segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Orgulho e Preconceito e Zumbis



Certas ideias são tão estapafúrdias que a gente chega a acreditar que nas mãos das pessoas certas, quem sabe, elas podem dar certo. É o caso de Orgulho e Preconceito e Zumbis, livre adaptação do romance Orgulho e Preconceito de Jane Austen que transporta a história de amor com pitadas de discussões sociais entre Elizabeth Bennet e o aristocrata esnobe sr. Darcy para o universo dos zumbis. A história do longa, por sua vez, é a adaptação de um livro de Seth Grahame-Smith, o mesmo de Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros,  que faz exatamente isso com a história de Jane Austen e circula há anos por Hollywood, tendo caído inicialmente nas mãos da atriz Natalie Portman, que viveria a Elizabeth Bennet dessa versão, mas que agora está nos créditos apenas como produtora do filme. Agora, Orgulho e Preconceito e Zumbis chega finalmente aos cinemas com Lily James, de Cinderela, como a protagonista Lizzie Bennet e Sam Riley como o icônico Sr. Darcy em versões exterminadoras de zumbis. 

Orgulho e Preconceito e Zumbis traz a história das irmãs Bennet que todos conhecem de Orgulho e Preconceito em meio a uma Inglaterra tomada por uma praga zumbi. As Bennet são garotas treinadas para enfrentar qualquer morto-vivo que viole as divisões impostas pelo país ao mundo dos mortos e dos comedores de cérebros humanos. Em meio a todo esse estado de tensão, Elizabeth Bennet acaba se apaixonando por um homem que passa a desprezar pelo seu comportamento arrogante, Sr. Darcy, um aristocrata que também está muito bem preparado para enfrentar qualquer praga zumbi. 

Um dos maiores problemas de Orgulho e Preconceito e Zumbis é não tornar orgânica toda a mitologia das histórias de zumbis no contexto do clássico romance de Jane Austen, o que torna o principal defeito da obra ainda mais grave, afinal tudo nela gira em torno desse casamento inusitado entre a clássica obra literária e o universo dos mortos-vivos. No início do longa, até que existem algumas adaptações interessantes envolvendo personagens e passagens marcantes do livro de Jane Austen e o novo contexto proposto pelo autor Seth Grahame-Smith e o diretor e roteirista Burr Steers, cujo título mais interessante da filmografia é o "estranho" e pouco conhecido A Estranha Família de Igby (vale a pena resgatar, se tiver interesse). O realizador não consegue justificar a razão para o inusitado casamento entre dois universos tão díspares e os zumbis acabam tornando-se elementos e recursos completamente aleatórios na história. O resultado é um filme esquisito que perde o seu impacto sobretudo nos momentos finais, quando a narrativa empalidece. 

Esvaziado em seu propósito e não servindo nem mesmo como uma fita de entretenimento nerd, o que já seria de bom tamanho, Orgulho e Preconceito e Zumbis carece de decisões e adaptações mais enérgicas que transformassem sua inusitada incursão em uma das histórias mais celebradas de Jane Austen num filme que justificasse a sua existência. Do jeito que ficou, até que é um longa divertido, com momentos isoladamente interessantes, mas completamente sem viço.  


Pride and Prejudice and Zombies, 2016. Dir.: Burr Steers. Roteiro: Burr Steers. Elenco: Lily James, Sam Riley, Jack Huston, Bella Heathcote, Douglas Booth, Matt Smith, Lena Headey, Charles Dance, Sally Phillips, Suki Waterhouse, Ellie Bamber, Millie Brady, Emma Greenwell. Sony, 107 min. 

Nenhum comentário: