sábado, 16 de janeiro de 2016

Drops: Creed - Nascido para Lutar


Se hoje qualquer filme de boxe parece genérico ao funcionar como uma espécie de manual de auto-ajuda tudo isso deve ser creditado na conta de Rocky, Um Lutador, longa de John G. Avildsen que transformou Sylvester Stallone em um ícone na pele do lutador Rocky Balboa, faturou três estatuetas do Oscar em  1977, incluindo a de melhor filme, e que consolidou o "filme de boxe" como um gênero com marcas e programas de efeitos bem particulares. Aos 69 anos, Sylvester Stallone retorna na pele de Rocky Balboa em Creed - Nascido para Lutar, certamente um dos longas mais importantes com o personagem depois daquele que nos apresentou a ele na década de 1970. Dirigido por Ryan Coogler (de Fruitvale Station - A Última Parada), Creed - Nascido para Lutar traz a história de Adonis Johnson, filho "bastardo" do lendário lutador de boxe Apolo Creed, que enfrentou Rocky no primeiro filme da franquia. Adonis procura Balboa para que ele o treine e o transforme em um grande lutador em sua categoria, tarefa que o "Garanhão Italiano" aceita inicialmente com uma certa exitação, mas que acaba fortalecendo os seus laços com o rapaz. Co-autor do roteiro do filme, Coogler preserva a essência dos "filmes de boxe" ao fazer da trajetória de Adonis Johnson um conto sobre a superação. Contudo, cabe pontuar, que esse propósito do realizador não soa em momento algum como uma repetição e nem mesmo a presença de Rocky Balboa como um personagem importante e determinante para a história de Adonis Johnson transforma Creed uma espécie de produto derivado sem personalidade da franquia Rocky. Ao contar com o excelente Michael B. Jordan como o seu protagonista, Ryan Coogler apresenta para a plateia um personagem fascinante repleto de camadas e movido por objetivos próprios, ainda que inegavelmente estabeleça um diálogo com a jornada do seu próprio treinador Rocky Balboa. É uma pena que o filme derrape ao incluir uma trama lacrimejosa envolvendo Balboa (algo que suspeito deve ter favorecido a inclusão do autor na seleção do Oscar de melhor ator coadjuvante) e que, no final das contas, mostra-se pouco produtiva para a própria história de Adonis Johnson. Contudo, entre erros e acertos, o filme é uma narrativa repleta de virtudes e que deve ser assistida de braços abertos e sem muito cinismo.

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