Topher Grace, Ellen Burstyn, Wes Bentley.
 
Depois de encerrar suas funções na trilogia O Cavaleiro das Trevas, Christopher Nolan parte para realizar a carreira que sempre quis. Seu próximo projeto é Interstellar, ficção-científica que conta com um elenco formado por novos e antigos colaboradores do cineasta. A sinopse do longa, como todo bom filme de Nolan, é cercada de segredos. Sabe-se apenas que a produção trará um grupo de exploradores que fará uso de um novo mecanismo para realizar viagens no tempo. O primeiro teaser já foi lançado e com ele toda sorte de reações empolgadas foram exteriorizadas. Aguardamos ansiosos o que a mente de Nolan pode criar a partir de uma história que ele diz ter buscado inspiração em 2001 - Uma Odisseia no Espaço.
Razões para ver: Poucos cineastas na atualidade conseguem fazer tramas tão cerebrais quanto Nolan. O realizador perdeu seu diretor de fotografia, Wally Pfister estreará como diretor em 2014 com Transcendence, é verdade,  mas chamou Hoyte Van Hoytema para substituí-lo (Hoytema é colaborador constante de Tomas Alfredson, sendo responsável pela fotografia de Deixe ela entrar e O Espião que sabia demais). Além desses fatores, sua combinação de atores sempre é certeira e mal podemos esperar para ver o que Nolan reserva a Matthew McConaughey e Jessica Chastain, os newcomers da vez.
Data de estreia no Brasil: Segundo semestre
 
#4. Gone Girl
Dir.: David Fincher
Elenco: Ben Affleck, Rosamund Pike e Neil Patrick Harris.
 
Baseado no best-seller Garota Exemplar, de Gillian Flynn, Gone Girl é a próxima empreitada de David Fincher. Trata-se de um thriller com pitadas de romance que conta a história de um homem em busca de respostas para o desaparecimento de sua esposa, que não foi vista desde o aniversário de casamento dos dois. Aos poucos todos começam a descobrir o que se passava de fato na intimidade do casal e percebem que eles não formavam o par perfeito que todos imaginavam.
Razões para ver: A capa da última edição da Entertainment Weekly atiçou a curiosidade de cinéfilos de todo o mundo (imagem reproduzida acima). Parece trazer uma estranha combinação de aspectos conflitantes na carreira de Fincher: o diretor sempre foi exímio em thrillers e tramas mais frias, como Seven, Clube da Luta e A Rede Social, mas demonstra uma ligeira inabilidade quando cuida de histórias mais emocionais, é o caso de O Curioso Caso de Benjamin Button. Gone Girl parece exigir do diretor qualidades tanto de um lado quanto do outro, assim fica a curiosidade para o que essa combinação nos reserva. Sobre o elenco, apesar do óbvio destaque dado a Ben Affleck, os olhares serão voltados para Rosamund Pike, que tem enfim sua grande oportunidade e disputou de maneira ferrenha o papel principal com Keira Knightley e Carey Mulligan.
Data de estreia no Brasil: Segundo semestre
 
#5. Inherent Vice
Dir.: Paul Thomas Anderson
Elenco: Joaquin Phoenix, Reese Whiterspoon, Owen Wilson, Maya Rudolph, Benicio Del Toro, Josh Brolin.
 
Todos que acompanham o blog sabem que temos uma carteirinha do fã clube do cineasta Paul Thomas Anderson. Não importa o que ele faça, sempre valerá nossa atenção. Esse ano, Anderson voltará com a adaptação do romance de Thomas Pynchon, Inherent Vice, na tradução Vício Inerente. Trata-se de uma trama policial com elementos de humor negro (e vamos adorar essa combinação nas mãos de Anderson, não?) que se passa em Los Angeles, na década de 1970, e contará a história de um detetive viciado em drogas, interpretado por Joaquin Phoenix, que investiga o desaparecimento de sua namorada.
Razões para ver: Paul Thomas Anderson, Paul Thomas Anderson e Paul Thomas Anderson! Para não ser mais "bairrista", será a segunda parceria do realizador com Joaquin Phoenix, sendo que a última rendeu aquela interpretação avassaladora do ator em O Mestre. Dessa vez, o diretor parece ter voltado ao formato "filme de elenco" que o lançou ao panteão dos melhores cineastas da contemporaneidade com filmes como Magnólia e Boogie Nights, com muitos núcleos dramáticos formados, em sua maioria por atores conhecidos na comédia, como Reese Whiterspoon, Owen Wilson e Maya Rudolph, esposa do diretor. Além deles, Josh Brolin e Benicio Del Toro completam a trupe.
Data de estreia no Brasil: Indefinida
 
#6. Capitão América 2 - O Soldado Invernal
Dir.: Anthony e Joe Russo
Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Robert Redford, Emily VanCamp.
 
Não sou muito fã da Marvel. Em prol do seu projeto Os Vingadores, o estúdio transformou seus  filmes em fitas de ação uniformes e pouco ousadas em sua narrativa e estética. Contudo, Capitão América - O Primeiro Vingador é uma obra que se destaca dos demais por sua "personalidade" . O longa de Joe Johnston foi apresentado ao público como um autêntico exemplar de matinês da ingênua década de 1980 (ecos de Os Caçadores da Arca Perdida) e atingiu em cheio os nossos corações. O segundo longa, pós-Vingadores trará o herói para um contexto atual. Dessa vez, o personagem de Chris Evans enfrentará o Soldado Invernal, vilão que tem conexões com o passado do Capitão América mostrado no filme anterior.
Razões para ver: A principal razão para assistir essa continuação é o êxito da primeira fita. Além disso, Capitão América é um dos raros personagens a abraçarem as características universais do super-herói, como a ética e o senso de justiça, sem torná-lo um clichê ambulante de frases feitas. A grande questão desse novo longa é até que ponto essa ambiência do personagem em um contexto contemporâneo prejudicará a fita e a tornará mais um filme Marvel na mesma forminha usada em Homem de Ferro e Thor (tédio define). Há boatos, vindos de sessões-teste, de que o filme traz interessantes reflexões sobre a corrida armamentista norte-americana, tomare que se confirmem. Confira o trailer aqui.
Data de estreia no Brasil: 1º de maio.
 
#7. Godzilla
Dir.: Gareth Edwards
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Juliette Binoche, Bryan Cranston, Sally Hawkins, Elizabeth Olsen, Ken Watanabe, David Strathairn,
 
Alguém deve estar se perguntando: Sério? Godzilla? Sim, Godzilla. E tratem de esquecer aquela tragédia em forma de filme lançada em 1998 com Matthew Broderick! O filme de Gareth Edwards promete trazer o personagem de volta a suas origens, mas tratando-o como uma grande (literalmente) metáfora para o terrorismo.
Razões para ver: É o pai dos filmes sobre monstros. Dirigido por um promissor cineasta (Gareth Edwards fez um filme chamado Monstros em 2010), o longa deve conferir um tom mais sombrio e urgente que a fita de Roland Emmerich de 1998. A cada nova imagem, trailer e pôster divulgado, o longa faz justificar a grande quantidade de atores renomados que o diretor conseguiu para o seu elenco. Promete ser o blockbuster surpresa da temporada de férias, tendo o mesmo efeito que Planeta dos Macacos - A Origem em 2011. Confira o trailer aqui.
Data de estreia no Brasil: 16 de maio.
 
#8. Knight of Cups
Dir.: Terrence Malick
Elenco: Christian Bale, Natalie Portman, Cate Blanchett, Isabel Lucas, Jason Clarke, Antônio Banderas, Freida Pinto, Wes Bentley, Teresa Palmer, Imogene Poots.
 
Amor Pleno pode ter decepcionado muitos fãs do cinema de Terrence Malick, mas o diretor pode se recuperar em 2014 com um projeto bem promissor. O cineasta pretende lançar dois filmes que têm suas conexões ao abordarem os bastidores da indústria do entretenimento a partir de uma perspectiva amorosa. O primeiro desses longas é Knight of Cups, que tratará sobre o universo da música e tem Christian Bale, com quem o diretor já trabalhou em O Novo Mundo, e Natalie Portman como protagonistas (isso é, até o diretor não mudar de ideia na fase de montagem do projeto, né?). O segundo filme, já rodado, mas sem título ou data de estreia definida, terá Hollywood como principal cenário e "personagem", trazendo Ryan Gosling e Rooney Mara como destaques.
Razões para ver: Malick é um tipo de cineasta que agrada apenas o seu grupo de fãs ao manter-se fiel a sua assinatura. Então se você não gosta do cinema contemplativo do diretor, poderá não ficar tão fascinado assim com Knight of Cups, que deve seguir a mesma abordagem de longas anteriores da carreira do cineasta como Além da Linha Vermelha ou A Árvore da Vida. Se é fã de Malick como eu, Knight of Cups deve valer muito a pena.
Data de estreia no Brasil: Indefinida
 
#9. Guardiões da Galáxia
Dir.: James Gunn
Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Bradley Cooper (voz), Benicio DelToro, Glenn Close, John C.Reilly, Djimon Hounsou
 
Adaptação da pouco conhecida HQ da Marvel, Guardiões da Galáxia tem a pretensão de ser a franquia que fará a cabeça do público em 2014. O longa é ambientado em um planeta Terra do século XXXI e traz a história de Peter Quill, um piloto norte-americano (Chris Pratt) que rouba uma esfera e passa a ser perseguido por vários caçadores de recompensas. Para se desvencilhar da caçada, ele se junta a um grupo de criaturas incomuns, que logo descobrem junto com Quill que a esfera possui o poder de mudar os rumos do universo.
Razões para ver: Os leitores do blog podem estranhar a presença de mais um filme da Marvel na lista, mas, assim como Capitão América - O Primeiro Vingador em 2011, Guardiões da Galáxia força o estúdio a sair da sua zona de conforto e adentrar em um universo que os obriga a trazer uma nova abordagem cinematográfica. Trazer esse grupo de heróis completamente anacrônico e desconhecido do grande público (bem diferente do que eles fizeram até então), pode ser um risco, mas pode ser um risco que valha a pena correr e nos apresente a uma nova e mais interessante Marvel.
Data para a estreia no Brasil: 1º de agosto.

#10. Noé
Dir.: Darren Aronofsky
Elenco: Russell Crowe, Jennifer Connelly, Anthony Hopkins, Emma Watson, Logan Lerman

Assim como aconteceu com os musicais e o western, outro clássico gênero do cinema será revisitado para as novas gerações, o épico bíblico. Antes de conferirmos a versão da história de Maomé dirigida por Ridley Scott e com Christian Bale no papel principal, assistiremos a Noé, nova empreitada do diretor Darren Aronofsky, de Cisne Negro, cujo personagem título será vivido por Russell Crowe. O filme acompanhará a conhecida história da Arca de Noé, porém com um tratamento bem mais sombrio que o esperado (afinal é um filme de Darren Aronofsky).
Razões para ver: Apesar dos boatos de conflitos entre o realizador e o estúdio, Noé promete ser um filme autêntico e condizente com a carreira do sempre pertinente Darren Aronofsky. Crowe promete um grande desempenho já que sempre é eficiente em papéis que trazem uma grande demanda física. Além disso, está acompanhado por um elenco talentosíssimo, que inclui Jennifer Connelly e Anthony Hopkins como os principais destaques. Confira o trailer aqui.
Data para a estreia no Brasil: 21 de março.

Previsões: SAG Awards 2014


Semana atribulada para quem ama a temporada de premiações. Na noite desse sábado (18), acompanharemos mais um capítulo dessa saga anual com a entrega do prêmio do sindicato dos atores, o SAG Awards (Screen Actors Guild Awards). Menos popular que o Globo de Ouro entre o público brasileiro, o SAG Awards é o melhor indicador para os possíveis vencedores do Oscar nas categorias de atuação (aliás, como toda premiação de sindicato em suas respectivas áreas), já que seu quadro demográfico de votantes coincide em boa parte com o quadro de votantes do Oscar. Aliás, o SAG é interessante não só para apontar as vitórias do Oscar nas categorias de interpretação, mas também na categoria "melhor filme", tendo em vista que seus votantes ainda são a maioria na Academia.
 
Bom, vamos aos palpites para a noite de hoje (para conferir a lista completa de indicados ao SAG, clique aqui):
 

Trapaça é a aposta do blog para a categoria principal do SAG, "melhor elenco" (o SAG não tem a categoria "melhor filme"). O filme tem as estrelas do momento e acaba de conquistar indicações para eles em todas as categorias de atuação do Oscar, sinal de que os atores amam o filme. Além disso, o longa de David O. Russell vem em uma ascendente impressionante na temporada de premiações desde dezembro. No entanto, o longa com o maior número de indicações ao SAG Awards foi 12 Anos de Escravidão, que ainda aguarda o seu grande momento nessa temporada (será que vem no Oscar?)
 
Já a melhor atriz da noite deve ser, com uma larga folga, Cate Blanchett, de Blue Jasmine. Não vejo motivos para o sindicato  dos atores escolher outra de suas concorrentes, sobretudo por Cate estar em um filme do Woody Allen, uma figura venerada por esse grupo de votantes. Da mesma forma que o favoritismo de Cate parece intacto, Jared Leto surge imbatível como candidato a melhor ator coadjuvante por Clube de Compras Dallas, cuja ameaça pode ser o falecido James Gandolfini, de À Procura do Amor. Digo isso porque o SAG tem uma comissão formada por um grupo de atores e Gandolfini foi uma das perdas mais sentidas do ano passado. Há a possibilidade deles quererem fazer uma última homenagem, ainda que o ator tenha surgido esporadicamente nas principais listas de prêmios por esse trabalho.
 
A disputa entre os atores pode dar a vitória a Matthew McConaughey, de Clube de Compras Dallas, mas é preciso ponderar que o texano só tem levado a maior parte dos prêmios de uns dias para cá, a partir do Globo de Ouro. Antes dele, Chiwetel Ejiofor, de 12 Anos de Escravidão, levou todos os prêmios de associações de críticos. Há ainda o fator Bruce Dern no SAG. O protagonista de Nebraska pode sair com a vitória no SAG pois o sindicato dos atores adora reconhecer veteranos, diferente do que tem feito a Academia nos últimos anos (a não ser quando o assunto é Meryl Streep). No Oscar, McConaughey ainda enfrentará uma campanha ascendente para Leonardo DiCaprio por O Lobo de Wall Street, que apesar de sequer ter sido indicado ao SAG, é o filme do momento e tem rendido as maiores discussões dos últimos meses. Para o SAG, ficamos com McConaughey, mas vale a lembrança de que a situação não está tão tranquila assim para ele até o Oscar como muitos vêm afirmando.
 
Jennifer Lawrence e Lupita Nyong'o têm protagonizado uma das batalhas mais interessantes do ano pelos prêmios de atriz coadjuvante. De um lado temos Jennifer Lawrence de Trapaça, a estrela do momento, a primeira atriz em décadas a protagonizar a bilheteria número um do ano (Jogos Vorazes - Em Chamas) e uma vencedora de dois Oscars em potencial com menos de 25 anos de idade. Do outro, o frescor da novata Lupita Nyong'o de 12 Anos de Escravidão que vem encantando a todos por sua trajetória durante a temporada e que ganhou todos os prêmios na categoria até o Globo de Ouro. Como arrisco que a disputa entre as duas persistirá até o mês março, época do Oscar, escolho Lupita Nyong'o como palpite para o SAG (12 Anos de Escravidão deve vencer alguma coisa no sindicato).
 
Previsões
 
Melhor Elenco: Trapaça
Melhor Atriz: Cate Blanchett, Blue Jasmine
Melhor Ator: Matthew McConaughey, Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong'o, 12 Anos de Escravidão
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, Clube de Compras Dallas
 
O SAG Awards 2014 será exibido ao vivo pela TNT, às 22h (23h para as regiões em horário de verão).

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Oscar 2014: Trapaça e Gravidade lideram em número de indicações com 10 menções cada


Na manhã desta quinta-feira (16), a Academia de Cinema de Hollywood divulgou, enfim, os nomes dos indicados ao Oscar 2014. Foram nove filmes na categoria principal, como esperado. Os longas com o maior número de indicações foram Gravidade e o ascendente Trapaça, cada um com 10 menções. O caso de Trapaça é ainda mais interessante já que o seu realizador David O.Russell conseguiu a mesma façanha do ano passado, quando concorreu com O Lado bom da Vida: indicar atores do seu elenco às quatro categorias principais de interpretação. A situação torna-se ainda mais interessante se levarmos em consideração que Christian Bale e Amy Adams, indicados como melhor ator e melhor atriz pelo filme, não eram os grandes favoritos entre as principais previsões da imprensa norte-americana, apesar de especulações em torno dos seus nomes terem surgido a partir da grande aceitação de Trapaça nas bilheterias e da vitória recente no Globo de Ouro. Poucos filmes na história do Oscar conseguiram abocanhar indicações em melhor ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante e David O. Russell é responsável por esse feito pelo segundo ano consecutivo.

Pouco atrás desses dois títulos, 12 Anos de Escravidão conseguiu 9 indicações. Preferido entre os críticos e apontado desde o início da temporada como o grande favorito ao principal prêmio do Oscar, 12 Anos de Escravidão tem pela frente um quadro nada favorável: uma crescente campanha a favor de Trapaça. Não sei até que ponto o drama sobre a escravidão de Steve McQueen vai conseguir sobreviver aos apelos de um filme que anda conquistando o público, tem atores famosos no seu elenco e é uma grande obra de entretenimento como é o caso de Trapaça. A quantidade de indicações para o elenco de David O. Russell pode ser um indicativo de que 12 Anos de Escravidão já não é tão favorito assim, ainda que seja um adversário ameaçador.

Os demais longas que completam a lista de indicados a melhor filme, cujas indicações podem ser vistas abaixo, são: Capitão Phillips, Clube de Compras Dallas, Nebraska, O Lobo de Wall Street, Ela e Philomena

Antes de elencar os indicados em cada categoria, é interessante fazer alguns apontamentos sobre as ausências, surpresas e outras observações pertinentes a respeito da seleção deste ano:
  • Ao contrário do que se esperava, não foi Martin Scorsese, de O Lobo de Wall Street, quem saiu lista de diretores indicados, mas sim Paul Greengrass, de Capitão Phillips. No seu lugar, Alexander Payne, de Nebraska, foi nomeado;
  •  E as ausências de Capitão Phillips não param por ai. Tom Hanks não foi indicado como melhor ator. Ele e Robert Redford, de Até o Fim, foram os esnobados na categoria. No lugar dos dois, Leonardo DiCaprio, de O Lobo de Wall Street (para a alegria dos desolados fãs do Leo), e Christian Bale, de Trapaça, a evidente "surpresa" da seleção; 
  • Entre as atrizes, Emma Thompson, de Walt nos bastidores de Mary Poppins - aliás, um dos grandes perdedores da temporada em termos de expectativas de indicações - ficou de fora. Meryl Streep consolidou sua preferência em Álbum de Família (eles realmente amam ela) e Amy Adams, de Trapaça, surge como um nome cada vez mais forte. O detalhe é que Adams é a única da categoria que nunca recebeu o Oscar, já tendo sido indicada quatro vezes. Será que até março a Academia esquece Blanchett ou Bullock, as favoritas ao prêmio?
  • A indicação WTF da manhã foi de Jonah Hill por O Lobo de Wall Street. O ator "comeu pelas beiradas" (não assimilei ainda que Hill já é um ator indicado a dois Oscars - ele foi nomeado antes por O Homem que mudou o Jogo) e pegou a vaga de Daniel Brühl, de Rush - No Limite da Emoção, filme que, aliás, foi completamente ignorado;
  • Ah, claro, uma das maiores esnobadas da lista: Oprah Winfrey, de O Mordomo da Casa Branca. Alguém lembra que lá em agosto do ano passado ela foi apontada como favorita como atriz coadjuvante? Pois é...
A entrega do Oscar ocorrerá no dia 02 de março, com transmissão ao vivo pela TNT no Brasil.

No mais, vamos a lista de indicados:

MELHOR FILME


Gravidade - 10 indicações
Melhor Filme
Melhor Direção (Alfonso Cuarón)
Melhor Atriz (Sandra Bullock)
Melhor Fotografia
Melhor Montagem
Melhor Trilha Sonora Original
Melhor Direção de Arte
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som
Melhores Efeitos Visuais ou Especiais


Trapaça - 10 indicações
 Melhor Filme
Melhor Direção
Melhor Roteiro Original
Melhor Ator (Christian Bale)
Melhor Atriz (Amy Adams)
Melhor (Ator Coadjuvante (Bradley Cooper)
Melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence)
Melhor Figurino
Melhor Montagem
Melhor Direção de Arte



12 Anos de Escravidão - 9 indicações
Melhor Filme
Melhor Direção (Steve McQueen)
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Ator (Chiwetel Ejiofor)
Melhor Ator Coadjuvante (Michael Fassbender)
Melhor Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong'o)
Melhor Montagem
Melhor Figurino
Melhor Direção de Arte


Capitão Phillips - 6 indicações
Melhor Filme
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Ator Coadjuvante (Barkhad Abdi)
Melhor Montagem
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som


Nebraska - 6 indicações
 Melhor Filme
Melhor Direção (Alexander Payne)
Melhor Roteiro Original
Melhor Ator (Bruce Dern)
Melhor Atriz Coadjuvante (June Squibb)
Melhor Fotografia



Clube de Compras Dallas - 6 indicações
Melhor Filme
Melhor Roteiro Original
Melhor Ator (Matthew McConaughey)
Melhor Ator Coadjuvante (Jared Leto)
Melhor Montagem
Melhor Maquiagem



O Lobo de Wall Street - 5 indicações
Melhor Filme
Melhor Direção (Martin Scorsese)
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Ator (Leonardo DiCaprio)
Melhor Ator Coadjuvante (Jonah Hill)


Ela  - 5 indicações
Melhor Filme
Melhor Roteiro Original
Melhor Direção de Arte
Melhor Trilha Sonora Original
Melhor Canção - "The Moon Song"

Philomena - 4 indicações
Melhor Filme
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Atriz (Judi Dench)
Melhor Trilha Sonora Original

-As atrizes -

 
MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett - Blue Jasmine
Sandra Bullock - Gravidade
Judi Dench - Philomena
Meryl Streep - Álbum de Família
Amy Adams - Trapaça

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Lawrence - Trapaça
Lupita Nyong'o - 12 Anos de Escravidão
Julia Roberts - Álbum de Família
June Squibb - Nebraska
Sally Hawkins - Blue Jasmine

- Os atores -

MELHOR ATOR
Matthew McConaughey - Clube de Compras Dallas
Chiwetel Ejiofor - 12 Anos de Escravidão
Bruce Dern - Nebraska
Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street
Christian Bale - Trapaça

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Jared Leto - Clube de Compras Dallas
Michael Fassbender - 12 Anos de Escravidão
Barkhad Abdi - Capitão Phillips
Jonah Hill - O Lobo de Wall Street
Bradley Cooper - Trapaça
 Mais categorias, abaixo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Previsões (e questões) para as indicações ao Oscar 2014


Em uma semana atribulada no calendário de premiações, cinéfilos de todo o mundo irão conhecer os indicados ao Oscar 2014 nesta quinta-feira (16). As indicações de sindicatos e de outros prêmios, como o Globo de Ouro, que teve sua cerimônia no último domingo, e o Critic's Choice Awards nos revelaram alguns dos títulos favoritos da temporada e até mesmo possíveis vencedores. No entanto, nem sempre o Oscar segue a "maré", principalmente por ser a última premiação de todas, propiciando a queda de alguns favoritos, a ascensão de outros e grandes surpresas não só quando a lista dos seus indicados é divulgada, mas também no dia da premiação.
 
Além de trazer os palpites do blog para a seleção final de indicados aos prêmios da Academia, o Chovendo Sapos traz algumas das principais questões que pretendem ser resolvidas na quinta-feira. Quem tem suas candidaturas sólidas até o momento? Quais são as dúvidas? Que possíveis surpresas podemos ter? Quem pode ficar de fora?
 
Tentaremos solucionar algumas dessas questões às vésperas de conhecer os indicados e lançar os nossos palpites. O jogo está só começando e façam as suas apostas!
 
Para ler, acompanhe com a legenda:
Certeza
Chance
Possibilidade

Montagem: Telluride Inside
Os 3 favoritos
 
A essa altura do campeonato, os três grandes favoritos na categoria "melhor filme" e que tem praticamente garantidas suas respectivas candidaturas ao Oscar são: Gravidade, 12 Anos de Escravidão e Trapaça. São pouquíssimas as chances de não vermos uma dessas produções na lista a ser divulgada quinta-feira. E elas prometem ser indicadas em muitas categorias. Duas delas por serem filmes de época (12 Anos de Escravidão e Trapaça) e outra pela excelência do seu trabalho técnico (Gravidade). Trapaça e 12 Anos de Escravidão têm ainda mais chances de conseguirem muitas indicações em função do trabalho dos seus respectivos elencos, já que parte dos seus integrantes vêm sendo citados constantemente em outros prêmios.
 
Um dado que é interessante sobre esses três favoritos é que antes mesmo da cerimônia acontecer, a partir de algumas possíveis pistas dadas durante o anúncio das indicações, poderemos visualizar qual deles tem mais chances na Academia. Como tradição, um candidato a melhor filme tem possibilidade de vitória se tiver indicações em categorias-chaves, como melhor direção, roteiro e montagem, ou se tiver um grande número de atores na disputa (grande parte dos votantes do Oscar são atores):
  • Gravidade tem gerado discussões a respeito da sua elegibilidade em "melhor roteiro original", já que alguns consideram que este é o aspecto mais frágil do filme ( o que considero uma estupidez já que roteiro não é só diálogo). Se, com todos esses "poréns", Gravidade conseguir uma indicação em "melhor roteiro original" significa que a Academia gosta muito do filme e que ele tem muitas chances de vitória;
  • O favoritismo de Trapaça, por sua vez, pode encontrar sua pista na indicação de alguns integrantes do seu elenco. Há dúvidas se Amy Adams e Christian Bale serão indicados nas categorias "melhor atriz" e "melhor ator", não por seus trabalhos serem ruins na avaliação desse grupo, mas porque a concorrência é grande. Se ambos, ou um dos dois, conseguirem vencer essa barreira e forem indicados ao Oscar, juntando-se aos possíveis indicados Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, o filme estará melhor cotado entre a Academia do que pensávamos;
  • 12 Anos de Escravidão, por sua vez, cumpre todos os requisitos, não há obstáculos para a sua candidatura nessas categorias principais. Contudo, se o filme não for indicado em alguma delas, para a surpresa de todos, poderemos cogitar que talvez o longa não seja tão favorito assim.
No entanto, nada é garantido, são apenas suposições. Mesmo com as indicações, até a chegada de março, mês da entrega do Oscar, muita coisa pode acontecer e as escolhas dos votantes podem mudar.
 

Os demais concorrentes

Fora os favoritos, temos Capitão Phillips, do Paul Greengrass. Citado em inúmeras listas de melhores do ano, o filme é aquele candidato mencionado em todo lugar, mas que acaba saindo de uma premiação de "mãos abanando". Além dele, Nebraska também tem grandes chances de receber uma indicação ao Oscar de "melhor filme" na quinta-feira. O longa de Alexander Payne foi outro candidato que, timidamente, tornou-se presença constante nas principais listas.
 
O Lobo de Wall Street merece um capítulo a parte. Diante de todas as acusações feitas a Martin Scorsese em seu novo filme (misoginia, cumplicidade com o comportamento dos seus personagens), o longa tem um grande número de detratores a serem vencidos. O Oscar nunca lida bem com o caráter divisivo de alguns longas. Mas é um Scorsese... Pode não ser o Scorsese de Os Bons Companheiros, Os Infiltrados e até A Invenção de Hugo Cabret, mas é um Scorsese.
 
A Academia estipula um limite de 10 filmes na categoria principal. No entanto, com a média definida por eles, o número de candidatos frequentes na lista costuma ser 9. Mas vamos aos 10. Apostando em 6 sólidos indicados, restariam, teoricamente, 4 vagas a serem ocupadas. Quais são as possibilidades?
 
Duas delas são Clube de Compras Dallas e Blue Jasmine, filmes que surpreenderam os especuladores do Oscar na semana passada por conseguirem indicações nas premiações do sindicato dos produtores (ótimo termômetro para a categoria "melhor filme") e dos roteiristas. Clube de Compras Dallas trata de temas que tocam a Academia como a homofobia e a Aids, além de ter duas das performances favoritas do ano (atores votantes adoram o filme). Já Blue Jasmine é um bom filme de Woody Allen com uma interpretação arrasadora de Cate Blanchett (outro ponto atrativo para atores que votam no Oscar).
 
Como nono indicado, apostaria em Ela, do Spike Jonze, que acabou de vencer o prêmio de melhor roteiro no Globo de Ouro e surpreendeu a todos no início da temporada com a vitória no National Board of Review, um prêmio que costuma ser um previsor interessante para o Oscar. Jonze deve ser indicado em "melhor roteiro original" e seu filme, um dos mais elogiados do ano, pode ser o representante "cult".
 
A décima possibilidade, se esse ano forem dez indicados, o que acho difícil, é o drama Philomena, também um dos roteiros mais destacados do ano, com uma atuação elogiada de Judi Dench. Além disso, em recentes sessões para membros da Academia, o filme foi muito elogiado. O longa deve agradar o grupo de votantes mais velhos do Oscar.
 
Além desses candidatos, há possibilidades de indicações para O Mordomo da Casa Branca e Fruitvale Station - A Última Parada, se a Academia achar que esse é um ano "negro" para o Oscar; Inside Lewyn Davis - Balada de um Homem Comum, um filme dos Coen que ainda não encontrou um grupo que o "abraçasse" como muitos afirmam que ele mereça; Walt nos bastidores de Mary Poppins, que tornou-se questionável por ser uma produção da Disney que, segundo contam, não conseguiu conferir um olhar honesto e humano, mas sim idealizado, para Walt Disney; Rush - No Limite da Emoção, longa de Ron Howard que perdeu o fôlego por ter um lançamento precoce (estreou em setembro); Álbum de Família e seu elenco que é um grande atrativo para os votantes atores; e Lone Survivor, drama de guerra com Mark Wahlberg citado esporadicamente em algumas listas. 
 
Feitas essas considerações, minhas previsões:
 
Melhor Filme
12 Anos de Escravidão
Gravidade
Trapaça
Capitão Phillips
O Lobo de Wall Street
Nebraska
Clube de Compras Dallas
Blue Jasmine
Ela
Philomena

Melhor Roteiro Original
Trapaça
Ela
Blue Jasmine
Nebraska
Clube de Compras Dallas

Melhor Roteiro Adaptado
12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips
Antes da Meia Noite
Philomena
O Lobo de Wall Street

AS ÚLTIMAS PEÇAS

Diretores
Martin Scorsese ou Alexander Payne?

McQueen e Cuarón são certezas na categoria. David O. Russell deve conseguir uma indicação também, caso não ocorra nenhuma zebra. Paul Greengrass estará na lista para constar. A dúvida que paira é sobre o quinto candidato.

O DGA, premiação do sindicato dos diretores, indicou esses quatro nomes e Martin Scorsese, por O Lobo de Wall Street. Como o Oscar costuma trazer sempre uma exceção (ano passado foram duas ou alguém se esqueceu da exclusão de Kathryn Bigelow - enfrentando polêmica semelhante a que Martin anda passando - e Ben Affleck em "melhor direção"?) e a julgar pela repercussão dos trabalhos dos seus colegas anteriormente citados, Scorsese é o que tem a candidatura mais frágil. Pode ser que o principal oponente dele seja Alexander Payne de Nebraska. Mas há a possibilidades que a lista do Oscar seja a mesma do DGA e que a Academia nem ligue para as polêmicas em torno de O Lobo de Wall Street. Portanto...

Minhas previsões:

Melhor Direção
Steve McQueen - 12 Anos de Escravidão
Alfonso Cuarón - Gravidade
David O. Russell - Trapaça
Paul Greengrass - Capitão Phillips
Martin Scorsese - O Lobo de Wall Street
 
Atrizes
Amy Adams ou Meryl Streep?
 
Nas últimas semanas, a candidatura "vitalícia" de Meryl Streep correu grandes riscos. Primeiro, ela não foi indicada ao Bafta, premiação máxima do cinema na Inglaterra, junto com o grupo Blanchett-Bullock-Dench-Thompson, que parece bem sólido na disputa. No seu lugar, o Bafta escolheu Amy Adams, de Trapaça. No Globo de Ouro, Meryl perdeu em uma disputa com Adams na categoria comédia/musical. Mas isso diz muito pouco pois Streep já ganhou diversas vezes e pode ter sido um prêmio compensatório para Adams que é constantemente indicada a prêmios e nunca ganha ou um reflexo da popularidade de Trapaça. No entanto, se pegarmos esta última explicação para a vitória de Amy no Globo de Ouro, a coisa se complica ainda mais para Meryl. Se a Academia estiver simplesmente obcecada por Trapaça como parece, pode ser que Adams estrague a festa da veterana. Além disso, Álbum de Família não é tão bem quisto quanto Trapaça. Por outro lado, a Academia já indicou Streep por tanta coisa e, nesse filme, a vencedora de três Oscars entrega um tipo de interpretação que eles adoram, performática, cheia de trejeitos. Adams, por sua vez, é uma atriz "minimalista" e nunca ganhou o Oscar, apesar de já ter sido indicada quatro vezes ao prêmio. Vou correr menos risco e optar pela tradição no meu palpite, mas que fique registrada essa possibilidade de twist.
 
Minhas previsões:
 
Melhor Atriz
Cate Blanchett - Blue Jasmine
Sandra Bullock - Gravidade
Judi Dench - Philomena
Emma Thompson - Walt nos bastidores de Mary Poppins
Meryl Streep - Álbum de Família
 

Atores
Tom Hanks, Robert Redford ou Leonardo DiCaprio?

A temporada começou com especulações a respeito de uma possível vitória de Robert Redford como melhor ator por Até o Fim. A ausência dele entre os indicados ao SAG Awards, premiação do sindicato dos atores e melhor termômetro para as categorias de atuação do Oscar, fez surgir dois concorrentes mais fortes: Chiwetel Ejiofor, de 12 Anos de Escravidão, e Matthew McConaughey, de Clube de Compras Dallas. Assim, a candidatura de Redford parece cada vez mais distante, tanto que abriu espaço, por exemplo, para Bruce Dern, de Nebraska, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e até, ainda que não totalmente garantido, Tom Hanks, de Capitão Phillips.

Atualmente, Redford parece disputar a quinta vaga com os seus demais concorrentes, sobretudo Christian Bale, de Trapaça; Joaquin Poenix, de Ela; Oscar Isaac, de Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum; e Leonardo DiCaprio, de O Lobo de Wall Street. Este último, por ter sido preterido tantas vezes nos últimos anos pode ser o quinto candidato desta edição, por isso aposto nele. Mas que fique claro, muito do que se fala sobre as esnobadas do ator no Oscar é lenda, na minha perspectiva, da sua última indicação para cá (Diamante de Sangue em 2006), ele só chegou próximo do prêmio com J. Edgar. Outra observação pertinente é que Redford é uma lenda do cinema e só foi indicada a um Oscar como ator (Golpe de Mestre, 1973), trata-se de uma reparação também a ser feita. Vai ser apertado, então...
 
Minhas previsões:
 
Melhor Ator
Chiwetel Ejiofor - 12 Anos de Escravidão
Matthew McConaughey - Clube de Compras Dallas
Bruce Dern - Nebraska
Tom Hanks - Capitão Phillips
Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street

Coadjuvantes
Oprah Winfrey ou Sally Hawkins?
Bradley Cooper, Daniel Brühl ou James Gandolfini ?

 Oprah Winfrey foi outro nome que começou bem a temporada com apostas de vitória na categoria "melhor atriz coadjuvante", mas perdeu espaço para outras concorrentes, tal qual o filme pelo qual pretende concorrer, O Mordomo da Casa Branca. Na disputa com Lupita Nyong'o, de 12 Anos de Escravidão, Winfrey tem aberto caminho para Jennifer Lawrence, de Trapaça, que, em mais uma temporada, rouba a cena. June Squibb e Julia Roberts parecem os dois outros nomes a completar a lista de coadjuvantes femininas. Resta a última vaga para Oprah disputar com um  nome que pode surgir pela tangente, Sally Hawkins, caso não queiram indicar Blue Jasmine somente a melhor atriz.

Já no grupo dos atores coadjuvantes, as candidaturas sólidas de Jared Leto, de Clube de Compras Dallas, e Michael Fassbender, de 12 Anos de Escravidão, encontram como concorrente mais consistente Barkhad Abdi, de Capitão Phillips. Nas duas outras vagas, dois nomes citados com regularidade em outros prêmios foram Daniel Brühl, de Rush - No Limite da Emoção, e Bradley Cooper, por Trapaça. No entanto, os cinco candidatos mais prováveis podem encontrar empecilho para suas respectivas candidaturas - principalmente Cooper, Brühl e Abdi -  na figura de James Gandolfini, falecido no ano passado e citado em alguns prêmios, entre eles o SAG Awards, pelo seu desempenho em À Procura do Amor. Seria uma das últimas oportunidades para uma premiação do ator e no cinema (Gandolfini só tem prêmios por seu trabalho na TV).
 
Minhas previsões:
 
Melhor Atriz Coadjuvante
Jennifer Lawrence - Trapaça
Lupita Nyong'o - 12 Anos de Escravidão
Julia Roberts - Álbum de Família
June Squibb - Nebraska
Oprah Winfrey - O Mordomo da Casa Branca
 
Melhor Ator Coadjuvante
Jared Leto - Clube de Compras Dallas
Michael Fassbender - 12 Anos de Escravidão
Barkhad Abdi - Capitão Phillips
Daniel Brühl - Rush: No Limite da Emoção
Bradley Cooper - Trapaça

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Globo de Ouro 2014: Trapaça foi o destaque da cerimônia com 3 prêmios, incluindo melhor filme comédia/musical; 12 Anos de Escravidão foi o melhor drama


Melhor Filme Drama
12 Anos de Escravidão
 
Melhor Filme Comédia/Musical
Trapaça

Algumas certezas, poucas, é verdade, puderam ser visualizadas na cerimônia do 71º Globo de Ouro realizada no último domingo (12), a principal delas é a constatação de que Trapaça, novo longa de David O. Russell (O Lado Bom da Vida), tem roubado pouco a pouco o espaço de favorito aos principais prêmios da temporada antes ocupado por 12 Anos de Escravidão e Gravidade.
 
No Globo de Ouro, Trapaça venceu a categoria de melhor filme comédia/musical, recebendo outros dois prêmios, ambos em atuação, melhor atriz em comédia/musical (Amy Adams) e melhor atriz coadjuvante (Jennifer Lawrence). A cerimônia de ontem mostrou porque Trapaça é um candidato a ser temido, trata-se da terceira empreitada bem sucedida de um realizador que tem agradado nos últimos anos toda sorte de grupos, mas principalmente os atores, profissionais que ainda são a maioria na Academia. Os filmes de David O.Russell são divertidos, pouco comprometidos e populares, ou seja, não são tão divisivos quanto 12 Anos de Escravidão ou O Lobo de Wall Street, por exemplo, a ponto de encontrar detratores em Hollywood. Me parece uma escolha que gradualmente se concretiza para um prêmio que acaba sendo o reflexo de um "gosto médio" como o Oscar.
 
A vitória de 12 Anos de Escravidão na categoria melhor filme drama foi esquisita, como costuma acontecer no Globo de Ouro. O longa de Steve McQueen só recebeu esse prêmio, o de melhor filme. Ou seja, na cabeça dos membros da HFPA (Hollywood Foreign Press Association), o melhor filme da noite não foi o melhor em nenhuma outra categoria. Se não me engano, a última vez que isso aconteceu nas categorias drama foi quando Babel venceu o prêmio em 2007 contra Os Infiltrados, de Martin Scorsese, que acabou levando o prêmio de direção e quatro Oscars naquela temporada, incluindo o de melhor filme. O próprio Steve McQueen, apesar de ser citado inúmeras vezes ao longo da temporada como favorito, ficou surpreso com a premiação, pois àquela altura da cerimônia, com algumas derrotas, já nem esperava o prêmio mais importante da noite.


Melhor Direção
Alfonso Cuarón - Gravidade
 
Melhor Roteiro
Ela - Spike Jonze
 
 Alfonso Cuarón ganhou o esperado prêmio de direção por Gravidade, um feito que não poderia ser preterido por nenhum outro nesse ano, e deve levar os principais prêmios da temporada nessa categoria, incluindo o Oscar. Esse ano parece que há uma disposição a repetição do que ocorreu no ano passado, melhor direção e melhor filme para produções diferentes. Eis uma categoria cuja vitória de 12 Anos de Escravidão faria toda a diferença e o tornaria invicto. O mexicano Alfonso Cuarón subiu ao palco e fez um discurso de agradecimento a sua equipe, reservando um lugar especial para sua principal colaboradora, a atriz Sandra Bullock, e por sua disponibilidade nos set de Gravidade (ah, a menção do diretor sobre uma confusão entre os dois a respeito da pronúncia de "ear piece", e não "herpes", foi um dos melhores momentos da noite).
 
Spike Jonze venceu outro prêmio que poderia ter saído para 12 Anos de Escravidão, tirando-o da posição incômoda de vencedor somente do prêmio de melhor filme. O roteiro de Ela, escrito pelo realizador, foi o grande vencedor da noite, talvez a segunda vitória inesperada (era uma possibilidade, mas não uma certeza). Como o Oscar costuma dividir as categorias de roteiro em originais e adaptados, Ela tem pela frente uma disputa com Trapaça, um dos grandes favoritos da temporada.
 

Melhor Atriz Drama
Cate Blanchett - Blue Jasmine
 
Melhor Atriz Comédia/Musical
Amy Adams - Trapaça
 
Melhor Atriz Coadjuvante
Jennifer Lawrence - Trapaça

A premiação de Cate Blanchett por Blue Jasmine era uma das poucas certezas da noite, apesar da ameaça de sua principal concorrente Sandra Bullock pairar constantemente como uma possibilidade. Amy Adams, concorrente constante nas premiações, finalmente ganha um prêmio. A atriz venceu a concorrência de Meryl Streep na categoria comédia/musical e foi escolhida como a melhor atriz da noite nesse grupo por Trapaça. A essa altura, Adams é uma ameaça à indicação de Streep como melhor atriz no Oscar por Álbum de Família. Após uma inesperada indicação ao Bafta no lugar da veterana, Adams vem aos poucos conquistando um espaço nos prêmios pela receptividade que Trapaça tem tido. A vitória de Adams no Globo não influenciará em uma indicação ao Oscar pois as cédulas de votação já foram encaminhadas para a contagem. No entanto, pode ser, mais uma vez, um reflexo da aderência ao filme de David O.Russell, sobretudo ao trabalho do seu elenco. E não me espantaria ver como o maior twist da temporada a indicação ao Oscar do antes desacreditado trabalho de Amy Adams em Trapaça junto com as possíveis nomeadas do prêmio (Blanchett, Bullock, Thompson e Dench). A maneira como Jennifer Lawrence tomou o espaço antes de Lupita Nyong'o, de 12 Anos de Escravidão, é outro indicativo da popularidade de Trapaça entre os atores. Lawrence, em alta desde o ano passado, de repente, tornou-se a favorita aos prêmios de coadjuvante, o que se concretizou com sua vitória no Globo de Ouro na noite passada. A jovem pode ser uma vencedora de dois Oscars consecutivos com menos de 25 anos de idade!


Melhor Ator Drama
Matthew McConaughey - Clube de Compras Dallas
 
Melhor Ator Comédia/Musical
Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street
 
Melhor Ator Coadjuvante
Jared Leto - Clube de Compras Dallas

Em uma disputa concorridíssima com Chiwetel Ejiofor (outro prêmio que poderia ter sido de 12 Anos de Escravidão e não foi) e Robert Redford (por Até o Fim), Matthew McConaughey mostrou que todo o seu esforço na divulgação do seu trabalho e sua disponibilidade em eventos da temporada que antecedem as premiações foram recompensados. O trabalho do ator em Clube de Compras Dallas, que o fez perder 22 quilos para viver um soropositivo, foi o vencedor na categoria drama, tornando-o um concorrente em ascensão até o Oscar. O filme também rendeu a Jared Leto o prêmio de melhor ator coadjuvante. Leto passou por semelhante transformação para viver um transgênero também portador da Aids. Existia uma ameaça do Michael Fassbender (outra perda para 12 Anos de Escravidão) e Bradley Cooper (o fator Trapaça), mas o favoritismo do ator se confirmou e deve se confirmar até a cerimônia do Oscar em março.
 
Já o melhor ator em comédia/musical foi Leonardo DiCaprio pelo divisivo filme de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street. Um prêmio que poderia ter sido de Bruce Dern por Nebraska, mas a HFPA não resistiu e cedeu aos encantos de ter mais uma jovem estrela de Hollywood no palco (uma tendência do Globo de Ouro, não que o trabalho do DiCaprio não fosse merecedor). Este é o segundo Globo de Ouro da carreira de DiCaprio, o anterior foi por O Aviador. A relação do ator com o Oscar, a gente sabe que muitas vezes não é correspondida, sobretudo em um ano concorrido para atores como esse. É possível que sua vitória aqui seja um indicativo da popularidade desse seu novo trabalho.


Melhor Animação
Frozen - Uma Aventura Congelante
 
Melhor Filme em Língua Estrangeira
A Grande Beleza (Itália)

Sem uma grande concorrência, Frozen - Uma Aventura Congelante da Disney ganhou o prêmio de melhor longa de animação. Chris Buck e Jennifer Lee, os diretores do filme, receberam o Globo de Ouro após terem perdido na categoria melhor canção original, na qual a favorita e definitiva "Let it go" perdeu para... Bom, depois a gente fala sobre isso. A categoria filme em língua estrangeira também foi para um favorito, o italiano A Grande Beleza. O produtor Nicola Giuliano e o diretor Paolo Sorrentino  subiram ao palco para receber prêmio.


Melhor Canção Original
"Ordinary Love", U2 - Mandela: Long Walk to Freedom
 
Melhor Trilha Sonora Original
Até o Fim - Alex Ebert
 
Retornando ao tópico "Let it go", a canção de Frozen, que é parte fundamental da sua narrativa, perdeu para "Ordinary Love", do U2, composta para Mandela - Long Walk to Freedom. Longe de julgar a qualidade do trabalho de Bono Vox e cia., até porque ainda não ouvi a canção e não sei de que forma ela dialoga com o filme, mas me pareceu uma das maiores furadas da noite. Mais uma prova de que a HFPA adora celebridades, não resistem a elas.
 
A trilha sonora escolhida pelo grupo foi outro momento que contrariou algumas expectativas. Até o Fim surge, do nada, e tira um prêmio que poderia ter ido facilmente para Gravidade (um dos melhores usos de som e trilha em prol de um filme no ano que passou) ou até 12 Anos de Escravidão. O compositor da trilha do longa protagonizado por Robert Redford, Alex Ebert, subiu ao palco para agradecer o prêmio recebido.

Sobre as apostas do blog, acertamos 7 categorias das 14 existentes no Globo de Ouro para cinema. Ou seja, um resultado abaixo das minhas próprias expectativas, mas natural em se tratando da abertura da temporada de premiações e do grau de incerteza (e loucura!) do Globo de Ouro.
 
Agora, vamos aos momentos marcantes da cerimônia, sem ordem de preferência:
 
 
#. As anfitriãs: Tina Fey e Amy Poehler tinham que continuar por anos a fio no comando dessa premiação. A dupla tem uma grande sintonia e sabe, como poucos apresentadores de premiações, dosar o humor (jamais fazendo concessões, o que é importante) e o respeito com os convidados e o evento que estão apresentando. Mais, Fey e Poehler sabem quando são necessárias para o show e quando devem ceder espaço para os indicados e vencedores da noite. O número de abertura das duas sempre é um momento à parte.
 
 
#. Julia Louis-Dreyfus: Saiu de mãos abanando, não levou o prêmio de melhor atriz em comédia/musical para o cinema (À Procura do Amor), nem o de melhor atriz em comédia/musical para a televisão (Veep), mas bateu uma bola legal com Amy e Tina sempre que era solicitada, como no número de abertura quando fez um selfie com Reese Whiterspoon enquanto "fumava" um cigarro ou quando foi "flagrada" de boca cheia com um hot dog. Quem dera todo indicado tivesse esse senso de humor...
 
 
#. Diane Keaton aceitando o prêmio Cecil B. DeMille por Woody Allen: Apesar do grande homenageado da noite pelo conjunto do seu trabalho não estar presente (o que era de se esperar), Woody Allen convocou ninguém menos que Diane Keaton para receber o prêmio Cecil B. DeMille em seu nome. O tradicional clipe com os trabalhos da carreira do diretor foi sucedido por um discurso adorável de Keaton, que se dirigiu a Allen como um dos raros realizadores a ainda se preocupar com a alma feminina.
 
 
#. Emma Thompson descalça e com uma taça na mão: Oh, Emma... Emma Thompson é uma das atrizes mais divertidas e inteligentes do ramo e o Globo de Ouro soube aproveitá-la muito bem! Como uma das apresentadoras da noite, Emma incorporou o espírito da cerimônia e subiu ao palco sem os sapatos e com um drink na mão. Tal qual Julia Louis-Dreyfus, foi uma das indicadas que soube aproveitar a ocasião. Deliciosa!
 
 
#. A vitória de Jacqueline Bisset: Fora das categorias de cinema, Jacqueline Bisset ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante pela minissérie Dancing on the Edge e deu um dos discursos mais estranhos da noite. Primeiro pela loooooooonga caminhada da atriz até o palco. Depois, quando começou a falar, foi sucedida por um graaaaaaande vácuo no discurso. Emoção por receber o prêmio pela primeira vez? Efeito da surpresa que a premiação lhe causou? Inexperiência com a situação? Embaraço? Sabe-se Deus qual foi o motivo daquele discurso, de qualquer forma, foi bom ver um retorno da Sra. Bisset.