domingo, 15 de maio de 2016

(Drops) O Conto dos Contos

Il racconto del racconti, 2015. Dir.: Matteo Garrone. Roteiro: Matteo Garrone, Edoardo Albinati, Ugo Chiti e Massimo Gaudioso. Elenco: Salma Hayek, Vincent Cassel, Toby Jones, John C. Reilly, Bebe Cave, Stacy Martin, Christian Lees, Jonah Lees, Hayley Carmichael, Shirley Henderson. Mares Filmes, 133min.


Narrando três contos paralelos ambientados em três reinos distintos, O Conto dos Contos traz a perspectiva do universo fantástico, repletas de monarcas egocêntricos e cheios de caprichos em terras medievais cujas narrativas são delineadas pelas interferências da ordem da magia sempre no formato do conto moral. No fim, tudo é marcado pelo pretexto (no bom sentido da palavra) para lições  que estabelecem reflexões a respeito das nossas maiores fragilidades enquanto seres humanos: vaidades, preconceitos, arrogância etc. Tudo colocado em destaque na tela pela lente de aumento do realizador italiano Matteo Garrone (de filmes como Gomorra e Reality). Três são os focos da atenção do diretor em O Conto dos Contos: um casal de monarcas que diante da impossibilidade da rainha engravidar estabelecem um pacto com um estranho feiticeiro; um rei seduzido pelo que acredita ser a mais bela camponesa das suas terras; e um outro soberano que passa a cuidar de uma pulga como se fosse um animal doméstico, trazendo com isso severas consequências para a sua relação com sua única filha. Não existe maiores ambições no filme de Garrone e nem precisavam existir. Com uma certa sofisticação visual e muito bom humor, o cineasta apresenta ao espectador o seu grupo de crônicas que apesar das suas oscilações  surgem como irônicas metáforas abertas a múltiplas leituras. Em seu elenco formado por atores como Salma Hayek, John C. Reilly, Vincent Cassel, Toby Jones e Stacy Martin, nenhum destaque específico, a grande estrela do filme acaba sendo a rica imaginação do seu diretor e do seu material-base, o livro de Giambattista Basile. Nesse quesito, O Conto dos Contos oferece um conjunto de histórias recompensadoras a despeito das suas inconstâncias de ritmo em momentos localizados dos seus três eixos narrativos.


Nenhum comentário: