domingo, 7 de maio de 2017

(Crítica) 'Alien: Covenant' expõe uma franquia em estágio de saturação


Quando estreou, Prometheus não foi um consenso entre as plateias (público, crítica etc.). O filme de Ridley Scott que se preocupava em contar a origem da criatura de Alien: O 8º Passageiro e suas sequências era uma ficção científica de boas intenções, mas execução falha em diversos níveis. A esperança estava em sua continuação natural (e que até demorou a ser confirmada), Alien: Covenant que chega agora aos cinemas, porém o resultado desse longa é tão decepcionante e a direção do próprio Ridley Scott nesta sequência é tão pálida e burocrática que chega a fazer com que a gente tenha saudade de Prometheus, que ao menos tinha um rigor plástico (para vocês terem uma dimensão do resultado desse filme).

Em Alien: Covenant uma nave colonizadora chamada Covenant tem a missão de chegar ao planeta Origae-6. Acontece que antes de pousar no local toda a tripulação é surpreendida por um acidente que faz com que o androide Walter (papel de Michael Fassbender, de Steve Jobs) acorde todos. Os colonizadores da Covenant agora terão que lidar com uma reestruturação de planos e o grupo descobre que na proximidade de Origae-6 há outro planeta com potencial para abrigar vida humana, decidindo investir no novo local. Chegando lá são surpreendidos pela presença de seres agressivos que demonstram um potencial para dizimar toda a tripulação da Covenant. 

O público pode até torcer o nariz para Prometheus pelo resultado ter ficado aquém das expectativas, mas não podemos negar que ali existia um esforço, um desejo perceptível de oferecer novos horizontes para o público em cima de um universo já estabelecido. Talvez pela recepção fria do longa, Alien: Covenant nos passa uma sensação de recuo e covardia criativa, possivelmente um receio de que decisões extremas pudessem levar tudo para um lugar ainda mais indesejado que aquele de Prometheus. O resultado é que vemos na tela um Ridley Scott cuja direção é extremamente protocolar e preguiçosa, se contentando em obedecer as diretrizes de um roteiro que também não é lá grandes coisas. 

O realizador que inaugurou a franquia Alien parecia mais animado em Prometheus do que em Covenant. Aqui, Scott basicamente segue uma estrutura reiterativa que em nada beneficia sua própria trama, pelo contrário, expõe suas fragilidades e processo de saturação. A tripulação novamente atacada pelo monstro alienígena é capaz de tomar decisões ingênuas, parecendo a todo momento desejar estar no lugar de vítima dos ataques violentos do alien, em contrapartida temos novamente uma personagem feminina, que não consegue ser nem mesmo uma sombra daquilo que fora a Ripley de Sigourney Weaver nos anos de 1980, tampouco tem motivações razoavelmente bem construídas que a tornem em algum nível a heroína da história como a própria Elizabeth Shaw de Noomi Rapace do Prometheus. 

Entre os méritos do longa está Michael Fassbender se desdobrando com os andróides Walter e David (o último esteve em Prometheus), talvez o melhor personagem do filme e aquele que proporciona ao próprio título uma reflexão com um pouco de brilho a sua história ao tratar de questões que volta e meia surgem na ficção-científica sobre as consequências da falta de limites para a criação tecnológica realizada pelo homem. No mais, Alien: Covenant não convence em momento algum que ainda há fôlego na franquia, ao menos da maneira como está sendo feita, tampouco que Ridley Scott deseja mesmo continuá-la.

Alien: Covenant, 2017. Dir.: Ridley Scott. Roteiro: John Logan e Dante Harper. Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Demián Bichir, Carmen Ejogo, Danny McBride, Callie Hernandez, Jussie Smollett, Amy Seimetz. Fox, 122 min. 

Assista a um trailer do filme:


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