terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Listão 2015 - Filmes

Chegamos ao fim do nosso Listão 2015 com a escolha dos 10 melhores lançados no Brasil no ano que passou, segundo, é claro, os critérios do Chovendo Sapos. Antes de chegarmos ao nosso Top 10, gostaria de citar outros filmes que foram lançados comercialmente em 2015 nos cinemas ou em DVD, Blu-Ray e via streaming no nosso país que merecem uma devida menção:



#20. A Espiã que sabia de Menos
Dir.: Paul Feig

#19. Tudo que Aprendemos Juntos
Dir.: Sérgio Machado

#18. Cobain - Montage of Heck
Dir.: Brett Morgen

#17. The Babadook
Dir.: Jennifer Kent

#16. Mad Max - Estrada da Fúria
Dir.: George Miller



#15. Casa Grande
Dir.: Fellipe Barbosa

#14. O Ano mais Violento
Dir.: J.C.Chandor

#13. Macbeth - Ambição e Guerra
Dir.: Justin Kurzel

#12. Dívida de Honra
Dir.: Tommy Lee Jones

#11. A Travessia
Dir.: Robert Zemeckis


#10. Corrente do Mal
Dir.: David Robert Mitchell

O terror do ano, não há dúvidas. Enquanto seus colegas exploram reiteradamente recursos já batidos, David Robert Mitchell explora de maneira inventiva todo o vínculo estabelecido durante anos entre a narrativa do gênero e a sexualidade na história de uma maldição transmitida pela relação sexual a jovens que passam a ser perseguidos por estranhos fenômenos e aparições. Mitchell se destaca pela maneira como conduz a trama, surpreendendo o espectador com ângulos e perspectivas inesperadas. E o que é melhor, o diretor não recorre ao found footage para fazer um dos melhores e mais perturbadores exemplares do gênero que foi exibido nas telonas em 2015.





# 09. Expresso do Amanhã
Dir.: Joon Ho Bong

Levou dois anos para que o público assistisse a esse primeiro filme em língua inglesa do sul-coreano Joon Ho Bong, a ficção-científica Expresso do Amanhã. Claro que versões do filme já estavam disponíveis por ai, mas valeu a pena esperar para ver no cinema. O longa é ambientado em um futuro distópico no qual a sociedade vive em um trem dividido por vagões ocupados  por diversas classes em seus privilégios ou carências. Reunindo em seu elenco atores de trajetórias profissionais diversificadas como Chris Evans, Tilda Swinton, Ed Harris, Octavia Spencer, Jamie Bell, John Hurt, além de antigos colaboradores do diretor como Kang-ho Song e Ah-sung Ko, Expresso do Amanhã se impõe como uma narrativa sobre a humanidade e sua relação com o poder. 
  




#08. Mapas para as Estrelas
Dir.: David Cronenberg

Juntem a marca inconfundível das narrativas de David Cronenberg a um roteiro sobre a doentia cultura narcísica do mundo contemporâneo e teremos um dos melhores filmes da recente filmografia do diretor, Mapas para as Estrelas. Iniciando sua trama com o retorno da jovem problemática Agatha Weiss (papel de Mia Wasikowska) a Los Angeles após passar um tempo em uma instituição psiquiátrica, Mapas para as Estrelas é um dos filmes mais enérgicos e interessantes do realizador em anos. Entre os personagens que Agatha encontra no seu caminho estão a atriz decadente, interpretada por uma afiada Julianne Moore; um jovem motorista aspirante a ator, vivido por Robert Pattinson; um garoto prodígio que é estrela de um programa de TV, a revelação Evan Bird; e um guru de celebridades, papel de John Cusack. 






#07. Belle
Dir.: Amma Asante

À primeira vista, Belle pode até ser interpretado como um romance de época banal, mas a história da cineasta Amma Asante, baseada em eventos e personagens reais, sobre uma nobre filha de uma escrava com um capitão britânico que movimentou a sociedade inglesa do século XVIII tem um valor representativo inestimável ao observar todo esse cenário de transformação pela perspectiva da sua conflituosa protagonista. Evidenciando uma forte interpretação de Gugu Mbatha-Raw, Belle discute o preconceito velado, mas também a própria crise de identidade que a segregação racial causa na protagonista Dido Elizabeth Belle, criada entre brancos como uma branca da sua época, mas vítima de uma discriminação escamoteada. Como esta personagem encontra o seu caminho para a libertação é um dos grandes méritos do filme de Asante, um belíssimo e comovente romance de época que impõe a força do seu discurso com muita organicidade.







# 06. Star Wars - O Despertar da Força

Dir.: J. J. Abrams

A força finalmente despertou! Foram quase dois anos de muita expectativa para o retorno de uma das franquias mais celebradas da história do cinema e a espera valeu muito a pena. Star Wars - O Despertar da Força chegou com tudo nos cinemas e nos prepara para muitas das emoções que a nova trilogia promete nos reservar pelos próximos anos. Num misto de nostalgia, ao dialogar com alguns elementos dos mais cultuados filmes da saga (Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca), e frescor, O Despertar da Força é conduzido por um J. J. Abrams que entendeu muito mais o espírito da franquia do que o seu próprio criador George Lucas, que se perdeu em absoluto em A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith. A gente mal pode esperar para ver o que vem a seguir...





# 05. Que horas ela volta?
Dir.: Anna Muylaert

Poucas vezes na história recente do cinema nacional um filme conseguiu aliar o seu compromisso com um discurso político e ideológico e se comunicar com públicos dos mais diversos diversos repertórios como Que horas ela volta?. Conduzido com delicadeza por Anna Muylaert, que praticamente confiou a sua história nas mãos da fantástica interpretação de Regina Casé, Que horas ela volta? mostra um Brasil que muitas vezes é ignorado, mas que está ai e parece irreversível. O tratamento que o filme de Muylaert dá às relações entre patrões e empregados e o choque de gerações entre Val e Jéssica, personagens de Casé e da jovem Camila Márdila, coloca em evidência o olhar clínico para as mudanças sociais no país sem ter a menor inclinação para o aborrecido "cinema panfletário". 






# 04. Divertida Mente
Dir.: Pete Docter e Ronnie Del Carmen

De Toy Story 3, lançado em 2010, para cá, a Pixar parecia ter simplesmente adormecido. Tá, Valente pode até ter os seus méritos, mas filmes como Carros 2 e Universidade Monstro estavam aquém de produções como Wall-E, Ratatouille ou Procurando Nemo, que impuseram a presença do estúdio de animação como uma dos maiores celeiros de produções cinematográficas contemporâneas (e não apenas de animações - como se isso fosse pouco...). Divertida Mente retoma os elementos de alguns dos melhores filmes da Pixar e os aprimora ao contar uma história sobre as transformações da cabeça de uma pré-adolescente pela perspectiva das suas emoções mais básicas: a Alegria, a Tristeza, o Raiva, a Nojinho e o Medo. A Pixar sempre acerta em cheio ao nos emocionar com histórias encabeçadas por personagens inusitados como brinquedos, robôs, insetos e monstros, mas ao transformar emoções em protagonistas com camadas e personalidade eles deram um passo além. 





# 03. Ex Machina - Instinto Artificial
Dir.: Alex Garland

Um dos filmes mais comentados de 2015 sequer chegou às salas de cinema do Brasil. Uma pena, porque Ex Machina - Instinto Artificial merecia ser visto na tela grande. Estreia como cineasta de Alex Garland, roteirista de Danny Boyle em Extermínio e Sunshine - Alerta Solar, Ex Machina chegou no país diretamente em DVD e Blu-Ray e por serviços de streaming de TV a cabo. O longa traz a história de um milionário excêntrico que oferece como prêmio a um de seus funcionários uma estadia em sua luxuosa mansão para que participe de um experimento com uma robô criada por ele chamada Ava. Com um elenco jovem e muito requisitado nos últimos anos (Alicia Vikander, Oscar Isaac e Domhnall Gleeson), Ex Machina é um filme que mexe com os nervos e a curiosidade do espectador do início ao fim e introduz discussões pertinentes e bem colocadas sobre a fé, a ética e a relação do homem com as suas criações. 






# 02. Dois Dias, Uma Noite
Dir.: Jean-Pierre e Luc Dardenne

Guiado por uma soberba interpretação de Marion Cotillard, Dois Dias, Uma Noite acompanha o esforço da operária Sandra para sair da depressão em meio a uma difícil missão que a mesma acaba assumindo quando está prestes a retornar ao trabalho após ficar um tempo afastada do serviço em função de uma crise nervosa: convencer os seus colegas a votarem pela sua permanência no emprego e abrirem mão de um possível bônus salarial que a sua demissão traria a todos. No filme, a condução dos Dardenne é bastante simples e evita qualquer firula estética, seu objetivo é mostrar a batalha pessoal empreendida pela sua protagonista para superar a depressão. Nesse sentido, Dois Dias, Uma Noite evita um ponto de vista carregado de melancolia e pessimismo, ainda que ele faça parte do filme (não poderia ser diferente tendo em vista a condição da sua protagonista), os Dardenne preferem olhar com otimismo e celebrar a vida ao final da história, o que só enobrece a obra e o seu lugar entre alguns dos melhores longas a abordar o tema.






# 01. Foxcatcher - Uma História que chocou o Mundo
Dir.: Bennett Miller

Talvez uma escolha polêmica pois de antemão tenho ciência que muitas pessoas não foram muito com a "cara" desse terceiro longa-metragem do talentoso Bennett Miller, que já conhecíamos por Capote e por O Homem que mudou o Jogo, mas trata-se de uma escolha consciente e sincera. Indicado a 5 Oscars (diretor, roteiro original, ator para Steve Carell, ator coadjuvante para Mark Ruffalo e maquiagem) e vencedor do prêmio de direção em Cannes, Foxcatcher - Uma História que chocou o Mundo é baseado em eventos reais e narra parte da trajetória do atleta de luta greco-romana Mark Schultz (Channing Tatum) e sua delicada relação com o seu novo treinador, o excêntrico (para dizer o mínimo) milionário John Du Pont (papel de Steve Carell). No fundo, Foxcatcher traz ingredientes e temáticas de alguns dos melhores filmes do cinema norte-americano ao explorar as consequências da "cultura do vencedor" na sociedade estadounidense, Bennett Miller nos apresenta, sem concessões, a sujeitos marcados pela imaturidade emocional (Mark Schultz) ou psicologicamente perturbados (John Du Pont). O resultado é um filme importante, sombrio, elegante e consciente do tipo de trauma coletivo que pretende explorar. 

 

Um comentário:

liz disse...

Impossível de perder o segundo episódio da nova série de comédia da HBO, Vice Principals é uma excelente série, nos primeiros minutos demonstram ser uma proposta bastante divertida, louca e com um tom cômico e muito agradáel. Só espero que de verdade consigam cumprir as expectativas e que os 18 episódios tenham sido planejados para cubrir as expectatias do espectador. Com Danny McBride, eu recomendo muito.