domingo, 18 de dezembro de 2016

(Drops) 'Rogue One: Uma História Star Wars' é um grande e eficiente fan service


Não há como negar que Rogue One: Uma História Star Wars existe para satisfazer o desejo "supérfluo" dos fãs da saga criada por George Lucas nos anos 1970. O filme antecede os eventos do episódio IV da trilogia original que inaugurou todo o fenômeno da franquia cinematográfica, mostrando um grupo de rebeldes que põe em prática um plano de destruição da Estrela da Morte, estação bélica criada pelo Império Galáctico nos três primeiros longas. Sem gerar consequências drásticas na cronologia corrente de Star Wars, Rogue One é um filme que é tudo o que o prequel inócuo dirigido por George Lucas nos anos 2000 (Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith) poderia ter sido e não foi por obra da ganância do seu próprio realizador, um divertido e anabolizado fan service.

É certo que por conta de questões relativas a sua própria natureza, Rogue One possui algumas falhas. O público de antemão já sabe o destino de todos os seus personagens, portanto, muito da sua relação com o que é mostrado na tela se perde em meio ao impacto e às informações já recebidas nos filmes anteriores. O longa também sofre com uma protagonista frágil, já que a atriz Felicity Jones (indicada ao Oscar por A Teoria de Tudo) não consegue materializar 1/10 da densidade e força que sua heroína Jyn Erso parece inspirar. A importância e o valor dessa personagem é sublinhado o tempo todo no filme, mas parece que tudo é dito e sentimos muito pouco a respeito disso. Jyn se perde em meio a personagens mais carismáticos que conseguem se sobressair e, inclusive, criar vínculos afetivos mais fortes com o espectador, como o robô K-2SO e Chirrut Îmwe, interpretado por Donnie Yen, um rebelde cego que ainda acredita na Força.

Ainda que existam pontos questionáveis, as qualidades de Rogue One saltam aos olhos. Temos um blockbuster de ação competente que faz jus ao legado e ao espírito da franquia Star Wars, captando o tom de aventura espacial, a dramaticidade da história de tragédias em gerações familiares e resgatando elementos que farão fãs vibrarem (o que inclui, um uso espetacular e - o que é importante - moderado de um dos maiores vilões da história do cinema, Darth Vader). Para completar, a condução de Gareth Edwards, do sofrível Godzilla de 2014, é eficiente e oferece uma das sequências de batalha mais espetaculares que a saga foi capaz de mostrar na tela - e, o que é importante, à luz do dia e misturando elementos reais com efeitos especiais, algo que o George Lucas dos anos 2000 nunca foi capaz de fazer por se limitar ao uso artificial do chroma key

Rogue One, A Star Wars Story, 2016. Dir.: Gareth Edwards. Elenco: Felicity Jones, Diego Luna, Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Ben Mendelsohn Alan Tudyk, Donnie Yen, Wen Jiang, Riz Ahmed, Jimmy Smiths, Alistair Petrie. Buena Vista, 134 min.

Assista ao trailer do filme abaixo: 

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