sábado, 2 de julho de 2016

(Impresso) Ethan Hawke faz livro de autoajuda medieval em Código de um Cavaleiro



Código de um Cavaleiro não é uma novidade na biografia de Ethan Hawke. Escritor profícuo, Hawke pode ser mais conhecido por seu trabalho como ator nos filmes Boyhood, Dia de Treinamento, Gattaca e a trilogia Antes do Amanhecer, mas faz um tempo já que ele se aventura na realização de romances, como Quarta-feira de Cinzas (Editora Ediouro, 2003) e The Hottest State, que, em 2006 foi adaptado para os cinemas pelas mãos do próprio autor, também roteirista da obra (em português o filme recebeu o título de Um Amor Jovem, com Catalina Sandino Moreno, Michelle Williams e Laura Linney no elenco). Hawke também é conhecido por seu trabalho como roteirista, além de Um Amor Jovem, foi responsável pelos scripts de Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite, pelos quais recebeu indicações ao Oscar, inclusive. Assim, Código de um Cavaleiro, novo trabalho do Hawke escritor que chega às livrarias brasileiras em 2016, não é coisa nova na sua biografia, mas uma extensão da sua própria versatilidade.

Lançado no Brasil pela editora Harper Collins, Código de um Cavaleiro é uma grande carta escrita por Sir Thomas Lemuel Hawke antes de morrer para os seus quatro filhos. Ethan Hawke explica nas páginas iniciais do seu livro que trata-se de um escrito encontrado pela sua família e que Thomas Lemuel seria um antepassado dos Hawke, mas esta conexão não é muito clara quanto a sua veracidade. A própria história de Thomas Lemuel se confunde com fatos da biografia do próprio Hawke (ambos têm quatro filhos, os dois passaram por enlaces amorosos muito parecidos etc.). Nesse código, Thomas Lemuel deixa uma série de ensinamentos sobre temas como a honestidade, a humildade, o amor, a fé e a morte a fim de compor uma espécie de guia moral para seus descendentes, todos eles pensamentos de inspiração na filosofia oriental e ocidental extraídos de sua vivência como cavaleiro na Cornualha do século XV ao lado do seu avô. São 20 temas caros ao personagem, começando com a Solidão e finalizando com a Morte. Em cada um deles, Thomas Lemuel cita uma passagem da sua longa caminhada de formação como cavaleiro e tais passagens são intercaladas por ilustrações que passaram por um processo "reconstrução" pelas mãos da atual esposa de Ethan Hawke, Ryan Hawke.

"Jamais finja que não é um cavaleiro ou tente diminuir-se porque julga que isso fará os outros sentirem-se melhor. Mostramos maior respeito aos outros ao lhes apresentar o melhor de nós mesmos. A arrogância nasce da insegurança. Orgulho é diferente. nasce da dignidade, da autoestima e do autorespeito. todos nós vemos o mundo pelo prisma da nossa identidade. se nossa autoestima é baixa afeta tudo o que fazemos. o objetivo da vida é colaborar com os outros."  
Ethan Hawke sobre o Orgulho em Código de um Cavaleiro

A obra funciona como um daqueles livros de pensamento do dia no qual cada um dos capítulos pode funcionar como um norte para situações de conflito cotidianas. Portanto, não precisa ser lido linearmente. As passagens que envolvem as situações vividas por Thomas Lemuel em seu processo de formação como cavaleiro não apresentam esta linearidade ou mesmo o objetivo de construir uma narrativa "amarradinha" para o seu leitor. A jornada de Lemuel apresenta determinadas lacunas que não precisam ser preenchidas, a obra não tem como objetivo único a oferta de um romance medieval. Assim, como leitura uma, Código de um Cavaleiro pode parecer enfadonho, mas se utilizado como uma espécie de livro de autoajuda tem a sua funcionalidade e inspiração nas mãos daquele que procurar alguma luz a respeito de determinadas angústias e inquietações naturais da existência. Nesse sentido, o livro é um acerto, ainda que caia no risco da redundância, ingenuidade ou banalidade do discurso da autoajuda. Hawke consegue trazer para suas páginas a essência da nobreza de um cavaleiro com todos os seus princípios éticos e sabedoria marcados pela retidão da conduta em situações cruciais.


Rules for a Knight, de Ethan Hawke. Harper Collins Brasil, 2016, 192 p.

2 comentários:

Ana Paula Ruggini Zarpelon disse...

Comprei, apesar de não gostar de auto ajuda, pois sou fã do trabalho do Ethan Hawke como ator. Agora vou verificar como escritor. Acredito no talento dele e sei que será uma leitura interessante! E, como você citou, pode ser um pouco autobiográfico, me interessei mais ainda!

Abraços!

Wanderley Teixeira disse...

Oi, Ana Paula,

Sim, tem uma ponte entre o protagonista do livro e o próprio Hawke. Fica ainda mais interessante conforme a história vai avançando e ele fala dos seus relacionamentos amoroso, por exemplo (Não sei se vc sabe, mas a esposa anterior dele foi a Uma Thurman). Também sou um pouco resistente com livros de auto ajuda, ainda que reconheça sua importância. Me parece um tipo de leitura a ser feita de maneira descompromissada, com a escolha de cada um dos capítulos a depender do seu dia.

Espero que tenha uma ótima experiência!

Abs!