terça-feira, 11 de abril de 2017

(Crítica) 'Velozes e Furiosos 8' mantém o fôlego da franquia protagonizada por Vin Diesel


Não tente buscar lógica ou trama complexa em qualquer exemplar da franquia Velozes e Furiosos. Há algum tempo, Vin Diesel e companhia rasgaram qualquer manual de regras do cinema blockbuster cerebral para abraçar de vez a comicidade e o senso de entretenimento da ação sem freios (literalmente) de um universo que não exige muito do espectador, apenas que ele sente em sua poltrona  e se divirta por duas horas com uma trama absurda e repleta de sequências de ação de perder o fôlego. Nem mesmo a trágica morte de um dos principais integrantes do elenco, o ator Paul Walker, fez a franquia perder o senso de diversão que existe por trás da sua fórmula e que garantiu sua longevidade, ainda que o desfecho de Velozes e Furiosos 7 tenha assumido um tom compreensivelmente melancólico. Velozes e Furiosos 8 segue exatamente aquilo que se espera de um exemplar da série de filmes, um evento cinematográfico dosado pelo entretenimento. 

Em Velozes e Furiosos 8 acompanhamos o casal Dom Toretto (Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) em sua tão sonhada lua de mel, após os eventos dos dois últimos filmes. A paz da passagem do casal por Cuba é tumultuada quando Dom tem um encontro com Cipher (Charlize Theron), uma hacker que o recruta para uma missão arriscada. Ela passa a chantageá-lo, colocando-o contra seus amigos e parceiros de longa data fazendo com que Toretto retorne ao mundo do crime.

Dirigido por F. Gary Gray (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.), Velozes e Furiosos 8 é aquele longa de ação desgovernado que manda para o espaço qualquer compromisso com a realidade. Como ocorre nos filmes anteriores da franquia, o ponto alto do longa é como ele utiliza os estereótipos dos seus próprios protagonistas, todos brutamontes com caras de poucos amigos, para fazer uma espécie de comentário bem humorado à própria lógica dos filmes de ação, calcados em recursos que são velhos conhecidos das plateias, como o caráter indestrutível dos heróis e a realização de feitos inacreditáveis que desobedecem qualquer lei física ou biológica aplicável a seres humanos. Nesse sentido, Vin Diesel retorna na pele do herói "relutante" Dom Toretto, explorando o quanto pode as caras e bocas típicas de um sujeito durão em uma versão MacGyver no comando das quatro rodas de um possante, e Dwayne "The Rock" Johnson faz do longa um verdadeiro playground realizando façanhas absurdas com seus músculos que parecem feitos de titânio. De quebra, ainda temos a cara marrenta do inglês Jason Statham, uma cereja no bolo da franquia desde o longa anterior, que nos presenteia com uma das melhores cenas de todo o filme ao tentar sair de um avião e se desvencilhar de bandidos carregando um "pacote" especial em uma das mãos.

Com sequências de ação bem executadas, que a exemplo dos filmes anteriores vai na contramão do cinemão americano dos nossos tempos ao tornar tudo muito crível e claro para a plateia (tudo é coreografado, em uma dinâmica de acontecimentos fácil de se entender em sua montagem e pouco afeito ao CGI), Velozes e Furiosos 8 é aquilo que muitos títulos da temporada de blockbusters poderiam ser ao invés de almejar tramas complicadas e expansões de universo que seus realizadores não conseguem dar conta: um longa de ação aloprado ligado na potência máxima do descompromisso. Trazendo como bônus a presença de Charlize Theron como a vilã da trama (tá certo que uma vilã bem rasa, mas tudo, como sempre, faz parte do próprio jogo que Velozes e Furiosos propõe ao seu espectador, afinal nada aqui foi escrito por Shakespeare ou Tenesse Williams), além de uma outra participação ilustre, Velozes e Furiosos 8 mostra que se a franquia continuar seguindo a fórmula de sempre muito outros exemplares bem sucedidos ainda estarão por vir. E como aqui não é nada muito concatenado ou sério, o público agradece essa eletrizante sensação de déjà-vu

Obs.: Não há cenas pós-créditos.

The Fate of the Furious, 2017. Dir.: F. Gary Gray. Elenco: Vin Diesel, Dwayne "The Rock" Johnson, Jason Statham, Charlize Theron, Kurt Russell, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Chris "Ludacris" Bridges, Scott Eastwood, Nathalie Emmanuel, Elsa Pataky, Luke Evans, Kristofer Hivju. Universal, 136 min.

Assista ao trailer do filme:

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