sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

(Listão 2016) Melhores Atrizes

#01. Isabelle Huppert  |  Elle

Uma das colaborações mais explosivas do ano entre um diretor e uma atriz foi estabelecida por Paul Verhoeven e Isabelle Huppert no longa Elle. Huppert interpretou uma das personagens mais controversas de 2016. Traumas, perversões e tabus foram todos testados e questionados através de Michèle Leblanc, complicada personagem defendida pela atriz, mergulhada em universos polêmicos em Elle. Huppert dimensiona com precisão o pragmatismo e a psicologia nada óbvia de Michèle, que tem uma relação incomum com a violência, o sexo e com as relações interpessoais. 


#02. Sonia Braga  |  Aquarius

A dignidade em 2016 atende pelo nome de Clara, personagem composta com bravura por Sonia Braga em Aquarius, estrela que enfim, após anos subaproveitada, ganha um papel digno do seu legado para o cinema brasileiro. Pelas mãos de Kleber Mendonça Filho, Braga nos traz uma personagem que representou a resistência em suas amplas searas e em tempos tão difíceis quanto os que estamos vivendo, mas também trouxe as contradições de uma classe média brasileira que o realizador pernambucano sempre teve precisão cirúrgica em retratar nos seus filmes anteriores.


#03. Susan Sarandon  |  A Intrometida

Outra atriz que teve a oportunidade de brilhar com uma grande protagonista em 2016 após inúmeros trabalhos que nunca fizeram jus ao seu talento foi Susan Sarandon. Em A Intrometida, dramédia indie de Lorene Scafaria, Sarandon interpreta Marnie uma mulher de meia idade que procura um sentido para a sua vida após a independência da filha, a viuvez e abocanhar uma herança considerável do marido. Scafaria faz de Sarandon a razão de ser do filme e a atriz consegue maravilhas oscilando entre a comédia e o drama e transformando Marnie numa das personagens mais encantadoras e humanas do ano. Uma pena que anda sendo esquecida nessa temporada de prêmios... 


#04. Cate Blanchett  |  Carol

Uma das atrizes mais talentosas da sua geração, Cate Blanchett é responsável por mais uma interpretação icônica em Carol. Como a socialite Carol Aird, Cate Blanchett nos oferece uma personagem naturalmente sedutora e segura daquilo que quer, uma mulher à frente do seu tempo, mas ciente dos inúmeros obstáculos que ainda tem que superar para viver seu amor pela jovem e imatura Therese. A australiana consegue modular com precisão toda a trajetória da sua protagonista tendo ao seu lado o desempenho sensível de Rooney Mara, um duo inesquecível. 


#05. Emmanuelle Bercot  |  Meu Rei

Vencedora do prêmio de melhor atriz em Cannes no ano de 2015, Emmanuelle Bercot interpreta a advogada Tony em Meu Rei. No filme a personagem que passa por um processo de reabilitação física e revive o seu intenso relacionamento com o marido Georgio, de Vincent Cassel, através de lembranças e por intermédio do retorno do mesmo a sua vida. Do fascínio dessa mulher pelo amado à constatação de que fora completamente iludida pela paixão, Bercot vive cada filigrama da passional jornada da sua personagem. 

As coadjuvantes


#01. Jennifer Jason Leigh  |  Os Oito Odiados

Quentin Tarantino já foi responsável por reanimar a carreira de figuras que andavam no ostracismo, basta recordarmos de John Travolta em Pulp Fiction, Pam Grier em Jackie Brown e Kurt Russell em À Prova de Morte. Em Os Oito Odiados, o diretor lança um merecido holofote em Jennifer Jason Leigh. Não que a atriz precisasse de muito, já que sua carreira no circuito indie caminhava relativamente bem, mas foi glorioso ver como Leigh agarrou com unhas e dentes a personalidade anárquica e irreverente de Daisy Domergue e pôde ter um dos seus desempenhos eternizados na carreira de um grande cineasta. 


#02. Kate Winslet  |  Steve Jobs

Num filme centrado na figura do magnata Steve Jobs, Kate Winslet conseguiu chamar a atenção para a personalidade de Joanna Hoffman, integrante da equipe desenvolvedora do Macintosh e parceira do protagonista do longa de Danny Boyle em três diferentes épocas. Winslet conseguiu dimensionar a importância de Hoffman no sucesso profissional de Jobs, colocando-a como um contraponto à personalidade instável pela força criativa do homem por trás da Apple. A atriz ainda tem o mérito de, discretamente, desenvolver três estágios de vida diferente para Joanna. 


#03. Rachel Weisz  |  Juventude

Elemento fundamental do longa de Paolo Sorrentino, Rachel Weisz interpreta a filha do regente vivido por Michael Caine em Juventude. Lena Ballinger, personagem da atriz, está junto com o seu pai em um retiro que o mesmo faz nos Alpes e aproveita a oportunidade para resolver alguns problemas afetivos e do próprio relacionamento com o protagonista. O resultado de tudo isso é uma das interpretações mais bonitas da carreira de Weisz, que soluciona determinados entraves emocionais da personagem com muita sensibilidade, o principal deles, tentar tirar de si o peso que é o legado da história dos seus pais. 


#04. Kate Dickie  |  A Bruxa

Kate Dickie é o tipo de atriz que anda por aí, a maioria dos leitores já deve tê-la visto em diversas oportunidades, mas nunca consegue se lembrar de onde exatamente. Dickie já esteve em Prometheus e, mais recentemente, se popularizou com a personagem Lysa Arryn em Game of Thrones. Em A Bruxa, a atriz interpreta a matriarca da família protagonista da história de horror, lidando com os estranhos acontecimentos envolvendo os seus filhos, que incluem o desaparecimento do recém nascido e as conexões dos eventos macabros com Thomasin, sua filha mais velha.  


#05. Tammy Blanchard  |  O Convite

Em O Convite, Tammy Blanchard vive a afitriã do jantar que dá start a toda a trama do filme. Inicialmente apresentada como uma mulher em frangalhos por uma tragédia familiar, aos poucos Eden se revela uma fanática religiosa. Blanchard consegue dar uma dimensão da personalidade conturbada da personagem que transita entre as duas dimensões de comportamento anteriormente citadas e que, por conta disso, é uma grande bomba relógio ao longo de todo o filme, tanto para os seus convidados como para ela própria. 

*Somente filmes vistos e lançados comercialmente no Brasil em 2016 (cinema, homevideo e streamings) 

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