segunda-feira, 27 de março de 2017

(Crítica) DreamWorks consegue oferecer mais do que personagens fofinhos em 'O Poderoso Chefinho'


A DreamWorks pode não ter o currículo de qualidade regular da Pixar, mas vez ou outra consegue acertar como nas franquias Kung Fu Panda e Como treinar o seu dragão. O Poderoso Chefinho é um desses projetos bem executados do estúdio de animação. O filme de Tom McGrath (de Megamente e Madagascar, dois irregulares exemplares do estúdio, por sinal) oferta ao público uma história bem amarrada, com personagens que crescem no decorrer da sua trajetória e mescla humor, ação e emoção em doses proporcionais e nunca excedidas.

No filme, Tim é um garoto de sete anos que acaba de ganhar um irmãozinho. Logo o menino descobre que o novo membro da sua família esconde características ainda mais peculiares do que sua voz grave e sarcástica e o habitual traje com que costuma andar pela casa (camiseta social, gravata, relógio de pulso e uma pasta de executivo). O bebê chegou na família de Tim para sabotar um plano de destruição do amor por crianças no mundo engendrado por um CEO de uma empresa de pets que pretende criar uma raça de cão que jamais crescerá, aumentando assim o desejo ávido dos humanos por bichinhos de estimação. 

A despeito do título brasileiro fazer referência mais do que evidente a O Poderoso Chefão de Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefinho (em inglês The Boss Baby) bebe de diversas fontes. A animação se aproxima das marcas dos filmes de espionagem, ficção científica e ação, investindo em traduções interessantes de seus elementos àqueles presentes no universo dos bebês. Há também no longa de animação um leve esforço para tratar questões mais amplas como a crescente indústria dos pets, que interfere até na genética das raças pensando em um mercado consumidor cada vez mais voraz por animais com traços específicos, fazendo com que além do alto investimento emocional o filme traga insights que o retirem da expectativa que porventura possa ter gerado, a de que se tratava de uma animação calcada na concepção de personagens "fofinhos" fazendo "gracinhas" por segundo para o espectador. O Poderoso Chefinho consegue ser mais que isso.

O filme não tem a ambição de um longa com o selo Pixar, se conformando com o seu lugar e pretensão de oferecer ao público um simples e objetivo escapismo. Com uma história amarrada que consegue construir um arco satisfatório e envolvente para seus protagonistas, é praticamente impossível torcer o nariz e não ceder um pouquinho aos encantos da divertida animação da DreamWorks.

The Boss Baby, 2017. Dir.: Tom McGrath. Roteiro: Michael McCullers. Vozes de: Alec Baldwin, Miles Christopher Bakshi, Steve Buscemi, Jimmy Kimmel, Lisa Kudrow, Tobey Maguire, Conrad Vernon, ViviAnn Yee, Eric Bell Jr.. Fox, 97 min. 

Assista ao trailer do filme:

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