sábado, 30 de julho de 2016

(Impresso) 'Coringa' aborda natureza do mal através de icônico vilão da DC

Publicado originalmente em outubro de 2008, Coringa é uma HQ que tem por objetivo, desde o princípio, e o próprio título entrega esse propósito, centrar suas atenções no maior inimigo do Batman, o Coringa, investigando a essência da sua natureza psicótica e perversa. Escrita por Brian Azzarello e definida visualmente pela arte de Lee Bermejo, Coringa pode ser entendida  como uma história de gângsters que tem como foco da sua narrativa as relações estabelecidas entre o grupo encabeçado pelo Coringa e as demais facções criminosas de Gotham City, a principal delas é a do Duas Caras, outro vilão conhecido do Batman. Com esse intuito, Coringa acaba revelando-se como  um interessante e necessário parênteses nas histórias do Homem-Morcego da DC Comics.

Na HQ, Coringa acaba de sair do Arkham e retorna ao convívio social, o que significa que o vilão tenta se reposicionar no mundo do crime após um tempo considerável longe das ruas. Todo esse retorno do vilão a Gotham City é narrado pela perspectiva de Jonny Frost, um criminoso amador que através da sua narração tenta compreender a natureza do Coringa junto ao leitor. Na medida em que a história avança, nos confrontamos com um dos retratos mais assustadores já feitos do personagem, que encontra na alternância da atmosfera bucólica e silenciosa dos arranjos entre os malfeitores com os momentos de extrema violência do seu protagonista um tom coerente com os propósitos da HQ de Azzarello e Bermejo.


Coringa não vai trazer ao público as origens misteriosas do vilão, algo que A Piada Mortal, outra famosa HQ sobre o personagem, tentou fazer, por exemplo. O intuito do trabalho de Azzarello e de Lee Bermejo é despir e esmiuçar a psicologia do vilão, trabalhando com a ideia de que a violência é uma espécie de doença para uma grande cidade como Gotham City. Aqui e ali, é possível perceber na trama uma herança da interpretação do cineasta Christopher Nolan para o universo do Batman ou o contrário. O próprio visual do Coringa é muito parecido com a versão do personagem interpretada por Heath Ledger, uma interpretação que, diga-se de passagem, foi divulgada por Bermejo em 2006 antes da publicação ser vendida e antes de Batman - O Cavaleiro das Trevas começar a ser concebido. Em todo o caso, Coringa tem seus próprios méritos e impõe-se como um olhar violento e duro sobre o seu objeto de interesse, independente da sua familiaridade ou regularidade de leitura das HQs do universo do qual ela faz parte e tenta conceber um outro olhar.


Joker, 2008. Roteiro: Brian Azzarello. Arte: Lee Bermejo. Panini Comics, 130 p.

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