segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Drops: Grandes Olhos




Grandes Olhos é um filme peculiar na carreira do Tim Burton. O realizador de longas como Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos de Tesoura A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça sempre fez questão de imprimir as suas marcas estilísticas em sua filmografia, todas elas reconhecidas até mesmo pelo menos iniciado dos cinéfilos. Eis que Burton realiza Grandes Olhos, filme que em nada lembra a filmografia do realizador e que conta a história real da pintora Margaret Keane e sua complicada relação com seu marido Walter, que lhe usurpou a autoria de todos os seus famosos quadros estabelecendo uma dinâmica familiar de dominação e submissão com ela. Para muitos, essa neutralidade do gênio de Burton em Grandes Olhos era motivo de celebração, afinal a estética do diretor foi responsável pelo seu sucesso nos anos 80 e 90, mas também pelo seu desgaste nos anos 2000 com filmes absolutamente esquecíveis como Sombras da Noite ou Alice no País das Maravilhas, marcados por um excessivo destaque visual e um completo desleixo em sua narrativa. Grandes Olhos é um filme mais sóbrio na carreira do diretor sim, mas nem por isso é um de seus trabalhos mais interessantes, pelo contrário, talvez um dos piores. Burton se apaga completamente no filme e entrega uma história sem pulso e energia. A apatia é tão grande que a impressão que fica é a de que o diretor tem completo desinteresse no drama dos Keane. Entregue a um roteiro raso e cheio de frases de efeito digna dos piores dramalhões mexicanos, Burton dirige o seu filme como se estivesse realizando um telefilme em início de carreira. Como se não bastasse tudo isso, o diretor ainda entrega uma performance canastrona do ótimo Christoph Waltz, que transforma Walter em uma espécie de mitômano, e uma Amy Adams apenas correta. 

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