domingo, 31 de maio de 2015

Drops: Miss Julie



Quarto longa-metragem de ficção da carreira de Liv Ullmann, Miss Julie é uma adaptação da peça homônima do sueco August Strindberg. Naturalista em sua essência (uma escola literária ainda mais radical e incisiva que o Realismo), Miss Julie conta a história de uma jovem aristocrata inglesa que passa a estabelecer jogos de sedução com o valete do seu pai, uma relação doentia que é testemunhada pela empregada da mansão. A trajetória dos dois começa a tomar rumos desenfreados a partir de revelações em torno de amores de infância frustrados e fantasias sexuais reprimidas.  Ullmann conduz muito bem os seus atores com desempenhos igualmente formidáveis de Jessica Chastain, Colin Farrell e Samantha Morton. A obra original e esta adaptação possuem tantas camadas que é possível fazer uma lista exaustiva dos elementos sociais que ela intenta criticar. Dois dos mais marcantes seriam o ideário do amor romântico ingenuamente cultivado pelas mulheres das classes mais altas e a contraposição entre a subalternidade de uma classe social diante de uma submissão que, a depender das circunstâncias, pode ser ainda mais forte, a de gênero. Ainda que tenha momentos inspiradíssimos de apurada linguagem audiovisual, o longa de Liv Ullmann, reafirmando a origem de sua história, é excessivamente teatral, literário, marcado pela verborragia. Porém, ao invés destas características soarem deslocadas, uma vez que estamos tratando de cinema e não de literatura ou teatro, elas surgem aqui como uma decisão certeira da realizadora, sublinhando as intenções e a escola narrativa de sua trama, localizando-a no tempo e em suas pretensões, ao invés de escamoteá-la em camadas e mais camadas de esteticismos visuais exibicionistas. Muitas das críticas de Miss Julie caem como uma luva na sociedade atual, nas relações atuais, prova de que, com todas as mudanças que operam nesse mundo, a pertinência temática não é privilégio do contemporâneo. 

Drops: Dívida de Honra



Dois dos lançamentos norte-americanos mais certeiros no discurso sobre o lugar da mulher na nossa sociedade foram conduzidos por setentões. Estamos falando de George Miller em Mad Max - Estrada da Fúria e Tommy Lee Jones e seu Dívida de Honra, drama solenemente ignorado na temporada de prêmios americana passada, mas que merece ser visto e reconhecido pelo público o quanto antes. No filme, Hilary Swank vive uma mulher solteira que, em 1854, cruza o país para levar três mulheres que enlouqueceram a um lugar onde possam ser acolhidas. Para tanto ela conta com a ajuda de um homem contratado por ela após ser resgatado de uma tentativa de enforcamento, papel do próprio Tommy Lee Jones. O ponto alto do longa, além da elegante direção de Jones, que nos surpreende e nos envolve do início ao fim com os caminhos e decisões de sua narrativa, e dos impecáveis detalhes técnicos e artísticos do filme, é a interpretação de Hilary Swank. A composição de Swank para a sua Mary Bee Cudy é um dos pontos altos da sua carreira, sendo superado apenas por sua performance em Meninos não Choram, vencedora do primeiro Oscar da atriz. Em Dívida de Sangue, Swank vive uma mulher forte e independente, mas vulnerável e sensível com a sua própria condição e as cobranças do papel social reservado a uma mulher que acaba internalizando. É comovente notar como Swank traça a trajetória dessa personagem sem afetações e tecnicismos, deixando-se levar com naturalidade pela própria história e pelo lugar desta personagem nela. 

domingo, 24 de maio de 2015

Promessas de Guerra



Durante a Primeira Guerra Mundial, a península de Galípoli, na Turquia, foi cenário de uma das batalhas mais violentas do conflito. Britânicos, franceses e australianos  lutaram pela conquista do estreito de Dardanelos, obtendo como resultado a ausência de vencedores de fato e um rastro de mortes, além do ressentimento dos turcos. Este momento histórico é objeto de interesse de Russell Crowe naquele que é o seu primeiro longa-metragem de ficção como diretor, Promessas de Guerra. O australiano não só assume a direção como vive o protagonista deste drama com porte de grande produção.

O filme traz Crowe como Connor, um fazendeiro australiano que tem os seus três únicos filhos convocados pelo exército para lutarem no conflito. Infelizmente, todos eles desaparecem na batalha de Galípoli e, sem grandes perspectivas, Connor parte em uma jornada rumo à Turquia pós-conflito em busca de respostas para o silêncio em torno do paradeiro dos seus três filhos. 

Esta estreia de Crowe na direção nos apresenta a um diretor sem grandes pretensões de testar a linguagem cinematográfica com soluções inventivas para os meandros da sua história. Como realizador, o australiano opta por caminhos conhecidos, formulaicos. Crowe carrega nas tintas do seu melodrama pós-guerra e no fascínio do seu olhar estrangeiro em busca do exotismo de uma bela e melancólica Turquia. Os melhores momentos do filme residem na sua trama mais simples e, curiosamente, aquela que destoa de toda uma tradição de filmes do gênero: no lugar do encontro ou desencontro amoroso entre jovens ou nas histórias de amizade e lealdade das trincheiras, temos a busca desesperada de um pai por seus filhos.

Assim, ao invés da culpa australiana pelas cicatrizes que o conflito causou nos turcos ou do romance óbvio, sem química e desinteressante entre o Connor e a personagem da bela Olga Kurylenko, caso o seu realizador tivesse se dedicado ao que realmente se revela como o coração e a alma da história, Promessas de Guerra poderia não ser um filme revolucionário em seu formato, mas ao menos seria um bom filme com uma tocante história a contar. Anos e anos ao lado de diretores como Michael Mann, Ridley Scott e Peter Weir parecem não ter surtido nenhuma inspiração no Russell Crowe diretor pois seu primeiro filme é disperso, burocrático e morno. Quem sabe na próxima?


The Water Diviner, 2015. Dir.: Russell Crowe. Roteiro: Andrew Knight e Andrew Anastasios. Elenco: Russell Crowe, Olga Kurylenko, Jai Courtney, Yilmaz Edorgan, Cem Yilmaz, Dylan Georgiades, Steve Bastoni. Paris Filmes. 111 min. 

Drops: A Incrível História de Adaline



A trama de A Incrível História de Adaline lembra vagamente a de O Curioso Caso de Benjamin Button - que, por sua vez, trazia ecos de Forest Gump: O Contador de Histórias. O longa de Lee Toland Krieger, de Celeste e Jesse para Sempre, traz a história de uma mulher que fica imune às ações do tempo após sofrer um grave acidente de automóvel. O filme evoca o romantismo na medida em que tenta dimensionar para o espectador a paixão arrebatadora da solitária protagonista por seu leading man e o seu drama de ver todos aqueles que ama envelhecerem e de repente sumirem da sua vida. O grande problema é que diferente do que acontecia em O Curioso Caso de Benjamin Button a inusitada condição biológica da personagem não é abordada em tom fabular, mas sim em um envólucro de drama fincado na realidade, no melodrama e na ficção científica, uma combinação pouco eficiente e harmônica. Além disso, A Incrível História de Adaline tem um romance central muito fraco, que conta com uma Blake Lively muito eficiente na pele da protagonista, mas tem em Michiel Huisman, de Game of Thrones, um galã que pouquíssimo tem a fazer ou dizer em cena. O que sobra são as boas intenções de um diretor empenhado apesar de permanecer enredado em fórmulas folhetinescas e o carisma de atores veteranos como Harrison Ford, Ellen Burstyn e Kathy Baker em breves participações. 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Drops: Palo Alto



Palo Alto é o primeiro longa-metragem de Gia Coppola, nada mais nada menos do que a neta de Francis Ford Coppola. Claro que esta ascendência trouxe para a diretora estreante toda uma bagagem valorativa e comparativa que não escapam à crítica especializada. No caso de Palo Alto, estas associações justificam-se em parte. Demonstrando apreço pelo que o público mais atento já intui como as "marcas de um cinema independente norte-americano", Gia Coppola torna Palo Alto um autêntico representante dessa escola de filmes, pretende ser artístico e dissociar-se das normas clássicas hollywoodianas, vista com preconceito por alguns nichos, mas vincula-se às regras de contrato com um outro tipo de padrão narrativo no cinema. Por outro lado, este filme sobre a história de dois jovens apáticos e angustiados pela procura de uma identidade ou propósito na vida é um longa de personalidade forte que não abre mão de contar a história que quer contar e da forma que quer contar até o seu último segundo. Baseado em um livro do ator James Franco, que aqui faz uma participação, Palo Alto conta com Emma Roberts e Jack Kilmer, filho de Val Kilmer (só para termos uma noção que em Hollywood não existe pudores para o nepotismo), como os protagonistas da história. Se não tem tanto impacto quanto as primeiras incursões dos demais Coppolas, ao menos nos faz vislumbrar a promessa de uma autora em futuros trabalhos. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Mad Max - Estrada da Fúria



A primeira franquia Mad Max sempre se apresentou como uma série cinematográfica cindida em duas abordagens. Aquela do longa de 1979, um filme sóbrio, revisitando o western e a distopia em um conto sobre a vingança de um homem tomado pela raiva após uma ação cruel de uma gangue de motoqueiros contra sua mulher e filho, e outra representada pelas suas duas continuações, Mad Max 2 - A Caçada Continua e Mad Max - Além da Cúpula do Trovão, marcadas pela ação desenfreada e ininterrupta, inserindo personagem-título, já apresentado ao público, no olho do furacão das disputas de gangues rivais por água e combustível. Este reboot (ou recomeço) da franquia pelas mãos do mesmo realizador que a idealizou em 1979, o australiano George Miller, está mais para a segunda fase Mad Max do que para a primeira. 

Em Mad Max - Estrada da Fúria, Miller está pouco interessado na apresentação dos seus personagens. Para ele, Max Rockatansky é uma espécie de mito que está no inconsciente coletivo e dispensa apresentações. Tampouco o cineasta quer fazer um filme em temperatura mais branda. Aqui, do início ao fim, o espectador é tomado pela ação frenética. Curiosamente, se preferia na trilogia inicial a abordagem do longa inaugural, a decisão do realizador de tornar Mad Max - Estrada da Fúria um longa de ação insana sem grandes pausas ou construções graduais de personagens parece a mais acertada possível.

No filme, ainda ambientado no futuro pós-apocalíptico que conhecemos nos longas anteriores da franquia, Max Rockatansky, encarnado desta vez por Tom Hardy (o Bane de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge), é capturado por um grupo liderado por Immortan Joe, que detém o controle de água e combustível. O grupo é surpreendido pela ação de um dos braços direitos de Immortan Joe, a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), que, sem a ciência do líder, rapta as jovens que a gangue mantém como "parideiras" para levá-las a um lugar onde não sejam exploradas sexualmente. Dai, para frente é só perseguição frenética em duas, quatro ou seis rodas na velha tradição Mad Max, porém em uma versão turbinada.

Mad Max - Estrada da Fúria parece ser a realização plena de George Miller para a segunda fase da franquia Mad Max dos anos de 1980. O diretor consegue finalmente fazer um filme de ação insana com a tecnologia (ou dinheiro) necessários para dar vazão a certas extravagâncias e ambições visuais. Diferente dos filmes da primeira trilogia, aqui as cores são mais fortes, beirando os tons de HQs, sem deixar de lado a preocupação de ambientar sua trama em um universo inóspito, árido, cujas temperaturas elevadas sentimos na pele através dos olhos que visualizam a predominante utilização de tons amarelados e o sol a esquentar a areia e os corpos dos personagens.

Na direção, George Miller demonstra um vigor adolescente, filmando sequências de ação bem orquestradas e que permitem que o espectador entenda o que ocorre em cada cena e qual a participação dos seus personagens nelas. Nos momentos introspectivos, que são muito poucos, mas pontuais e dosados de maneira precisa pelo realizador para que entendamos as motivações de cada um dos personagens e nos identifiquemos com elas, Miller conta com um elenco afiado encabeçado pelo excelente Tom Hardy, que não faz feio diante da história do seu antecessor Mel Gibson. Além dele, Charlize Theron ganha a atenção imediata do espectador ao conduzir sua Imperatriz Furiosa com doçura e sensibilidade, mas também com firmeza e força física quando necessário, um trabalho impecável da vencedora do Oscar. Outra performance que vale a pena destacar é a de Nicholas Hoult, intérprete de Nux, um jovem dissidente involuntário do grupo de Immortan Joe que em uma única cena arranca um dos momentos mais emocionantes da história.  

Ampliando um universo que intuitivamente possuia uma extensão ilimitada, George Miller pôde com Mad Max - Estrada da Fúria se redimir de qualquer eventual falta que tenha cometido nos episódios dois e três da antiga franquia estrelada por Mel Gibson. O novo filme possui um visual arrebatador proporcionado pelo que de melhor a tecnologia de ponta do cinema pode oferecer, nutre a carência de personagens femininas com voz ativa em Hollywood e proporciona entretenimento de primeira grandeza que só a grande tela pode fazer o espectador vivenciar sem correr o risco de ver o seu veículo ser destruído deserto afora por um grupo de ensandecidos. 


Mad Max - Fury Road, 2015. Dir.: George Miller. Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lathouris. Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Rose Huntington-Whiteley, Josh Helman, Zoe Kravitz, Nathan Jones, Riley Keough. Warner. 120 min. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Drops: Entre Abelhas



Se por um lado Entre Abelhas surpreende por sua temática e abordagem, sobretudo se pensarmos que seu roteiro foi co-escrito por Fábio Porchat, egresso de algumas das comédias mais capengas do cinema brasileiro, por outro lado o longa comandado pelo diretor Ian SBF demonstra falta de tato no tratamento dos seus personagens, principalmente os periféricos, e o sexismo dos piores exemplares de nossa filmografia é dominante. Ainda assim, o saldo é positivo e Entre Abelhas é relevante já que funciona como uma alegoria para a solidão e melancolia nas quais mergulhamos após uma perda. No longa esta perda é representada pelo desaparecimento concreto de pessoas da vida do seu protagonista, o editor de vídeos Bruno, interpretado pelo próprio Porchat. Após se separar da esposa, Bruno deixa de ver algumas pessoas da sua vida, mesmo que elas continuem existindo e vivendo as suas vidas. Ainda que busque a ajuda da sua mãe e de um terapeuta, o protagonista não consegue encontrar uma solução para o que começa a tratar como uma doença séria. Porchat surpreende ao sustentar com firmeza o protagonista desse drama e conta com a ajuda da experiente Irene Ravache, que ainda que fique com a ingrata missão de defender uma personagem criada somente para não deixar o filme com uma atmosfera mais down do que já tem faz isso muito bem e com a habitual dignidade que acompanha as mulheres que viveu durante toda a sua carreira. 

domingo, 3 de maio de 2015

Drops: Dois Dias, Uma Noite



Após ser afastada do emprego para se recuperar de uma crise de depressão, Sandra descobre que os seus colegas de trabalho foram submetidos a uma votação para que escolhessem entre a sua permanência na empresa  ou a sua demissão e o ganho de um bônus salarial para todos os remanescentes. O resultado da votação é desfavorável a Sandra, mas ela consegue com o chefe que um novo pleito seja realizado na segunda-feira. Para manter o emprego, a jovem procura os seus dezesseis colegas no intuito de tentar convencê-los a votar a seu favor. Esta é a trama de Dois Dias, Uma Noite, filme simples, realista, mas esperançoso dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne que acompanha todos os passos de uma Marion Cotillard à flor da pele como Sandra. Abordando males cada vez mais frequentes no mundo de carne e osso, os irmãos Dardenne tratam sobre a depressão e o descaso no enfrentamento dela como uma doença no ambiente laboral, que, não por acaso, é um dos principais responsáveis pelo seu surgimento ou agravemento através da absorção nesses locais de metas de competitividade, aliadas a uma conjuntura social, política e econômica dos países cada vez mais angustiante para o trabalhador honesto, que sempre paga a conta de tudo. Assim, aquela que é uma das principais doenças do nosso século vai sendo ignorada e se o sistema está pouco se lixando para isso, resta o refúgio nos familiares, nos amigos e em si mesmo. É isso que Sandra faz e acompanhar toda essa trajetória dessa personagem através da interpretação delicada de Marion Cotillard é um presente fundamental para a narrativa dos Dardenne ganhar consistência, corpo e emoção. 

Drops: Cake - Uma Razão para Viver



A primeira impressão que se pode ter de Cake - Uma Razão para Viver é que o filme é um daqueles exemplares feitos para levar a sua protagonista ao Oscar. A intenção dos seus realizadores pode até ser esta e tudo em torno do projeto favorece sua atriz principal nesse objetivo, ainda que ele não tenha sido alcançado já que Jennifer Aniston não foi indicada ao prêmio. Estrela hollywoodiana naturalizada nas comédias, Aniston está completamente desglamourizada na pele de uma advogada em depressão e viciada em analgésicos após um grave acidente. A trama do filme basicamente acompanha sua protagonista em sua trajetória rumo a uma redenção. Ainda que falte ao filme uma liga na relação de Claire Bennett (Aniston) com outros personagens que a cercam, como a desnecessária "fantasma" vivida por Anna Kendrick, e o roteiro opte por caminhos formulaicos através da aproximação entre Aniston e o viúvo interpretado por Sam Worthington, Cake esforça-se em ser mais que um filme desesperado pela atenção da Academia. Por mais que a trama teste a sua protagonista, submetendo-a a gangorras emocionais que são iscas para qualquer votante de premiações, por exemplo, Jennifer Aniston não coloca sua vaidade acima da própria trama e apresenta uma composição orgânica e comovente para a sua Claire Bennett, mostrando-se uma atriz interessante e versátil, com um potencial dramático muito maior do que parte dos títulos de sua filmografia costumam explorar. Ela ainda conta com uma parceria inspirada com a mexicana Adriana Barraza, conhecida por seu desempenho indicado ao Oscar em Babel (Barraza é uma das melhores coisas de Cake, por sinal). Enfim, um projeto formulaico e feito por encomenda que os seus envolvidos se esforçaram e conseguiram, em parte, transformar em algo especial. Uma surpresa. 

sábado, 2 de maio de 2015

Drops: Um Santo Vizinho



Um Santo Vizinho é um daqueles candidatos a feel good do ano, aquele tipo de filme que você assiste num sábado a tarde com uma mensagem edificante, preocupações humanistas e uma parceria entre um menino e um senhor, aqui interpretado pelo impecável Bill Murray, no qual o garoto certamente tem muito a ensinar não só a ele como aos espectadores do longa. E assim o filme segue até o seu derradeiro desfecho, leve, agradável, ingênuo... No longa, acompanhamos a amizade entre o garoto Oliver, cujos pais acabaram de se separar, e seu vizinho, o velho Vincent, sua nova babá. Vincent é um homem amargurado por motivos que sabemos pouco a pouco, beberrão, viciado em jogos de azar e frequentador de uma casa de prostituição, o que não impede que sua relação com Oliver o leve à redenção Em linhas gerais e na superfície, o filme de Theodore Melfi é inofensivo e arranca desempenhos surpreendentes na carreira de todos os envolvidos: Melissa McCarthy arriscando com um personagem mais dramático, Naomi Watts quebrando qualquer expectativa na pele de uma prostituta russa grávida (muito interessante o desempenho dela, por sinal) e Bill Murray passando da depressão às consequências de um grave estado clínico. Um olhar mais atento, no entanto, faz a gente perceber que falta coragem a Melfi que segue o protocolo esperado para o desenvolvimento de uma história como essa, até mesmo na construção dos seus personagens que não saem do superficial mesmo quando dados mais relevantes sobre eles são revelados para o espectador. Uma pena, pois elenco para explorar mais essas figuras ele tinha.