sexta-feira, 17 de junho de 2016

(Impresso) HQ Mulher-Maravilha - Sangue


Logo que Batman vs. Superman - A Origem da Justiça foi lançado nos cinemas um dos poucos pontos pacíficos de aceitação entre aqueles que assistiram ao filme  mais espinafrado de 2016 foi a Mulher-Maravilha encarnada pela atriz Gal Gadot. Portanto, nada mais natural que muitas expectativas sejam depositadas pelos fãs da DC Comics no filme solo da personagem que deve chegar aos cinemas em junho de 2017 e que o mercado editorial de quadrinhos se animasse com o lançamento de HQs da heroína, reacendendo o interesse do público pela amazona aliada dos populares Batman e Superman. A editora Panini acaba de lançar no mercado brasileiro Mulher-Maravilha - Sangue, HQ que reúne as seis primeiras edições das revistas da personagem lançadas no projeto Os Novos 52, que em 2011 deu um reset em toda as publicações com os personagens da DC Comics.



Sangue traz um roteiro de Brian Azzarello, que já assinou títulos como a série 100 Balas da Vertigo e a HQ Coringa, e arte de Cliff Chiang e Tony Atkins. A compilação serve como uma história de origem da personagem e tem como grande acerto prestar tal serviço àqueles que não estão familiarizados com a história da Mulher-Maravilha, mas também aos que já conhecem de cor o passado e o espírito do universo da heroína. Sangue consegue ser eficiente e original como uma trama de origem, não cansando os mais escolados nas sagas da DC com a estrutura "basicona" do "quem é, de onde veio, como descobriu seus poderes, como começou a agir como heroína etc.", mas também sabe ser didático aos "marinheiros de primeira viagem". O leitor do material é apresentado a uma Diana que já aparece em ação como a Mulher-Maravilha, protegendo uma jovem grávida da fúria da deusa Hera depois que esta toma conhecimento da existência de mais um rebento de Zeus espalhado pelo mundo. Em meio a ação, Mulher-Maravilha retorna à Ilha Paraíso e tem contato com revelações sobre o seu passado e o de sua mãe Hipólita.

Como uma junção de várias revistas, Sangue acaba enfraquecendo a partir da sua quarta edição, quando Diana sai da Ilha Paraíso e dá início a uma série de questionamentos existenciais. É neste momento que o material perde o ritmo e encerra a publicação com um desfecho, que, obviamente, não encerra completamente os conflitos e tramas que iniciou (esperamos que a Panini lance os números restantes em outras edições tão bem encadernadas quanto esta). É preciso, acima de tudo, dar créditos ao excelente trabalho de Azzarello no tratamento que dá à apresentação da Mulher-Maravilha, algo que, como já mencionado, é acessível e prazeroso a públicos com os mais diferentes repertórios sobre a personagem, mas também no ritmo que confere às três primeiras edições das revistas Os Novos 52 da heroína e como consegue tornar contemporâneo e interessante para as novas gerações o complicado universo da amazona, que, entre outras coisas, envolve a interferência de deuses da mitologia grega no mundo de hoje. Isso Azzarello faz da melhor maneira que pode, apoiado sobretudo na arte de Chiang e Atkins, tendo em vista as inerentes dificuldades do material-base.  


Wonder Woman - Blood, 2016. Roteiro: Brian Azzarello. Arte: Cliff Chiang e Tony Atkins. Editora Panini, 162 p.

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