domingo, 21 de junho de 2015

Operação Sonia Silk


Operação Sonia Silk é um projeto produzido pela atriz Leandra Leal e pelos jovens cineastas Bruno Safadi e Ricardo Pretti que tem como intuito reverenciar a empreitada realizada pelos diretores Júlio Bressane e Rogério Sganzerla à frente da produtora Belair na década de 1970, experimentando a linguagem cinematográfica através de um cinema que ficou conhecido como cinema marginal. A proposta era reconstruir ao máximo que podiam certos dogmas narrativos através de produções baratas que permitiam uma produtividade acima da média para os padrões brasileiros. Leal e os diretores, ao lado dos atores Mariana Ximenes e Jiddu Pinheiro realizaram então três filmes com este espírito, O Uivo da Gaita, O Rio nos Pertence e O Fim de uma Era e batizaram a trilogia de Operação Sonia Silk em homenagem a uma das personagens mais icônicas desta escola, interpretada pela atriz Helena Ignez no filme Copacabana, mon amour, de Rogério Sganzerla. 


O Uivo da Gaita



O Uivo da Gaita é uma história de amor. O enfoque da história são os riscos e a tensão que dominam o jogo de sedução entre os amantes, além dos corações partidos frutos de uma dinâmica que, no final das contas, é vivenciada por dois. Simples assim. O cineasta Bruno Safadi conta a história do triângulo entre o casal Antônia (Mariana Ximenes) e Pedro (Jiddu Pinheiro) e o terceiro elemento desestabilizador, que, na verdade, desestrutura para instaurar uma nova ordem, mas uma ordem mais sincera e honesta com os sentimentos de todos os envolvidos, Luana (Leandra Leal). Safadi evita os diálogos e abusa do potencial imagético como produtor de códigos e sensações no espectador. Os personagens pouco falam, diálogos esparsos e o que ocorre em cena é uma performance inventiva das dinâmicas de encontro, sedução, obsessão, desprendimento, comunhão, enfim, algo que fica claro em sequências nas quais Luana e Pedro se alternam pela atenção de Antônia. 

O Rio nos Pertence



O mais interessante dos três filmes, O Rio nos Pertence coloca o Rio de Janeiro como seu cenário, mas inverte a lógica costumeira de sua apresentação ao espectador. Ao invés de uma cidade marcada pelo verão, pelo caráter acolhedor do seu povo e pelas belezas naturais, o Rio de Janeiro é retratado pelo diretor Ricardo Pretti como um típico cenário de filme de terror. Macabro e sombrio, O Rio nos Pertence traz Leandra Leal como Marina, uma jovem que mora há anos fora do país e retorna a sua cidade natal, o Rio de Janeiro. A personagem é assombrada por um traumático evento do seu passado e reencontra uma antiga paixão e a sua irmã, personagem de Mariana Ximenes, que nutre uma mágoa após ter sido abandonada por Marina por tanto tempo. Neste filme, Pretti consegue criar uma atmosfera soturna o suficiente para gerar no espectador a sensação de claustrofobia e pavor que a protagonista sente corriqueiramente. É o filme que mais consegue reverenciar o cinema marginal sem deixar de lado a execução de uma narrativa com regras próprias. 

O Fim de uma Era



O único título do projeto dirigido em parceria por Bruno Safadi e Rodrigo Pretti é uma espécie de making of  estilizado das outras duas produções. Reunindo arquivos das filmagens de O Uivo da Gaita e O Rio nos Pertence em belíssimos planos em preto e branco, O Fim de uma Era é sugestivo em seu título e evoca melancolicamente algumas histórias de amor vividas nos bastidores de um tempo do cinema sugerido como um período que não volta mais. Repleto de nostalgia e dor, O Fim de uma Era tem sua estrutura dividida em histórias narradas por grandes figuras do cinema marginal que o projeto tenta homenagear, como Maria Gladys e Helena Ignez. Ainda que consiga transmitir toda sorte de sensações com pouquíssimos recursos, o que é um mérito, O Fim de uma Era é levemente inferior aos outros dois filmes, um capítulo bem menos ambicioso da trilogia, mas não menos interessante. 

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