sábado, 30 de janeiro de 2016

Drops: Trumbo - Lista Negra


Após a Segunda Guerra Mundial, um número grande de atores, diretores e roteiristas de Hollywood se filiaram ao Partido Comunista. Acontece que o conflito foi sucedido pela Guerra Fria e a polarização entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético e nesse ambiente em que qualquer inclinação ideológica ao comunismo representava uma ameaça a valores tradicionais da cultura americana, todos esses profissionais do cinema começaram a ser perseguido por um grupo anticomunista no país que levou alguns deles ao exílio, à prisão e, posteriormente, ao completo boicote, já que estúdios e produtores passaram a ser ameaçados caso contratassem esses profissionais. Essa passagem da história dos EUA, que não se restringe a indústria cinematográfica, está em Trumbo - Lista Negra a partir da trajetória do roteirista Dalton Trumbo, conhecido por seus roteiros de Spartacus e A Princesa e o Plebeu e que fora inserido nessa época na "lista negra" de roteiristas acusados de comunismo no país. Por conta do episódio, durante anos, Trumbo assinou o roteiro de muitos filmes com falsas identidades e até recebeu duas estatuetas do Oscar no completo "anonimato". Cinematograficamente falando, Trumbo - Lista Negra tem muito pouco a oferecer, o filme tem um ritmo monótono em sua primeira hora e o diretor Jay Roach, famoso por ótimos trabalhos na HBO como os telefilmes Virada no Jogo e Recontagem, não tem um olhar mais enérgico para sua própria história e para o seu protagonista. Porém, é preciso salientar que Trumbo -Lista Negra não é e nem deseja ser uma obra marcada por peripécias audiovisuais, mas pela precisão da narrativa histórica e pelo senso de justiça com a vida do seu biografado. Assim, o filme é guiado o tempo todo pela obrigação de tentar corrigir um erro do passado na história norte-americana: a injustiça com Trumbo e todos aqueles que pertenceram a "lista negra". Se por um lado tais intenções não deixam de ser louváveis, por outro reveste o filme de cacoetes na construção dos seus personagens e das situações vivenciadas por eles. Há uma interessante interpretação de Bryan Cranston como Dalton Trumbo, além de Helen Mirren como a implacável perseguidora do roteirista Hedda Hopper e Diane Lane como a esposa do protagonista, mas a obra é monótona e sem menor vivacidade na sua condução. 

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